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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO E SISTEMAS Gabriel Rodrigues Ouverney AVALIAÇÃO DO FLUXO DE DESFAZIMENTO DE EQUIPAMENTOS ELETRO-ELETRÔNICOS INFORMÁTICOS NA UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA Trabalho de conclusão de curso apresentado ao Departamento de Engenharia de Produção e Sistemas da Universidade Federal de Santa Catarina, como requisito parcial para a obtenção do título em Engenharia, área Mecânica, habilitação Produção Mecânica. Orientador: Prof. Carlos Ernani Fries, Dr. Florianópolis 2017
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  • UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA

    DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO E

    SISTEMAS

    Gabriel Rodrigues Ouverney

    AVALIAÇÃO DO FLUXO DE DESFAZIMENTO DE

    EQUIPAMENTOS ELETRO-ELETRÔNICOS INFORMÁTICOS

    NA UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA

    Trabalho de conclusão de curso

    apresentado ao Departamento de

    Engenharia de Produção e Sistemas da

    Universidade Federal de Santa

    Catarina, como requisito parcial para a

    obtenção do título em Engenharia,

    área Mecânica, habilitação Produção

    Mecânica.

    Orientador: Prof. Carlos Ernani Fries,

    Dr.

    Florianópolis

    2017

  • Ficha de identificação da obra elaborada pelo autor

    através do Programa de Geração Automática da Biblioteca Universitária

    da UFSC.

  • Gabriel Rodrigues Ouverney

    AVALIAÇÃO DO FLUXO DE DESFAZIMENTO DE

    EQUIPAMENTOS ELETRO-ELETRONICOS INFORMATICOS

    NA UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA

    Este Trabalho de Conclusão de Curso foi julgado e aprovado, em sua

    forma final, pelo Curso de Graduação em Engenharia de Produção

    Mecânica, da Universidade Federal de Santa Catarina.

    Florianópolis, 18 de junho de 2017.

    ________________________

    Coordenador do Curso de Graduação em Engenharia de Produção:

    Marina Bouzon, Dra.

    Universidade Federal de Santa Catarina

    Banca Examinadora:

    ________________________

    Orientador: Prof. Carlos Ernani Fries, Dr.

    Universidade Federal de Santa Catarina

    ________________________

    Orientador: Prof. Álvaro Guillermo Rojas Lezana, Dr.

    Universidade Federal de Santa Catarina

    ________________________

    Orientador: Profa. Myriam Eugenia Ramalho Prata Barbejat, Dra.

    Universidade Federal de Santa Catarina

  • À minha família, fonte inesgotável de paciência e compreensão.

  • AGRADECIMENTOS

    A toda minha família pelo amor, confiança e incentivo.

    A meus colegas da graduação, que compartilharam comigo as

    dificuldades e tornaram o trajeto até aqui mais agradável e as conquistas

    mais saborosas, muito obrigado.

    Ao meu orientador Carlos Ernani, pela paciência.

    E finalmente agradeço à Deus, por me ter proporcionado todas

    as oportunidades e obstáculos que me trouxeram até aqui.

  • “The cave you fear to enter holds the treasure you seek”.

    Joseph Campbell (1904-1987)

  • RESUMO

    Este trabalho apresenta uma avaliação do fluxo de desfazimento de

    equipamentos elétricos e eletrônicos de cunho informáticos na

    Universidade Federal de Santa Catarina. O estudo inclui

    microcomputadores de mesa, monitores de vídeo, impressoras e demais

    equipamentos de informática, os quais possuem tratamento

    diferenciando perante a Política Nacional de Resíduos Sólidos devido ao

    seu papel socioeconômico. O Propósito deste trabalho é avaliar o fluxo

    de desfazimento de itens computacionais na UFSC. Para a avaliação do

    mesmo é necessário estabelecer um panorama do estado atual e a

    tendência de evolução dos Resíduos de Equipamentos Elétrico e

    Eletrônicos da comunidade e da instituição. Estabelecer o

    esclarecimento das funções das partes envolvidas; Com os objetivos

    específicos, pretendeu-se esclarecer o entendimento de leis e normas

    envolvidas. Mapeou-se o fluxo do processo de descarte mais utilizado

    de forma clara e objetiva. Dimensionou-se o fluxo quanto ao volume de

    entrada, saída e absorção dos itens estudados. Quantificou-se o acumulo

    em potencial de sucata na área da universidade. Metodologicamente a

    pesquisa é exploratória e descritiva de natureza aplicada, abordando o

    problema qualitativa e quantitativamente. Conclui-se que dos 79

    departamentos/setores existentes na UFSC, 3 deles são responsáveis por

    1/3 da demanda de Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos

    (REEE), são eles Departamento de Administração Escolar (DAE),

    Departamento de Direito (DIR) e o Departamento de Gestão Patrimonial

    (DGP). A análise dos dados acusa a ineficiência do método

    comummente utilizado para o desfazimento dos itens. É feita a avaliação

    da viabilidade econômica da universidade em formar um centro de

    reciclagem próprio. Por fim sugere-se que a doação dos REEE para

    empresas interessadas seja realizada.

    Palavras-chave: UFSC. REEE. Desfazimento.

  • ABSTRACT

    This paper presents an evaluation of the disintegration flow of electrical

    and electronic equipment of computer science at the Federal University

    of Santa Catarina. The study includes desktop microcomputers, video

    monitors, printers and other computer equipment, which are treated

    differently to the National Solid Waste Policy due to their

    socioeconomic role. The purpose of this paper is to evaluate the flow of

    computational items in UFSC. For the evaluation, it is necessary to

    establish an overview of the current state and the trend of evolution of

    Waste Electrical and Electronic Equipment of the community and of the

    institution. Clarification of the roles of the parties involved. With the

    specific objectives, it was intended to clarify the understanding of laws

    and norms involved. The flow of the widely used disposal process was

    mapped clearly and objectively. The flow was dimensioned as to the

    volume of entry, exit and absorption of the items studied. The potential

    scrap accumulation in the university area was quantified.

    Methodologically the research is exploratory and descriptive of applied

    nature, approaching the problem qualitatively and quantitatively. It is

    concluded that of the 79 departments / sectors in the UFSC, 3 of them

    are responsible for 1/3 of the demand for Waste Electrical and

    Electronic Equipment (WEEE), they are the Department of School

    Administration (DAE), Department of Law (DIR) and The Department

    of Asset Management (DGP). The analysis of the data accuses the

    inefficiency of the method commonly used to undo the items. An

    assessment of the university's economic viability is made to form its

    own recycling center. Finally, it is suggested that the donation of WEEE

    to interested companies be carried out.

    Keywords: UFSC. WEEE. Undoing.

  • LISTA DE FIGURAS

    Figura 1 - Classificação do lixo eletrônico ........................................................ 6 Figura 2 - Geração de REEE no Brasil 2011 a 2020 ........................................... 6 Figura 3 - Ilustração da separação dos componentes eletrônicos. ....................... 9 Figura 4 - Etapas da logística reversa dos REEE. ............................................. 12 Figura 5 - Curva do preço reciclagem REEE grande ........................................ 13 Figura 6 - Curva do preço reciclagem REEE pequeno ..................................... 13 Figura 7 - Total de computadores em uso no Brasil, em milhões de unidades . 15 Figura 8 - Fluxograma pictorial legislativo para leilões – UFSC ...................... 17 Figura 9 - Etapas de desenvolvimento do trabalho ........................................... 24 Figura 10 - Número de REEEs descartados mês a mês nos anos de 2014 a 2016. .......................................................................................................................... 32 Figura 11 - Balanço de itens. ............................................................................ 33 Figura 12 - Porcentagem em volume de REEE por tipo de item encaminhado

    para desfazimento entre 2014 e 2016. ............................................................... 35 Figura 13 - Valores por departamento .............................................................. 36 Figura 14 - Porcentual por departamento .......................................................... 37 Figura 15 - Volumes e valores de REEE provenientes de cada departamento no

    DGP. ................................................................................................................. 38 Figura 16 - Fluxograma pictorial - recolhimento de itens ao desfazimento por

    leilão. ................................................................................................................ 41

    TCC-%20Gabriel%20Rodrigues%20Ouverney%2020-06-2017.2.doc#_Toc485810039TCC-%20Gabriel%20Rodrigues%20Ouverney%2020-06-2017.2.doc#_Toc485810039TCC-%20Gabriel%20Rodrigues%20Ouverney%2020-06-2017.2.doc#_Toc485810040TCC-%20Gabriel%20Rodrigues%20Ouverney%2020-06-2017.2.doc#_Toc485810041TCC-%20Gabriel%20Rodrigues%20Ouverney%2020-06-2017.2.doc#_Toc485810041

  • LISTA DE TABELAS

    Tabela 1 -Termos pesquisados e número de artigos encontrados. .................... 26 Tabela 2 - Número citações relacionadas aos termos pesquisados. .................. 29 Tabela 3 - Número de REEEs descartados por departamento. .......................... 31 Tabela 4 - Correlação itens adquiridos - Corpo docente. .................................. 33 Tabela 5 - Volume (m³) dos REEEs transferidos para o DGP para desfazimento. .......................................................................................................................... 34 Tabela 6 - Resultado - Leilão junho 2016. ........................................................ 42 Tabela 7 - Componentes em uma PCI. ............................................................ 44

  • LISTA DE QUADROS

    Quadro 1 - Vida útil e peso médio de computadores, notebooks, impressoras e

    monitores. ........................................................................................................... 7 Quadro 2 - Impactos ambientais ocasionados pelo desfazimento de certos

    resíduos eletrônicos........................................................................................... 11 Quadro 3 - Preço de material reciclado por grama. ........................................... 45 Quadro 4 - Equipamentos necessários para montagem de uma cooperativa. .... 45 Quadro 5 - Receita obtida após o processamento de duas toneladas de PCIs. .. 46 Quadro 6 - Valor a ser recebido por cada cooperado depois dos descontos do fundo indivisível e do INSS ao longo de 5 anos. .............................................. 46

  • LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS

    ABDI - Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial

    ABF - Campus Curitibanos - Agricultura, Biodiversidade e

    Florestas

    ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas

    ACL - Departamento de Análises Clínicas

    AGC - Campus Curitibanos - Ciências Agronômicas

    AGECOM - Agência de Comunicação da UFSC

    AGR - Coordenação Especial de Agronômia

    ANT - Departamento de Antropologia

    AQI - Departamento de Aquicultura

    ARA - CAMPUS Araranguá

    ARQ - Departamento de Arquitetura e Urbanismo

    ART - Departamento de Artes

    BEG - Departamento de Biologia Celular, Embriologia e

    Genética

    BIC - Biotério Central

    BIO - Coordenação Especial de Biologia

    BLN - CAMPUS Blumenau

    BLU - Campus Blumenau - Centro de Blumenau

    BOT - Departamento de Botânica

    BQA - Departamento de Bioquímica

    BSU - Coordenação Especial de Biociências e Saúde Única

    CAD - Centro de Ciências da Administração

    CAL - Centro de Ciências e Tecnologia de Alimentos

    CAPES - Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível

    Superior

    CARC - Coordenadoria de Arquivo Central

    CBA - Coordenação Especial de C. Biológicas e Agronômicas

    CBS - CAMPUS Curitibanos

    CBV - Campus Curitibanos - Centro de Ciências Biológicas e

    Veterinárias

    CCA - Centro de Ciências Agrárias

    CCB - Centro de Ciências Biológicas CCE - Centro de Comunicação e Expressão

    CCJ - Centro de Ciências Jurídicas

    CCMC - Coordenadoria de Material de Consumo

    CCMP - Coordenadoria de Material Permanente

    CCN - Centro de Ciências Contábeis

  • CCS - Centro de Ciências da Saúde

    CDI - Comitê Para Democratização da Informática

    CDS - Centro de Desportos

    CEAD - Centro de Educação a Distância

    CED - Centro de Ciências da Educação

    CERTEC- Centro de Reutilização de Resíduos Tecnológicos

    CFH - Centro de Filosofia e Ciências Humanas

    CFM - Centro de Ciências Físicas e Matemáticas

    CFS - Centro de Ciências Fisiológicas

    CIF - Centro de Ciências Farmacêuticas

    CIN - Centro de Ciência da Informação

    CLC - Clínica de Cirurgia

    CLM - Clínica Médica

    CMA - Coordenação Especial de Cinema

    CMP - Coordenadoria de Manutenção Predial

    CMUI - Coordenadoria de Manutenção Urbana e Infraestrutura

    CNM - Centro Economia e Relações Internacionais

    CNS - Campus Curitibanos - Departamento de Ciências

    Naturais e Sociais

    COMCAP - Companhia Melhoramentos da Capital

    CONAMA- Conselho Nacional do Meio Ambiente

    CPLP - Coordenadoria de Processos Licitatórios e Pregoeiros

    CPLP - Coordenadoria de Processos Licitatórios e Pregoeiros

    CRC - Campus Curitibanos - Departamento de Ciências

    Rurais

    CSE - Centro Sócio-Econômico

    CSO - Centro Ciências Sociais

    CTC - Centro Técnico Cientifico

    DAC - Divisão de Almoxarifado Central

    DAE - Departamento de Administração Escolar

    DAS - Departamento Automação e Sistemas

    DCEVEN- Departamento de Cultura e Eventos

    DCF - Departamento de Contabilidade e Finanças

    DCL - Departamento de Compras e Licitações

    DCOM - Departamento de Compras

    DCS - Campus Araranguá - Departamento de Ciências da Saúde

    DDPP - Departamento de Desenvolvimento de Pessoas

    DEC - Campus Araranguá - Departamento de Computação

    DEF - Departamento de Educação Física

    DEN - Campus Blumenau - Departamento de Engenharias

  • DESEG - Departamento de Segurança Física e Patrimonial

    DGO - Departamento de Gestão Orçamentária

    DGP - Departamento de Gestão Patrimonial

    DINV - Divisão de Inventário e Apoio aos Agentes

    Patrimoniais

    DIR - Departamento de Direito

    DIRADM- Direção Administrativa do Campus de Blumenau

    DIREC - Divisão de Recebimento, Tombamento e Distribuição

    de Bens

    DLI - Campus Blumenau - Departamento de Licenciaturas

    DLLV - Departamento de Língua e Literatura Vernáculas

    DMPI - Departamento de Manutenção Predial e de

    Infraestrutura

    DOMP - Departamento de Obras e Manutenção Predial

    DPL - Departamento de Licitações

    DPT - Departamento de Pediatria

    DSG - Departamento de Serviços Gerais

    DSS - Departamento de Serviço Social

    DTO - Departamento de Ginecologia e Obstetrícia

    ECV - Departamento de Engenharia Civil

    ECZ - Departamento de Ecologia e Zoologia

    EED - Departamento de Estudos Especializados em Educação

    EEE - Equipamentos Elétrico Eletrônicos

    EEL - Departamento de Engenharia Elétrica

    EES - Campus Araranguá - Departamento de Energia e

    Sustentabilidade

    EFC - Coordenação de Educação Física Curricular

    EFL - Campus Curitibanos - Departamento de Engenharia

    Florestal

    EGC - Departamento de Engenharia do Conhecimento

    EGR - Departamento de Expressão Gráfica

    EMB - Departamento de Engenharia da Mobilidade

    EMC - Departamento de Engenharia Mecânica

    ENR - Departamento de Engenharia Rural

    ENS - Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental

    EPS - Departamento de Engenharia de Produção e Sistemas EQA - Departamento de Engenharia Química e de Alimentos

    EXR - Departamento de Extensão Rural

    FGV - Fundação Getúlio Vargas

    FIL - Departamento de Filosofia

    FIT - Departamento de Fitotecnia

  • FMC - Departamento de Farmacologia

    FON - Departamento de Fonoaudiologia

    FQM - Coordenação Especial de Física, Química e Matemática

    FSC - Departamento de Física

    GCN - Departamento de Geociências

    HST - Departamento de História

    HU - Hospital Universitário

    INE - Departamento de Informática e Estatística

    INT - INTernato

    ITI - Coordenação Especial de Tecnologia da Info. e Com.

    IU - Imprensa Universitaria

    JOI - CAMPUS Joinville

    JOR - Departamento de Jornalismo

    LAbMCDA - Laboratório de Metodologias Multicritério em Apoio à

    Decisão

    LLE - Departamento de Língua e Literatura Estrangeiras

    LLV - Departamento de Língua e Literatura Vernáculas

    LR - Logística Reversa

    LSB - Departamento de Libras

    MED - Coordenação Especial de Medicina

    MEN - Departamento de Metodologia de Ensino

    MIP - Departamento de Microbiologia Imunologia e

    Parasitologia

    MOR - Departamento de Ciências Morfológicas

    MTM - Departamento de Matemática

    MUS - Coordenação Especial de Museologia

    MVC - Campus Curitibanos - Departamento de Medicina

    Veterinaria

    NFR - Departamento de Enfermagem

    NTR - Departamento de Nutrição

    NUMA - Núcleo de Manutenção

    OCN - Departamento de Oceanografia

    ODT - Departamento de Odontologia

    PCI - Placa de Circuito Impresso

    PF - Procuradoria Federal

    PNRS - Política Nacional de Resíduos Sólidos PNUMA- Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente

    PREG - Pró-Reitoria de Ensino de Graduação

    PROAD- Pró-Reitoria de Administração

    PROGER- Protocolo Geral

    PROINFRA- Pró-Reitoria de Infraestrutura

  • PROPG - Pró-Reitoria de Pós-Graduação

    PROPLAN- Pró-Reitoria de Planejamento e Orçamento

    PSI - Departamento de Psicologia

    PTL - Departamento de Patologia

    PU - Prefeitura Universitária

    QMC - Departamento de Química

    RCRA - Resource Conservation and Recovery Act

    REEE - Resíduos de equipamentos elétrico e eletrônicos

    RU - Restaurante Universitário

    SAAD - Secretaria de Ações Afirmativas e Diversidades

    SCE - Serviço de Comunicação e Expedição

    SCGP - Superintendência de Compras e Gestão Patrimonial

    SDMD - Serviço de Digitalização e Microfilmagem de

    Documentos

    SEAD - Secretaria de Educação a Distância

    SEAI - Secretaria Especial de Aperfeiçoamento Institucional

    SEDAP/PR- Secretaria de Administração Pública da Presidência da

    República

    SEOMA- Secretaria de Obras, Manutenção e Ambiente

    SEPLAN- Secretaria de Planejamento e Orçamento

    SESP - Secretaria de Esportes

    SFL - Serviço de Fiscalização da Limpeza

    SIEF - Sistema Integrado de Espaço Físico

    SINOVA- Secretaria de Inovação

    SINTER- Secretaria de Relações Internacionais

    SIP - Sistema de Informações Patrimoniais

    SPA - Sistema de Processos Administrativos

    SPB - Departamento de Saúde Pública

    SPO - Departamento de Sociologia e Ciência Política

    SRP - Sistema de Registro de Preços

    TCC - Trabalho de Conclusão de Curso

    TIC - Campus Araranguá – Departamento de Tecnologia

    Informação e Comunicação

    UCP - Unidade central de processamento

    UFBA - Universidade Federal da Bahia

    UFF - Universidade Federal Fluminense UFSC - Universidade Federal de Santa Catarina

    USP - Universidade de São Paulo

    WEEE - Waste Electrical and Electronic Equipment

    ZOT - Departamento de Zootecnia

  • SUMÁRIO

    1. INTRODUÇÃO ............................................................................. 1 1.1. JUSTIFICATIVA ................................................................... 2 1.2. OBJETIVOS ........................................................................... 2

    1.2.1 Objetivo geral ............................................................... 3 1.2.2 Objetivos específicos .................................................... 3

    1.3. LIMITAÇÕES DO TRABALHO ........................................... 3 1.4. ESTRUTURA DO TRABALHO ........................................... 3

    2. CARACTERIZAÇÃO DO PROBLEMA ................................... 5 2.1. LIXO ELETRÔNICO – TIPOS E ESPECIFICAÇÕES ......... 5 2.2. MANIPULAÇÃO E DESFAZIMENTO ................................ 8 2.3. EVOLUÇÃO ........................................................................ 14 2.4. LEGISLAÇÃO ..................................................................... 16

    2.4.1 Nacional ....................................................................... 16 2.4.2 Estadual ....................................................................... 18 2.4.3 Municipal .................................................................... 18 2.4.4 UFSC ........................................................................... 19

    2.5. CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................... 20 3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS ............................. 21

    3.1. CARACTERIZAÇÃO DA PESQUISA ............................... 21 3.2. ETAPAS DA PESQUISA .................................................... 24

    4. LEVANTAMENTO BIBLIOGRÁFICO .................................. 26 4.1. PALAVRAS-CHAVE .......................................................... 26

    5. COLETA E ANÁLISE DE DADOS .......................................... 31 5.1. ACUMULADO DE REEE NA UFSC ................................. 31 5.2. VOLUME DE ITENS........................................................... 34 5.3. DESFAZIMENTO ................................................................ 39 5.4. POTENCIAL FINANCEIRO ............................................... 43

    6. CONCLUSÃO ............................................................................. 48 REFERÊNCIAS .................................................................................. 51

  • 1

    1. INTRODUÇÃO

    Universidades públicas com o objetivo de acompanhar o

    desenvolvimento técnico e científico da atualidade são grandes

    consumidoras de recursos eletroeletrônicos. Diversos cursos necessitam

    do uso de equipamentos científicos para se adequar às novas tecnologias

    e ferramentas desenvolvidas, como ferramentas de análises numéricas,

    análises e desenvolvimento de simulações, renderizações de áudios e

    vídeos, criação de animações e desenvolvimentos de softwares, por

    exemplo. Ao se observar tal comportamento é percebido o aumento da

    oferta de Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos (REEE) ou

    usualmente chamados por fontes internacionais como Waste Electrical

    and Electronic Equipment (WEEE) ou e-waste. No Brasil existem leis referentes à Política Nacional de

    Resíduos Sólidos (PNRS) que normatizam o descarte de REEE. Em

    1991 o projeto de Lei nº. 203 dispôs sobre o acondicionamento, coleta,

    tratamento, transporte e destinação dos resíduos de serviço de saúde.

