Jornal da Facom - 2ª Edição

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Hospital Veterinário da UFBA sofre com deficiências Problemas de infraestrutura e orçamento prejudicam o atendimento a animais de grande e pequeno porte Pág. O8 RESIDêNCIA UNIVERSITáRIA PáGINA 04 Estudantes reivindicam moradia universitária Luana Amaral | LabFoto Jornal Laboratório da Faculdade de Comunicação da UFBA ENTREVISTA - FILOSOFIA PáGINA 10 Preguiça pode ser bom BIOLOGIA PáGINA 12 Núcleo educa sobre animais peçonhentos

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Jornal Laboratório da Faculdade de Comunicação da UFBA

Transcript of Jornal da Facom - 2ª Edição

  • Hospital Veterinrio da UFBA sofre com deficincias

    Problemas de infraestrutura e oramento prejudicam o atendimento a animais de grande e pequeno porte

    Pg. O8

    residncia universitria pgina 04

    Estudantes reivindicam

    moradia universitria

    Luan

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    Jornal Laboratrio da Faculdade de Comunicao da UFBA

    entrevista - filosofia pgina 10

    Preguia pode ser bom

    Biologia pgina 12

    Ncleo educa sobre

    animais peonhentos

  • para no se perder...

    Numa cidade com srias deficincias no aten-dimento sade das pessoas, demandar por servios de sade para animais parece algo irrelevante. Hoje em dia, contudo, no precisa ser vegano para reconhecer que nossos pets tambm tm direitos. O Brasil e os pases-membros da ONU so signatrios da Declarao Universal dos Di-reitos dos Animais, proclamada pela UNESCO em 1978. Todavia, vale lembrar que muitas das enfer-midades adquiridas por crianas e adultos provm do contato com animais doentes. As aes do mu-nicpio limitam-se vacinao e castrao de ces e gatos, e nem sempre esses servios esto dispo-nveis a toda populao. Quem mais sofre com esta situao so as famlias mais pobres, que no tm como pagar por atendimento em clnicas privadas. Por isso, a reportagem do JF mostra a situao do nico hospital pblico de Salvador que atende bi-chos de estimao e tambm grandes animais, o Hospital Veterinrio da UFBA, que merece mais ateno.

    Boa leitura.

    Produo da disciplina Oficina de Jornalismo Impresso, do 3 semestre - Segunda edio, ano 2012

    Reitora: Dora Leal RosaDiretor da Facom: Giovandro FerreiraCoordenao Editorial: Graciela Natansohn-DRT/BA 2702Chefe de redao: Lara PerlReviso: Carlene FontouraEdio de fotografia: Lara PerlProjeto Grfico: Amanda Carrilho e Gabriel CayresDiagramao: Amanda Carrilho e Gabriel Cayres / Edufba

    Reprteres (turma 2012.1)Adriele Souza, Agnes Cajaiba, Alles Alves, Alexandre Wanderley, Carol Prado, Daniel Silveira, Dudu Assuno

    Abril 2012

    Jornal Laboratrio da Faculdade de Comunicao da Universidade Federal da BahiaRua Baro de Geremoabo s/n, Campus de OndinaCEP 40.170-115 Salvador Bahia - Brasil

    Edvan Lessa, Fbio Arcanjo, Fabrina Macedo, Gislene Ramos, Guilherme Alves, Jos Calasans, Jlia BelasLara Bastos, Lara Maiato, Lara Perl, Luana AmaralLuiz Fernando Teixeira, Marlia Cairo, Rafael FranaTais Bichara, Thamires Tavares, Thais Motta, Tiago do Nascimento, Val Benvindo.

    Contato: [email protected] de capa: Luana Amaral

    Distribuio gratuita

    ALIMENTAOPG. 03

    VETERINRIAPG. 08 E 09

    FILOSOFIAPG. 10 E 11

    BIOLOGIAPG. 12 e 13

    COMUNICAOPG. 15

    PERFIL: ANA ALICEALCNTARA COSTAPG. 16

    DIREITOPG. 06 E 07

    RESIDNCIAUNIVERSITRIAPG. 04 E 05

    Luan

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    REStauranteUNIVERSITRIoPG. 14

    Nadja Vladi, entrevistada na edio passada, foi reprter na Veja locale editora do site IGuais, uma parceria da ONG Cip com o portal iG.

  • jornal laboratrio | facom/ufba alimentao | pgina 3

    Thamires Tavares Tiago do Nascimento

    C om horrio apertado, engarrafamentos e transporte pblico deficiente no sobra muito tempo para almoar em casa e por isso, os estudantes dependem das ofertas da Uni-versidade. Mas preciso ter alimentos de boa qua-lidade e opes que possam servir a todos os estu-dantes, professores e funcionrios que frequentam o campus. Dentro da Universidade Federal da Bahia (UFBA) existem estabelecimentos particulares, profissionais liberais, alm do Restaurante Univer-sitrio (RU), para tentar suprir essa demanda. H, porm, dificuldade para adotar uma alimentao saudvel, seja por falta de ofertas, pelo custo alto dos lanches naturais ou pelo prprio hbito de se alimentar mal.

    Segundo Alan Passos, aluno do curso de His-tria da UFBA, os lanches servidos pelas cantinas no so saudveis e no h opes. Tenho que comer aqui porque no tenho tempo para passar em casa, completa. J para o estudante de Biolo-gia Walter Costa, por ter um preo acessvel, o RU vantajoso pela quantidade, no pela qualidade. Deveria haver uma cantina da UFBA e uma parti-cular do instituto, sugere.

    As cantinas so regidas atravs de normas de funcionamento elaboradas pela UFBA e devem pas-

    sar por licitao para contratao. De acordo com Edson Ribeiro, responsvel pela cantina do Insti-tuto de Biologia, no termo de referncia da licita-o exigida uma variedade de pratos, mas no h um rgo que supervise a qualidade do cardpio. O preo deve ser abaixo do valor de mercado, determinado pelos custos operacionais. Ou seja, o que se gasta para a produo dos alimentos. O produto deve ter qualidade e deve atender as nor-mas que a Universidade impe, pontua Ribeiro.

