PGE Olaria GB

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Arthur Eder Toyoshima 10510306 Juliana Dayan 10420183 Nathália Rossi Migliano 10510217 Renata Asato de Camargo 10410018 Renata da Rocha Cury Luz 10510225 Orientador Luiz Fernando da Silva Jr. 2009/1 ESPM
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PGE Olaria GB

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  • Arthur Eder Toyoshima10510306

    Juliana Dayan10420183

    Nathlia Rossi Migliano10510217

    Renata Asato de Camargo 10410018

    Renata da Rocha Cury Luz10510225

    Orientador Luiz Fernando da Silva Jr.

    2009/1

    ESPM

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    Um projeto nasce de uma ideia.

    Alm de idealizar necessrio justificar, objetivar e levar outras pessoas a apostarem no seu empreendimento.

    PGE OLARIA GB

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    Agradecimentos

    Agradeo, primeiramente, ao deus Tempo, que possibilitou a criao de tudo e de todos.

    Agradecimentos, tambm, aos outros deuses: Baco gente finssima organizador de festas com comes e bebes; Exu, Xang, Oxumar, Oxum e Iemanj criadores da belezura que o Ax, do Vatap e da gua de Coco.

    Agradecimentos a Buda, amigo do peito, da mo e do p. Sentirei sua falta. Amigo, nos vemos na Bahia. Farei as meditaes que voc me recomendou.

    Agradeo aos professores, pois, estes, considero profissionais sagrados e imortais. Ultrapassam a barreira da pacincia para passar adiante seus conhecimentos aos pobres e mortais alunos.

    Agradeo aos meus pais, que me amaram tanto e que s querem meu bem. Papa e Mama, Mama e Papa amo vocs. Vocs so meus nicos pais!

    Agradeo aos meus amigos, que dedicaram o seu tempo para me ouvirem, para ajudarem, para compartilhar frustraes e criaes. (uma lgrima escorre em meus olhos, e o peito apertado) Valeu DIDI, GBs, Mity, meninas e meninos desse Brasil brasileiro. Rs, Jus, Naths e LFs. Valeu galera.

    Agradeo tambm a essa instituio, ESPM, que, apesar da disparidade de valores que tenhamos hoje em dia, tanto me ensinou, me proporcionou dificuldades que me fizeram refletir e entender um pouco mais sobre o meu caminho.

    Um grande ritual de celebrao ser feito ao termino deste trabalho de concluso.

    A todos um grande beijo e um at logo.

    At. Tu

    Tu

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    Agradecimentos

    Agradeo em primeiro lugar ao tio Fredy, querido mecenas, por tornar estes anos possveis. Certamente ele nem imagina as coisas incrveis pelas quais passei desde que entrei na ESPM.

    Agradeo aos meus pais por sempre apoiarem minhas escolhas, algumas vezes mesmo sem entend-las. Dia por ser ao mesmo tempo to parecida comigo e to diferente de mim. Ao Rafa por ser uma fonte inesgotvel de energia e me emprestar um pouco sempre que preciso. s minhas avs pelo amor incondicional.

    Agradeo ao Teatro Tangerina e cada um de seus gomos, por terem mudado minha vida completamente.Ao Piu por ser a pessoa que e por estar ao meu lado em todos os momentos.

    Agradeo a Bruna, Maya e Thais por me acompanharem desde o incio, e tornarem esses anos de faculdade muito mais divertidos.

    Agradeo a J, Di, H, Tati e Dri por serem as amigas de sempre e para sempre.

    Agradeo Maria Lcia, por seus sbios conselhos.

    Agradeo a este grupo por no ter desistido, mesmo quando parecia no ter mais jeito.

    Ao Lus Fernando Jr., por nos mostrar que o PGE no precisa ser doloroso, sofrido ou complicado, e que estvamos muito mais perto do caminho do que podamos imaginar.

    Agradeo a todos os que contriburam para este PGE, com suas experincias, conhecimentos, sugestes, ouvidos para desabafos, votos de boa sorte, ou simplesmente com sua presena ao nosso lado.

    Juliana

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    AgradecimentosMinha vez de agradecer... Mos--obra!

    Eu tenho a obrigao de agradecer s amigas do peito que me expulsaram do meu grupo original. E, por conseqncia, valeu Carolzinha, por me ajudar a encontrar outro grupo, e Re Luz, que me convidou para embarcar nesta aventura PGEsica.

    Mame, Papai, Mari, Jlio, Gui, Rique, V, V, Nike, Scarlet e Verbena, muito obrigada pelo amor de vocs e a compreenso da minha ausncia.

    Infinitas vezes, OBRIGADA Victor, paixo da minha vida! No sei como voc que agentou o meu mau-humor, me mimou e pegou no colo todas as vezes que eu precisei. Obrigada por fazer mais parte do meu grupo do que certos integrantes. Muito deste PGE no seria possvel sem voc.

    Obrigada Rs, mais uma vez, por tudo: companhia, gargalhadas, aprendizados, amizade, e tudo o que passamos juntas desde o incio dessa maluquice toda!

    Michelle, sem voc as madrugadas no teriam a menor graa. Obrigada por ter feito parte desta doideira e ter cuidado de todas ns.

    Valeu Tuzinho, por um dia ter concordado comigo que no deveramos fazer um PGE sobre os GBs.

    Low, Bel, Carol, e principalmente, Rs, muitssimo obrigada por me agentarem, tanto nos momentos de desespero, quanto nas horas que eu no parava de falar besteiras porque estava bbada de sono!

    Um agradecimento especial para o nosso querido orientador, Luiz Fernando. Voc foi a salvao deste PGE. No menos importante, professor Barbosa foi voc quem viabilizou este trabalho. E como no posso deixar de agradecer a me de todos, muito obrigada, professora Maria Cecilia Pimenta.

    Obrigada a todos os que responderam as 5.672.967.392 pesquisas que eu apliquei durante este PGE.

    Por hoje s, pessoal!

    Nath

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    AgradecimentosEu queria prestar Letras ou Artes Cnicas, mas meus pais ficaram muito horrorizados com essas opes e me colocaram para fazer teste vocacional. Publicidade parecia ser a profisso mais rentvel das 5 alternativas finais do teste, ento a psicloga sugeriu que eu prestasse ESPM. Passei. At que foi bom. Se no fosse pelos meus pais, hoje eu seria uma hippie comunista da USP. Porm, se no fosse por Deus, eu nem existiria. Obrigada.

    Embora eu no gostasse muito da minha sala, nela eu fiz alguns amigos memorveis: R Luna, Cac, Vuca, Ana, Piu, Marco, Carioca, Fbio, Auro, Marcelinho e Cabelo. Obrigada por tornarem a ESPM muito mais divertida. Tambm tive alguns veteranos que guardarei no corao para toda a vida: Tita, Gurgel, Thlita e Cris. Muito obrigada por cuidarem de mim.

    Ao Teatro Tangerina, obrigada por dar sentido minha vida acadmica. Obrigada Tat e Rbia, vacas verdes, vacas leiteiras e Espao Lazer Viriato Corra. A ESPM parecia uma festa, at chegar o bendito PGE. Obrigada, faculdade, por me reprovar at que eu aprendesse. Deu certo.

    R Luz, obrigada por comear este PGE comigo, por me entender e nunca me irritar. Nath, obrigada por comprar esta briga com a gente, pela sua pr-atividade to necessria e por nos acolher na sua casa. Mi, obrigada por estar sempre presente e por colorir as nossas vidas. S voc mesma pra nos agentar! Se algumas vezes eu fui grossa ou irritante, peo desculpas s trs. Eu amo vocs, obrigada por tudo! No me deixem morrer de saudades, por favor.

    Djalma, muito obrigada por acreditar em mim e me fazer amar de novo. Obrigada pelos seus braos que me confortam, pelo seu olhar que me v por dentro e pelo seu amor incondicional. Muito obrigada por me escolher e por me esperar.

    Victor, obrigada por equilibrar os nervos da Nath, pela Lucrcia e pela direo de arte. Adoramos fazer PGE no seu quarto. Balian, obrigada pelas finanas e por me elogiar nos bad hair days. R Luna, obrigada por me acompanhar desde o incio e por nunca me julgar. Johnny, obrigada pela confiana e por segurar as pontas sempre que precisei.

    GBs, muito obrigada por tentarem nos fazer desistir enquanto ainda dava tempo. Tu, obrigada pelas conversas e por no levar nada para o lado pessoal. Ju, obrigada por me mostrar que as pessoas mudam. Maria Ceclia, Umeda e Poli, muito obrigada pelas aulas extracurriculares. Gisele Jordo, obrigada por sugerir este tema maluco. Luiz Fernando, obrigada de corao por nos orientar. Voc superou todas as expectativas possveis.Ciclo encerrado.

    R Asato

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    AgradecimentosObrigada pai e me pela compreenso, empurres, apoio sempre que necessrio e por todo o Amor.

    Obrigada R Asato por ter comeado esse grupo comigo, por compatilhar as idias, comprar a briga e ir at o fim. Obrigada Nath por ter se juntado a ns nessa batalha e ter me acompanhado em tantos momentos loucos e desastrados.

    Obrigada Luiz Fernando Jr. que nos mostrou que esse processo no tinha que ser dolorido nem aterrorizador, por ter nos guiado e mostrado o caminho.

    Obrigada Michelle por ter se unido ao grupo, mesmo sendo de design. Por todas as horas de conversa, todas as idas ao Mc, todos os videos engraados. Ah.. obrigada por tudo, gats!

    Agradeo tambm ao Barbosa, que viabilizou o fim desse trabalho e a Maria Cecilia Pimenta, que sempre nos estimulou a tentar ir mais longe. Obrigada Teatro Tangerina, por todo o aprendizado. Tambm as aulas de dana que restauraram minha sanidade. Obrigada Tu por todas as novas refrencias.

    Renatas (Asato, Chaveiro, Brasilia), Dea, Carol Serra, Lucas, Michelle, Thaiz, Flycka, Fezinha, Fefa, Miojo muito obrigada pela amizade desde o inicio.

    Disney Cast Members obrigada por todos os momentos de diverso e pelos dois melhores meses da minha vida (at agora). R Cost, R Romano, F Almeida, Tiago, M, Mari, Bea, Deborah, Paula, Ben, Carol Serra, Diogo, Hike, Biel, Carol Mello, Karen: Obrigada por todos os momentos inesquecveis e por serem os irmos e irms que nunca tive.

    Obrigada Madonna, P!nk, Britney, Christina, Spice Girls, Shakira pelas msicas que animaram as nossas tardes. Obrigada a todas as trilhas sonoras da Broadway e desenhos da Disney por manterem o meu animo. Obrigada a todas as mulheres da MPB.

    Obrigada ESPM pelas amizades, pelas descobertas e por mostrar que nem sempre o caminho que escolhemos o certo. Obrigada meninos do GB, que tentaram mostrar que esse PGE era impossvel de ser feito. Obrigada pelo fim desse PGE e de mais uma etapa na minha vida.