    Com o decorrer dos anos observou-se uma maior necessidade de

    regulamentação do descarte de material desfavorável ao meio ambiente

    (EUR-Lex, 2012).

    Em 1999, a proposição 259, do Conselho Nacional do Meio

    Ambiente (CONAMA), intitulada Diretrizes Técnicas para a Gestão de

    Resíduos Sólidos foi aprovada pelo plenário do conselho, mas não

    chegou a ser publicada. Este foi o início do que se tornou a Política

    Nacional de Resíduos Sólidos, em 2010 a Lei nº. 12.305/10 instituiu a

    PNRS o que segundo o Ministério do Meio Ambiente, a PNRS traria

    instrumentos importantes para permitir o avanço necessário ao País no

    enfrentamento dos principais problemas ambientais, sociais e

    econômicos decorrentes do manejo inadequado dos resíduos sólidos

    (BRASIL, 2010).

    Este trabalho desenvolve um estudo referente aos itens:

    microcomputadores de mesa, monitores de vídeo, impressoras e demais

    equipamentos de informática, os quais possuem tratamento

    diferenciando perante a Política Nacional de Resíduos Sólidos devido ao

    seu papel sócio econômico.

    O descarte de equipamentos de informática recebe um tratamento diferenciado devido a seu contexto de integração da

    sociedade a novas tecnologias. O patrimônio estudado faz parte de

    estratégias públicas de capacitação e integração da sociedade, sendo que

    se enquadra em normativas referentes às disposições finais do

  • 2

    equipamento onde deve ser reutilizado até última instância (BRASIL,

    2010).

    Segundo o CDI (2015), Comitê para Democratização da

    Informática de Santa Catarina mostra que em 2015, existiam 18 postos

    de coleta de equipamentos eletrônicos de informática em shopping

    centers, supermercados, lojas de informática, centros comerciais e

    empresas, no município de Florianópolis. Este comitê afirma ainda que

    através destes postos de coleta, a população da grande Florianópolis

    desfez-se de equipamentos usados de informática que importaram em 30

    toneladas de equipamentos por mês. A origem dos equipamentos

    recebidos foi de pessoas físicas e jurídicas de todo o estado de Santa

    Catarina.

    Considerando a legislação vigente e a necessidade do correto

    descarte dos itens supracitados, o presente trabalho buscou quantificar e

    mapear os processos decorrentes do desfazimento de itens considerados

    lixo eletrônico no âmbito da UFSC, com o intuito de sugerir melhorias

    nos processos, diminuindo custos, viabilizando espaço físico e

    diminuindo o tempo de ação.

    1.1. JUSTIFICATIVA

    A escolha do tema foi realizada utilizando métodos de

    observação e questionamento das necessidades inerentes ao

    Departamento de Engenharia de Produção e Sistemas da Universidade

    Federal de Santa Catarina, onde pôde-se constatar oportunidades de

    melhorias no processo de descarte e recolhimento dos equipamentos em

    questão.

    O trabalho contribui com o provimento de informação e base

    analítica do desenvolvimento dos processos de desfazimento de

    equipamentos de informática, gerando oportunidade para criação de

    melhorias e busca da excelência institucional da Universidade Federal

    de Santa Catarina considerando a legislação vigente para tratamento dos

    itens em questão.

    1.2. OBJETIVOS

    O objetivo geral do trabalho, bem como seu desdobramento em

    objetivos específicos, são descritos a seguir.

  • 3

    1.2.1 Objetivo geral

    O objetivo geral deste trabalho é realizar uma avaliação do

    fluxo de desfazimento de itens computacionais na Universidade Federal

    de Santa Catarina.

    1.2.2 Objetivos específicos

    Para atingir o objetivo geral, os seguintes objetivos específicos

    devem ser atendidos:

    promover o entendimento de leis e normas envolvidas;

    mapear o fluxo do processo de descarte de forma clara e objetiva;

    dimensionar o fluxo quanto ao volume e ao valor de itens descartados por departamentos.

    1.3. LIMITAÇÕES DO TRABALHO

    O estudo será delimitado por tipo de itens de descarte, Unidades

    Centrais de Processamento (UCPs), notebooks, monitores e impressoras,

    os quais se enquadram na Política Nacional de Resíduos Sólidos

    inclusos no Art. 5 do Decreto No 99.658, condicionado aos limites da

    Universidade Federal de Santa Catarina.

    1.4. ESTRUTURA DO TRABALHO

    Este trabalho está estruturado em seis capítulos. Este primeiro

    traz uma introdução ao tema, contendo a justificativa para seu

    desenvolvimento e os objetivos a serem alcançados com a realização do

    trabalho. O segundo capítulo apresenta os métodos utilizados para

    atingir aos objetivos propostos e uma descrição das etapas do trabalho.

    O capítulo três apresenta a fundamentação teórica do tema do qual trata

    este trabalho. O capítulo quatro traz o desenvolvimento do trabalho,

    propriamente dito, apresentando o processo de modelagem do problema

    e as soluções obtidas. O capítulo cinco faz uma análise dos valores

    encontrados frente aos números de REEE, apontando quais

    departamentos/setores tem maior volume de descarte. Finalmente, o

    sexto capítulo apresenta as conclusões bem como recomendações de

    pesquisas futuras.

  • 4

  • 5

    2. CARACTERIZAÇÃO DO PROBLEMA

    2.1. LIXO ELETRÔNICO – TIPOS E ESPECIFICAÇÕES

    Segundo a norma brasileira NBR 10004/2014 da Associação

    Brasileira de Normas Técnicas (ABNT, 2014), resíduo é definido como:

    Resíduos nos estados sólido e semi-

    sólido, que resultam de atividades da comunidade de origem industrial, doméstica, hospitalar,

    comercial, agrícola, de serviços e de varrição. Ficam incluídos nesta definição os lodos

    provenientes de sistemas de tratamento de água, aqueles gerados em equipamentos e instalações de

    controle de poluição, bem como determinados líquidos cujas particularidades tornem inviável o

    seu lançamento na rede pública de esgotos ou corpos de água, ou exijam para isso soluções

    técnica e economicamente inviáveis em face à melhor tecnologia disponível.

    Logarezzi (2006) define resíduo ou lixo como sendo as sobras

    de qualquer atividade, no entanto, são caracterizadas como tal

    dependendo dos “valores sociais, econômicos e ambientais” que lhes são

    atribuídos, aliados ao ato de descarte. Nesse sentido, resíduos, sem

    preservar seus valores potenciais, quando se transformam em “lixo”,

    obtêm “aspectos de inutilidade, sujidade, imundice, estorvo, risco, etc.”.

    No contexto de lixo está o lixo eletrônico que engloba os

    chamados Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos (REEE).

    De acordo com a Lei 13.576 (2009) do estado de São Paulo, o lixo

    eletrônico ou REEE, é termo qualificado para definir todo material

    eletrônico de uso doméstico, industrial e comercial que esteja obsoleto,

    itens como:

    componentes e periféricos de computadores;

    monitores e televisores;

    acumuladores de energia (baterias e pilhas);

    produtos magnetizados (SÃO PAULO, 2009).

    A Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI)

    em 2013 propõe que eletroeletrônicos são equipamentos que necessitam

    de corrente elétrica ou campos eletromagnéticos para seu

  • 6

    funcionamento. A ABDI separa os equipamentos eletroeletrônicos em

    quatro categorias, conforme Figura 1.

    Figura 1 - Classificação do lixo eletrônico

    Fonte: ABDI (2013).

    Se tratando dos itens classificados de acordo com a ABDI

    (2013) os autores Oliveira et al. (2014) utilizando o estudo de

    Goldemberg e Cortez (2014), estima-se que no Brasil foram geradas

    1.100 mil toneladas de REEE em 2014 com previsão de 1.249,41 mil

    toneladas para 2020 (Figura 2).

    Figura 2 - Geração de REEE no Brasil 2011 a 2020

    Fonte: Oliveira et al. (2014).

  • 7

    Na classificação de linha verde e de linha marrom estão os itens

    que recebem foco neste estudo, desktops, notebooks, impressoras e

    monitores. O estudo de Rodrigues (2015) utilizando dados de Oguchi et al. (2008) e Cooper (2004) considera a vida média e o peso em quilogramas por unidade. O estudo da ABDI (2013) considera o peso

    em quilogramas por unidade dos itens do presente trabalho sendo

    (Quadro 1).

    Item Vida útil [anos] Peso médio

    [kg/unidade]

    Computador (UCP, monitor, periféricos)

    7,0 15,0

    Notebook 7,0 2,9

    Impressora 7,0 5,6

    Monitor CRT 12,0 15,0

    Monitor LCD 7,0 4,8

    Quadro 1 - Vida útil e peso médio de computadores, notebooks, impressoras e

    monitores. Fonte: Rodrigues et al. (2015).

    De acordo com Crowe et al. (2003), os computadores, monitores e impressoras possuem como matéria-prima, os elementos

    químicos mais nocivos sendo:

    computadores de uso pessoal (desktops e notebooks): Chumbo (Pb), Monóxido de chumbo (PbO), Mercurio (Hg), Cádmio

    (Cd), Bifenilpoliclorado (PCB), Policloreto de Vinila (PVC) e

    retardantes de chama;

    monitores e televisões: Chumbo (Pb), Monóxido de chumbo (PbO) Cádmio (Cd), Bifenilpoliclorado (PCB), Policloreto de

    Vinila (PVC) e retardantes de chama;

    impressoras: Selênio (Se).

    Os elementos químicos presentes no lixo eletrônico e seu

    potencial como recurso variam de acordo com o produto conforme a

    ONU (2014).

