Praia do Flamengo, 132: Histórias e Memórias

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Livro de Angelica Mûller e Tatiana Matos Rezende sobre a história da antiga sede da UNE na Praia do Flamengo, Rio de Janeiro.

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  • PRAIA DO FLAMENGO, 132

    Histrias e Memrias

  • CIP-BRASIL. CATALOGAO-NA-FONTESINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ

    M923m

    Muller, Anglica, 1976- Praia do Flamengo, 132 : histrias e memrias / Anglica Muller; Tatiana Rezende. - 1. ed. - So Paulo: Letras Jurdicas, 2011. 96p. ; 12 x 16 cm

    Inclui bibliografia ISBN 978-85-62131-08-0 1. Unio Nacional dos Estudantes (Brasil). 2. Movimentos estudantis - Brasil. I. Rezende, Tatiana, 1978-. II. Ttulo.

    10-6616 CDU: 371.830981 CDU: 323.2-057.87

  • ANGLICA MLLERTATIANA MATOS REZENDE

    PRAIA DO FLAMENGO, 132

    Histrias e Memrias

    1 Edio 2012 So Paulo SP

  • 1 EDIO - 2012 - So Paulo - SP

    Reservados a propriedade literria desta publicao e todos os direitos para a Lngua Portuguesa pela

    LETRAS JURDICAS Editora Ltda. - EPP

    Traduo e reproduo proibidas, total ou parcialmente, conforme a Lei n 9.610, de 19 de fevereiro de 1998.

    LETRAS DO PENSAMENTORua Senador Feij 72 - 3 Andar - Sala 32 - Centro

    CEP 01006-000 So Paulo SPTelefone/Fax (11) 3107-6501 Celular (11) 9352-5354

    Home page: www.letrasdopensamento.com.bre-mail: [email protected]

    Impresso no Brasil

    Anglica Mller e Tatiana Matos Rezende Letras Jurdicas Editora Ltda. EPP

    Arte de CapaProjeto do novo prdio da UNE realizado por: Oscar Niemeyer

    Montagem de CapaDlet Diagramao e Edies Ltda - Me

    Cludio P. Freire

    DiagramaoDlet Diagramao e Edies Ltda - Me

    RevisoTssia Carvalho

    EditorCludio P. Freire

  • Prefcio

    Neste momento em que a UNE e a UBES co-memoram a volta para casa e o incio da constru-o do seu prdio, um sonho de tantos jovens bra-sileiros de tantas pocas, pertinente relembrar um pouco o histrico de um endereo lendrio, a Praia do Flamengo, 132. Os 73 anos da Unio Na-cional dos Estudantes nos levam no s a conhecer momentos importantes de nosso pas, mas tam-bm a permitir um olhar sobre a construo dessa nova nao que se ergue nas recentes dcadas.

    A reconstruo da sede da UNE e da UBES na Praia do Flamengo mais uma prova de que so-mos um povo que sacode a poeira e d volta por cima do prprio destino, que faz dos seus sonhos o seu combate!

    O trabalho aqui apresentado pelas historia-doras Anglica Mller e Tatiana Rezende foi ini-cialmente elaborado como parte integrante da documentao para o processo que redundou na

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    Lei 12.260, de 21 de junho de 2010, aprovada por unanimidade no Congresso Nacional, reconhecen-do a responsabilidade do Estado Brasileiro pelo in-cndio e pela demolio da antiga sede das enti-dades estudantis.

    Nesse sentido, compreendemos a impor-tncia em tornar pblico o material que ajudou a UNE a reconquistar o que sempre foi seu; sempre pertenceu aos jovens brasileiros. O olhar lana-do com respeito sobre o passado para podermos compreender as conquistas dos tempos de agora. As lutas dos estudantes passam por diferentes ca-minhos no avanar do Brasil ao desenvolvimento, com justia social, educao gratuita e de quali-dade. Uma bonita homenagem tambm a todos aqueles que contriburam para edificar um pas democrtico, cheio de energia e de vitalidade.

    A UNE somos ns, nossa fora e nossa voz!

    Augusto Chagas,Presidente da UNE.

    Abril de 2011

  • Sumrio

    Introduo ............................. 9

    Captulo 1 A Conquista da Sede da UNE ..... 13 1.1 A ocupao do Clube Germnia pelos estudantes (1942) ................ 13 1.2 O V Congresso Nacional de Estudantes .... 18 1.3 Luta contra a Juventude Brasileira ...... 20

    Captulo 2 Praia do Flamengo, 132: da Casa dos Estudantes saem as Principais Bandeiras de Luta do Movimento ........................ 29 2.1 Nasce a UNES ..................... 30 2.2 O petrleo nosso! ................. 31 2.3 As primeiras invases sede da UNE ..... 36 2.4 Greve dos Bondes .................. 38 2.5 Protestos contra o imperialismo norte-americano ..................... 41 2.6 Visitas sede da UNE ................ 44 2.7 Agitaes polticas e culturais .......... 47

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    Captulo 3 O Incndio e a Usurpao do Prdio da UNE pelas Foras Golpistas .............. 53 3.1 Acirramento das tenses pr-golpe ...... 53 3.2 O golpe civil-militar e o incndio da UNE ... 55

    Captulo 4 A Demolio do Prdio pelo Governo Militar e a Retomada do Terreno ............ 65 4.1 Congresso de reconstruo da UNE ...... 65 4.2 Reconstruda a UNE, destrudo seu prdio .. 66 4.3 Tentativas de retomada do terreno ...... 71 4.5 A UNE de volta para casa ............. 76

    Referncias ............................ 85Referncias Bibliogrficas .................. 87Sites consultados ........................ 90Sobre as autoras ........................ 91Quem somos .......................... 93

  • Introduo

    O Movimento Estudantil (ME) sempre de-sempenhou papel fundamental nas mudanas po-lticas do pas. A histria da organizao e das lutas empreendidas pelos estudantes brasileiros parte importante da histria republicana brasileira.