    Porque todo tnel tem uma luz no final. Mas ns nunca sabemos se a sada ou um trem vindo em nossa direo. Dessa vez tenho certeza que a sada.

    Para sempre e mais um dia.

    R Luz

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    IndiceSumrio Executivo........................................................................................

    1. Metodologias de Pesquisa....................................................................... 1.1. Entrevista em Profundidade................................................. 1.2. Pesquisa Cultural................................................................. 1.3.Pesquisa de Imagem de Marca.............................................. 1.4. Pesquisa de Concorrncia e Patrocnio.................................. 1.5. Pesquisa sobre Opinio da Pea No Contm Glteos..... 1.6. Entrevista com Especialista...................................................

    2. Olaria GB: Hoje........................................................................................ 2.1. Histrico.............................................................................. 2.2. Marketing Mix..................................................................... 2.3. Anlise Financeira...............................................................

    3. Setor Cultural.................................................................................... 3.1. Teatro de Humor.................................................................. 3.2. Teatro em So Paulo.............................................................

    4. Consumidor de Teatro de Humor........................................................... 4.1. Padro de Consumo............................................................. 4.2. Psicografia........................................................................... 4.3. Perfil do Consumidor de Teatro............................................

    5. Concorrncia............................................................................................. 5.1. Funil da Concorrncia.........................................................

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    5.2. Ranking da Concorrncia................................................................ 5.3. Anlise do Grupo Estratgico..........................................................

    6. Macroambiente..................................................................................................... 6.1. Ambiente Demogrfico.................................................................... 6.2. Ambiente Econmico...................................................................... 6.3. Ambiente Tecnolgico................................................................... 6.4. Ambiente Socio-Cultural............................................................... 6.5. Ambiente Poltico-Legal................................................................ 7. Diagnstico............................................................................................................ 7.1. Matriz SWOT................................................................................. 7.2. Matriz Espelho.............................................................................. 7.3. Anlise de Stakeholders................................................................. 8. Cenrio Esperado............................................................................................... 8.1. Entrevista com Especialista............................................................ 8.2. Cenrios Possveis.........................................................................

    9. Planejamento Estratgico.................................................................................. 9.1. Objetivos....................................................................................... 9.2. Formulao Estratgica.................................................................. 9.3. Plano Ttico..................................................................................

    10. Plano de Aes.................................................................................................. 10.1. Fase 1.......................................................................................... 10.2. Fase 2.......................................................................................... 10.3. Fase 3.......................................................................................... 10.4. Fase 4.......................................................................................... 10.5. Cronograma de Aes................................................................. 10.6. Viabilidade das Aes..................................................................

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    11. A Olaria GB Longo Prazo.................................................................... 11.1. Nova Viso das Foras e Fraquezas.................................. 11.2. Captao de Patrocnio..................................................... 11.3. Retaliao......................................................................... 11.4. Neutralizao................................................................... 11.5. Recomendaes Finais......................................................

    12.Bibliografia.............................................................................................

    13. Anexos....................................................................................................

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    Este PGE constitudo pela anlise mercadolgica do cenrio cultural da cidade de So Paulo e da profissionalizao da Olaria GB, a fim de implementar-lhe uma viso empresarial, que potencialize a gerao de recursos do grupo e torne-o mais efetivo no setor cultural, gerando maior visibilidade para o seu trabalho.

    A Olaria GB um grupo de humor e pesquisa de humor que atua na rea teatral, com respaldo no meio de internet. O foco da trupe a produo de textos de humor e peas teatrais com referncias do cotidiano, da literatura, do cinema, da arte e da msica. Trabalhando com o desenvolvimento de novas estticas visuais, o grupo prope uma maneira nica de expresso.

    A Olaria GB teve sua origem em 2001, na Escola Superior de Propaganda e Marketing, embora s tenha iniciado sua atuao no setor cultural a partir de 2006.

    Mesmo assim, o grupo humorstico ainda no constitudo como uma empresa, nem do ponto de vista jurdico, nem em suas prticas de gesto. Alm de no possuir um CNPJ e no ser representado por qualquer cooperativa ou associao, o grupo apresenta um modelo de trabalho desorganizado e sem hierarquia, no qual os integrantes exercem mltiplas funes.

    Por ter uma formao descomprometida e regida pela amizade entre os membros, o maior problema do grupo a falta de estruturao do negcio. A ausncia de uma equipe profissional para organizar, produzir e dirigir os espetculos caracteriza a trupe humorstica como amadora.

    Devido dificuldade de obter dados precisos sobre o setor, que possui um mercado pulverizado, principalmente sobre o teatro de humor, que ainda no foi segmentado, foram aplicadas seis pesquisas para auxiliar e embasar o estudo realizado neste PGE.

    No processo de levantamento de dados primrios, foram realizadas duas pesquisas qualitativas e quatro quantitativas, sendo os questionrios mais extensos aplicados via Orkut, com o auxlio do site Survey Monkey.

    A partir da coleta de dados e do estudo realizado sobre a Olaria GB hoje, optou-se pela reestruturao da trupe para a sua sobrevivncia e seu crescimento no meio em que est inserida.

    Assim, este PGE prev um estudo que busque solucionar os problemas apresentados pelo grupo desde a sua fundao, para que seja possvel traar um plano mercadolgico e empreendedor que estabelea a Olaria GB como uma unidade de negcio a mdio e longo prazo.

    Sumrio Executivo

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    Metodologias de Pesquisa

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    1. Metodologias de PesquisaA escassez de informaes sobre o setor cultural, que no possui indicativos precisos como outros setores da economia brasileira, trouxe a necessidade do PGE Olaria GB aplicar seis pesquisas para o embasamento e encadeamento do projeto.

    A importncia de realizar tais pesquisas se deu, principalmente, pela Olaria GB fazer parte do segmento de teatro de humor, uma rea da cultura que ainda no apresenta estudo de mercado.

    Cada pesquisa foi desenvolvida de maneira orgnica, conforme o desenrolar deste PGE, que apresentou uma grande carncia de dados precisos ao longo de suas etapas. No entanto, com as pesquisas que sero descritas abaixo, o trabalho se tornou muito mais rico e fundamentado.

    1.1. Entrevista em Profundidade

    Com base em dados secundrios que permitiram ao grupo deste PGE deduzir o perfil dos consumidores que j conheciam a Olaria GB, a primeira pesquisa realizada foi uma entrevista em profundidade com quatro universitrios que se encaixavam neste perfil, com o objetivo de auxiliar a construo de um questionrio quantitativo para melhor entender o consumo cultural do jovem paulistano.Na entrevista, foram abordados os temas lazer, entretenimento, teatro e humor para que fosse possvel identificar as perguntas mais adequadas e trazer informaes relevantes sobre os hbitos de consumo dos universitrios, bem como suas motivaes em relao cultura.Sobre os temas lazer e entretenimento, as perguntas aplicadas foram: O que voc faz em seu tempo de lazer? O que te faz sair de casa? O que te faz escolher um evento em detrimento a outro? Quais as suas expectativas na busca por entretenimento?

    Com as questes acima foi possvel identificar as principais motivaes dos entrevistados para realizar atividades culturais: companhia, custo-benefcio e busca por diverso. Dentre os fatores decisivos para a escolha de um tipo de entretenimento em relao a outro, destacaram-se amigos, dinheiro e tempo hbil.

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    A propsito do tema teatro, foram aplicadas as questes: Voc costuma ir ao teatro? Quais so as suas expectativas quando vai ao teatro? O que uma pea de teatro precisa ter para ser considerada boa? O que mais importante na escolha da pea?

    Nas respostas obtidas sobre teatro, foram detectadas as expectativas em relao surpresa, criatividade, produo, elenco, prender a ateno e gerar identificao nos espectadores.

    Os fatores citados como decisivos para a escolha de uma pea de teatro foram: indicao, elenco e tema.

    Sobre o tema humor, as perguntas aplicadas foram: O que voc identifica como humor? Por que voc busca humor? Como voc se sente em relao ao humor? Onde voc procura humor? Qual a importncia do humor na sua vida? Quanto voc est disposto a pagar para atingir este objetivo?

    As respostas indicaram que os entrevistados identificam o humor como aquilo que faz rir ou uma quebra de lgica. Como referncias, foram citados: Tera Insana, Jack Ass, CQC, Pnico na TV, Os Melhores do Mundo, American Pie, The Big Bang Theory, Friends, Os Simpsons e Eduardo Manccini.

    As expectativas detectadas em relao ao humor foram sentir-se feliz, elevar o astral, descontrair, dar risada, desligar-se e bem estar. Como locais onde se busca o humor foram citados o cinema, a internet, fatos do cotidiano, televiso e teatro.

    Quanto importncia do humor, as respostas variaram de grande para altssima. Em relao ao gasto financeiro com a atividade humorstica, os valores disponveis foram de R$ 14,00 a R$ 200,00.

    Com base nas respostas obtidas na Entrevista em Profundidade, foi possvel elaborar o primeiro questionrio quantitativo para o PGE Olaria GB, denominado de Pesquisa Cultural.

    O problema a ser resolvido por meio da pesquisa era definir que pblico deveria ser abordado pela comunicao da Olaria GB.

    Deste modo, o objetivo geral da pesquisa foi estabelecer o perfil do consumidor de teatro de humor em So Paulo. Alm disso, foram determinados quatro objetivos especficos:

    1. Definir os fatores decisivos para que uma pessoa escolha assistir a um espetculo de humor.2. Constatar quanto um consumidor est disposto a pagar por um ingresso de teatro.3. Verificar o motivo de muitas pessoas no frequentarem teatros.4. Verificar a imagem de marca da Olaria GB para as pessoas que j a conhecem.

    Para atingir o objetivo nmero 4, a pesquisa continha dois filtros: um que dava continuidade apenas aos entrevistados que responderam conhecer a Olaria GB e outro que levava adiante somente aqueles que afirmaram ter assistido a um espetculo do grupo.

    1.2. Pesquisa Cultural

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    A Pesquisa Cultural foi desenvolvida pelo PGE Olaria GB por meio do site Survey Monkey, que disponibiliza o questionrio na web para que ele seja enviado por link s pessoas.

    Assim, o questionrio foi aplicado via Internet, aos membros de comunidades do Orkut relacionadas cultura em So Paulo, como: Centro Cultural So Paulo, Praa Roosevelt, Teatro em So Paulo, Arte e Cultura (So Paulo), entre outras.

    Para tanto, o grupo de PGE Olaria GB criou um usurio no Orkut chamado Pesquisa Cultural, que enviava o link da pesquisa por scraps (mensagens) aos usurios da rede social, como tambm criava tpicos sobre a pesquisa nas comunidades culturais.

    Ao todo, foram realizados 231 questionrios. Os resultados da Pesquisa Cultural foram utilizados para embasar o estudo do pblico consumidor, que ser apresentado no captulo 4 do PGE Olaria GB.

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    Com o objetivo de relacionar os dados at ento obtidos com informaes sobre a viso e percepo do consumidor que j conhecia a Olaria GB, foi montado um terceiro questionrio para entrevistar os membros inscritos no mailing e na comunidade oficial do grupo no Orkut. Esta pesquisa foi denominada Pesquisa de Imagem de Marca.