    Na FACOM

    Para Edelzuita Oliveira, conheci-da como Tia Del, responsvel pela cantina da Faculdade de Comunicao (Facom), os produtos mais populares, como coxinha, pastel ou pozinho devem custar 10% a menos do que co-brado nos estabelecimentos externos. J o preo do almoo definido pela prpria direo da cantina.

    Alm dos estabelecimentos regulamentados pela UFBA, existem no campus vendedores de lanches a preo mais em conta e com as mesmas opes oferecidas pelas cantinas. Walter Pereira, o popular Chumbinho, que fica com seu isopor for-rado com papel alumnio no corredor entre o Ins-tituto de Letras e a Biblioteca Central, afirma que

    vende em mdia 150 salgados por dia. Confessa que se instalou no campus devido amizade com os alunos, aps trabalhar cinco anos na cantina do Instituto de Geologia. Mas posso ser expulso a qualquer momento, desabafa. At o momento

    no existe nenhuma regulamen-tao sobre esse tipo de servio. Prefiro comprar com Chumbinho porque mais barato. Ele legal e no vejo diferena entre seu lanche e os das outras cantinas, relata Marina Vieira, estudante do Bacharelado Interdisciplinar (BI) de Artes da UFBA.

    Apesar de ter uma Escola de Nutrio na UFBA, no h intera-o entre os estudantes do curso

    com o que servido nas cantinas. Quando questio-nada, a coordenadora do curso, Rosemary Fonse-ca, afirma que h um acompanhamento do que servido no RU, mas no h nenhuma avaliao das cantinas. Ela justifica a falta de atuao da Escola por conta das demandas com o ensino, extenso e pesquisa. Mesmo assim afirma: Existe muita von-tade de fazer isso.

    Uma coxinha e um refri, por favor!

    Cantina do Instituto de Biologia serve lanches rpidos para estudantes do campus

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    Lanche rpido opo mais vivel de alimentao na Universidade

    Tenho que comer aqui porque no tenho tempo

    para passar em casa.Alan Passos, estudante de Histria

    Posso ser expulso a qualquer momento.

    Chumbinho, vendedor ambulante

  • pgina 4 | residncia universitria jornal laboratrio | facom/ufba

    Edvan Lessa Guilherme Alves

    Eu passei no vestibular, e agora?. Esse questio-namento j passou pela cabea de muitos dos 290 bolsistas que atualmente residem em moradias concedidas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Estudantes cujos pais ou responsveis no residem em Salvador ou aqueles que apresen-tam vulnerabilidade social e econmica tm direi-to de morar nessas estadias por tempo determi-nado. Porm, at comprovar que se adequam ao perfil solicitado, muitos alunos tm que encarar a burocracia e demora das anlises de documentos previstas pelos editais emitidos todo semestre pela Pr-Reitoria de Aes Afirmativas e Assistn-cia Estudantil (PROAE). E, aps a divulgao do resultado, os selecionados devem buscar moradia por conta prpria enquanto aguardam o perodo de um ms at que possam habitar as residncias.

    Problemas e falta de apoio

    Existem quatro residncias ativas: Residncia 1, si-tuada no Corredor da Vitria; Residncia 2, no Largo da Vitria; Residncia 3, divida entre Ladeira da Bar-ra e Graa (que abrigam os estudantes da antiga re-

    que, alm do cunho cultural, serve para arrecadar dinheiro e suprir algumas necessidades coletivas. Papel que deveria ser cumprido pela PROAE, se-gundo Rafael Borges, estudante de Educao Fsi-ca e residente h trs anos. O bolsista afirma que com o dinheiro arrecadado j foram comprados diversos objetos de uso domstico.

    Luiz Rogrio Bastos Leal, vice-reitor da UFBA, argumenta que as residncias universitrias da Vitria so casares antigos que no foram pen-sados para serem residncias, e, portanto, jamais tero as condies plenas de funcionamento. Ele afirma desconhecer, pelo menos de maneira oficial, as demandas apontadas pelos residentes. Contu-do, garante que a Universidade vai construir uma nova residncia universitria, no bairro da Graa, para dar mais apoio aos estudantes. Afirma que j h um arquiteto encarregado pelo projeto.

    Uma nova residncia

    A nica moradia realmente planejada para abrigar os estudantes a que est situada na Avenida Ga-ribaldi, batizada de Frederico Perez, homenagem saudosa ao estudante que militou a favor dessa construo, falecido em janeiro deste ano. Esse novo espao, para o qual sero destinados os estudantes da Residncia 5, abrigar 200 pessoas que sero dis-tribudas em 50 apartamentos. O prazo para a en-trega do prdio vem sendo adiado h pelo menos um ano e meio e um dos motivos que a Superintendn-cia de Controle e Ordenamento do Uso do Solo (Su-com) ainda no autorizou a habitao devido falta de ajustes nos itens de segurana do prdio.

    Os diversos encontros entre o pr-reitor de Aes Afirmativas e Assistncia Estudantil, Dir-ceu Martins, e os estudantes que sero contem-plados com a estadia na Residncia da Garibaldi, culminaram na determinao de um novo prazo. De acordo com o responsvel pela Coordenao de Manuteno (Prefeitura do Campus), Kleber Oli-veira, alguns dos ajustes discutidos nas reunies

    realizadas no incio de abril j foram feitos e a previso que, ao liberar o documento da Sucom, os estudantes possam residir normalmente.

    A expectativa que no haja mais des-cumprimento nos prazos, pois, segundo Ricardo Pinheiro, estudante de Histria e representante da Residncia 5, o primei-ro prazo dado foi abril de 2009, depois, agosto de 2010, maro de 2011, dezembro de 2011, maro de 2012 e, agora, abril de 2012. O vice-reitor Luiz Rogrio, promete:

    At o final de abril todos estaro morando na re-sidncia. A promessa do vice-reitor, contudo, no foi cumprida at o fechamento do jornal.

    Estudantes cobram mais ateno da UFBA para as residncias universitrias

    sidncia do Vale do Canela) e Residncia 5, tambm na Graa. As trs ltimas so espaos alugados pela Universidade, mas funcionam como hospeda-gens fixas para os bolsistas.

