Ultrassonografia modo B e Doppler na avaliação renal · PDF filespectral Doppler...

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  • Pesq. Vet. Bras. 35(9):801-810, setembro 2015DOI: 10.1590/S0100-736X2015000900006

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    RESUMO.- Meios de contraste iodado podem promover efeitos hemodinmicos relacionados vasoconstrio in-trarrenal prolongada e reduo da perfuso, predispondo hipxia e isquemia medular. Alteraes de resistncia vascular renal podem representar os primeiros sinais de mudana funcional desse rgo. A tcnica Doppler pulsa-do considerada acessvel, no invasiva e permite avaliar a dinmica vascular dos rins, por meio da aferio dos n-dices de resistividade (IR) e pulsatilidade (IP). Contudo, na

    Ultrassonografia modo B e Doppler na avaliao renal de ces aps administrao intravenosa de meio de contraste

    iodado: validao da tcnica1

    Cludia Matsunaga Martn2*, Cinthia Keiko Souto2, Bruno Ferrante2 e Ana Carolina B.C. Fonseca-Pinto3

    ABSTRACT.- Martn C.M., Souto C.K., Ferrante B. & Fonseca-Pinto A.C.B.C. 2015. [B-mode and Doppler ultrasonography in the renal evaluation of dogs after intravenous ad-ministration of iodinated contrast media: technical validation.] Ultrassonografia modo B e Doppler na avaliao renal de ces aps administrao intravenosa de meio de contraste iodado: validao da tcnica. Pesquisa Veterinria Brasileira 35(9):801-810. Pro-grama de Ps-Graduao em Clnica Cirrgica Veterinria, Faculdade de Medicina Veterin-ria e Zootecnia, Universidade de So Paulo, Av. Prof. Orlando Marques de Paiva 87, Cidade Universitria, So Paulo, SP 05508-270, Brazil. E-mail: [email protected]

    Iodinated contrast media can provide hemodynamic effects related to prolonged in-trarenal vasoconstriction and reduced perfusion, predisposing to hypoxia and medular ischemia. Changes in the renal vascular resistance may represent the first sign of impaired renal function. Pulsed wave Doppler sonography is low cost, non-invasive and allows renal hemodynamic evaluation by resistivity (RI) and pulsatility (PI) indices. However in dogs, spectral Doppler waveform may be hard to obtain due to scanning difficulties and lack of signal Doppler. This fact occurs mostly in the right kidney because of its cranial and dorsal position in the abdominal cavity and may prolong the exam. The purpose of this study is to prove that the pulsed wave Doppler interrogation of the canine left kidney intrarenal arteries represent the renal hemodynamic effects of intravenous administration of iodi-nated contrast media and is not necessary to perform the exam in both kidneys. Right and left kidneys of six adult dogs were evaluated at four different times: before intravenous contrast infusion and after 1.5 hours, 24 hours and 48 hours, subjectively by using re-nal morphology, cortical echogenicity and renal perfusion, and objectively by using renal length, renal volume and intrarenal vascular resistance (RI and PI). No significant differ-ences were noted between the parameters assessed by B mode and Doppler sonography of the right and left kidney in each evaluated moment. Thus, it was noted that pulsed wave Doppler sonographic evaluation of the left kidney represented the renal hemodynamic re-sponse of intravenous iodinated contrast media administration, only if both kidneys pre-sented similar morphometry, morphology, cortical echogenicity, and perfusion during the first assessment.INDEX TERMS: Pulsed wave Doppler, intrarenal hemodynamics, radiocontrast, dog.

    1 Recebido em 6 de janeiro de 2015.Aceito para publicao em 4 de setembro de 2015.Este trabalho parte da tese de doutorado do primeiro autor.

    2 Programa de Ps-Graduao em Clnica Cirrgica Veterinria, Facul-dade de Medicina Veterinria e Zootecnia (FMVZ), Universidade de So Paulo (USP), Cidade Universitria, Avenida Prof. Orlando Marques de Paiva 87, So Paulo, SP 05508-270, Brasil. *Autor para correspondncia: [email protected]

    3 Departamento de Cirurgia, FMVZ-USP, Cidade Universitria, Av. Prof. Orlando Marques de Paiva 87, So Paulo, SP 05508-270.

  • Pesq. Vet. Bras. 35(9):801-810, setembro 2015

    802 Cludia Matsunaga Martn et al.

    espcie canina, a aquisio de traados espectrais pode ser penosa devido s dificuldades de varredura e captao de sinal Doppler, sobretudo em relao ao rim direito, devi-do sua localizao dorsocranial na cavidade abdominal, o que prolonga substancialmente a realizao do exame. O objetivo deste estudo comprovar que a avaliao Doppler pulsado das artrias intrarrenais do rim esquerdo de ces representa a repercusso hemodinmica renal da adminis-trao intravenosa de meios de contraste iodado no sendo necessria a realizao do exame nos dois rins. Foram ava-liados ambos os rins de seis cadelas adultas em quatro mo-mentos distintos: antes da infuso intravenosa do contraste radiolgico e aps 1,5 horas, 24 horas e 48 horas, por meio da anlise subjetiva da morfologia, ecogenicidade cortical e grau de perfuso renais e anlise objetiva do comprimen-to, volume e resistncia vascular intrarrenais (IR e IP). Os parmetros avaliados ao modo B e Doppler dos rins direito e esquerdo no apresentaram diferenas estatisticamente significativas entre si em cada momento avaliado. Assim, constatou-se que o exame ultrassonogrfico Doppler pulsa-do do rim esquerdo representou a repercusso hemodin-mica renal da aplicao intravenosa de meios de contraste iodado, desde que morfometria, morfologia, ecogenicidade cortical e perfuso de ambos os rins fossem consideradas semelhantes na abordagem ultrassonogrfica inicial.TERMOS DE INDEXAO: Doppler pulsado, hemodinmica in-trarrenal, contraste radiolgico, co.