    O problema a ser resolvido pela pesquisa era descobrir qual a imagem de marca que a trupe possua perante seus espectadores. Portanto, o objetivo geral da pesquisa era estabelecer esta imagem de marca.

    Como objetivos especficos, a pesquisa pretendia:1. Identificar qual logo do grupo era mais reconhecido pelo pblico.2. Identificar a eficcia do site da Olaria GB.3. Descobrir se a imagem do grupo condizente com o posicionamento.4. Verificar qual a melhor forma de se comunicar com o seu target.5. Constatar quanto um consumidor est disposto a pagar por um ingresso da Olaria GB.

    Para atingir os objetivos definidos, o nico filtro aplicado logo no incio da pesquisa era a certificao de que todos os entrevistados, obrigatoriamente, conheciam o trabalho da Olaria GB. Caso contrrio, a anlise seria invlida.

    Foram aplicados 100 questionrios, dos quais 95 foram validadados, da Pesquisa de Imagem de Marca aos consumidores da trupe. Os resultados serviram de base para a anlise de comunicao do grupo, que levou concluso de que a Olaria GB no apresenta uma imagem de marca definida.

    1.3. Pesquisa de Imagem de Marca

    1.4. Pesquisa de Concorrncia e Patrocnio

    A quarta pesquisa, intitulada Pesquisa de Concorrncia e Patrocnio, foi aplicada na sada da pea No Contm Glteos, em cartaz no Espao Parlapates. A enquete foi direcionada aos espectadores da Olaria GB, com a finalidade de avaliar seus principais concorrentes por meio da viso do consumidor, como tambm estabelecer os potenciais patrocinadores de acordo com o seu target.

    Desta maneira, os dois problemas a serem resolvidos pela pesquisa eram:1. Como o pblico da Olaria GB avalia os principais concorrentes identificados na Pesquisa Cultural?2. Quais os potenciais patrocinadores que possuem o mesmo perfil de pblico?

    Para tanto, foram traados quatro objetivos especficos:1. Coletar dados para avaliar a Olaria GB frente a seus concorrentes.2. Constatar a validade dos dados da Pesquisa Cultural.3. Identificar quais as marcas de maior afinidade do consumidor da Olaria GB.4. Verificar quais as possveis empresas para proposta de patrocnio do grupo.

    Assim como na Pesquisa de Imagem de Marca, o nico filtro aplicado logo no incio do questionrio era a certificao de que todos os entrevistados, obrigatoriamente, conheciam o trabalho da Olaria GB.

    A pesquisa foi realizada com uma amostra de 50 espectadores do espetculo No Contm Glteos. Os resultados obtidos proporcionaram o embasamento das propostas de patrocnio e solues apresentadas no planejamento estratgico

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    O ltimo questionrio quantitativo elaborado pelo PGE Olaria GB tambm foi aplicado na sada da pea No Contm Glteos, com a finalidade de realizar uma sondagem sobre as foras e fraquezas do grupo de humor.

    O problema central a ser resolvido pela Pesquisa de Opinio sobre a Pea No Contm Glteos era: Qual a opinio do pblico sobre o espetculo em cartaz no Espao Parlapates?

    Alm do objetivo geral de verificar a percepo e a opinio do espectador sobre a pea No Contm Glteos, foram traados trs objetivos especficos:1. Identificar qual o melhor e qual o pior esquete apresentado no espetculo.2. Descobrir quais so os pontos altos da pea, na opinio dos consumidores.3. Constatar as impresses dos espectadores sobre o espetculo como um todo.

    Como esta pesquisa foi realizada no Espao Parlapates, aps um espetculo da Olaria GB, o nico filtro do questionrio era a certificao de que todos os entrevistados haviam assistido a pea.

    Foram aplicadas 50 pesquisas de opinio aos espectadores da Olaria GB, cujos resultados foram uma das bases para o diagnstico do grupo de humor.

    1.5. Pesquisa de Opinio sobre a Pea No Contm Glteos

    Para melhor embasar a anlise da Olaria GB e do cenrio no qual ela est inserida, foram utilizadas duas entrevistas realizadas com especialistas do setor cultural. A primeira Entrevista com Especialista foi uma pesquisa qualitativa realizada com o diretor, autor e ator de teatro Hugo Possolo de Soveral Neto, um dos fundadores do grupo Parlapates, Patifes e Paspalhes.

    Por se tratar de um especialista em teatro de humor muito familiarizado com o trabalho da Olaria GB, o objetivo da entrevista era adquirir mais informaes sobre o segmento de teatro de humor em So Paulo, assim como obter a perspectiva do especialista sobre o futuro do grupo.

    O contato de Hugo Possolo foi concedido ao grupo de PGE por meio de Ronaldo Cahin, um dos integrantes da Olaria GB, que trabalhou como produtor de vdeos do Parlapates, Patifes e Paspalhes. Assim, a entrevista pessoal com o especialista foi realizada por telefone, no ms de novembro de 2008.

    A segunda entrevista no foi realizada pelo grupo de PGE, mas foi coletado no blog digestivo cultural, que publicou uma matria com o especialista Andr Fonseca, autor do blog Cultura em Pauta e consultor especializado no setor cultural. Na entrevista concedida ao blog, Andr comentou a evoluo do setor cultural e o desempenho da classe artstica.

    Os resultados de ambas as entrevistas foram utilizados para traar o Cenrio Esperado da Olaria GB no circuito paulistano de teatro, que ser apresentado no captulo 8 deste PGE.

    1.6. Entrevista com Especialistas

  • A Olaria GB Hoje

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    2. A Olaria GB: HOJE 2.1 Histrico

    Fundado em 2001, por quatro estudantes da Escola Superior de Propaganda e Marketing, o antigo grupo Grandes Bosta comeou com o objetivo de entreter e criticar os estudantes de comunicao da ESPM por meio do riso. Em eventos como a Cerimnia do Ch, tradicional ritual de libertao dos calouros da faculdade, os integrantes da trupe costumavam apresentar esquetes cmicos sobre temas cotidianos da vida acadmica.

    O grande propsito dos Grandes Bosta era fazer com que os estudantes da ESPM se olhassem de maneira diferente e rissem de si mesmos, pois todas as personagens por eles interpretadas eram reflexos da plateia.

    A ltima Cerimnia do Ch apresentada na ESPM aconteceu em 2006, ano em que o grupo iniciou seu processo de transio do ambiente acadmico para entrar no circuito de teatro de humor paulistano, para o qual adotou o nome Olaria Grandes Bosta, logo abreviado para Olaria GB.

    O nome

    Em uma bela tarde ensolarada, Rafael Ruiz, vulgo Buia, caminhava pelo Centro Cultural So Paulo, ou pelo Sesc Vila Mariana, ou estava dentro de um vago do metr (no se sabe ao certo), quando avistou dois garotinhos conversando. Interessado na fala das duas crianas, Buia aproximou-se e ficou antenado ao dilogo.

    MENINO 1 (se gabando): He! Porque meu pai comprou um carro novo. De ltima gerao. Muito melhor que o do seu!MENINO 2 (com indiferena): E da... Grandes Bosta!

    Buia, como um digno fundador do GB, adorou a expresso desleixada e com erro gramatical. Chegando a uma reunio do quarteto original, sugeriu atribuir a magna frase como ttulo do grupo de humor.

    Ao longo de dois anos fora da ESPM, a Olaria GB desenvolveu um portfolio composto por duas peas de teatro de autoria prpria: Coando o Saccro e No Contm Glteos, ambas so constitudas pela juno de esquetes cmicos.

    Esquete: no teatro, rdio e televiso designa pea de curta durao e poucos atores

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    Alm disso, realizou interrupes humorsticas em trs temporadas do programa Irritando Fernanda Young, no canal GNT, e participou de diversos eventos e festivais de humor, como o Satyrianas, o Nunca se Sbado... e o Palhaada Geral.

    Uma vez fora do ambiente universitrio, a Olaria GB se tornou foco deste PGE para um estudo de projeto empreendedor, que objetiva solucionar os problemas da trupe e transform-la em uma unidade de negcio dentro do setor cultural. Mas, para que isso seja possvel, deve-se entender a estrutura e o modelo de trabalho do grupo.

    O Palhaada Geral um grande encontro de palhaos, com espetculos, cabars, performances, debates, filmes e lanamento de livro. O evento acontece no Espao Parlapates, na lona do Circo Roda Brasil (no Memorial da Amrica Latina) e na sede do grupo Jogando no Quintal

    O Projeto Nunca se Sbado uma competio entre grupos de humor, realizada no Teatro Folha, em So Paulo. A cada sbado, trs grupos apresentam alguns esquetes cmicos e, ao final do espetculo, o pblico atribui notas a cada grupo. O grupo vencedor se apresenta no sbado seguinte e compete com outros dois grupos. O tempo mximo que um grupo pode permanecer na disputa de oito semanas consecutivos.

    O Festival Satyrianas um evento anual realizado nos arredores da Praa Roosevelt, que rene dezenas de espetculos numa maratona teatral de 72 horas.

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    2.2. Marketing Mix

    Defesa da Metodologia

    O embasamento terico utilizado para a anlise interna da Olaria GB so os conceitos de Christopher Lovelock e Lauren Wright. No livro Servios, Marketing e Gesto, a dupla apresenta Os 8 Componentes da Administrao Integrada de Servios, mais conhecidos como Os 8Ps.

    Esta metodologia foi adotada por abordar elementos estratgicos que se aplicam ao modelo de trabalho pouco convencional dos prestadores de servios, realizaes essencialmente intangveis sobre as quais os consumidores no obtm propriedade.

    Desta maneira, as oito variveis sero apresentadas a seguir com o objetivo de compreender o marketing mix da Olaria GB.

    2.2.1. Cadeia Produtiva de HumorAdotar um grupo de humor como objeto de estudo requer, primeiramente, o entendimento de sua cadeia produtiva. Esta ser analisada a partir do tipo de humor realizado pela Olaria GB, seguido das variveis de Produto Elemento do Servio, Processo e Lugar e Tempo.

    2.2.1.1. Insumo

    Segundo Lovelock, as empresas so capazes de transformar insumos em produtos ou servios. Os insumos variam conforme a natureza da atividade em questo e incluem fora de trabalho, matria-prima, energia e capital.

    No caso da Olaria GB, a fora de trabalho est no campo intelectual e a matria-prima base para todos os servios produzidos o humor. Somente aps percorrer uma srie de processos produtivos, este insumo capaz de resultar nos servios e produtos culturais da trupe.

    Insumo

    Servios e Produtos Culturais

    Processo Produtivo

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    Caracterstica do Insumo

    O humor realizado pela Olaria GB se caracteriza pela sua acidez e crticas aos rgidos costumes pr-determinados pela sociedade. Nos servios e produtos culturais apresentados pelo grupo esto presentes stiras cultura, religio, cincia e at mesmo s artes.