    Assim que os estudantes pas-sam a morar nas residncias, se de-param com problemas na estrutura fsica, em alguns casos, muito an-tiga, e na diviso dos espaos, que torna os ambientes superlotados. s vezes sentimos que, simples-mente, nos jogam dentro de uma casa e nos esquecem, lamenta Saulo Novaes, estudante do curso de Direito.

    A falta de inspetores atuantes para registrar as demandas e fornecer assistncia aos estudantes faz com que eles criem comisses internas - como nas residncias 1 e 2 - para cuidar de aspectos que vo desde a execuo dos servios de limpeza at pequenos reparos no ambiente fsi-co. Os residentes do Corredor da Vitria tambm organizam, anualmente, o Forr Caseiro, evento

    At final de Abril todos

    estaro morando na

    nova residncia

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    Estudantes discutem prazos de entrega da nova moradia com o pr-reitor da PROAE, Dirceu Martins.

    Luiz Rogrio Bastos Leal, vice-reitor da UFBA, em reunio com estudantes.

  • pgina 6 | direito: entrevista jornal laboratrio | facom/ufba

    Como surgiu a ideia de mobilizar os alunos para fazer a greve?

    Por estudar em uma Universidade federal, finan-ciada por milhes de trabalhadores brasileiros, necessitamos manter ateno ainda maior para os problemas que afligem a instituio. Vivemos por muitos anos debaixo de um comodismo disfarado da esperana de que as coisas iam melhorar. Po-rm, h um longo perodo, a Faculdade de Direito da UFBA vem passando por grandes problemas es-truturais e acadmicos. Os estudantes, desde 2010,

    intensificaram a cobrana pelas vias administrativa e judicial, atravs de representaes no Ministrio Pblico Federal, com o objetivo de solicitar a inves-tigao das irregularidades existentes na unidade. No entanto, no tnhamos conquistado mudanas significativas, por isso, optamos pela paralisao.

    Como voc avalia a repercusso do movimento nos meios de comunicao?

    Embora os veculos de comunicao, de modo ge-ral, tenham apresentado uma viso adequada so-

    bre as intenes do movimento, a maioria deles tentava sempre vincular a deflagrao da para-lisao com o trote, algo que ficou distorcido fora dos muros da faculdade. No paramos porque o trote foi proibido, mas pela decepo dos alu-nos perante Congregao [rgo administrativo mximo da Faculdade de Direito composto por do-centes, tcnico-administrativos e representantes estudantis]. Afinal, ao invs de se ater a questes mais relevantes e preocupantes como a falta de transparncia das verbas, de posicionamento so-

    A Faculdade de Direito em prol dos seus direitosMobilizao de alunos impulsiona mudanas

    Com a fora estudantil ainda possvel conquistar mudanas

    Estamos unidos em busca de um propsito comum, que vai alm

    das barreiras ideolgicas, de gnero, etrias e sociais

    Lu Lessa, estudante de direito e um dos lderes da FDUFBA Movimenta

    Lara Maiato

    Reforma interrompida, banheiros inutilizveis, falta de gua, fiaes eltricas aparentes, licitaes vencidas, desatualizao do acervo da biblioteca. Esses foram alguns dos fato-res que levaram os estudantes da Faculdade de Direito da Universidade Federal da Bahia (UFBA) a se mobilizarem para formar a FDUFBA Movimenta, ao responsvel pela greve que se iniciou no dia 19 de maro e durou nove dias. Lu Lessa, um dos lderes do movimento, falou sobre o processo de mobilizao e como est a situao na faculdade atualmente.

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    bre a reforma da faculdade, parada desde meados de 2011, de controle da assiduidade e comprome-timento dos docentes, de criao de um plano de segurana, de um projeto de acessibilidade para os deficientes e a revitalizao da biblioteca a Con-gregao se preocupava com a proibio do trote.

    Dos acordos estabelecidos, o que foi efetivado des-de o incio da greve at hoje?

    A UFBA afirmou que os pedidos dos processos li-citatrios que envolvem a reforma seriam envia-dos at o dia 9 de abril para a Procuradoria Jurdi-ca e essa promessa foi cumprida. Com o parecer deles, o edital poder ser publicado. O processo licitatrio dos servios de reprografia, cantina e livraria tambm j foram iniciados. Alm disso, algumas mudanas j ocorreram, como a adequa-o dos banheiros, pois muitos no possuam por-tas, trancas, sabo e at mesmo papel higinico. Alm da contratao de novos funcionrios para a limpeza da faculdade. Tambm foi estabelecida a criao de comisses internas de fiscalizao a fim de acompanhar as questes debatidas duran-te a paralisao.

    Qual o saldo dessa ao estudantil?

    O FDUFBA Movimenta serviu como um estmulo para os estudantes da Faculdade de Direito. Vimos que com a fora estudantil ainda possvel con-quistar mudanas significativas. E acima de tudo, constatamos que estamos unidos em busca de um propsito comum, que vai alm das barreiras ideo-lgicas, de gnero, etrias e sociais.

    1. Sala da congregao da Faculdade de Direito. 2. Auditrio Raul Chaves.3. Sala do Centro Acadmico Ruy Barbosa (CARB).

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    Quando dona Antnia, 71, levou Painho, de oito meses, para cuidar de uma irritao nos olhos, no pensou que voltaria para casa frustrada. Ela pegou um nibus da Federao, onde mora, e chegou ao Hospital Veterinrio da Universidade Federal da Bahia (UFBA) por volta das 10h, mas no pde ser atendida. O nmero de fichas para atendimento limitado e a distribuio das senhas comea s 7h da manh.Isso porque a situao do hospital no das me-lhores. O espao apresenta problemas estruturais que comprometem o atendimento dos animais, as-sim como as atividades acadmicas desenvolvidas pelos alunos da Escola de Medicina Veterinria e Zootecnia. quase im-possvel manter a infraestrutura do hospital com aproximadamente R$ 2 mil por ms. Funcionamos dentro do possvel, afirma o professor Carlos Humberto Ribeiro Filho, diretor do hospital. Vinculado Escola de Medi-cina Veterinria e Zootecnia, a princi-pal fonte de verbas da instituio vem da Universidade. Outros recursos so provenientes da arrecadao com consultas e eventuais doaes.Os custos principais se referem aos materiais de limpeza e de laboratrio, das aulas prticas, da compra de ra-

    o seu oramento para tratar o animal, esclarece Ribeiro. Pessoas de outras cidades tambm costu-mam levar seus bichinhos para serem tratados na UFBA. Maria Almeida trouxe a pastor alemo Brisa do bairro de Monte Gordo para o hospital. A cadela tem leishmaniose, doena que objeto de pesquisa por alguns docentes. Eu tenho Brisa como uma fi-lha e ficaria arrasada se ela precisasse ser sacrifica-da, declarou Maria Aparecida.