    Metais pesados em contato com o solo podem contaminar lençóis freáticos. Algumas destas substâncias quando queimadas podem

    liberar toxinas perigosas no meio ambiente. A manipulação e

    processamento de REEE se realizados de maneira indiscriminada pode

  • 8

    contaminar a fauna e a flora em suas proximidades (WIKIPEDIA,

    2017).

    2.2. MANIPULAÇÃO E DESFAZIMENTO

    O conceito de Resíduos de Equipamentos Elétricos e

    Eletrônicos (REEE) é o nome que se dá aos produtos citados no capítulo

    anterior ao final de seus ciclos de vida.

    REEE são compostos usualmente por: plásticos, vidros,

    componentes eletrônicos além de mais de vinte tipos de metais pesados.

    Alguns produtos ainda recebem camadas de substâncias químicas para

    fins diversos como para proteção a corrosão e retardamento de chamas,

    o que causa aumento de complexidade e custo para sua reciclagem.

    Além disso, por possuírem metais pesados como alumínio, arsênio,

    cádmio, bário, cobre, chumbo, mercúrio, cromo, entre outros criando um

    potencial de toxicidade elevado causando riscos à saúde ao meio

    ambiente (ABDI, 2013).

    Algumas técnicas de desfazimento e manipulação são utilizadas

    na tentativa de reduzir os problemas ocasionados pelo lixo eletrônico.

    No entanto, os processos de desfazimento e descarte de lixo eletrônico

    nos países em desenvolvimento levaram a uma série de impactos

    ambientais (WATH et al., 2011).

    Em muitos países desenvolvidos, o processamento de resíduos

    eletrônicos geralmente envolve a desmontagem do equipamento em

    várias partes (estruturas metálicas, fontes de alimentação, placas de

    circuitos, plásticos), muitas vezes manualmente, mas cada vez mais por

    equipamentos de trituração automatizados (YUAN et. al, 2007). Os REEE computacionais usualmente podem ser separados de

    acordo com a Figura 3, estruturada pelo site autossustentável.com em

    2011.

  • 9

    Figura 3 - Ilustração da separação dos componentes eletrônicos.

    Fonte: Autossustentável (2011).

    No entanto, um estudo realizado por Puckett et al. (2002) revela alguns efeitos ambientais, ocasionados pelo descarte e reciclagem

    inadequada de resíduos eletrônicos conforme Quadro 2.

    Item/componente Processos

    usados Risco humano

    Risco Ambiental

    Potencial

  • 10

    Monitores CRTs

    Quebra, remoção do

    cabeçote de

    cobre e descarte

    - Silicose

    - Cortes por vidro em caso de

    implosão - Inalação ou

    contato com fósforo

    - Contaminação por cádmio ou

    outros metais.

    Chumbo, bário e outros metais

    pesados lixiviando em águas

    subterrâneas, liberação de

    fósforo tóxico na atmosfera

    Placa de circuito

    impresso

    Fundição das

    soldas para remoção dos

    chips, fundição dos

    componentes.

    - Inalação de estanho e chumbo

    - Possível contato com dioxina de

    bromo, berílio,

    cádmio e inalação de mercúrio

    -Irritação respiratória

    - Contaminação

    por estanho e chumbo no

    ambiente próximo Incluindo as águas

    superficiais e

    subterrâneas. - Emissões de

    dioxinas de bromo, berílio, cádmio e

    mercúrio.

    Chips e outros componentes

    banhados a ouro

    Banho

    químico com ácido nítrico e

    clorídrico e queima.

    - Contato de ácido

    com os olhos e pele pode resultar em

    lesão permanente - A inalação de

    vapores de ácidos, clorídrico e

    sulfúrico pode causar desde

    irritação respiratória a

    efeitos graves, incluindo edema

    pulmonar, insuficiência

    circulatória e morte.

    - Hidrocarbonetos,

    metais pesados, substâncias

    bromadas, etc. podem criar um

    ambiente ácido que degrada a

    fauna e flora.

    Plásticos de impressoras,

    teclados, monitores, etc.

    Derretimento

    a baixa temperatura

    para reutilização

    Exposição a hidrocarbonetos,

    dióxido de bromo e metais pesados

    Deposição de

    hidrocarbonetos, dióxido de bromo

    e metais pesados no ambiente.

  • 11

    Quadro 2 - Impactos ambientais ocasionados pelo desfazimento de certos

    resíduos eletrônicos Fonte: Puckett et al. (2002).

    Em países subdesenvolvidos, um dos principais desafios, dentro

    do contexto de desfazimento de lixo eletrônico, é a reciclagem e

    separação de metais preciosos tais como o ouro, a prata, a platina, etc. e

    metais básicos como o cobre, o ferro, o alumínio, etc. das placas de

    circuito impresso. Métodos utilizados para separar os metais

    ocasionalmente são banhos de ácidos e fundição de placas de circuito,

    usualmente em locais inadequados, causando a deposição de ácidos no

    ambiente ao redor (WATH et al., 2011).

    Em vista das dificuldades observadas, há ações de empresas e

    do governo brasileiro para amenizar os impactos ao meio ambiente

    através de medidas regulatórias onde se determina que os fabricantes,

    importadores, distribuidores e comerciantes de Equipamentos Elétrico

    Eletrônicos (EEE) são responsáveis por implementar sistemas de

    Logística Reversa (LR) dos equipamentos descartados, segundo Oliveira

    et al. (2014).

    A ABDI (2013) propõe que, para os itens em foco no presente

    trabalho, o benchmark da logística reversa de EEE de acordo com a

    legislação brasileira seria realizado através dos seguintes passos:

    transporte até o ponto descarte/recebimento - para produtos de pequeno porte, o consumidor transporta e entrega seu REEE na

    rede de pontos fixos de descarte/recebimento;

    recebimento e armazenagem - comércio disponibiliza pontos fixos de descarte/recebimento nos quais recebem e fazem a

    armazenagem do REEE (Apenas regiões com grande potencial

    de geração de REEE terão pontos fixos de coleta, regiões de

    menor potencial periodicamente realizarão campanhas de

    coleta);

    transporte até o centro de triagem - comércio e organização gestora realizam o transporte do REEE até o centro de triagem,

    os centros de triagem poderão ser terceirizados. Existe a

    oportunidade de parcerias público-privadas;

    triagem do resíduo - a organização que fará a gestão do REEE é responsável por coordenar e gerenciar a triagem,

    armazenamento e despacho;

    transporte até o reciclador - a organização gestora recolhe o REEE após a triagem e realiza o transporte para o reciclador

    contratado;

  • 12

    reciclagem do resíduo - o reciclador realiza a descaracterização de marcas e dados (quando aplicável), faz a rastreabilidade,

    recicla o REEE e realizando o balanço de massa, conforme o

    serviço contratado pela organização responsável pela gestão.

    Ele também destina o material reciclado como matéria prima no

    mercado ou destina o resíduo ao local adequado de acordo com

    a legislação ambiental e normas técnicas (ABDI, 2013).

    A Figura 4 ilustra estas etapas descritas, pode ser cometida no

    microambiente da Universidade de São Paulo USP.

    Figura 4 - Etapas da logística reversa dos REEE.

    Fonte: Verde (2012).

    Itens reciclados dependendo do processo possuem um indicador

    chamado Taxa de Reciclagem. Segundo a ABDI (2013), o indicador

    consiste na porcentagem de massa que um REEE pode ser reciclado em

    determinado processo. A organização responsável pelo estudo define

    uma curva de preço vinculada ao processo de reciclagem e sua taxa de

    reciclagem através de uma regressão exponencial. Em tais curvas pode-

    se observar que o aumento do preço cresce com o aumento da taxa de

    reciclagem. As Figuras 5 e 6 mostram estas curvas para itens grandes,

  • 13

    representados pelas linhas Branca e Marrom, e itens pequenos,

    representados pelas linhas Azul e Verde.

    Figura 5 - Curva do preço reciclagem REEE grande

    Fonte: ABDI (2013).

    Figura 6 - Curva do preço

    reciclagem REEE pequeno Fonte: ABDI (2013).

    O método convencional utilizado é de cominuição (trituração)

    mecânica que pode ser considerado como um pré-tratamento para

    processos mais sofisticados. A classificação granulométrica e a

    separação são um segundo passo. Outros métodos como pirometalurgia,

    hidrometalurgia, eletrometalurgia e biometalurgia podem ser utilizados

    para reciclagem principalmente de placas de circuito impresso devido a

    sua concentração de metais de valor (GERBASE; OLIVEIRA, 2012).

    A reciclagem de matérias-primas de produtos eletrônicos em

    fim de vida é a solução mais eficaz para o problema do lixo eletrônico

    em crescimento. A maioria dos dispositivos eletrônicos contém uma

    variedade de materiais, incluindo metais que podem ser recuperados

    para utilizações futuras. Pela reciclagem é possível proporcionar

    possibilidades de reutilização, recursos naturais intactos são

    conservados e a poluição da água causada pela eliminação

    indiscriminada é evitada. Além disso, a reciclagem reduz a quantidade

    de emissões de gases de efeito estufa causada pela fabricação de novos

    produtos (WATH et al, 2011). Promover vida extra aos produtos significa que, para

    qualquer período de tempo, haverá menos produção, menos resíduos

    e quando os resíduos do pós-consumo forem perigosos, como é o

    caso de produtos eletrônicos, haverá menos substâncias perigosas

    geradas. Para o planeta, reuso significa que menos matérias-primas

    serão usadas, menos energia será consumida e, consequentemente,

    haverá menos poluição (MIGUEZ, 2012).

  • 14

    2.3. EVOLUÇÃO

    A quantidade global de lixo eletrônico tem atingido recordes

    anuais. Em 2014, o descarte de REEE atingiu 41,8 milhões de toneladas.

    Desse total cerca de 6,3 milhões de toneladas foram de monitores e

    televisões e 3,0 milhões de toneladas foram de equipamentos pessoais

    de informação e comunicação, segundo a Baldé et al. (2015). De acordo

    com este estudo, o potencial monetário da reutilização desses recursos

    provenientes dos REEE representa cerca de 52 bilhões de dólares.

    Entretanto, estima-se que menos de um sexto desse potencial é utilizado

    na forma de reutilização e reciclagem.

    A tendência de crescimento de lixo eletrônico é crescer

    acentuadamente. Segundo Mantney (2014), em sua publicação “The Internet of Things: How the Next Evolution of the Internet is Changing

    Everything”, existiam em 2014, 12,5 bilhões de dispositivos conectados

    à internet, mas que a previsão é de que em 2025 existam 50 bilhões

    dispositivos, decorrente da penetração da chamada Internet das Coisas.