    O humor de comportamento e o nonsense so os principais tipos de humor da Olaria GB. Alm dos citados, o grupo tambm traz tona o humor verbal, o grotesco, o humor de personagem e o de travestismo.

    Dentre as ferramentas utilizadas pelo grupo para fazer o seu pblico rir de assuntos considerados tabus, destaca-se a pesquisa de referncias intelectuais e estticas, que os integrantes da Olaria GB realizam para a proposta de novos temas e formatos de esquetes cmicos.

    Considerando a piada uma das principais bases para os grupos de humor, a Olaria GB dividiu suas piadas em dois tipos: as piadas de primeira instncia, que o pblico tem facilidade de entender, pois no exigem um repertrio especfico para a sua cognio; e as piadas com alto grau de refinamento, as quais requerem referncias para a compreenso dos espectadores.

    O grupo utiliza ambos os tipos de piadas em suas criaes, com um cuidado especial para entregar ao consumidor um humor inteligente, que estimule o repertrio do pblico.

    De acordo com a Pesquisa de Imagem de Marca realizada com o pblico da Olaria GB, o humor sua maior qualidade. Quando questionados sobre o que mais gostam no grupo, dentre as nove alternativas propostas no questionrio, 43% dos entrevistados responderam humor; 13%, atores; 12%, temas; 11%, msicas prprias; e 10%, textos.

    O humor de comportamento expe pessoas comuns a situaes peculiares, ridicularizando certos comportamentos da sociedade. Ele o humor caracterstico da Comdia de costumes, que apresenta cenas tpicas do dia-a-dia por meio de um olhar cmico, estimulando a identificao entre receptor e personagem.

    O termo nonsense refere-se ausncia de sentido, mas tambm pode tangenciar um significado lgico sem chegar ao seu encontro. Ele traz tona o imaginrio fantstico, muito explorado no universo infantil.

    PRINCIPAIS REFERNCIASReferncias de humor televisivo: Monty Phyton, Look Around You, South Park, Family Guy, TV Pirata, Little Britain, Rowan Atkinson, Robin Williams, Frango Rob, Drawn Together, Leslie Nielsen, Irmos Marx, Chico Anysio, Douglas Adams e Alan Sieber. Referncias de humor textual: Revista Mad, Casseta Popular, Kibeloko e The Onion.Referncias estticas: Norman McLaren, Rob Buchanan Reel e George Walton Lucas Jr.

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    Assim, possvel concluir que a pesquisa de humor uma grande fora para a Olaria GB, embora ela ainda no seja divulgada pelo grupo, como ser analisado no captulo 7.

    Fonte: Pesquisa de Imagem de Marca PGE Olaria GB

    2.2.2.1. Servios e Produtos Resultantes

    Os servios provenientes do processamento do humor da Olaria GB so as peas de teatro, esquetes e micro-esquetes humorsticos.

    INSUMO Humor

    SERVIOSPeas de Teatro

    EsquetesMicro-esquetes

    PROCESSO PRODUTIVOCriaoEnsaios

    Produo

    2.2.2. Elementos de Produto ou ServioOs fatores que determinam a Olaria GB como prestadora de servios so as caractersticas de intangibilidade, perecibilidade, inseparabilidade e variabilidade da grande parte do que produzido pelo grupo e entregue a seus clientes e consumidores.

    Para Christopher Lovelock, os servios podem ser transformados em bens medida que a tecnologia oferece maneiras de captur-los e torn-los disponveis para acesso pblico por meio de mdias digitais.

    Quando se trata de bens culturais, no entanto, h diversas definies que os classificam de maneiras distintas. Para este PGE foi adotada a definio de que os bens culturais so os servios e produtos resultantes da produo cultural; mas que os servios apenas se transformam em produtos culturais medida que so registrados e veiculados por meio de tecnologias industriais.

    O que a Olaria GB?

    O que voc mais gosta na Olaria GB?

    Um grupo de humor

    Um grupo de amigos

    Um grupo de teatro amador

    Outros

    35%30%

    40%45%

    45%50%

    0%

    25%20%15%

    19%

    5%10%

    35%30%

    40%

    43%45%50%

    0%0%

    25%20%15%

    13% 11% 12%

    2%3%7%

    5%10%

    10%

    28%

    8%

    Ator

    es

    Figur

    ino

    Humo

    r

    Msic

    as Pr

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    Produ

    o

    Tema

    s

    Texto

    s

    Outro

    s

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    A partir do momento em que so gravados e reproduzidos, eles podem se transformar em produtos culturais como vdeos e programas de televiso.

    PRODUTOS CULTURAISVdeos

    Programas de TV

    SERVIOSPeas de Teatro

    EsquetesMicro-esquetes

    PROCESSOS PRODUTIVOS

    RegistroVeiculao

    2.2.2.3. Portfolio de Servios e Produtos

    Peas de Teatro

    A Olaria GB possui apenas duas peas teatrais em seu portfolio, um nmero muito baixo se comparado com os seus concorrentes, que sero analisados no captulo de concorrncia.

    At o presente momento, a produo dedicada ao teatro concentra-se na amarrao de esquetes cmicos independentes. Com a juno de cinco esquetes, a trupe desenvolveu seu primeiro espetculo de teatro

    chamado Coando o Saccro, uma comdia iconoclasta que aborda os temas religio, histria, filosofia e cincia com humor. A criao dessa pea aconteceu por acaso, a partir de esquetes elaborados para as participaes do grupo no projeto Nunca se Sbado... e nos festivais de humor do Espao Parlapates.

    A segunda pea da Olaria GB formada por esquetes que j foram criados com o intuito de formar um espetculo. Ela leva o nome No Contm Glteos e aborda temas bastante atuais como hipermodernidade, individualismo, consumismo, fixao pela beleza, massificao e alienao. Ainda que criados com o objetivo de compor uma nica pea, os esquetes no so amarrados de maneira linear, tornando-se disjuntos no que diz respeito a texto e linguagem.

    Esquetes

    No repertrio da Olaria GB h dezesseis esquetes de humor:

    A Clula A Traio de Cristo Ax Jacar Iemanj Canudos Wars I Canudos Wars II Cena de abertura da pea No Contm Glteos Discusso de Arte Drama I Dramalho Mexicano Drama II - Fogo dipo Rex Escolinha de Genocidas Luta de Classes O Filsofo Gago O Pequeno Burguesinho Os Cientistas Poema do Celular - Cia. de Artes Dramticas Josefina Fracassa

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    Embora estejam presentes nas peas de repertrio do grupo, todos os esquetes humorsticos funcionam separadamente, pois possuem comeo, meio e fim. Quando a Olaria GB participa de festivais, por exemplo, so necessrios apenas um ou dois esquetes.

    O carter independente dos esquetes permite que eles sejam apresentados em situaes externas cena teatral, como um evento acadmico ou empresarial, uma ao de mdia alternativa ou um vdeo de humor.

    Micro-esquetes

    Os microesquetes de humor so pequenas cenas que se conectam com base em uma premissa ou contexto, mas que tambm possuem uma construo linear com comeo, meio e fim.

    A Olaria GB prestou este servio para o talk-show Irritando Fernanda Young, no canal GNT. Enquanto a apresentadora entrevistava seus convidados, o grupo fazia trs interrupes humorsticas de vinte segundos cada.

    Ao todo, foram gravadas trs temporadas do Irritando Fernanda Young com a Olaria GB, sendo que cada temporada inclui 12 programas. Portanto, o grupo j apresentou cerca de cem micro-esquetes no canal GNT.

    Os microesquetes de humor funcionam para o meio televisivo, mas so efmeros devido participao muito pequena do grupo nesse segmento. Alm dos talk-shows, o formato do servio microesquete pode ser estendido para outros tipos de programas e mdias graas sua maleabilidade.

    Como as interrupes no programa eram de 20 segundos cada, representando uma exposio de 5 minutos e 30 segundos por semana, mesmo que o programa apresente um ndice de 12 pontos no IBOPE, a apario televisiva da trupe pode ser considerada muito inexpressiva. Alm disso, o contrato com o programa Irritando Fernanda Young foi interrompido no final do ano de 2008. Portanto, o servio de micro-esquetes e o segmento de televiso no sero mais apontados neste PGE.

    2.2.2.4. Servios Suplementares

    Segundo Lovelock, o termo servios suplementares designa os elementos que podem adicionar valor ao servio bsico e garantir uma margem competitiva. De tal modo, foram considerados servios suplementares as msicas prprias da Olaria GB, criadas para agregar valor s peas e esquetes do grupo.

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    Msicas PrpriasAmbas as peas do grupo possuem trilha sonora com msicas de

    prpria autoria, nas quais o humor se faz presente.

    No repertrio do grupo h trs msicas de composio musical de Pedro Vilhena e letras de Adonis Comelato, Daniel Prata, Guilherme Tom, Rafael Fanganiello e Ronaldo Cahin. So elas:

    Serguei; A Troca de Figurino; Jacar Iemanj.

    As outras msicas prprias do grupo tiveram apenas as letras compostas por seus integrantes, pois so pardias de msicas conhecidas:

    O Caminho do Genocida (Pardia de In the Chester Nimitz Oriental Garden, de Austin Lounge Lizards); Canudos Wars (Pardia de Star Wars theme e Imperial March, de John Williams); Dirio de um ADMer (Pardia de Dirio de um detento, de Mano Brown); Os Quatro Cavaleiros do Apocalypso (Pardia de Danando Calypso, de Chimbinha).

    As duas ltimas msicas citadas foram compostas para a Cerimnia do Ch, quando a maioria dos integrantes ainda cursava Comunicao Social na ESPM. Logo, a criao de pardias se iniciou na brincadeira, do mesmo modo que os primeiros esquetes do grupo.

    Com o ingresso do msico Pedro Vilhena Olaria GB, as msicas de autoria prpria se tornaram uma fora para o grupo de humor, visto que nenhum de seus concorrentes realiza a composio de melodias prprias.

    Na pea No Contm Glteos, que estreou em outubro de 2008, a msica Jacar Iemanj foi apontada como o segundo melhor esquete do espetculo. As informaes so comprovadas pela Pesquisa de Opinio realizada com os espectadores aps o espetculo, em outubro de 2008, no Espao Parlapates.

    Fonte: Pesquisa de Opinio PGE Olaria GB

    Ax

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    quen

    o Bur

    gues

    inho

    Melhor Esquete - No Contm Glteos

    9% 7%

    0% 0%

    10%

    20%

    30% 35% 33%

    25%

    15% 18%

    14% 11%

    5% 4% 4% 2%

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    2.2.3. ProcessosOs integrantes da trupe sempre foram responsveis por todas as etapas de seus processos. Desde o processo de criao at a entrega final do servio ou produto cultural, os prprios atores desempenham as funes de criadores, produtores, negociadores e comunicadores.

    Para transformar o insumo da Olaria GB em bens culturais, o humor deve passar por uma cadeia de processos produtivos: criao, produo, ensaios, venda e avaliao.

    2.2.3.1. Processo de CriaoO processo criativo do humor do grupo orgnico, pois acontece coletivamente, de maneira que todos os integrantes trabalhem sem hierarquia em prol de um mesmo objetivo.