    Hospital Veterinrio da UFBA enfrenta falta de infraestrutura e oramento limitadoInstituio atende a animais de grande porte e tambm aos bichos de estimao

    o, capim e feno para alimentar os bichos ali hos-pedados e do transporte desses materiais. O hos-pital, que se encontra no mesmo prdio desde sua fundao, h mais de 60 anos, precisa de novas sa-las, laboratrios e mais espao para o atendimento da clnica veterinria, que funciona de segunda a sexta e atende cerca de 20 animais por dia.

    Reforma

    O Hospital Veterinrio passa atualmente por uma reforma avaliada em R$ 1,2 milho. Atualmente, est sendo construdo um novo prdio para o la-boratrio de patologia e alguns ambulatrios vm

    sendo reformados. Porm, segundo o professor Ribeiro, a obra no ser suficiente para sanar todos os proble-mas do hospital. A reforma melhora um pouco. Mas, essas aes no so suficientes para atender a demanda. preciso aumentar o espao. A rea do hospital a mesma desde a sua criao.

    Atendimento

    O hospital a nica instituio pbli-ca para tratamento dos animais de es-timao em Salvador. Geralmente a procura acontece por pessoas de bai-xa renda, que muitas vezes sacrificam

    O atendimento da clnica veterinria funciona de segunda a sexta, das 7h30 s 17h. O valor da consulta R$ 25. Funcionrios pblicos e estudantes tm direito a descontos de 10% a 20%. Alm de consultas, tambm so atendidos casos de emergncia.

    Problemas com infraestrutura e espao fsico competem com

    o oramento limitado.

    Carlos Humberto Ribeiro Filho,

    diretor do Hospital Veterinrio da UFBA

    1. Diretor do hospital Veterinrio, Carlos Humberto Ribeiro Filho, junto ao cavalo Chiquinho.

    2. Reforma do hospital.

    3. Alunos de veterinria em aula prtica com animais de grande porte.

    4. Maria Almeida (blusa listrada) e uma amiga, com a cadela Brisa, aguardando atendimento.

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    Animais de grande porte e vtimas de maus-tratos tambm so cuidados pelo Hospital. Como o caso do cavalo de rua batizado de Chiquinho pela estudante Marjorie Correia, que o resgatou. Ele foi encontrado no bairro de Periperi, e, segundo moradores do bairro, por ter pertencido a um traficante da regio, o cavalo recebia maus-tratos por parte de integrantes de faces rivais. Chiquinho apanhou de faco, teve os dois olhos perfurados e recebia pedradas. Ele ser submetido a diversos exames, receber tratamento e depois ser adotado por Marjorie.

    A cadela Brisa como uma filha.

    Maria Almeida

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  • pgina 10 | filosofia: entrevista jornal laboratrio | facom/ufba

    Existe na nossa sociedade um conceito negativo de pre-guia e tempo livre. Qual a origem desse esteretipo?

    de interesse de uma sociedade que explora as pessoas fazer com que elas fiquem satisfeitas em trabalhar mais e condenar negativamente quem trabalha menos, supostamente. S que h uma diferena: o problema no uma questo de ser relapso ou de no desejar trabalhar. O problema qual a natureza, qual o controle que cada um tem sobre o seu trabalho.

    Mas como filsofo e professor, qual a sua concepo de trabalho e cio?

    Eu trabalho muito. O professor universitrio est o tempo todo trabalhando, em casa est lendo, elaborando seus textos, nos finais de semana tam-bm. E quando voc escolhe a filosofia, porque voc j tem certa paixo pelo pensamento, pelos livros e pelo universo do trabalho. Ento, digamos que no s o filsofo, mas todo aquele se apaixona pelo seu trabalho, nesse sentido, consegue aproxi-mar trabalho e cio criativo. O trabalho deixa de ser aquilo que desprazer, alienante, sacrifcio e passa a ser uma realizao.

    As virtudes da preguiaJoo Carlos Salles, filsofo, professor e diretor da Faculdade de Filosofia e Cincias Humanas da UFBA prope avaliar o lado bom o cio

    Muito trabalhador e preguioso no s nas horas vagas, Joo Carlos Salles filsofo, pro-fessor e diretor da Faculdade de Filosofia e Cincias Humanas da Universidade Federal da Bahia (UFBA). A virtude da lentido, sua palestra no ciclo Mutaes Um Elogio Preguia* busca desvendar a grande armadilha em que camos ao nos deparar com a noo de tempo em uma sociedade que tem a rapidez e o progresso como valores norteadores. Base-ado na concepo do filsofo Wittgenstein sobre o tempo, o professor busca o sentido da nossa correria e compara a tarefa a um desatar de ns. Um trabalho filosfico que demanda tempo, assim como a busca pela criatividade, o saber intelectual e o sentido da vida.*Mutaes Um Elogio Preguia um ciclo de palestras promovido em todo Brasil pelo Sesc So Paulo e organizada em Salvador durante maro e abril pela Faculdade de Filosofia e Cincias Humanas da UFBA e pela Secretaria de Cultura da Bahia.

    Wittgenstein um dos principais filsofos do incio do sculo passado e j nessa poca ele falava sobre os conflitos do tempo. Por que escolheu justamente a vi-so deste filsofo para estudar a preguia?