    No Brasil, a perspectiva do aumento de REEE pode ser

    observada na Figura 7. Nesta figura, desenvolvida pela Fundação

    Getúlio Vargas – FGV (2016), é mostrado a tendência de itens por

    usuários ao longo dos anos de 1988 até 2016. Nota-se que o número de

    computadores entre 2012 e 2019 aumenta em mais de 100%. Este

    estudo estima que de 2017 a 2018 haverá, no Brasil, uma média de cerca

    de dois dispositivos (desktop, notebook, tablet ou smartphone) para cada

    habitante.

  • 15

    Figura 7 - Total de computadores em uso no Brasil, em milhões de unidades Fonte: FGV – CTIA (2016).

    De acordo com a Biblioteca Virtual do Governo do Estado de

    São Paulo (2015), os avanços da tecnologia têm gerado um aumento

    considerável no consumo de equipamentos eletrônicos. Entretanto, o

    efeito negativo é o aumento significativo do lixo eletrônico, devido a

    diminuição da vida útil dos aparelhos em consequência do ganho de

    atualizações e novas funcionalidades que são incluídas, em períodos de

    tempo cada vez mais curtos. Diante destes fatos, observa-se a

    necessidade do desenvolvimento da cultura de reuso e reciclagem.

    Antes de 1976 não existia os malefícios ocasionados pelo

    descarte inadequado de lixo eletrônico pois estes não eram reconhecidos

    como um problema ambiental. Em 1976, a lei Resource Conservation and Recovery Act (RCRA) foi promulgada nos Estados Unidos. Esta lei tinha o objetivo de regulamentar o descarte de produtos eletrônicos que

    possuíam resíduos nocivos. Como consequência, levou então a um

    despejo em massa de REEE na forma de exportação para países sem

    legislação pertinente. Em 1988, um cargueiro com 14 mil toneladas de

    REEE ficou 16 meses a busca de um local para o despejo dos mesmos, o

    que acarretou o descarte dos resíduos em alto mar. Tal fato levou à

    realização da Convenção de Basileia, que proíbe as nações de exportar

    seu lixo eletrônico para outros países. Em 1991, a proibição de Basileia

    é promulgada por 175 países, sem incluir os Estados Unidos da América

    (CDR, 2015).

    No Brasil existem leis referentes à Política Nacional de

    Resíduos Sólidos (PNRS) que normatizam o descarte de REEE. Em

    1991, o projeto de Lei nº 203/91 dispôs sobre o acondicionamento,

    coleta, tratamento, transporte e destinação dos resíduos de serviço de

    saúde. Com o decorrer dos anos, observou-se uma maior necessidade de

    regulamentação do descarte de material desfavorável ao meio ambiente.

    Em 1999, a Proposição 259 do Conselho Nacional do Meio

    Ambiente (CONAMA), intitulada Diretrizes Técnicas para a Gestão de

    Resíduos Sólidos, foi aprovada pelo plenário do conselho, mas não

    chegou a ser publicada. Este foi o início do que se tornou a Política

    Nacional de Resíduos Sólidos de 2010. A Lei nº 12.305/10 instituiu a

    PNRS.

  • 16

    2.4. LEGISLAÇÃO

    2.4.1 Nacional

    No âmbito nacional, a Lei 12.305/2010 dispõe sobre os

    princípios, objetivos e instrumentos e diretrizes relativas à gestão de

    resíduos sólidos. Ela legisla também sobre as responsabilidades dos

    geradores, do poder público e dos instrumentos econômicos aplicáveis,

    relativos aos resíduos sólidos, conforme seu art. 33:

    Art. 33. São obrigados a estruturar e

    implementar sistemas de logística reversa, mediante retorno dos produtos após o uso pelo

    consumidor, de forma independente do serviço público de limpeza urbana e de manejo dos

    resíduos sólidos, os fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes [...] (BRASIL,

    2010).

    O Art. 3°, Inciso XVII, diz que a responsabilidade pelo ciclo de

    vida dos produtos deve ser compartilhada abrangendo:

    [...] os fabricantes, importadores,

    distribuidores e comerciantes, os consumidores e os titulares dos serviços públicos de limpeza

    urbana e de manejo de resíduos sólidos, consoante as atribuições e procedimentos previstos nesta

    Seção.

    No escopo do presente trabalho está inserido o ambiente da

    Universidade Federal de Santa Catarina. Sendo uma universidade

    pública, esta está submetida à legislação nacional referente ao

    desfazimento de material computacional, como dita o Decreto no.

    99.658. Este decreto regulamenta, no âmbito da Administração Pública

    Federal, o reaproveitamento, a movimentação, a alienação e outras

    formas de desfazimento de material. O processo normativo em questão,

    para os casos específicos de leilões, pode ser observado no fluxograma

    pictorial representado pela Figura 8.

  • 17

    Figura 8 - Fluxograma pictorial legislativo para leilões – UFSC

    Fonte: Do Autor (2017).

  • 18

    2.4.2 Estadual

    A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) é uma lei

    recente. Alguns estados já haviam promulgado leis e mecanismos

    próprios voltados para a gestão dos resíduos sólidos. Entretanto pela

    Constituição, a PNRS se sobrepõe às demais antevendo a suspensão

    destas. Como cita a ABDI (2014) relativa ao texto de Yoshida (2012):

    “Parte-se do princípio de que o genérico compete à União e o

    detalhamento ao poder estadual ou local, mas que estes só podem ser

    mais restritivos do que a União, nunca mais brandos ou tênues ao agir”.

    A PNRS torna a responsabilidade da gestão integrada dos

    resíduos sólidos urbanos uma obrigatoriedade dos municípios e Distrito

    Federal. Aos estados atribui-se o incentivo à integração da gestão nas

    regiões muito populosas. É também função do estado, a fiscalização e o

    controle das atividades geradoras de resíduos que são licenciadas pelo

    órgão estatual competente.

    2.4.3 Municipal

    Florianópolis dispõe da Lei Municipal n° 5.635/99 que diz, em

    seu primeiro artigo, que a empresa de economia mista, Companhia

    Melhoramentos da Capital (COMCAP), é responsável por executar os

    serviços públicos de coleta, transporte e tratamento de resíduos sólidos.

    Em 2011, a COMCAP publicou o Plano de Gerenciamento de Resíduos

    Sólidos (PGRS) do município de Florianópolis.

    O PGRS deu formalidade ao convênio com o Comitê para

    Democratização da Informática de Santa Catarina (CDI). O convênio

    coloca que os equipamentos eletrônicos coletados pela COMCAP serão

    pertencentes ao CDI (COMCAP, 2011).

    O Comitê para Democratização da Informática tornou-se uma

    organização de utilidade pública estadual em 2011, através da Lei nº.

    15.565.

    O CDI realiza a triagem dos equipamentos coletados. Os itens

    que podem ser reutilizados são destinados a comunidades carentes até estarem sem condições de uso. Os Equipamentos Elétricos e Eletrônicos

    (EEE) sem condições de uso serão tratados como REEE. O CDI é

    responsável por dar a destinação final para tais (COMCAP, 2011).

    De acordo com as responsabilidades apontadas pelo PGRS, o

    CDI é responsável pelo programa ReciclaTec que têm o objetivo de

  • 19

    reciclagem e armazenagem adequada dos REEE e gerenciar pontos de

    coleta. A sede onde os REEE coletados em Florianópolis são reciclados

    está inclusa no programa ReciclaTec. Esta sede, denominada Centro de

    Reutilização de Resíduos Tecnológicos (CERTEC), está localizada em

    Palhoça (CDISC, 2017). Este centro opera em parceria com uma

    empresa privada especializada em logística reversa.

    2.4.4 UFSC

    A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) está sujeita à

    legislação federal pertinente. Portanto, suas ações no âmbito de

    tratamento dos resíduos sólidos gerados pela instituição estão

    submetidas à PNRS e ao Decreto no. 99.658, que regulamenta o

    desfazimento de bens em instituições públicas.

    A UFSC possui seu próprio regimento interno que, no escopo

    do trabalho, define os responsáveis pela aprovação do desfazimento de

    itens, incluindo os resíduos de componentes eletrônicos.

    O regimento interno da UFSC define que o Conselho de

    Curadores é responsável pela aprovação ou veto do desfazimento de

    bens de propriedade da instituição segundo o art. 6, X:

    Art. 6. São atribuições do Conselho de Curadores:

    [...]

    X - aprovar a alienação e a transferência de bens

    da Universidade (UFSC, 1982).

    O órgão responsável pelo patrimônio da UFSC é o

    Departamento de Gestão Patrimonial (DGP) que responde por (PROAD,

    2017):

    recebimento, conferência, processamento, tombamento, registro, entrega e pagamento;

    relatórios e documentação patrimonial;

    agentes patrimoniais (relatórios para consulta, transferências, informações gestão local);

    inventário anual (planejamento e coordenação; segregação de funções);

    informações doações e cessões (ingressos e saídas);

    CNPq, Capes, Fundações de Apoio (bens móveis);

    disponibilização ociosos;

  • 20

    informações sobre a gestão patrimonial, certidões e declarações (nada-consta).

    2.5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

    Lixo eletrônico compreende resíduos provenientes de

    dispositivos elétricos e eletrônicos. O processamento informal de lixo

    eletrônico pode levar a efeitos adversos ao ambiente em que está

    inserido.

    Componentes de REEE contêm substâncias potencialmente

    nocivas, como chumbo, cádmio, berílio, ou retardantes de chama. A

    Reciclagem e eliminação de lixo eletrônico pode envolver risco

    significativo para trabalhadores e comunidades. Por essa razão, cuidados

    devem ser tomados para evitar exposição prejudicial durante a

    reciclagem e contaminação por substancias nocivas, como metais

    pesados.

    O avanço tecnológico traz o aumento do volume de lixo

    eletrônico no Brasil. Observa-se a tendência devido ao número de itens

    que atualmente estão em uso, por exemplo, atualmente 160 milhões de

    computadores estão sendo utilizados.

    No Brasil, a Lei 12.305/2010, instituiu a Política Nacional de

    Resíduos Sólidos. Ela legisla sobre a sustentabilidade econômica e

    logística reversa na gestão de resíduos sólidos. A partir da sanção da

    referida lei, faz-se necessário o estabelecimento de metas, programas de

    reciclagem e a adequação de locais de descarte.

    Em referência à gestão de REEE em Florianópolis, fica a

    encargo da Companhia Melhoramentos da Capital (COMCAP) a

    execução dos serviços públicos de coleta, transporte e tratamento de

    resíduos sólidos e de limpeza dos logradouros e vias públicas.

  • 21

    3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

    Este capítulo trata da descrição dos métodos adotados na

    realização do presente Trabalho de Conclusão de Curso (TCC).