    O passo primordial para a criao de qualquer trabalho da Olaria GB a pesquisa de referncias. A busca constante por embasamento cultural, humorstico e esttico considerada um padro para as produes dos textos do grupo.

    Esquetes e Peas de TeatroNo caso da criao de esquetes e peas de teatro, os integrantes promovem reunies informais a partir do repertrio adquirido na pesquisa de referncias, com o objetivo de criar uma premissa base que ser ponto de partida para o texto humorstico.

    Aps a concepo da primeira verso do texto, chamado pelo grupo de Texto 1.0, os papis so divididos por interesse e proximidade entre ator e personagem. Em seguida, so desenvolvidos dois processos paralelos: o estudo individual da personagem e os ensaios em grupo, que possibilitam a livre criao de cada ator dentro do jogo de improviso.

    Por fim, o remodelamento do texto 1.0 para o texto final concretizado, podendo sofrer alteraes conforme as improvisaes que ocorrerem durante a temporada e o feedback dos espectadores e profissionais do ramo.

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    Cadeia Produtiva de Esquetes e Peas de Teatro

    Estudo de PersonsonagemEnsaios e ImprovisaesProduo de Cenrio e

    Figurinos

    Finalizao do Texto de Humor

    Entrega do Servio Final Feedback do PblicoFeedback de Profissionais

    Avaliao do Grupo

    Aprimoramento do Servio

    Humor Pesquisa de Referncias

    Definio de Premissa Base

    Criao do Texto 1.0

    2.2.3.2. Processo de Ensaios

    O processo de ensaios est dentro do seu processo de criao, mas ocorre apenas para as peas de teatro, esquetes e microesquetes.

    Os ensaios do grupo so fundamentados em improvisao teatral e experimento de novas linguagens e estticas. Todos os integrantes que atuam na Olaria GB participam ativamente dos ensaios, contribuindo com ideias e opinies.

    A trupe no possui um diretor ou dramaturgo profissional e a opo pela ausncia deste profissional do prprio grupo, devido liberdade artstica que este modelo de trabalho lhe concede.

    Embora os integrantes aleguem que trabalhar coletivamente e sem hierarquia interna sejam fatores importantes para a criao e desenvolvimento de seus servios, a ausncia de direo profissional se torna negativa quando a Olaria GB sobe ao palco.

    Para alguns crticos e profissionais do ramo, o amadorismo do grupo evidente quando o assunto teatro, principalmente pela falta de acabamento e de conexo entre os esquetes apresentados, como exemplificado na citao:

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    J disse aos meninos que eles so muito, mas muito bons mesmo, muito inteligentes e corajosos, e que se eu tivesse que dizer onde devem investir, eu diria em aulas e um diretor. Aulas de teatro para passarem por algumas tcnicas fundamentais, como trabalhos de voz e corpo, por exemplo. E um diretor para dar acabamento s cenas e ao espetculo como um todo para que tudo flua com uma unidade, para que as coisas no paream isoladas, encaixadas ao lu, mas sim, com um objetivo.

    Marianna Armellini, integrante do grupo de teatro: As Olvias.

    As reunies de trabalho da Olaria GB so informais, realizadas semanalmente no apartamento de dois integrantes. Como o grupo no possui espao apropriado e disponvel para ensaios, estes ocorrem apenas quando h necessidade de material novo ou em semanas prximas apresentao.

    A sede residencial de trabalho dificulta a manuteno do foco nas reunies, ao mesmo passo que a falta de ensaios frequentes tambm prejudica a qualidade dos servios.

    Atualmente, o grupo aluga dois espaos para ensaiar quando preciso. So eles: o Espao Maquinaria, na Bela Vista; e a Aldeia Turiassu, em Perdizes.

    2.2.3.3. Processo de Produo

    Os integrantes da Olaria GB iniciam o processo de produo de seus servios com as mesmas premissas do processo de criao. Todo o material produzido tem como base a pesquisa de referncias, neste caso, estticas.

    A produo executiva se aplica para as peas de teatro, esquetes e micro-esquetes. Basicamente, ela se concentra na produo de figurinos, adereos e cenrio, sendo o ltimo item apenas para teatro.

    Os figurinos, por sua vez, recebem uma ateno especial, pois a caracterizao de personagens pode provocar o riso por si s, alm de trazer tona as referncias utilizadas e o repertrio dos espectadores.

    A Olaria GB no possui uma produtora contratada, mas conta com a ajuda de colaboradores e amigos, dos quais costuma contratar os servios como freelancer.

    Assim como nos processos de criao e de ensaios, todos os integrantes participam da produo executiva, sem haver um lder ou coordenador frente do grupo. s vsperas de espetculos, por exemplo, cada integrante responsvel pelo seu prprio figurino, fato que justifica a perda de alguns adereos e danificao de materiais.

    A falta de organizao na produo um ponto fraco para a Olaria GB, pois os integrantes exercem muitas funes paralelas e no conseguem dar conta de uma produo bem acabada.

  • PGE Olaria GB | 42

    2.2.3.4. Processo de VendasAssim como nos demais processos, os integrantes so os nicos

    responsveis por seu processo de vendas, mais uma tarefa exercida paralelamente criao e produo dos servios do grupo.

    Cada bem cultural apresenta um processo de venda distinto, pois o tipo de cliente ou consumidor se difere bastante conforme a situao.

    Peas de TeatroA venda de peas de teatro se inicia com um argumento do grupo sobre seu espetculo, descrito em um

    texto modelo release que apresenta o grupo e o contexto da pea, para que ela entre como sugesto de pauta no teatro desejado.

    Aps o envio do argumento, o grupo aguarda a aprovao do teatro para que seu espetculo entre em cartaz. A partir de ento, o processo se divide em duas etapas: a negociao entre a Olaria GB e o intermedirio no caso, responsvel pela programao artstica do espao de apresentao e a venda dos ingressos.

    A negociao do espetculo consiste em definir o preo dos ingressos, a diviso da porcentagem da bilheteria, os horrios de apresentao, a data de estreia e a data de encerramento da temporada, entre outros termos especficos de cada teatro.

    Ao se aproximar da estreia, o intermedirio que se responsabiliza pela segunda etapa do processo: a venda de ingressos. Geralmente, eles so vendidos com antecedncia na bilheteria do teatro, por televendas ou pela Internet.

    EsquetesO processo de vendas dos esquetes acontece caso a caso. Quando o grupo participa de festivais, a venda pode ser realizada por meio de ficha de inscrio, audio ou simplesmente pela negociao. Cada festival possui seu termo de compromisso especfico e comercializa seus ingressos sua prpria maneira.

    Se o esquete for apresentado em algum evento externo cena teatral, a venda se d apenas pela negociao com a produo / organizao. Em alguns casos, o cliente pode passar um briefing para o grupo adequar o seu humor ao evento em questo.

  • PGE Olaria GB | 43

    2.2.4. Lugar e TempoA entrega dos servios e produtos acontece de maneiras distintas conforme o bem cultural em questo.

    Peas de TeatroAs peas so apresentadas em teatros que possuem comdias na programao semanal, sistema de iluminao, sonorizao, camarim e assentos para, no mnimo, cem espectadores.

    Para esse tipo de servio, tanto os integrantes quanto os espectadores devem estar presentes no momento da entrega do espetculo, o qual dura cerca de 1 hora e tem data marcada para acontecer.

    Esquetes O local de entrega dos esquetes varia muito de acordo com a situao. No h necessidade de um espao definido, pois o esquete pode ser adaptado ainda que isso prejudique a qualidade do servio.

    O tempo dos esquetes curto, mas a Olaria GB pode combin-los conforme o tema do evento ou festival. Caso ele seja transformado em produto cultural, o consumidor pode assisti-lo pelo youtube ou pelo site do grupo, podendo rev-lo quantas vezes quiser.

    2.2.5. PessoasIntegrantes

    A Olaria GB formada por oito rapazes que no possuem formao profissional em teatro, embora todos exeram o papel de atores. A maioria dos integrantes graduada em Comunicao Social com nfase em Propaganda e Marketing, voltada para a rea de criao.

    O nmero expressivo de redatores no grupo contribui para o ponto forte da trupe: a produo de textos de humor. Como artistas e prestadores de servios, cada indivduo parte integrante dos bens culturais produzidos pelo grupo, pois suas criaes esto diretamente relacionadas aos seus repertrios e experincias de vida.

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    ADONIS BERGGREN COMELATO FILHO, 24 anos Ator, roteirista, orientador de direo, blogueiro, responsvel pelo site, mailing, vdeos no youtube e peas de comunicao.

    ADRIANO LUS PEQUENO COSTA, 23 anos Ator.

    ARTHUR EDER TOYOSHIMA, 25 anos Ator e tesoureiro.

    DANIEL PRATA, 24 anos Ator, roteirista, blogueiro e produtor cultural.

    GUILHERME CARDOSO TOM, 24 anos Ator, roteirista, produtor de figurino, blogueiro, responsvel pelas vendas e orientador de direo.

    PEDRO HENRIQUE JANOT VILHENA, 25 anos Msico.

    RAFAEL SILVA FANGANIELLO, 28 anos Ator, roteirista e blogueiro.

    RONALDO CAHIN, 26 anosAtor, tcnico de luz, produtor de vdeos, cinegrafista e responsvel pelos vdeos no youtube.

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    Ausncia de DireoComo j citado em Processo de Ensaios, a Olaria GB optou pela ausncia da figura de um diretor. Segundo Otvio Dantas e Rubia Reame, diretores do Grupo de Teatro Tangerina da ESPM, o papel do diretor deve equalizar as vontades do grupo, coordenar e dar o foco aos atores.

    A falta de um profissional com olhar externo Olaria GB, responsvel por equilibrar as vontades de cada integrante e direcion-los como atores, torna-se evidente porque nenhum deles possui formao artstica, com exceo do msico Pedro Vilhena. No entanto, a opinio de profissionais do meio em que o grupo atua parte ativa da construo de seus trabalhos.

    Os integrantes possuem contatos importantes no meio artstico, entre os quais se destacam os nomes Hugo Possolo, diretor, autor, ator, palhao e fundador do grupo Parlapates, Patifes e Paspalhes; Nereu Afonso da Silva, diretor, ator, palhao, escritor e professor de teatro; Alexandre Reinecke, diretor, ator, tradutor e produtor teatral; e Marcio Ballas, ator, professor de palhao e palhao do espetculo Jogando no Quintal.

    costume da Olaria GB convidar alguns deles para assistirem seus ensaios e espetculos, e fazerem consideraes que so adotadas pelo grupo como orientao de direo. Os comentrios dos profissionais variam em relao linguagem, contedo, unidade, postura, atuao e outros pontos especficos.

    IntermediriosO integrante Rafael Fanganiello sobrinho de Hugo Possolo, do grupo Parlapates, Patifes e Paspalhes. Ciente do trabalho da Olaria GB, o ator e diretor apadrinhou o grupo, trazendo-lhe grandes oportunidades ao abrir o Espao Parlapates para estreia de peas e participao em eventos e festivais. No meio teatral, Hugo o principal intermedirio da trupe.