    Ele no usa o termo preguia, ele pensa no tempo. A lentido uma das imagens associada pregui-a, por oposio ao progresso, rapidez e ao re-sultado, tpicos da cincia, que visa uma resposta pre_cisa. Isso faz com que a obra dele seja especial-mente propcia para refletir sobre esse valor con-trrio ao valor da cincia. Eu quis questionar atra-vs da obra dele, o que prprio do fazer filosfico. A filosofia esse pensar do sentido das coisas e por isso, no coincide com as respostas que a cincia pretende dar. como se a filosofia, ao invs de perguntar o que as coi-sas so, perguntasse o que elas podem ser. Essa pergunta da filosofia no tem a ver com fatos e re-sultados, mas com valo-res e premissas.

    Lara Perl Fabrina Macedo Fbio Arcanjo

    preciso dar-se o

    tempo para fazer bem

    feito

    De um jornalismo que o vento levou

    Para quem conheceu, como eu, as anti-gas redaes dos jornais, e nunca mais se aventurou nelas, toma um susto quando, por acaso, faz, nos dias de hoje, uma visita a uma delas. Se antes, tnhamos o barulho das mquinas de escrever, o do papel sen-do retirado com estrpito, rasgado, jogado na cesta do lixo, os pedidos, em alto e bom som, para o arquivo de fotografias, entre outros elementos constitutivos do vozerio redacional, hoje reina um silncio hospita-lar, com os computadores enfileirados e os jornalistas calados, frente a eles, digitando suas matrias. Alguns preferem passar o tempo no Facebook e no MSN e j vi gente a trocar abobrinhas em mensagens de um computador a outro. E havia, alm do mais, o ambiente esfumaado num tempo em que quase todo mundo que se respeitasse fuma-va seu cigarro. As bagas deste entupiam os cinzeiros, que eram inmeros, praticamente um sobre cada mesa. O jornalismo como cachaa , como se di-zia, parece que desapareceu, e, em seu lugar, um pragmatismo mais objetivo, a tcnica jornalstica a ter preponderncia sobre a re-portagem passional, febril, que alimentava reprteres e redatores como David Nasser, Nelson Rodrigues, Otto Lara Resende, en-tre tantos outros. O jornalista da chamada contemporaneidade um jornalista da ob-jetividade sem os impulsos da emoo. E, em consequncia, um mero funcionrio da empresa que lhe contrata. Os tempos mudaram, esta a verdade. O ro-mantismo que havia nas antigas redaes se transformou no realismo requerido pela sociedade contempornea. No h lugar mais para matrias apaixonadas, para re-portagens passionais, no h mais espao para o delrio. O desafio, agora, ser criativo diante de tantas amarras que determinam a ditadura da objetividade. Mas, com isso, no quero dizer que no se deva ser objetivo. que a pulsao, a remeter nostalgia do que era antes, faz que ponha, aqui diante do pa-pel, a grande mudana efetuada. E de gua para vinho. De vinho para gua.

    por Andr Setaroprofessor da Faculdade de Comunicao /UFBA

  • jornal laboratrio | facom/ufba filosofia: entrevista | pgina 11

    Fale um pouco sobre a vida de Wittgenstein, contex-tualizando a obra.

    Wittgenstein foi um grande filsofo, que nasceu no final do sculo XIX e teve uma histria de vida mui-to rica e interessante, at um pouco anedtica. Fi-lho de um grande milionrio, uma das pessoas mais ricas da ustria, ele teve uma viso bastante ctica da existncia. Antes de morrer, no entanto, reco-nheceu que sua vida foi maravilhosa. Eu diria que ele era autntico, no gostava da superficialidade do capitalismo e da riqueza, mas buscava uma vida na qual ele se dedicasse a fazer o que valia a pena ser feito. Por exemplo, ele renunciou herana, foi ser jardineiro e professor primrio em escolas. al-gum que tenta conciliar essas tarefas s questes mais elevadas do seu trabalho filosfico.

    Seria possvel um dilogo entre o progresso da cincia e os momentos de reflexo propostos pela filosofia?

    Sim, ns somos obrigados a fazer esse dilogo, no podemos viver em outro tempo. Por exemplo, eu di-gitei o texto da minha apresentao no computador. Enquanto isso, estava abrindo meu e-mail, fazendo vrias coisas ao mesmo tempo, com ateno dis-persa. A gente tem que fazer isso negociando com o nosso tempo. O problema saber se essa adequa-o, que a negao do cio, nos anula ou no.

    Sabemos que o baiano caracterizado l fora por uma viso estereotipada de preguioso, lento, que se deixa levar. Em sua opinio, o baiano mesmo assim?

    Muito pelo contrrio, o baiano trabalha demais. Mas, a realidade dele se refere a um trabalho de explorao, de sacrifcio, sujeito a salrios baixos, insegurana, desemprego, rendimento inadequa-do e nem sempre h condies para crescer e se realizar. bom lembrar que a imagem do baiano preguioso ajuda a vender a Bahia para o turismo, como se fosse um lugar idlico, em que voc pode descansar, onde as coisas so lentas. Isso contri-bui para formar uma imagem negativa da preguia, uma imagem de explorao da cultura baiana, que reduzida a esteretipos distantes da realidade. Essa viso do preguioso utilizada como marke-ting. Ao mesmo tempo danosa, quando a Bahia, por exemplo, precisa se afirmar intelectualmente. Observem que eu fui o nico baiano desse ciclo de palestras, acho que eles precisavam de um espe-cialista (risos).

    Muitas vezes o trabalho intelectual visto de forma negativa, associado ao cio. Isso se deve maneira como o intelectual encara o tempo?

    O trabalho intelectual no superior ao trabalho manual, mas um trabalho que pode propiciar um aprofundamento maior na vida. O trabalhador in-telectual aquela pessoa que sonha ser o senhor da sua reflexo. O trabalho intelectual tem medi-das severas de produo e qualidade, e por isso no pode ser feito na pressa, no algo que d simples-

    mente um resultado tcnico, prtico. preciso dar--se o tempo para fazer bem feito.

    Wittgenstein compara o trabalho filosfico a um exerccio de desatar ns. Como possvel desatar os ns do nosso cotidiano e encontrar essa busca pelo sentido proposta por ele?

    difcil. So momentos de reflexo, de fazer aquilo que prprio da filosofia. Em certa medida, estar atento ao uso dos nossos argumentos, das nossas palavras e aes. Estar atento comear a perce-ber que h ns. Isso j um bom comeo.