    A historiadora Maria Paula Arajo, em seu li-vro Memrias estudantis, enfatiza, no incio da obra, que no possvel escrever uma nica his-tria para a UNE.1 A entidade estudantil reuniu ao longo de sua histria, desde as suas origens em 1937, diferentes segmentos poltico-ideolgicos e pessoas que tiveram, posteriormente, trajetrias distintas. Assim, diferentes vises e verses so apresentadas sobre a histria da UNE e do ME, especialmente quando se trata dos acontecimentos

    1 ARAJO. M. P. Memrias Estudantis: da fundao da UNE aos nossos dias. Rio de Janeiro: Relume Dumar, 2007. p. 23.

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    ocorridos no prdio que existia na Praia do Fla-mengo, 132, no Rio de Janeiro sede da UNE por quase 30 anos , o qual foi incendiado, confiscado e, posteriormente, demolido pelo governo militar.

    As memrias (mesmo com toda subjetividade e possveis anacronismos inerentes ao seu ato) da-queles que presenciaram, direta ou indiretamen-te, os acontecimentos que marcaram esta histria, ou melhor, estas histrias, sero a base para o tra-balho que aqui apresentamos. Mais do que traar uma histria do prdio da Praia do Flamengo, 132, a ideia aqui apresentar ao leitor esta trajetria por meio da memria dos militantes. Portanto, no nosso objetivo tratar os fatos tais como eles ocorreram propriamente, mas sim trabalhar com as lembranas daqueles que vivenciaram este pro-cesso como elas se apresentam.

    Para tanto, a narrativa ser construda por intermdio de depoimentos de expoentes da mi-litncia estudantil. Todos os depoimentos foram realizados no mbito do Projeto Memria do Mo-vimento Estudantil, entre os anos de 2004 e 2005, e esto disponveis em seu site. Alm dos testemu-nhos, foi considerada a documentao existente,

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    combinao destinada aos historiadores que tra-balham com um passado ainda recente.

    Assim, as mltiplas histrias contadas e re-contadas por diferentes geraes se misturam es-crevendo, cada um a seu modo, a histria da UNE e de seu prdio mediante vrios atos: a conquista, a casa dos estudantes e suas bandeiras, o incndio e a usurpao, a demolio, a reconquista e a reto-mada do terreno da entidade Praia do Flamen-go, 132: a casa dos estudantes brasileiros.

  • Captulo 1

    A Conquista da Sede da UNE

    1.1 A ocupao do Clube Germnia pelos estudantes (1942)

    A UNE teve suas origens em um Conselho da Casa do Estudante do Brasil, em 1937. Mas so-mente em 1938 a entidade foi estruturada pelos estudantes e, ento, foi realizado o pedido de ofi-cializao ao governo de Getlio Vargas. Em 11 de fevereiro de 1942, o decreto-lei 4.104 reconhecia a Unio Nacional dos Estudantes como entidade coordenadora dos corpos discentes dos estabele-cimentos do ensino superior.

    A sede inicial da UNE era a prpria Casa do Estudante que, por no fomentar questes pol-ticas, passou a ter uma relao complicada com a entidade recm-fundada. As divergncias entre as

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    duas entidades tiveram como consequncia a ex-pulso da UNE daquele espao. Assim, a entidade passou alguns anos sem sede fixa.

    A partir de sua criao, a UNE exerceu papel fundamental na vida poltica do pas em seus prin-cipais momentos. E o primeiro momento em que os estudantes desempenharam uma ao de gran-de porte foi a favor dos pases Aliados (EUA, Frana e Inglaterra) durante a Segunda Guerra Mundial. Com a guerra declarada, a poltica de nacionaliza-o de Vargas foi posta em prtica com o intuito de terminar com os ncleos de origens alem, italiana e japonesa no pas. Foi nesse nterim que o Clube Germnia, localizado na Praia do Flamengo, 132, foi fechado pelo governo.

    A partir de ento, o histrico edifcio tornou- -se a sede da UNE e palco de inmeras manifesta-es polticas e culturais.

    Jos Gomes Talarico (presidente da Confedera-o Brasileira de Desporto Universitrio CBDU); o presidente da UNE, Lus Pinheiro Paes Leme, e Airton Diniz, secretrio da UNE, redigiram uma petio pe-dindo ao presidente Vargas a ocupao do Clube Ger-mnia por parte da UNE. De posse do documento,

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    foram at o presidente, que despachou favoravelmen-te o pedido. Nas palavras de Talarico: Getlio, em vez de mandar prosseguir o processo, na mesma hora o tomou e ps: Sim, Getlio Vargas. Com isso, nos de-volveu [a petio] e fomos ao ministro da Educao.1

    Hlio de Almeida, sucessor de Paes Leme na presidncia da UNE, apresenta outra verso:

    Um grupo composto pelo Paes Leme, por mim, que era presidente do DCE da UB, pelo Jos Gomes Tala-rico e pelos dois filhos de Oswaldo Aranha, o Vavau Aranha e o Euclides Aranha Neto, foi ao Clube Ger-mni; procuramo