    ColaboradoresFazem parte do processo produtivo alguns amigos que exercem as funes de colaboradores e freelancers. Dentre eles, destacam-se a produtora e cengrafa Nathlia Vaz, formada em Comunicao Social pela ESPM; a figurinista Mariana Mitie Gushiken, estudante de moda na faculdade Belas Artes; e os diretores de arte Alexandre Cobra e Michel Geraissate, formados em Comunicao Social pela ESPM.

    Todos os colaboradores trabalham em apoio s criaes dos integrantes, e tm espao aberto para trazer novas referncias estticas e ideias, sejam para a rea de produo ou de comunicao. Muito importante, no entanto, seria que a Olaria GB contasse com profissionais que fizessem parte da organizao do grupo e se responsabilizassem por funes especficas, pois os integrantes so desorganizados e exercem mltiplas funes.

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    2.2.6. Produtividade e QualidadeOs processos internos podem ser considerados pouco produtivos em relao a tempo despendido se comparado ao modelo hierrquico de uma empresa, pois todas as etapas de cada projeto so discutidas entre os integrantes do grupo. O tempo gasto com as discusses sem a figura de um lder torna os processos lentos e, algumas vezes, resulta em atritos entre os integrantes.

    A falta de tempo dedicado ao trabalho tambm influencia negativamente a produtividade do grupo, pois alguns integrantes possuem trabalhos paralelos, uma vez que no so assalariados como atores.

    2.2.7. Preos e Outros Custos

    2.2.7.1. Ingresso

    Quando o servio oferecido em forma de peas de teatro, geralmente so cobrados ingressos que variam entre R$ 10,00 e R$ 20,00. Em uma noite de apresentao, as meias entradas, que variam entre R$5,00 e R$10,00, representam at 60% da bilheteria, o que justificado pelo fato de grande parte do pblico da Olaria GB ser constitudo por estudantes universitrios, como ser analisado no captulo 4. No caso de festivais, a entrada pode ser gratuita ou beirar a mesma faixa de preo.

    Durante uma temporada em cartaz, a Olaria GB costuma receber uma parte do valor dos ingressos, que varia entre 50% e 80% do total da bilheteria.

    2.2.7.2. Custo de Tempo

    O custo de tempo para consumir os produtos e servios da Olaria GB varivel de acordo com o bem cultural e o consumidor em questo.

    Os espetculos ao vivo demandam o tempo de deslocamento do espectador at o local de apresentao e o tempo de permanncia no teatro ou festival. Alm disso, eles devem se programar para assistir ao grupo em determinadas datas e horrios.

    2.2.7.3. Custo Intelectual

    O humor da Olaria GB, que utiliza referncias durante seu processo criativo, requer o repertrio do pblico para a cognio de piadas e isso se aplica a todos os servios e produtos culturais do grupo, independentemente da mdia em questo.

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    2.2.8. Evidncias FsicasO grupo possui uma evidncia fsica mal trabalhada, que no legitima seu trabalho de maneira eficaz.

    Trata-se da ESPM, instituio na qual a trupe nasceu, que geralmente citada em releases sobre o grupo de humor.

    A Olaria GB comeou na ESPM, fazendo pequenas apresentaes em festas e trotes. Hoje, seus oito integrantes esto em cartaz com a pea No Contm Glteos, composta por esquetes que ironizam aspectos da cultura pop e da sociedade brasileira.

    Stefanie Gaspar, na seo cultural do site da faculdade Csper Lbero.

    De qualquer maneira, o nome da Olaria GB est atrelado ao da instituio, embora no haja um relacionamento estabelecido entre ambas as partes. Esta separao ocorreu no ano de 2008, por consequncia da apresentao inadequada realizada na colao de grau do curso de Administrao da ESPM.

    O grupo no possui outro fator que evidencie a qualidade de seu trabalho, pois o mais prximo que ele chegou de um prmio foi a classificao de 2 lugar no I Festival de Cenas Cmicas do Espao Paralapates.

    Alm disso, a trupe nunca gravou um CD de suas msicas prprias, tampouco um DVD dos seus espetculos de repertrio.

    2.2.9. Promoo e EducaoA Olaria GB no educa o pblico para consumir seus servios e produtos culturais. Alm disso, ela no possui uma identidade visual estabelecida. H uma grande diversidade de traos e elementos grficos na comunicao do grupo, o que torna sua identificao confusa por parte de clientes e consumidores.

    O investimento em comunicao est concentrado na internet, principalmente devido aos custos reduzidos e facilidade de acesso. Na web, o grupo possui site, blog, vdeos no youtube e comunidades no Orkut.

    Apesar desta breve explicao, este tpico ser melhor desenvolvido no captulo de concorrncia, quando a Olaria GB for comparada aos players que pertencem ao mesmo grupo estratgico no qual a trupe est inserida.

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    2.3. Anlise Financeira

    Por no movimentar grandes quantidades de capital, e por no ser uma empresa formalizada, o sistema financeiro do grupo extremamente simples, baseado em custos e receitas de peas, festivais e eventos.

    At o ano de 2007, a Olaria GB no possua um controle financeiro, e a partir do prximo ano, passou a contabilizar de maneira rudimentar os custos e receitas de seus eventos.

    Os custos so baseados em figurinos, produo com luzes, som, etc. Por terem pouca verba, seus investimentos com produo e figurino so limitados, e, por exemplo, acabam comprando roupas em brechs.

    Os atores no so remunerados e ainda no possuem condio de pagar salrios de diretor e produtor. A seguir esto os DREs de cada evento / temporada dos quais a Olaria GB fez parte.

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    Com uma simples anlise dos saldos finais, possvel perceber que a Olaria GB tem receitas maiores do que custos, gerando lucro na maioria dos eventos / temporadas.

    Irritando Fernanda Young foi um projeto cujo custo e receitas foram processadas ao longo da temporada, entre fevereiro e setembro de 2008. O cach por programa era de R$ 400,00, e por serem takes diferentes e com produo bem trabalhada, o investimento feito pelo grupo foi mais elevado. No entanto, no houve renovao de contrato para 2009.

    O Festival de Curitiba, a Virada Cultural e o Festival de Cenas Cmicas no tiveram altos custos com produo, pois os figurinos j haviam sido produzidos. Nos trs, o valor da receita foi pr-estipulado pela produo do evento.

    No projeto Nunca se Sbado..., a arrecadao de capital foi computada atravs de porcentagem dos ingressos vendidos (30%) e tambm da durao de tempo em cartaz e colocao em relao aos outros competidores.

    Para a temporada do No Contm Glteos, o grupo precisou investir na produo e figurino, e por isso seus custos foram elevados. Durante o primeiro trimestre de 2009, o grupo teve um aumento considervel na receita com as apresentaes da pea no Teatro Folha (So Paulo) e no Teatro Tim (Campinas). Durante as apresentaes, a mdia de ocupao dos teatros foi de 60%.

    Os integrantes do grupo acordaram que o lucro obtido deve ser totalmente revertido para a prpria trupe, gerando o mximo de caixa possvel. Essa escolha objetiva manter um nvel mnimo para as prximas produes.

    Para cada nova pea, se faz necessrio um caixa com cerca de R$ 5000,00. Este custo foi baseado nos investimentos feitos para as produes de No Contm Glteos, j visando uma produo mais elaborada.

    Abaixo segue o DRE do ano de 2008.

    Ao analisar o ano de 2008, possvel observar o aumento gradativo do saldo final. O saldo de um ms , na maioria dos casos, superior ao total de sadas operacionais do ms seguinte. Portanto, pode-se dizer que o grupo nunca teve problemas com falta de capital de giro. O sucesso do ano de 2007 garantiu o capital de giro para o primeiro perodo de 2008.

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    Fonte: PGE Olaria GB - 2009

    Por meio da planilha, pode-se concluir que a maior parte dos ganhos est relacionada ao programa Irritando Fernanda Young, que representava 60% da receita bruta, enquanto as peas de teatro representavam 11% e os festivais, 29%.

    Entretanto, o programa Irritando Fernanda Young, tambm representa a maior parte dos custos totais, com 35% dos gastos. Logo em seguida, vm as peas teatrais, que apesar de representarem a menor entrada de capital, geram 27% dos custos. Os festivais, analisando as porcentagens, se equivalem, pois representam 29%.

  • PGE Olaria GB | 51

    J o primeiro semestre do ano de 2009 apresentou uma movimentao diferente dos demais anos. No houve participao da trupe em festivais e o contrato com a GNT foi encerrado. Portanto, toda a receita e todos os custos so provenientes da pea No Contm Glteos, como pode ser observado no DRE dos seis primeiros meses de 2009.

    Na tabela abaixo, pode-se observar a evoluo dos resultados anuais da Olaria GB, desde o ano de 2007.

    Do ano 2007 para o ano 2008, o aumento da receita foi de 153%; enquanto, de 2008 para 2009, houve um crescimento de 170%. Assim, possvel afirmar que, desde que a Olaria saiu do meio acadmico e voltou-se para o cenrio teatral de So Paulo, a trupe apresentou crescimento constante.

    Baseando-se no fato de que a anlise financeira foi feita at o fim do primeiro semestre de 2009, acredita-se que o crescimento do grupo, at o fim do ano, ser ainda maior.

  • Setor Cultural

  • PGE Olaria GB | 55

    O setor cultural brasileiro formado por milhares de indivduos autnomos das mais diversas classes sociais e origens, alm de empresas de pequeno, mdio e grande porte; microempresas; associaes sem fins lucrativos e grupos de produo independente. Ele apresenta facilidade de acesso para novos entrantes, pois o Brasil possui um mercado interno muito expressivo.

    Em artigo publicado no ms de fevereiro de 2008, o ex-ministro da Cultura, Gilberto Gil, e a coordenadora do Prodec (Programa de Desenvolvimento da Economia da Cultura), Paula Porta, destacam que a produo cultural nacional tem ampla primazia sobre a estrangeira e que a participao da cultura nas atividades econmicas do pas j bastante significativa.

    Ao se tratar de cultura, inmeros produtos e servios distintos tornam-se substitutos, pois o setor cultural abrange atividades artsticas das mais variadas vertentes: teatro, msica, circo, literatura, pintura, entre outros. Analisar o mercado artstico dentro de um contexto to abrangente uma tarefa difcil, alm de dificultar a obteno de resultados precisos, pois os consumidores culturais se fragmentam em

    3. Setor Culturalmilhares de grupos ou tribos com gostos e necessidades totalmente diferentes.

    O setor tambm possui grande quantidade de trabalhadores informais, alm de manter comunidades e projetos sociais em atividade. Neste panorama setorial, todas as empresas e grupos independentes que oferecem atividades relacionadas cultura e ao lazer so considerados concorrentes, e se diferenciam conforme os segmentos em que atuam.

    Deve-se levar em considerao que a maioria dos players do setor cultural concorre entre si por incentivos fiscais, visto que o Ministrio da Cultura prev benefcios para patrocinadores de atividades culturais, segundo as leis que sero descritas na anlise do macroambiente poltico-legal.