    INTRODUOA tcnica Doppler pulsado considerada mtodo simples, acessvel e no invasivo que permite avaliar a hemodin-mica renal por meio das mensuraes da velocidade m-xima ou de pico sistlico (VPS), a velocidade mnima ou diastlica final (VDF), a velocidade mdia (Vm) durante o ciclo cardaco (Finn-Bodner & Hudson 1998, Szatmri et al. 2001, Novellas et al. 2007a) e pelo clculo dos ndices he-modinmicos de resistividade (IR) (Pourcelot 1974) e de pulsatilidade (IP) (Gosling et al. 1974). O IR, tambm de-nominado ndice de Pourcelot e o IP quando obtidos nas artrias intrarrenais (arqueadas e interlobares) refletem a impedncia vascular renal (Rivers et al. 1997b). O IR e o IP so valores adimensionais calculados segundo as frmulas:

    IR = velocidade de pico sistlico - velocidade distlica finalvelocidade de pico sistlico

    IP = velocidade de pico sistlico - velocidade distlica finalvelocidade mdia durante o ciclo cardaco

    Embora o IR renal seja resultado da complexa interao entre complacncia arterial, resistncia vascular perifrica e pulsatilidade arterial (Schnell & Darmon 2012), para fins clnicos e investigativos, geralmente aceito como uma ex-presso da resistncia a passagem do fluxo sanguneo arte-rial (Morrow et al. 1996, Novellas et al. 2007a). O IP tam-bm considerado uma mensurao indireta da resistncia vascular arterial e tem se mostrado mais sensvel que o IR para diferenciar espectros de ondas anormais e detectar mudanas na resistncia, porque o denominador a veloci-dade mdia durante um ciclo cardaco completo (Novellas

    et al. 2007a). No entanto, o IP renal ainda um parmetro pouco utilizado. Acredita-se que este ndice seja mais apro-priado ao estudo dos territrios vasculares de alta impe-dncia, o que explica a preferncia pela avaliao do IR em estudos relacionados dinmica vascular renal (Schnell & Darmon 2012). O IR e o IP apresentam forte correlao, mas no existem dados que comprovem a superioridade de um em relao ao outro (Schnell & Darmon 2012).

    A anlise dos ndices hemodinmicos renais pode ser utilizada com diferentes finalidades. Dentro de uma apli-cao clnica comum para o homem e o co, tais valores podem contribuir especialmente para o diagnstico de do-enas renais parenquimatosas de carter agudo (Daley et al. 1994, Morrow et al. 1996, Rivers et al. 1997b), no mo-nitoramento desses pacientes aps a instituio da terapia renal (Rivers et al. 1997b) e na determinao do progns-tico de indivduos diagnosticados com leso renal aguda, sob cuidados intensivos, independentemente da etiologia (Darmon et al. 2011). Alm disso, outros estudos avaliaram o IR como auxiliar na investigao da resposta hemodin-mica renal aps a administrao intravenosa de meios de contraste iodado (Hetzel et al. 2001); como parmetro para avaliar indiretamente a tolerncia do parnquima renal aos meios de contraste iodado (Shakourirad et al. 2009) e para averiguar mecanismos hemodinmicos relacionados ne-froproteo (Choi et al. 2001). Ces submetidos s condi-es sistmicas extrarrenais, como presena de piometra (Santos et al. 2013), doenas hepticas (Novellas et al. 2008a), hipoadrenocorticismo (Koch et al. 1997), hipera-drenocorticismo, diabetes mellitus (Novellas et al. 2008b), diferentes graus de insuficincia cardaca secundria do-ena degenerativa da valva mitral (Chetboul et al. 2012) e diferentes graus de anemia normovolmica (Koma et al. 2006) e hiper-hidratao (Lee et al. 2014) induzidos expe-rimentalmente, tambm foram avaliados buscando com-preender a repercusso na dinmica vascular nos rins, a fim de identificar a vulnerabilidade do parnquima renal ao desenvolvimento de injrias (Koma et al. 2006, Santos et al. 2013) mesmo quando no so observadas alteraes nas concentraes sricas de ureia e creatinina (Novellas et al. 2008b, Chetboul et al. 2012, Santos et al. 2013).

    No entanto, mesmo com esta vasta aplicabilidade, os n-dices hemodinmicos renais podem ser de difcil aferio em ces, devido mobilidade dos rins e das artrias intrar-renais, fator que interfere na obteno de ondas espectrais adequadas para anlise. Essa movimentao geralmente decorrente de fatores relacionados a pouca colaborao do paciente, como estresse, vocalizao, movimentos invo-luntrios e altas frequncias respiratrias (Novellas et al. 2007a). Tais comportamentos poderiam ser driblados pela conteno qumica desses animais, entretanto, sabe-se que em ces saudveis certos frmacos sedativos ou anestsicos, podem alter