    Sob o ponto de vista de Andrade (2003), a metodologia é

    definida como sendo “o conjunto de métodos ou caminhos que são

    percorridos na busca do conhecimento”. Para Magalhães (2005) a

    metodologia é o estudo ou a ciência do caminho, “para facilitar o

    conhecimento, além de trazer implícita a possibilidade de, como

    caminho, servir para que diversas pessoas o percorram, isto é, que possa

    ser repetidamente seguido”. Segundo Prodanov e Freitas (2009), “a

    metodologia científica preconiza uma série de regras através das quais o

    conhecimento deve ser obtido”.

    3.1. CARACTERIZAÇÃO DA PESQUISA

    A pesquisa objetiva produzir novos conhecimentos através da

    utilização de procedimentos científicos, contribuindo assim “para o trato

    dos problemas e processos do dia a dia nas mais diversas atividades

    humanas, no ambiente do trabalho, nas ações comunitárias, no processo

    de formação, e outros” (SILVA, 2011).

    A ciência desenvolvida por meio da pesquisa é um conjunto de

    procedimentos sistemáticos, baseados no raciocínio lógico, com o

    objetivo de encontrar soluções para os problemas propostos mediante o

    emprego de métodos científicos e definição de tipos de pesquisa

    (CERVO, 2002). “A pesquisa, tanto para efeito científico como

    profissional, envolve a abertura de horizontes e a apresentação de

    diretrizes fundamentais, que podem contribuir para o desenvolvimento

    do conhecimento. ” (OLIVEIRA, 2002).

    Collis e Hussey (2005) ressaltam que o objetivo da pesquisa

    pode ser:

    * Revisar e sintetizar o conhecimento existente;

    * Investigar alguma situação ou problema existente;

    * Fornecer soluções para um problema;

    * Explorar e analisar questões mais gerais;

    * Construir ou criar um novo procedimento ou sistema;

    * Explicar um novo fenômeno;

    * Gerar novo conhecimento;

    * Uma combinação de quaisquer dos itens acima.

  • 22

    Segundo Andrade (2005, p. 121), a pesquisa é “o conjunto de

    procedimentos sistemáticos, baseado no raciocínio lógico, que tem por

    objetivo encontrar soluções para problemas propostos, mediante a

    utilização de métodos científicos”.

    Ao se referir aos objetivos, a pesquisa é exploratória e

    descritiva.

    De acordo com Gil (2002), a pesquisa exploratória tem “[...]

    como objetivo proporcionar maior familiaridade com o problema, com

    vistas a torná-lo mais explícito [...]”. Para Beuren (2003), a

    caracterização da pesquisa exploratória: “[...] ocorre quando há pouco

    conhecimento sobre a temática a ser abordada”. Para tanto, por meio do

    estudo exploratório, “busca-se conhecer com maior profundidade o

    assunto, de modo a torná-lo mais claro ou construir questões

    importantes para a condução da pesquisa”. Segundo, Freitas e Prodanov

    (2013) pesquisa exploratória, “é quando a pesquisa se encontra na fase

    preliminar, tem como finalidade proporcionar mais informações sobre o

    assunto que vamos investigar, possibilitando sua definição e seu

    delineamento”.

    Já a pesquisa descritiva, segundo Beuren (2003), tem como

    principal objetivo descrever características “de determinada população

    ou fenômeno ou o estabelecimento de relações entre as variáveis. Uma

    de suas características mais significativas está na utilização de técnicas

    padronizadas de coletas de dados”.

    Conforme Vergara (2004), a pesquisa descritiva:

    [...] expõe características de determinada população ou de

    determinado fenômeno. Pode também estabelecer correlações entre

    variáveis e definir sua natureza. Não tem compromisso de explicar os

    fenômenos que descreve, embora sirva de base para tal explicação.

    Pesquisa de opinião insere-se nessa classificação.

    Quanto à sua natureza, a pesquisa desenvolvida pode ser

    classificada como sendo do tipo aplicada, que gera conhecimentos para

    aplicação prática dirigidos à solução de problemas específicos. Envolve

    interesses locais (GIL, 2002). A pesquisa visa à aplicação de suas

    descobertas a um problema (COLLIS; HUSSEY, 2005); ao contrário da

    pesquisa de natureza básica, cujo objetivo primordial é produzir

    conhecimentos novos, úteis para o avanço da ciência sem aplicação prática prevista. Envolve verdades e interesses universais (GIL, 2002).

    Quanto ao delineamento, a pesquisa é documental, bibliográfica

    e estudo de caso.

    Delineamento, segundo Cervo, Bervian e Silva (2007, p. 27) é

    “a ordem que se deve impor aos diferentes processos necessários para

  • 23

    atingir um certo fim ou resultado desejado”. Costa, Costa e Neves

    (2007, p. 19) afirmam que o “delineamento de uma pesquisa está

    subordinado tanto ao problema a ser estudado, da sua natureza e

    situação espaço-temporal em que se depara, quanto da natureza e nível

    de conhecimento do pesquisador”.

    Pesquisa documental, muitas vezes confundida com a pesquisa

    bibliográfica por suas características parecidas, porém diferem segundo

    sua natureza de fonte. Segundo Beuren (2003):

    A pesquisa bibliográfica utiliza-se principalmente das contribuições de vários autores sobre determinada temática de estudo, já a

    pesquisa documental baseia-se em materiais que ainda não receberam um tratamento analítico ou

    que podem ser reelaborados de acordo com os objetivos da pesquisa.

    Segundo Marconi e Lakatos (2002), a pesquisa documental “é

    que a fonte de coleta de dados está restrita a documentos, escritos ou

    não, constituindo as fontes primárias, que podem ser recolhidas no

    momento em que o fato ou fenômeno ocorre, ou depois”.

    A pesquisa bibliográfica é parte essencial para qualquer

    pesquisa, pois irá explicar o problema a partir de obras já publicadas de

    outros autores, sendo sua finalidade explicar por diversos ângulos de

    autores distintos um mesmo tema.

    Segundo Gil (2010):

    A pesquisa bibliográfica é elaborada

    com base em material já publicado. Tradicionalmente, esta modalidade de pesquisa

    inclui material impresso, como livros, revistas, jornais, teses, dissertações e anais de eventos

    científicos. Todavia, passaram a incluir outros tipos de fontes, como discos, fitas magnéticas,

    CDs, bem como o material disponibilizado pela internet.

    Quanto à abordagem do problema, a pesquisa é qualitativa e

    quantitativa.

    Segundo Fachin (2003), a pesquisa qualitativa “é caracterizada

    pelos seus atributos e relaciona aspectos não somente mensuráveis, mas

    também definidos descritivamente”.

    Beuren (2003) complementa que:

  • 24

    [...] na pesquisa qualitativa concebem-se análises mais profundas em relação ao fenômeno que está sendo estudado. A abordagem qualitativa

    visa destacar características não observadas por meio de um estudo quantitativo, haja vista a

    superficialidade deste último.

    Conforme Beuren (2003), a abordagem quantitativa caracteriza-

    se:

    [...] pelo emprego de quantificação tanto nas modalidades de coleta de informação, quanto no tratamento delas por meio de técnicas

    estatísticas, desde as mais simples, como percentual, média, desvio padrão, às mais

    completas, como coeficiente de correlação, análise de regressão, etc.

    3.2. ETAPAS DA PESQUISA

    O alcance dos objetivos propostos na seção 1.2 depende do

    planejamento do projeto, onde devem ser consideradas todas as etapas

    necessárias para o seu desenvolvimento. Estas etapas são apresentadas

    na Figura 9 e, descritas detalhadamente nos próximos itens.

    Figura 9 - Etapas de desenvolvimento do trabalho

    Fonte: LAURENTINO (2015).

  • 25

  • 26

    4. LEVANTAMENTO BIBLIOGRÁFICO

    O benchmark do referencial bibliográfico pode ser realizado através da utilização de um procedimento proposto pelo Laboratório de

    Metodologias Multicritério em Apoio à Decisão da UFSC

    (LAbMCDA). O procedimento estrutura a construção de um dossiê de

    artigos utilizando etapas. Estas são: definição de palavras chave, busca e

    filtragem na base de dados, seleção de artigos por alinhamento do título

    à pesquisa, seleção por reconhecimento científico, repescagem de

    referências excluídas, leitura de resumos e fichamento e seleção dos

    artigos para compor o portfólio de leitura.

    O objetivo do levantamento bibliográfico no trabalho é

    reconhecer artigos, trabalhos publicados e termos relacionados que

    envolvem a problemática estudada.

    A pesquisa realizada utiliza o Portal de Periódicos da

    Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior

    (CAPES), pois abrange bases de dados em diversas áreas do

    conhecimento como por exemplo, Science Direct, Scopus, Springer,

    Web of Science, Scielo e Medline..

    4.1. PALAVRAS-CHAVE

    As palavras-chaves utilizadas são pesquisadas no portal

    CAPES, em todas as bases disponíveis para acesso. Elas foram definidas

    com o objetivo de caracterizar os assuntos pertinentes. O primeiro grupo

    de palavras se relaciona aos REEE, estas são: WEEE, electronic waste, e-waste. Um segundo grupo tem por objetivo denotar a gestão dos resíduos, as palavras-chaves são: Waste Manegement e Reverse

    Logistics. Outro grupo é referente ao universo das universidades federais. Neste caso, as palavras foram: university e higher education

    institutions. Como resultado tem-se a Tabela 1 que mostra o número de

    artigos encontrados e as palavras-chave utilizadas.

    Tabela 1 -Termos pesquisados e número de artigos encontrados.

    Palavras-chave N. de artigos

    e-waste 5.578

    electronic waste 4.868

    weee 4.829

  • 27

    university + electronic waste 1.954

    waste management + electronic waste 1.763

    waste management + electronic waste + universities 98

    waste management + electronic waste + universities + recycling 87

    reverse logistic + electronic waste 32

    e-waste + higher education institutions 23

    electronic waste + higher education institutions 19

    waste management + e-waste + higher education institutions +

    recycling 7

    waste management + electronic waste + higher education institutions

    + recycling 6

    waste management + electronic waste + public universities +

    recycling 2

    Total Geral 5.578

    Fonte: Elaborado pelo Autor (2017).

    Utilizando a pesquisa realizada, pôde-se obter um portfólio dos

    artigos mais relevantes. Por exemplo:

    Antecedents of Green IT Adoption in South African Higher Education Institutions de Thomson et al. 2015;

    Reducing solid waste in higher education: The first step towards ‘greening’ a university campus de Smyth et al. 2010;

    Green Computing and Green Technology based teaching learning and administration in Higher Education Institutions de Agarwal et al. 2013.

    Trash or treasure: global trade and the accumulation of e-waste in Lagos, Nigeria de Sullivan 2014.