    O setor cultural brasileiro apresenta um desenvolvimento atrasado se comparado a outros setores da economia nacional. Antes das leis de incentivo, no havia indicadores e pesquisas sobre a rea cultural no Brasil. Apenas a partir da segunda metade da

    dcada de 90, com a consolidao da Lei Rouanet, o setor comeou a apresentar um crescimento expressivo em volume de verbas, a ponto de gerar necessidade de informao e profissionalizao.

    Apesar dos avanos j obtidos pelo Ministrio da Cultura, com programas e aes culturais, muito do que relativo ao setor ainda se encontra no plano das ideias, com pouca implementao. Segundo o especialista em cultura Andr Fonseca, autor do blog Cultura em Pauta e diretor da empresa Projecta, de consultoria especializada no setor cultural, o ambiente artstico se caracteriza como mal administrado, pois grande parte do setor apresenta falta de profissionalismo, gesto e planejamento.

    Para ele, os artistas ainda se limitam dependncia de editais, pois no sabem trilhar o caminho da captao de patrocnio, como tambm no buscam outras fontes de recursos. Isso se torna mais visvel nos segmentos de teatro e dana. Eu observo alguns grupos de tima qualidade artstica, com anos de estrada e reconhecimento crtico, que sobrevivem

  • PGE Olaria GB | 56

    custa desses editais e dos cachs de apresentaes. Se no forem aprovados, no trabalham. A eles choram a falta de recursos, reclamam das injustias da Rouanet, mas pouco fazem para sair dessa situao, afirma o especialista.

    A Economia da Cultura integra o segmento de servios e lazer, cuja projeo de crescimento superior a de qualquer outro. Esta a rea de maior dinamismo na economia mundial, segundo o IBGE, com crescimento de 6,3% no ano de 2008, enquanto o conjunto da economia cresceu a 5,7%.

    De acordo com o MinC, atuam no pas 320 mil empresas voltadas produo cultural, que geram 1,6 milho de empregos formais. Ou seja, as empresas da cultura representam 5,7% do total de empresas no pas e so responsveis por 4% dos postos de trabalho. O salrio mdio mensal pago pelo setor de 5,1 salrios mnimos, equivalente mdia da indstria, e 47% superior mdia nacional (MinC 2008).

    Como mostram as pesquisas do IBGE, o setor representou cerca de 6 a 7% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2008. No entanto, os dados referentes ao ano de 2009 apontaram uma queda do setor, que passou a representar 4% do PIB nacional (IBGE Maro 2009).

    Antes da crise econmica, o MinC estimou um crescimento de 10% ao ano para a Economia da Cultura, visto que ela apresentou um crescimento de 8,4% em 2008, tanto na Amrica Latina, quanto no Brasil. Esse potencial de crescimento bastante elstico, pois o setor no depende de recursos esgotveis, j que seu insumo bsico a criao artstica ou intelectual e a inovao.

    No obstante, a crise financeira afetou negativamente a rea artstica em 2009, pois ocasionou reduo dos investimentos privados em cultura. Em maro deste ano, o portal de entretenimento Divirta-se divulgou que boa parte dos projetos aprovados em leis de incentivo estava parada devido crise.

    Marcela Bertelli, diretora da Duo Informao e Cultura, que se responsabiliza por diversos projetos culturais em andamento, destacou o impacto da crise para as produtoras. A crise chegou forte entre ns. O problema que a lgica do sistema de financiamento da cultura est atrelada ao lucro. Se as empresas no tm lucro, no geram impostos e, como consequncia, no h patrocnio, diz Marcela.

    Ainda sobre a crise, a economista Marlene Laviola, professora do Imes (Centro Universitrio Municipal de So Caetano), ressalta uma diminuio dos gastos com cultura por parte dos consumidores, que contribui para a reduo de investimentos culturais por parte das empresas. Como bem suprfluo, a primeira coisa que as pessoas cortam o cineminha ou a sada de fim de semana, diz a economista.

    Pode-se concluir que a crise econmica uma grande ameaa para os players do setor cultural, tanto pela queda de investimentos quanto pelo arrefecimento da demanda. Devido ao setor ser marcado pela carncia de polticas pblicas bem definidas, h uma necessidade crescente de que a classe artstica busque maior profissionalismo e aprimore a qualidade de seus servios, visto que as empresas tendem a patrocinar somente os projetos de retorno garantido.

  • PGE Olaria GB | 57

    3.1. Teatro de Humor

    Para melhor compreenso deste PGE, deve-se ter em mente o que a arte do teatro de humor, assim como quem a realiza, onde a desempenha e qual o seu potencial na cidade de So Paulo.

    O teatro a arte em que o ator interpreta uma histria

    ou atividades, com auxlio de dramaturgos, diretores e tcnicos, que tm como objetivo apresentar

    uma situao e despertar sentimentos no pblico.

    3.1.1. Histria do TeatroO teatro no Brasil surgiu no sculo XVI, por meio dos jesutas. O objetivo primrio do teatro era propagar a f religiosa e auxiliar a catequizao dos ndios. O nome de maior destaque neste perodo foi Jos de Anchieta, autor de autos cristos.

    No ano de 1833, foi fundada a primeira companhia teatral brasileira, a Companhia Dramtica Nacional. Esta encenou a pea Antnio Jos ou O Poeta e a Inquisio, que a primeira tragdia escrita por um brasileiro e a nica de cunho nacional. Esta companhia tambm apresentou a pea O Juiz de Paz na Roa, de autoria de Martins Pena, conhecido como o Molire brasileiro. Este autor abriu o filo da comdia de costumes, o gnero mais caracterstico da tradio cnica brasileira.

    A dcada de 1960 foi uma das mais marcantes para o teatro brasileiro. Alm de permitir o nascimento do teatro moderno, no somente do ponto de vista da dramaturgia, mas tambm da encenao. Foi neste perodo que surgiram grupos e companhias de repertrio estvel. Os mais significativos foram: Os Comediantes, o TBC, o Teatro Oficina, o Teatro de Arena, o Teatro dos Sete, a Companhia Celi-Autran-Carrero, entre outros. Ainda nesta poca, a ditadura militar imps censura prvia a autores e encenadores, levando o teatro a um retrocesso produtivo, mas no criativo.

    Com o fim do regime militar, no incio da dcada de 1980, o teatro tentou recuperar seus rumos e estabelecer novas diretrizes. Surgiram grupos e movimentos de estmulo a uma nova dramaturgia. Mesmo assim, houve um declnio da produo teatral, que culminou na forte tendncia do teatro contemporneo, com alteraes nas premissas em virtude de novos pressupostos tericos. O espao aberto pela dramaturgia sria passou a ser ocupado por um gnero diferente, o besteirol, que deu abertura a alguns ramos da comdia.

  • PGE Olaria GB | 58

    3.1.2. Comdia

    difcil analisar, cientificamente, o que faz uma pessoa rir ou o que engraado ou no. No entanto, uma caracterstica reconhecida da comdia que ela uma diverso intensamente pessoal. Para rir de um fato necessrio reconhec-lo como parte de um valor humano a ponto dos indivduos se identificarem com a situao.

    A comdia o uso de humor nas artes cnicas. De forma geral, aquilo que engraado, que faz rir, mas tambm pode significar um espetculo que recorre intensivamente ao humor.

    3.1.3. HumorLudus est necessarius ad conversationem humanae vitae. (O humor necessrio para a vida humana)

    So Toms de Aquino

    Desde a Antiguidade Clssica, o humor teorizado e discutido por filsofos e estudiosos de vrios lugares no mundo. Mesmo assim, este assunto extraordinariamente difcil de ser definido, tanto na psicologia como na arte.

    Na histria da medicina, o humor o conjunto dos lquidos secretados pelo corpo, determinantes das condies fsicas e mentais do indivduo. Portanto, ter bons fludos significa ter bom humor, pois a pessoa que se sente bem e saudvel est mais apta a dar risada.

    Com a evoluo da cincia mdica, o humor foi denominado como o estado afetivo durvel do ser humano, responsvel por determinar nimo, disposio e temperamento de cada um. O humor , de certa forma, subjetivo, pois determinado pela personalidade daquele que ri, alm de possuir independncia em relao lgica, palavra e a qualquer funo social.

    O que acontece quando voc ri?

    O ato de rir desencadeia uma seqncia de acontecimentos no corpo

    humano. A sensao de prazer atingida pela risada vem da endorfina

    liberada na corrente sangunea, resultado de uma srie de reaes

    fisiolgicas.

    Ao chegar inesperadamente, o riso faz o corao palpitar mais forte

    e eleva a freqncia cardiovascular. comum que as mas do rosto

    tornem-se mais rosadas, pois h dilatao das artrias devido ao

    aumento da presso arterial. Este mecanismo permite um maior fluxo

    de oxignio no sangue, que tambm se d pela inspirao forada e

    movimentos fortes e repetitivos do trax, abdmen e diafragma.

    O excesso de oxignio resulta na diminuio da tenso muscular e na

    quebra da linha de raciocnio. Em alguns casos, o relaxamento dos

    msculos pode causar a falta de controle dos membros, fazendo jus

    expresso fraco de tanto rir. Por fim, o ser humano alcana o estado

    de graa, um indescritvel bem estar proveniente de uma risada.

  • PGE Olaria GB | 59

    40%45%

    35%

    5%6%6%3%

    30%25%

    29%

    20%15%10%

    5%0%

    2% 2% 2%

    42%

    4%

    Espetculos em Cartaz - Diviso por Gneros

    Circo

    Com

    dia

    Dram

    a

    Expe

    rimen

    tal/ A

    ltern

    ativo

    Humo

    r

    Music

    al

    Perfo

    rman

    ce

    Roma

    nce

    Teatr

    o adu

    lto

    Outro

    s

    3.2. Teatro em So Paulo

    O setor cultural ainda deficiente de dados significativos, principalmente quando h necessidade de segment-lo em reas especficas, como o teatro. Portanto, para analisar o potencial teatral da cidade de So Paulo, foi necessrio consultar fontes alternativas de informao: o Guia da Folha Online, um site de cultura, diverso e entretenimento da Folha de So Paulo; e o OFF Guia de Teatro, uma publicao da OFF Produes Culturais Ltda.

    Os nmeros de ambos os guias culturais foram coletados em maro de 2009 e processados pelo PGE Olaria GB, com o intuito de gerar informaes sobre o segmento de teatro de humor na capital paulistana.

    Segundo o banco de dados do Ita Cultural, h 125 grupos ou companhias teatrais cadastrados na cidade de So Paulo, sem contar os diversos outros grupos autnomos. Conforme os guias Off e Folha, existem aproximadamente 120 salas de teatro na capital, dentre as quais 33 so voltadas para espetculos de humor.

    Em termos de produo teatral, o Guia da Folha de maro de 2009 apresentava 121 espetculos teatrais em cartaz no municpio, sendo 51 deles humorsticos, o que equivale a 42% dos espetculos apresentados na cidade.