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    Registro do Ciclo Mutaes, realizado na Reitoria da UFBA.

    Joo Carlos Salles, filsofo defensor da preguia.

  • pgina 12 | Biologia jornal laboratrio | facom/ufba

    Os membros do NOAP aprendem a cuidar dos animais em cativeiro. Alm disso, extraem venenos dos animais para dar suporte s pesquisas e susten-tam um banco de venenos. Eles tambm do pales-tras e montam exposies em escolas da capital e do interior. Para esse tipo de atividade, h dificulda-des com o transporte dos animais, que precisam de recipientes e veculos adequados, para no ficarem agitados. Marcel Queiroz, aluno do 6 semestre de Biologia, afirma que alm do conhecimento sobre serpentes e venenos, esse estudo uma porta de entrada para o mundo dos animais silvestres.

    O trabalho do Ncleo reconhecido nacio-nalmente. Segundo Marcel, os pesquisadores migram para importantes institutos, como o Bu-tantan (em So Paulo) e o Vital Brazil (no Rio de Janeiro). Viajam at mesmo para fora do Pas. Da-vid de Morais, estudante de Veterinria e tambm estagirio do Ncleo, diz que entre os aspirantes

    a veterinrios h pouco interesse nes-sa rea de estudo. Por isso, foi buscar esse conhecimento fora da faculdade de Veterinria.

    Projeto Biota Bahia

    As espcies chegam at o Ncleo de duas maneiras: pela coleta em campo e por doaes de pessoas que encon-tram e capturam esses animais. Esse trabalho de coleta e catalogao re-sultou no projeto Biota Bahia, con-junto de material didtico e literatura de referncia sobre a fauna do Estado, com grande importncia para a sa-de pblica. Fazem parte desse acervo

    Cobras e lagartosInstituto de Biologia pesquisa e cataloga espcies do Nordeste

    Jlia Belas Luiz Fernando Teixeira

    Muita gente tem medo de cobras, escorpi-es e aranhas. Mesmo que eles estejam bem longe, o sangue gela e a pessoa fica nervosa. Mudar a ideia equivocada de que esses animais iro atacar qualquer pessoa sem razo uma das principais misses do Ncleo Regional de Ofiologia e Animais Peonhentos da Bahia (NOAP), que tem sede no Instituto de Biologia da Universi-dade Federal da Bahia (UFBA). Fundado h 25 anos, o NOAP conta com diversos projetos voltados para a educao das pessoas com relao ao tratamen-to dos animais, alm de catalogar as diversas esp-cies que existem no Estado. Em 1992, o Ministrio da Sade considerou o Ncleo como uma das refe-rncias para o Nordeste em estudos de Ofiologia.

    Segundo a professora Rejne Lira, coordena-dora do Ncleo, as pesquisas com serpentes, ara-nhas, escorpies e lagartos so focadas no estudo da biologia, distribuio geogrfica, veneno e os acidentes causados por eles. Muitas pessoas tm medo, horror ou nojo de cobras, aranhas, escorpies, diz a professora. Esse comportamento, se-gundo ela, vem da educao. A partir do momento em que se traa a linha que separa os animais teis dos no-civos, uma ideia errada sobre os ani-mais peonhentos formada. E isso reforado em filmes como Anaconda, Serpentes a Bordo e Aracnofobia. A peonha uma estratgia de defesa das serpentes. Elas se escondem para se defender, no para atacar, afirma Rejne. Por isso, esse temor, na maio-ria das vezes, infundado.

    Delirium estudantis

    Na poca da matrcula umas alunas vie-ram me perguntar (estava substituindo o diretor) porque no tinham consegui-do umas matrias. Elas entraram por vagas residuais (uma das muitas bre-chas que os alunos conseguem quan-do no conseguem entrar pelas vias normais) e insistiam em ter os mesmos direitos dos que tinham entrado atra-vs do vestibular. Tentei dar minha ex-plicao mas uma delas, com o famoso delrio de grandeza que acomete alguns alunos, comeou a me questionar como se fosse um empregadinho dela. Como assim!, ela esbravejou. Foi o suficien-te para que meus pequenos demnios, que odeiam gente boal, arrogante (ainda mais quando no tem motivo para tal) despertassem, e comeasse a trat-la com uma certa dureza. Como o mundo irnico e adora pregar pe-cinhas, meses depois ela precisou de minha assinatura em um papel que, se fosse seguir a lei em sua estreiteza, poderia no ter assinado. Mas ser mag-nnimo (ateno, no magnfico!) no tem preo. O resto, o carto American Express Platinum paga.

    Fico me perguntando o que que dia-bos pem na comida dos adolescentes que eles entram numa egotrip que na maioria das vezes, ao contrrio do que aconteceu com uma ex-aluna que tam-bm teve um surto de arrogncia na ma-trcula mas hoje alm de jornalista de ta-lento um doce de pessoa, pode acabar bem mal. Por isso deixo aqui um conselho de tio mais maduro e experiente; Cuida-do com a Cuca que a Cuca te pega...

    O ttulo da coluna uma tentativa canhestra (se fosse estudante diria tos-ca) de parodiar o delirium tremens em que os alcolatras chegam a confundir ratos com coelhos. No caso dos alunos o delirium estudantis um delrio de au-topercepo mas bastante semelhan-te ao do pessoal que costumar comer muita gua.

    por Maurcio Tavaresprofessor da Faculdade de Comunicao /UFBA

    Medo de cobra,

    aranha e escorpio

    mostra falhas

    na nossa educaoRejane Lira

  • jornal laboratrio | facom/ufba Biologia | pgina 13

    as publicaes Escorpies e Aranhas da Bahia, Brasil, Rpteis da Bahia, Brasil e Serpentes de Importncia Mdica do Nordeste do Brasil, e o li-vro ZooAmigos, voltado para o pblico infanto--juvenil (todos editados pela EDUFBA). Ainda foi elaborada uma srie de quatro vdeos sobre ara-nhas, escorpies, serpentes e lagartos, intitulada Animais da Bahia. O trabalho do Biota Bahia est disponvel no site www.noap.ufba.br/biotabahia.