    A pesquisa bibliométrica evidencia pontos em comum entre os

    artigos enquadrados no ambiente de controle do presente trabalho. O

    entendimento das características do REEE é necessário para o devido

    tratamento da problemática, de sustentabilidade ambiental e econômica

    na gestão da logística dos REEE, segundo os artigos referidos. O assunto estudado é caracterizado como novo, devido ao

    recente crescimento da importância do descarte sustentável. O artigo

    mais antigo é do ano 2010, com sete anos de diferença para o presente

    trabalho.

  • 28

    Estudos sobre o tema são forças motivadoras durante os

    estágios preliminares da iniciativa do descarte sustentável. As

    universidades inseridas na sociedade são usualmente benchmark para a tomada de decisão. Os estudos sobre o referente assunto trazem

    benefícios para a instituição e as comunidades aos redores. Os artigos

    evidenciam a importância das instituições de ensino superior como

    provedor de técnicas e iniciativas de gestão sustentável. Tais iniciativas

    de gestão do descarte de REEE são usualmente multiplicadas para a

    comunidade ao redor da instituição.

    Os artigos apontam a necessidade de pressão governamental e

    institucional utilizando leis. O objetivo é tornar a gestão dos resíduos

    eficaz. Nos artigos é referido que leis pouco especificadas e

    classificadas como fracas não motivam uma boa gestão de resíduos.

    Os resultados da pesquisa bibliográfica se fazem condizentes

    com o assunto abordado no presente trabalho. Os artigos fundamentam a

    importância do mesmo para esclarecer o panorama atual da instituição

    em questão.

    Outra pesquisa foi utilizada para identificar quais termos

    sugeridos eram recorrentes por palavras-chave e assim identificar quais

    artigos tem alguma alusão ou referência ao tema estudado no presente

    trabalho. Observam-se os resultados na Tabela 2.

    Através do levantamento bibliográfico, destacaram-se alguns

    dos termos mais relevantes e usualmente utilizados. Estes termos são

    utilizados para identificar o presente trabalho nas bases acadêmicas.

    Eles são:

    Electronic Waste;

    Waste Management;

    Recycling;

    Issues in Sustainable Development;

    Higher Education;

    Educational Facilities.

  • 29

    Tabela 2 - Número citações relacionadas aos termos pesquisados.

    Elec

    tron

    ic W

    aste

    Was

    te M

    anag

    emen

    t

    Rec

    yclin

    g

    Rec

    yclin

    g

    Elec

    tron

    ic E

    quip

    men

    t El

    ectr

    onic

    s In

    dust

    ry

    Was

    tes

    Elec

    tron

    ic E

    quip

    men

    t

    Stud

    ies

    Is

    sues

    in S

    usta

    inab

    le

    Dev

    elop

    men

    t

    Sust

    aina

    ble

    Dev

    elop

    men

    t

    Educ

    atio

    n

    Hig

    her

    Educ

    atio

    n

    Rev

    erse

    Log

    isti

    cs

    Sust

    aina

    bilit

    y

    Solid

    Was

    tes

    Educ

    atio

    nal F

    acili

    ties

    Hea

    vy M

    etal

    s

    Res

    pons

    ibili

    ty

    E-W

    aste

    Syst

    ems

    An

    alys

    is

    Tota

    l Ger

    al

    Electronic Waste 1595 994 1368 901 562 5420

    e-waste 1159 942 1231 579 767 4678

    Waste Management + Electronic Waste 931 751 809 574 352 3417

    weee 561 756 972 550 2839

    Univers i ty + Electronic Waste 590 461 536 466 288 2341

    Waste Management + Electronic Waste +

    Univers i ties 36 44 40 23 20 163

    Waste Management + Electronic Waste +

    Univers i ties + Recycl ing 30 42 39 20 18 149

    Reverse Logis tic + Electronic Waste 12 10 12 11 9 54

    e-Waste + Higher Education Insti tutions 7 6 6 5 4 28

    Electronic Waste + Higher Education

    Insti tutions 6 6 7 4 4 27

    Waste Management + Electronic Waste +

    Higher Education Insti tutions + Recycl ing 5 5 4 3 2 19

    Waste Management + e-Waste + Higher

    Education Insti tutions + Recycl ing 3 3 4 3 3 16

    Waste Management + Electronic Waste +

    Publ ic Univers i ties + Recycl ing 1 1 1 1 4

    Total Gera l 4914 4014 2713 2308 1952 1493 1340 288 62 27 13 9 9 4 3 2 1 1 1 1 19155 Fonte: Elaborado pelo Autor.

  • 30

  • 31

    5. COLETA E ANÁLISE DE DADOS

    5.1. ACUMULADO DE REEE NA UFSC

    Quanto ao número de alunos, a UFSC possui mais de 30 mil

    estudantes matriculados em 103 cursos de graduação presenciais e 14

    cursos de educação a distância. Quanto à pós-graduação, a UFSC

    disponibiliza mais de 7 mil vagas para cursos stricto sensu: são 63

    mestrados acadêmicos, 15 mestrados profissionais e, 55 cursos de

    doutorado. Nos 32 cursos de especialização, são mais de 6 mil alunos a

    distância e 500 em cursos lato sensu presenciais. No que se refere ao

    número de departamentos a UFSC possui 73 destas unidades

    (DEPARTAMENTO DE PLANEJAMENTO E GESTÃO DA

    INFORMAÇÃO - SEPLAN, 2017).

    No entanto, o relatório para análise de dados conta com 79

    unidades, ou seja, considera outros setores agregados, para melhor

    identificação no DGP.

    O número de itens descartados de REEE, pelas unidades, entre

    janeiro de 2014 e junho de 2016, pode ser visto no Tabela 3.

    Tabela 3 - Número de REEEs

    descartados por departamento.

    Setor 2014 2015 2016 Total

    Geral

    DAE/PREG 121 1 122

    DIR/CCJ 97 15 112

    DGP/PROAD 70 7 28 105

    CNM/CSE 51 12 63

    DGP/SCGP 45 2 2 49

    CDS 47 47

    EGR/CCE 1 30 31

    CEAD 29 29

    CSE 29 29

    CIF/CCS 28 28

    CEM/JOI 25 2 27

    CED 2 22 24

    CCB 16 7 23

    DSS/CSE 22 22

    CCJ 20 20

    CCU/UFSC 14 5 19

    CCE 2 1 16 19

    OUVIDORIA 18 18

    CAD/CSE 7 11 18

    SETIC

    /PROINFRA 1 17 18

    EEL/CTC 14 1 15

    ACL/CCS 15 15

    SPB/CCS 13 13

    FSC/CFM 12 12

    PSI/CFH 3 8 11

    CCS 10 1 11

    CFH/GCN 9 2 11

    AGECOM/

    GR/UFSC 10 10

    CFH 10 10

    SEC/CSE 3 5 8

    PU/PROAD 8 8

    DSG

    /PROINFRA 5 2 7

    SECOGC

    /CCE 7 7

    LLE/CCE 7 7

    DIREC/DGP/

    PROAD 6 6

    DIRADM/

    BNU 6 6

    DAS/CTC 6 6

    ODT/CCS 6 6

    ECV/CTC 5 1 6

  • 32

    PU/

    PROINFRA 4 1 5

    MEN/CED 1 4 5

    NFR/CCS 2 3 5

    EMC/CTC 5 5

    MIP/CCB 3 2 5

    FIL/CFH 5 5

    FIT/CCA 2 3 5

    DCEVEN/

    SECULT 4 4

    PROINFRA/

    UFSC 3 3

    SINTER

    /UFSC 3 3

    ARQ/CTC 3 3

    ENR/CCA 3 3

    HU/NP 2 2

    BOT/CCB 2 2

    ECZ/CCB 2 2

    NUMA/PU 2 2

    CCS101 2 2

    PREG/UFSC 2 2

    NTR/CCS 2 2

    UFSCTV 2 2

    DOMP/

    PROINFRA 1 1

    SECARTE/

    UFSC 1 1

    EGC/CTC 1 1

    UAB/

    PROGRAD 1 1

    DAC/

    SECULT 1 1

    ENS/CTC 1 1

    JOR/CCE 1 1

    PG 1 1

    CPLA/CFH 1 1

    PRAE/UFSC 1 1

    DDPP/

    PRDHS 1 1

    DPL/PROAD 1 1

    SEXP/ODT

    /CCS 1 1

    DLLV/CCE 1 1

    ETUSC 1 1

    DSI/SETIC 1 1

    MTM/CFM 1 1

    DCOM/

    PROAD 1 1

    DZDR/CCA 1 1

    Total Geral 677 110 297 1084

    Fonte: UFSC (2017).

    Verifica-se que os setores que mais descartaram REE foram

    DAE/PREG, DIR/CCJ e DGP/PROAD com 122, 112 e 105 itens,

    respectivamente, e que no geral no ano de 2014 houve um maior

    descarte, possivelmente relacionado com a troca de equipamentos,

    conforme pode ser observado na Figura 10.

    Figura 10 - Número de REEEs descartados mês a mês nos anos de 2014 a 2016.

    Fonte: UFSC (2017).

  • 33

    No ano de 2015, os departamentos solicitaram pouca reposição

    de equipamentos.

    Em comparativo com outras universidades, por exemplo, a

    Universidade Federal da Bahia (UFBA), em média por ano entre 2010 a

    2013, a universidade adquiriu 1.566 UCPs, 410 notebooks/netbooks e

    240 impressoras (ZANTA et al., 2016). A UFBA possuiu em 2013 cerca

    de 2.245 mil docentes (UFBA, 2014). Em uma relação entre número de

    docentes e itens adquiridos chega-se a uma relação de entrada de 0,9870

    itens por docente por ano.

    É estabelecida a correlação entre o as universidades UFSC e

    UFBA para estimar o número de entrada de itens na UFSC em números

    absolutos. A estimativa é colocada como a relação de entrada de itens

    por docentes da UFBA multiplicada pelo montante de 2.050 docentes da

    UFSC em 2013 (UFSC, 2017), tem-se um total estimado de 2023 itens,

    observa-se na Tabela 4.

    Tabela 4 - Correlação itens adquiridos - Corpo docente.

    UFBA - 2013 UFSC Estim.

    UCPs 1.566 -

    Notebooks/netbooks 410 -

    Impressoras 240 -

    Total 2.216 2.023

    Docentes 2.245 2.050

    Fonte: UFSC (2017); UFBA (2017).

    Realiza-se um balanço de itens, que entraram e saíram, durante

    o período de um ano. Tem-se o esquema na Figura 11.

    Em números, tem-se o número estimado de itens que entram no

    ambiente de controle, se subtrai o número de itens relacionados no

    Figura 11 - Balanço de itens. Fonte: Elaborado pelo autor (2017).

  • 34

    Departamento de Gestão Patrimonial (DGP) em média por ano. O

    objetivo é estimar o número de itens absorvidos pela universidade por

    ano.