    *Texto adaptado segundo o significado da palavra humor no dicionrio Houaiss.Fonte: Guia da Folha e Guia Off Maro de 2009

    Fonte: Guia da Folha Maro de 2009

    Dentre os 121 espetculos em cartaz no ms de maro, 64% estavam na regio central da cidade, seguido de 21% na zona Oeste e 9% na zona Sul. No entanto, o potencial da zona Sul cresceu quando a contagem foi realizada por espetculos de humor, embora ela ainda tenha se mantido em terceiro lugar.

    Geral

    Humor

    Espetculos em Cartaz - So Paulo

    42%58%

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    Para assistir a um espetculo teatral no municpio, o espectador gasta em mdia R$ 30,00, tendo em vista que um ingresso de teatro pode ser gratuito, como tambm pode custar at R$ 300,00. A estatstica no varia muito quando se trata de um espetculo de humor, cuja mdia dos ingressos tem o valor de R$ 35,00 (Guia da Folha Maro 2009).

    Por meio das informaes acima, possvel concluir que o gnero humor/ comdia o de maior evidncia em So Paulo, com concentrao nas zonas Centro, Oeste e Sul da cidade. Alm disso, o valor dos ingressos de teatro de humor est um pouco acima da mdia geral.

    Contudo, os espetculos mais assistidos da cidade, que apresentam melhor mdia de ocupao no municpio, so os que cobram os ingressos mais caros, como as grandes produes musicais do Teatro Abril e outras peas que contam com artistas famosos no elenco.

    A Olaria GBA Olaria GB costuma se apresentar no Espao dos Parlapates, sediado na Praa Roosevelt, e no Teatro Folha, localizado no Shopping Ptio Higienpolis. Ambos localizados na zona Oeste da cidade.

    O ingresso da Olaria GB custa R$ 20,00 (R$ 10,00 a meia entrada), preo que est abaixo da mdia geral.

    Fonte: Guia da Folha Maro de 2009

    O site Cultura e Mercado publicou, em dezembro de 2008, uma notcia de que a crise econmica comeou a afetar o ramo das artes dramticas. De acordo com uma estimativa realizada pela Secretaria de Cultura do Estado de So Paulo, a faixa de ingressos entre R$ 60,00 e R$ 150,00 elevou seu valor por consequncia da crise, que resultou na migrao do pblico consumidor para espetculos mais baratos.

    Caso o governo no mantenha incentivos para as artes dramticas, a crise econmica causar um forte impacto negativo para o segmento de teatro. Para Atlio Bari, um dos diretores da Apetesp (Associao dos Produtores de Espetculos Teatrais), o teatro j um entretenimento com menor publicidade, menor verba pblica e menor nmero de espectadores. Sem isso, os reflexos da crise sero diretos.

    Portanto, a crise econmica apontada como uma forte ameaa para o segmento teatral, embora afete mais diretamente os grupos e companhias cujos ingressos de espetculos tm valores que podem ser considerados altos pelos espectadores.

    21%21%

    26%

    13%

    30%

    25%

    20%

    15%

    10%5%7% 7%

    5%

    0%

    40%

    40%

    50%

    60%

    64%70%

    5%

    30%

    2% 2%

    2%

    2%

    20%

    24%

    21%

    1%

    1%

    10%13%

    5% 7%

    9% 8%4%

    0%

    Centro Sul

    Geral

    Humor

    Oeste Leste Norte

    Atualidades/reportagens

    Engraados/ erros

    jornalisticos

    Filmes Humor Sries Videoclipes Outros

    Regio - Espetculos em cartaz

    Vdeos no Youtube

  • PGE Olaria GB | 62

  • PGE Olaria GB | 63

    Consumidor do Teatro de Humor

  • PGE Olaria GB | 65

    4. Consumidor do Teatro de HumorDevido limitao de informaes sobre o segmento de teatro de humor, a anlise do consumidor teve como base os dados levantados na Pesquisa Cultural e na Pesquisa de Imagem de Marca , ambas desenvolvidas pelo PGE Olaria GB por meio do site Survey Monkey e aplicadas via Orkut e via email aos consumidores atuais e potenciais do grupo de humor.

    Com estes dados foi possvel estabelecer a similaridade deste pblico com os perfis definidos pelo sistema VALS (Value and Life Style), desenvolvido pelo Instituto de Pesquisas de Stanford (Stanford Research Institute), e os perfis de padro de consumo do 4 Cs (Cross Cultural Consumer Characterization), que faz parte do BAV (Brand Asset Valustor), desenvolvido pela Young&Rubican e apresentado no artigo Whats Moving Your Customers To Buy?.

    A Pesquisa Cultura e a Pesquisa de Imagem de Marca so questionrios quantitativos aplicados pelo PGE Olaria GB, a fim de melhor detalhar o estudo do consumidor de teatro de humor. Para mais informaes, vide anexo.

    Pesquisas Quantitativas

    Pirmide de Maslow VALs 4 Cs

    Consumidor de Teatro de

    Humor

    Ao analisar os dados da Pesquisa Cultural, foram considerados consumidores potenciais os entrevistados que afirmaram assistir espetculos de humor (67%) e frequentar teatros pelo menos uma vez a cada trs meses (57%).

    Trata-se de um pblico majoritariamente jovem, formado por homens e mulheres entre 19 e 24 anos, das classes A e B. A maioria dos entrevistados reside na Zona Sul de So Paulo, que possui renda mdia de R$ 3.400,00 por habitante; seguida da Zona Oeste da cidade, cuja renda per capita de aproximadamente R$ 2.200,00; com base nos dados do Censo de 2000.

    O mesmo perfil demogrfico foi detectado nos resultados da Pesquisa de Imagem de Marca, aplicada aos consumidores que j conhecem a Olaria GB.

  • PGE Olaria GB | 66

    4.1. Padro de Consumo

    De acordo com a Pesquisa Cultural, possvel apontar como o gnero mais assistido em teatro a comdia (46%), seguida do musical (21%) e do drama (12%). Da mesma maneira, a comdia preferncia do pblico em cinema.

    Grande parte dos consumidores assiste televiso todos os dias (56%) e tm preferncia por filmes (22%), seriados (20%) e noticirios (14%). Os programas humorsticos tambm so procurados pelos consumidores (49%), que citaram nomes de programas de humor nacionais e internacionais, como CQC (18%), Pnico na TV (10%), Toma L da C (8%) e Friends (7%).

    Entre as atividades de lazer e cultura realizadas por este pblico, navegar na Internet (13%) o hbito mais frequente, enquanto sair com os amigos (11%) o segundo. A seguir, ficam empatadas as atividades ir ao cinema, assistir televiso e ouvir msica (todas com 9%).

    O principal critrio utilizado pelo pblico de teatro de humor para escolher uma pea em detrimento de outra a indicao de amigos e conhecidos (17%). Em seguida, foram citadas as escolhas por gnero (13%), tema (12%), diretor e atores renomados (11%).

    A maioria dos entrevistados da Pesquisa Cultural pagaria at R$ 50,00 (77%) para assistir a uma pea de teatro. No entanto, os entrevistados da Pesquisa de Imagem de Marca, que j conhecem o humor da Olaria GB, afirmaram estarem dispostos a pagar at R$ 30,00 por um espetculo do grupo.Fonte: Pesquisa Cultural PGE Olaria GB - 2009

    Atividades de Lazer30% 25%

    20%15% 13% 12%

    5%0%

    9% 7% 7%7%2 %

    9% 9%

    Assis

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    Assis

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    om os

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    s

    Outro

    s

  • PGE Olaria GB | 67

    4.2. Psicografia

    Para analisar o estilo de vida do consumidor de teatro de humor, foram utilizados trs conceitos tericos: a Pirmide de Maslow, os perfis psicogrficos de VALS (Value and Life Style) e os perfis de padro de consumo do 4 Cs (Cross Cultural Consumer Characterization). A Pirmide de Maslow segmenta os consumidores de acordo com as suas necessidades: fisiolgicas, de segurana, sociais, de estima e auto-realizao.

    Pirmide de Maslow

    O pblico de teatro de humor j possui suas necessidades bsicas atendidas, portanto, tem como prioridade os trs segmentos do topo da pirmide. A parcela da populao que se enquadra na base da pirmide tem, como foco principal, necessidades de segurana e fisiolgicas, alm de no possuir renda para dispndio com necessidades sociais, de estima e de auto-realizao. Quando este tipo de consumidor possui capital e tempo para investir em lazer, pesquisas do Censo afirmam que h preferncia por atividades como ir ao cinema, ouvir msica e assistir televiso. O instrumento para segmentao psicogrfica VALS (Value and Life Style), muito utilizado pelas empresas dos EUA, identificou oito perfis de consumidores: Inovadores (inovators), pensadores (thinkers), vencedores (achievers), experimentadores (experiencers), esperanosos (belivers), esforados (strivers), fazedores (makers) e sobreviventes (survivors).

    O mesmo raciocnio que foi utilizado para seccionar a Pirmide de Maslow foi aplicado ao sistema de VALS, permitindo a excluso dos quatro perfis da parte inferior do grfico.Fonte: Phillip Kotler - 2005

    Necessidades Fisiolgicas(Fome, sede, sono, sexo, etc.)

    (Defesa, proteo, emprego, abrigo)

    (Auto-estima, reconhecimento, status)

    (Desenvilvimento pessoal, conquista)

    (Relacionamento, amor, fazer parte de um grupo)

    Necessidade de Segurana

    Necessidades Sociais

    Necessidade de Estima

    Necessidade de Auto-realizao

  • PGE Olaria GB | 68

    VALS

    VALS x BAV

    Fonte: SRI Consultin Business Intelligence

    Tomando por base o perfil de consumidor identificado pelas pesquisas aplicadas pelo grupo de PGE, o perfil do VALS que mais se assemelha ao pblico de teatro de humor o de experimentadores. Trata-se de pessoas motivadas pela autoexpresso, que costumam gastar grandes propores de suas rendas com itens de moda, entretenimento e socializao. So orientadas para pessoas e idias e visam o autoconhecimento e o crescimento.

    A teoria do 4 Cs (Caracterizao Cultural Cruzada do Consumidor), desenvolvida pela Y&R, determinou outros sete perfis de consumidores: transformadores, exploradores, aspirantes, bem sucedidos, emuladores, comuns, lutadores e resignados.

    Ao estabelecer um paralelo entre VALS e 4 Cs, identifica-se que os consumidores de teatro de humor so caracterizados pelos transformadores, que tambm possuem necessidade de autoexpresso.

    Os transformadores no gostam que digam a eles o que pensar ou fazer e so capazes de ditar tendncias. Alm disso, apresentam uma preocupao com o papel de responsabilidade social das empresas das quais so consumidores.

    Fonte: Slides da aula de Marketing de Nichos Professora Maria Caclia Pimenta

    Muito recursoMuita Inovao

    Pouco recursoPouca Inovao

    Pensadores Vencedores Experimentadores

    Fazedores

    Sobrevivente

    Inovadores

    Esf