    Sufoco

    Como uma instituio pblica, o NOAP passa por dificuldades. O Ncleo fica confinado em salas

    apertadas no segundo andar do Instituto de Bio-logia, que no tem estrutura para abrigar todos os espcimes que so estudados. Isso tambm atra-palha a exibio dos animais, como relata Rejne: No temos espao para visitao e por isso, faze-mos exposies itinerantes. Para isso, precisara-mos de um museu. O Ncleo est espera de uma reforma no serpentrio e por isso, as serpentes ain-da esto em local temporrio.

    1. Estagirias Rejane Silva e Milena Soeiro trabalham com escorpies.

    2. Milena Soeiro apresenta um dos tipos de aranha que estuda.

    3. Integrantes do ncleo, da esquerda para a direita: Diego Argollo, Joana Angeli, Felipe Dias, Helen Arago, Manoel Miranda, Rejane Silva, Rejne Lira (coordenadora), David de Morais e Milena Soeiro.

    4 e 5. Cobras e escorpies fazem parte da diversidade de animais do NOAP.

    O NOAP foi criado em 1987 pela professora Tania Brazil e trs estudantes, dentre eles a atual coordenadora, Rejane Lira. Neta do pesquisador Vital Brazil, um dos pioneiros no estudo de ofidismo na Bahia, primeiro diretor do Instituto Butantan e fundador do Instituto Vital Brazil, ambos especialistas em animais peonhentos, Tania conseguiu parcerias com esses dois Institutos, mantidas at hoje.

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  • pgina 14 | restaurante universitrio jornal laboratrio | facom/ufba

    Uma das maiores dificuldades enfrentada por alunos lidar com as filas. Para a estudante Tamiles Alves, do terceiro perodo de Produo Cultural, a fila exten-sa torna a espera muito cansativa e isso a impede de poupar tempo. A nutricionista Naira Xavier, respon-svel pela fiscalizao do contrato com a Dall Alimen-tao e Servios, concessionria que administra o RU, concorda. Na UFBA, muitos estudantes tm pouco tempo entre uma aula e outra para fazer uma refeio saudvel, opina sobre a demora na espera.

    A estudante do quinto perodo de Enfermagem, Giliane Bittencourt, afirma a importncia do RU mas lembra que, como estuda no campus do Cane-la, onde no h ponto de distribuio do restauran-te, precisa se deslocar para Ondina para fazer suas refeies. Os restaurantes l so muito mais ca-ros. Ou pagamos mais para almoar ou perdemos

    tempo com deslocamento, completa a estudante que nem sempre pode realizar suas refeies no campus de Ondina. Ela ainda reivindica aumento dos pontos de distribuio.

    Outros usurios do RU reclamam tambm de um fato recorrente: num certo horrio as fichas deixam de ser vendidas. Naira Xavier informa que o problema do esgotamento das fichas explica-do porque chega um momento em que a capaci-dade de distribuio se esgota. Segundo ela, o RU estaria operando acima de seu limite. A cozinha teria capacidade para produo de 1500 refeies, mas atualmente so distribudas 2100, divididas entre os trs pontos: RU Ondina, Posto PAF 1 e Residncia da Vitria, sendo essa ltima apenas para bolsistas. A nutricionista da Dall, Rosngela Menezes informa ainda que a cozinha do RU pro-

    duz e distribui tambm para acompanhantes de pacientes e funcionrios do Hospital Universit-rio Professor Edgar Santos (Hospital das Clnicas).

    Estudantes tambm questionam a pouca va-riedade dos cardpios servidos. Jane Keli, estudan-te de Letras, bolsista e no paga pelas refeies que realiza. Ela acredita que o cardpio poderia ser mais variado e com mais opes de saladas e mas-sas. Atualmente a refeio completa inclui duas saladas, arroz, feijo, duas carnes, uma sobremesa e um copo de suco. Rafaela Gonalves, aluna de Ve-terinria afirma que sente falta de opes para ve-getarianos no cardpio. A empresa Dall afirma que o cardpio segue as normas previstas em contrato. At colocamos mais uma opo de carne, apesar do contrato prever apenas uma, completa a nutri-cionista Menezes.

    Solues

    Naira Xavier concorda que existem muitos proble-mas. O RU tem apenas dois anos de reaberto e precisamos rever algumas coisas para vender com qualidade. Ela aponta problemas com a limitao de espao fsico e equipamentos, mas informa que existe uma comisso ligada Escola de Nutrio planejando melhorias. Segundo ela, o aumento da capacidade de produo da cozinha ou a constru-o de pontos produo seriam medidas eficazes, como tambm aumentar o nmero de balces (atu-almente so dois) e melhorar o espao fsico. A Es-cola de Nutrio estuda tambm a possibilidade de parcerias para que o RU possa se tornar campo de estgio e de prticas para seus alunos de Nutrio e Gastronomia. Para resolver o problema das filas, estuda-se a possibilidade de implantao de catra-cas eletrnicas e de venda antecipada de fichas.

    Dois anos de Restaurante Universitrio, mas sem muito a comemorar

    Na UFBA, muitos estudantes tem pouco tempo entre uma aula e outra para fazer uma refeio

    saudvel Naira Xavier, nutricionista da UFBA no RU.

    Daniel Silveira

    O Restaurante Universitrio da Universidade Federal da Bahia, o famoso RU da UFBA, co-memorou no dia 19 de abril dois anos de reabertura, depois de ficar vinte anos fechado. No entanto, os estudantes no tem tido muito que comemorar. O restaurante que funciona de domingo a domingo serve caf da manh (das 6h s 8h), almoo (das 11h s 14h) e janta (das 17h s 20h), custando R$ 2,50, cada refeio. Problemas com estrutura esto entre os que mais incomodam os estudantes.

    Caro

    lina

    Leal

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  • jornal laboratrio | facom/ufba comunicao | pgina 15

    Nascia, em 1812, uma baiana cheia de contedo e influncias interna-cionais, responsvel por transmitir conhecimento, cultura e entrete-nimento ao Pas. Seu pai era um preso poltico portugus de vasta cultura, com acesso a informaes oficiais e contatos influentes fora das gra-des. De dentro de uma cela na Bahia, foi redigida a primeira revista brasileira, chamada As Variedades. Hoje, 200 anos depois, as revis-tas comemoram a capacidade de se adaptar era digital.