    Itens absorvidos são itens que se acumulam nas dependências

    da universidade. O período relacionado é de 30 meses, portanto se

    inclui um multiplicador para obtenção da média anual de itens, tem-se:

    Itens absorvidos = 2050 - [1084*(12/30) ] = 1616,4

    O número estimado de itens absorvidos anualmente pela UFSC,

    segundo a estimativa realizada é de aproximadamente 1600 itens. Os

    itens teoricamente estão distribuídos pelos departamentos da

    universidade.

    Ao se tornarem obsoletos ou substituídos eles geram acúmulo

    de sucata nas dependências dos departamentos. Tal quantidade de itens

    ocupa o volume de cerca de 46 metros cúbicos de sucata espalhados

    pela universidade.

    5.2. VOLUME DE ITENS

    O número de REEE (UCP’s, monitores, notebooks e

    impressoras) destinados ao descarte e seu volume (m³), verifica-se

    conforme a Tabela 5, com o total de 1084 itens. Tabela 5 - Volume [m³] dos REEEs transferidos para o DGP para desfazimento.

    Item Soma de volume médio m³ Contagem de itens

    Impressora 4,06 122

    Monitor 15,89 454

    Notebook 0,12 53

    UCP -Desktop 10,82 455

    Total Geral 30,89 1084

    Fonte: UFSC (2017).

    Fazendo-se uma estimativa, conforme estudos de Rodrigues,

    Gunther e Boscov (2015), adotando valores por eles sugeridos, verifica-

    se que UCP (média 15kg) monta 6.825kg; 246 monitores LCD (média

    4,8kg) e 208 monitores CRT (média 15kg) montam 4.300,8kg; notebook

    (média 2,9kg) monta 153,7kg; e, impressora (média 5,6kg) monta

    683,2kg, totalizando 11.961,9kg de REEE.

  • 35

    De acordo com os dados coletados durante o período estudado

    de janeiro de 2014 a junho de 2016 foram transferidos para o DGP com

    a finalidade de desfazimento 1084 itens, tem-se uma média de 434 itens

    por ano encaminhados para o desfazimento.

    Em volume, por ano a média de 434 itens caracteriza um

    volume de 12,36m³ e uma massa de 4.789,1kg encaminhados para o

    DPG com intenção de desfazimento.

    Quanto ao percentual que cada REEE representa no volume

    total de descarte entre os anos de 2014 e 2016, pode ser verificado na

    Figura 12.

    Em termos monetários do valor contábil dos itens, verifica-se na

    Figura 13, que em valores, os três departamentos citados no Quadro 3,

    somam os maiores valores, R$ 115.552,08, R$ 114.352,35 e R$

    112.567,15 respectivamente. Correspondem a 11,25%, 10,33% e 9,69%

    do total. Estes e outros valores podem ser observados na Figura 14.

    Figura 12 - Porcentagem em volume de REEE por tipo de item encaminhado para desfazimento entre 2014 e 2016.

  • 36

    Figura 13 - Valores por departamento

    Fonte: UFSC (2017).

  • 37

    Figura 14 - Porcentual por departamento Fonte: UFSC (2017).

  • 38

    O volume acumulado ocupado por esses itens e o valor

    acumulado em porcentagem (galpões no DGP) está representado na

    Figura 15.

    Figura 15 - Volumes e valores de REEE provenientes de cada departamento no

    DGP. Fonte: UFSC (2017).

  • 39

    Observa-se na Figura 15 que os setores DAE/PREG, DIR/CCJ e

    DGP/PROAD ocupam o percentual de volume de 11,36%, 10,52% e

    9,14% respectivamente e, que juntos representam 31,02% do montante.

    Através da Figura 15 também é possível observar a relação dos

    departamentos que possuem material de maior valor agregado, ou seja,

    possui maior valor, mas com menor volume comparado aos demais

    departamentos.

    5.3. DESFAZIMENTO

    Está previsto em lei, três tipos de desfazimento, quais sejam:

    venda, permuta e doação. A venda pode ocorrer através de três

    maneiras, concorrência, leilão ou convite, segundo o decreto número

    99.658 de outubro de 1990: “A Administração poderá optar pelo leilão,

    nos casos em que couber o convite, e, em qualquer caso, pela

    concorrência.” (BRASIL, 1990).

    A doação de itens computacionais pode ocorrer de

    acordo com a oportunidade e conveniência do órgão público, estando

    presentes razões de interesse social.

    O decreto número 99.658 de outubro de 1990, alterado em abril

    de 2007, coloca que, fica a cargo da administração da instituição

    escolher a forma mais adequada de desfazimentos, de acordo com o

    interesse público.

    A doação, presentes razões de interesse social, poderá ser

    efetuada pelos órgãos integrantes da Administração Pública Federal

    direta, pelas autarquias e fundações, após a avaliação de sua

    oportunidade e conveniência, relativamente à escolha de outra forma de

    alienação, podendo ocorrer, em favor dos órgãos e entidades [...].

    (BRASIL, 2007).

    Ao se referir ao descarte, a unidade de ensino adota o leilão

    como principal meio de desfazimento de seus REEEs. A escolha do

    Leilão está relacionada com a legislação vigente, o valor total dos itens e

    às decisões do gestor.

    Os leilões ocorrem historicamente menos de uma vez ao ano, de

    acordo com a demanda. No final de junho de 2016 ocorreu um leilão.

    Desde a apresentação da necessidade em outubro de 2014 até a realização foram decorridos cerca de 21 meses.

    Observa-se o mapeamento do processo de coleta até o

    desfazimento dos itens computacionais pela Figura 16. O processo é

    longo e envolve cerca de 12 setores. O mapeamento foi realizado

    através de questionamentos presenciais com os responsáveis no DGP,

  • 40

    através dos levantamentos da legislação nacional e interna da

    universidade e através do documento processual do leilão de junho de

    2016.

  • 41

    Figura 16 - Fluxograma pictorial - recolhimento de itens ao desfazimento por leilão. Fonte: UFSC (2017).

  • 42

    De acordo com Gomes (2005) em comparação entre leilões e

    doações, se deve fazer preferência a doações devido a economia

    proporcionada. É dito ainda que a doação se justifica devido ao fato de

    que instituições alvo das doações são braços do Estado, por exemplo

    entidades de assistência social etc.

    Gomes (2005) cita “segundo o jornal a Folha de São Paulo, a

    realização de leilão cuja duração ultrapasse a 4 meses e cujo retorno seja

    inferior a R$ 40.000,00 é economicamente inviável, porque não suporta

    sequer a despesa com esse pessoal. ”

    No leilão ocorrido em junho de 2016, foram leiloados 23 lotes

    de REEE com a somatória de valores iniciais de 4.031,58 reais e

    resultado final no valor de 4.447,28 reais. Valor abaixo de 40.000,00

    reais citado por Gomes (2005). Observa-se o resultado do leilão obtido

    através da gravação em vídeo do mesmo, disponível no repositório

    online da instituição, na Tabela 6. Tabela 6 - Resultado - Leilão junho 2016.

    Lote V. Inicial V. Arrema-

    tado N. de Itens

    C/S

    tomba-mento

    Tipo de itens

    Lote 1 R$ 148,71 R$ 168,71 45 C Monitores

    Lote 2 R$ 155,47 R$ 155,47 47 C Monitores

    Lote 3 R$ 150,97 R$ 170,97 46 C Monitores

    Lote 4 R$ 165,61 R$ 185,61 48 C Monitores

    Lote 5 R$ 78,86 R$ 118,86 7 C Osciloscópios

    Lote 6 R$ 50,70 R$ 70,70 9 C Microsystems

    Lote 7 R$ 185,33 R$ 205,33 24 C/S Projetores

    Lote 8 R$ 113,79 R$ 133,79 49 S Monitores

    Lote 9 R$ 85,62 R$ 105,62 38 S Monitores

    Lote 10 R$ 119,42 R$ 139,42 44 C/S Monitores

    Lote 11 R$ 122,80 R$ 142,80 50 S Monitores

    Lote 12 R$ 22,53 R$ 25,00 10 S Televisores

    Lote 13 R$ 22,53 R$ 25,00 2 C UCP e Monitor

    Lote 14 R$ 168,99 R$ 189,00 30 C Retroprojetor

    Lote 15 R$ 4,51 R$ 10,00 2 S Micro-ondas

    Lote 16 R$ 349,03 R$ 370,00 85 C UCPs/ gravadores de

    DVD

  • 43

    Lote 17 R$ 389,41 R$ 410,00 72 C/S UCPs/ notebooks

    Lote 18 R$ 292,69 R$ 313,00 60 S UCPs

    Lote 19 R$ 204,14 R$ 225,00 41 S UCPs

    Lote 20 R$ 322,36 R$ 343,00 72 C UCPs

    Lote 21 R$ 301,71 R$ 322,00 64 C UCPs

    Lote 22 R$ 306,21 R$ 327,00 66 C UCPs

    Lote 23 R$ 270,19 R$ 291,00 57 C UCPs

    Total R$ 4.031,58 R$ 4.447,28 968

    Fonte: UFSC (2017).

    Em um apanhado dos dados tem-se que o tramite do leilão

    envolveu mais de 12 setores durante um período de 21 meses. No evento

    do leilão estavam presentes 6 pessoas; o leiloeiro, seu ajudante, mais 4

    pessoas sendo 3 arrematantes. Foram leiloados 23 lotes num total de 968

    itens, sendo dois terços dos itens tombados pelo patrimônio da UFSC e

    o restante sem tombamento.

    5.4. POTENCIAL FINANCEIRO

    Como sucata comum, eletrônicos de dez quilos resultam em

    aproximadamente R$ 2,00. Desmontado, um computador de R$ 2,00

    passa para R$ 12,00 ou mais. O lixo eletrônico é caro e é procurado

    devido os materiais nobres, como o ouro. Itens mais valorizados como

    processadores podem chegar a R$ 180 o quilo (RBA, 2011).

    Segundo estudos de Miranda et al. (2017), em uma análise do

    descarte de lixo eletrônico da Universidade Federal Fluminense (UFF),

    “considerando que o ganho relativo ao reaproveitamento dos metais

    presentes nas placas estudadas fosse máximo, poder-se-ia obter uma

    média de ganho de mais de US$ 20.000,00 ao ano, no período

    analisado”. A UFF possuiu, no ano de 2016, 66.186 alunos, 35% de

    alunos a mais que a UFSC. Utiliza-se o número de alunos como base de

    comparação, portanto a UFSC possui um potencial médio de ganho 35%

    menor, cerca de US$ 13.000,00 ao ano, valor que atualmente representa

    R$ 39.000,00 por ano.

    Segundo Gerbase e Oliveira (2012), de acordo com o relatório

    do Progr