    No Brasil, de acordo com a Associao Nacional de Editores de Revistas (ANER), existem, atualmente, 4.705 ttulos em circulao. Entre 2009 e 2010, o nmero de t-tulos cresceu 10%. Estes dados contradizem as profecias de que, com a chegada das revistas digitais e com a as-censo das redes sociais, as revistas morreriam. Apesar de ser a terceira maior mdia do mundo em faturamen-to, a internet no desbancou a venda de revistas no pas. Com a criao dos tablets, se configuram as plataformas de acesso a publicaes digitais, mas segundo o Instituto Verificador de Circulao (IVC), esses meios ainda no influenciaram na circulao das revistas impressas.

    Plulas de informao

    Com o surgimento de diversas plataformas de cria-o e distribuio de contedo, a estratgia de ne-gcio das editoras modificada. No basta mais produzir s revistas. Este produto apenas um dos meios utilizados para gerar lucro e informao. preciso, tambm, atuar em plataformas comple-mentares como sites, blogs, pginas e perfis nas redes sociais. As redes que conectam tablets, iPho-nes e redes sociais so plulas de informao, afir-ma Nadja Vladi, editora da revista Muito, segunda maior em circulao na Bahia.

    Adaptar-se para sobreviver

    Para sobreviver no mercado, as revistas precisa-ram se adaptar no s s novas tecnologias, como segmentao acelerada que estava ocorrendo a partir dos anos 50. A segmentao a sada para a sobrevivncia, j que se buscam pblicos espec-ficos, declara o professor da Universidade Federal do Recncavo da Bahia (UFRB), Srgio Mattos.

    Ao definir um pblico-alvo mais especfico, as tiragens menores podem ser compensadas com a maior facilidade de conquistar anunciantes. Hoje h revistas para todos os gostos e pblicos. Desde

    publicaes sobre assuntos tcnicos como parafu-sos, a produes customizadas, como Audi Maga-zine ou Revista da Hope.

    A previso para o futuro de que at 2020 de-vam surgir mais de 200 ttulos no Brasil. Com o au-mento do poder se consumo das classes C e D h mais procura por revistas, o que tornam necessrias pesquisas para conhecer quais contedos e tendn-cias devem ser seguidas. O crescimento das revis-tas, e mesmo dos jornais, se d nas classes popu-lares, afirma Roberto Muyalaert, presidente da ANER. Quando voc consegue vender por um pre-o muito baixo, tem uma categoria emergente que compra. Os jornais de maior circulao no Brasil so os que custam R$0,50. Com revista a mesma coisa: quando voc diminui o valor, aumentam as vendas, finaliza.

    Revistas: o poder da informao ilustradaAo completar 200 anos, as revistas brasileiras contradizem as profecias e se reinventam para continuarem no mercado

    Internet no desbancou a venda de revistas no

    Brasil

    Leitura de revistas cresce

    entre as classes

    populares

    Roberto Muylaert, presidente da ANER.

    Alles Alves Thais Motta

    As revistas so a terceira maior mdia em faturamento, de acordo com a ANER.

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    Julien Karl

    N o dia 13 de maro, na casa do Senado em Braslia, a professora Ana Alice Costa foi agraciada com o mesmo diploma que a pre-sidenta Dilma Rousseff. Ambas foram reconhecidas pelo seu protagonismo na luta pela transformao social e igualdade de gnero. Enquanto Dilma a primeira lder mulher do pas, Ana Alice e outras co-legas fundaram uma instituio pioneira no Brasil: o Ncleo de Estudos Interdisciplinares da Mulher, ou NEIM. O rgo, ligado UFBA e coordenado por ela, atua nas questes de gnero no Brasil.

    A trajetria da prpria Ana Alice no poderia es-tar menos envolvida com o cenrio poltico do pas, com a universidade e com o ensino. Aps formar-se em Cincias Sociais pela UFBA em 1975, ela foi para o Mxico em meio ao mal-estar poltico da ditadura e l teve oportunidade de amadurecer intelectual-mente com outras feministas de outras partes do mundo e com a produo de sua tese de mestrado.

    Quando a presso poltica arrefeceu, em 1981, ela voltou ao Brasil e passou no concurso para do-cente em Cincias Polticas da UFBA. Dois anos de-pois veio a oportunidade de transformar a militn-cia e vontade de ensinar em realidade institucional: em 1983 surgiu o NEIM. Desde ento, o Ncleo participa de inmeras iniciativas, tal como a ela-borao da constituinte baiana, inserindo e formu-lando elementos que dizem respeito aos direitos das mulheres. Recentemente, essas elaboraes de 20 anos atrs respaldaram a lei antibaixaria

    Reconhecida com o diploma Mulher-cidad Bertha Luz, a professora Ana Alice Alcntara Costa, explica sua trajetria de luta para a consolidao de uma das principais instituies acadmicas da luta feminista no Brasil, o NEIM.

    que desestimula letras que ofendam as mulheres. Atuando fortemente junto s organizaes sociais, o NEIM cumpre ainda um papel fundamental no ensino, oferecendo cursos de formao para pro-fessores e um programa de ps-graduao, com mestrado e doutorado, desde 2005.

    Apesar de seus quase 30 anos e de inmeras conquistas, o NEIM perdeu, em 2010, numa reu-nio do Conselho Universitrio, sua condio de r-go suplementar da UFBA, deixando-o num limbo existencial, como ela diz. por isso, que Ana Alice afirma, categoricamente, que o Ncleo no exis-te, um navio fantasma. Para ela, isso reflete os resqucios de uma estrutura institucional que ma-chista, conservadora e patriarcal. Est a mais uma coisa a mudar: conceder no papel e oficialmente, ao NEIM, o mesmo reconhecimento que sua coorde-nadora recebeu no Senado.

    Capit de um navio fantasma

    AnA Alice AlcntArA costA

    O NEIM foi atuante na aprovao da lei antibaixaria.

    Julie

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