UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES - Pós-Graduação · O presente trabalho tem como objetivo analisar a...

Click here to load reader

  • date post

    19-Nov-2018
  • Category

    Documents

  • view

    212
  • download

    0

Embed Size (px)

Transcript of UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES - Pós-Graduação · O presente trabalho tem como objetivo analisar a...

  • UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES

    PS-GRADUAO LATO SENSU

    PROJETO A VEZ DO MESTRE

    TICA PROFISSIONAL DO PROFESSOR

    Por: Sylvia Carla Sucrmont Rodrigues Simes

    Orientador

    Prof. Carlos Alberto Cereja de Barros

    Rio de Janeiro 2008

  • 2

    UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES

    PS-GRADUAO LATO SENSU

    PROJETO A VEZ DO MESTRE

    TICA PROFISSIONAL DO PROFESSOR

    Apresentao de monografia ao Instituto A Vez do

    Mestre - Universidade Cndido Mendes, como parte

    dos requisitos para obteno do Grau de

    Especialista em Docncia do Ensino Superior, sob a

    orientao do Prof. Carlos Alberto Cereja de Barros.

    Por: Sylvia Carla Sucrmont Rodrigues Simes

  • 3

    AGRADECIMENTOS

    Agradeo aos meus parentes e

    mestres pelo apoio nas pesquisas

    realizadas.

  • 4

    DEDICATRIA

    Aos meus filhos Isabella e Luiz Gabriel

    pelo eterno incentivo.

  • 5

    RESUMO

    O presente trabalho tem como objetivo analisar a tica Profissional do

    Professor, consubstanciada nos princpios ticos e nos reflexos na vida dos

    cidados. Sero analisadas a importncia e a necessidade da conduta do

    profissional, pautada em conformidade com os ditames ticos e morais,

    perquirindo, assim, a harmonia e a pacificao social. Este tema possui

    bastante valor social, caracteriza-se pela apreciao de um dos principais

    problemas sociais da humanidade, a atuao comportamental do profissional

    dentro da sociedade. Conscientizar aos futuros profissionais sobre a

    importncia dos direitos e deveres no exerccio da profisso de educador. A

    tica uma cincia normativa dos comportamentos humanos, no apenas

    comportamentos valiosos, mas obrigatrios, estando, ento, presente o sentido

    imperativo da norma tica, a expresso do dever ser. Ademais, vislumbra-se

    uma abordagem mais profunda sobre o que se prope neste estudo, no sentido

    de demonstrar que o profissional da educao deve ter um grande

    conhecimento dos aspectos de sua profisso. Afinal, com o fito de demonstrar

    de forma clara o assunto estudado, que de extrema importncia, o

    entendimento dominante que muitos processos tico-disciplinares nos

    conselhos profissionais acontecem por desconhecimento, negligncia. O

    comportamento eticamente adequado e sucesso continuado so indissociveis.

    A educao escolar no est limitada apenas informao do acervo cientfico

    produzido pela humanidade. Seus objetivos direcionam para uma formao

    integral do educando, o que significa atender aspectos como a realizao

    pessoal, a preparao para a vida, para uma funo produtiva na sociedade, e

    para o exerccio da cidadania. Sendo assim, o verdadeiro educador deve ser

    formado dentro dos fundamentos do saber pedaggico e com a perspectiva

    tica. Eles se interpenetram e se completam com tal profundidade que no

    possvel admitir a prtica no espao humano do professor sem considerar sua

    perspectiva tica de problematizao dos valores que fundamentam esta

    prtica.

  • 6

    METODOLOGIA

    Desde o incio do curso, a idia sobre o tema que eu desenvolveria na

    monografia esteve vinculada ao campo da tica, voltada a subsdios que

    melhor orientem o desempenho profissional do professor. Sem dvida, minha

    experincia profissional como educadora e advogada exerceu forte influncia

    no processo de definio da temtica e dos objetivos desta monografia.

    O curso foi se desenvolvendo e a idia bsica foi se tornando mais

    sedimentada, de tal forma que no foi difcil encontrar a temtica sobre a qual

    versaria o trabalho final. Por outro lado, o estabelecimento dos vnculos e das

    interaes entre os elementos principais da temtica escolhida, foi fruto de um

    processo rduo, no linear, caracterizado por idas e vindas de idias e novos

    insights sobre o assunto e a melhor forma de desenvolv-lo.

    Uma vez definido o tema do estudo, elaborei um plano de pesquisa

    determinando a anlise a ser realizada e como seriam as abordagens dos

    aspectos referentes ao tema. Aps farta pesquisa a ilustres estudiosos,

    consultas aos livros, artigos, revistas e legislao, ser abordado o que

    fundamental para o exerccio do magistrio universitrio, para que haja

    igualdade, lealdade, boa-f, busca pela justia e dignidade.

    Foram definidos os tpicos e subtpicos que constituram diretrizes para

    a organizao do processo de leitura.

    Em termos gerais, quanto ao nvel de complexidade, esta monografia

    pode ser entendida como uma pesquisa exploratria, que busca fornecer uma

    viso geral, aproximativa, acerca da problemtica que envolve a tica do

    educador na sociedade contempornea. E nesse sentido, busca desenvolver,

    relacionar e esclarecer conceitos e idias, com vistas formulao de solues

    dos problemas ticos educacionais.

  • 7

    SUMRIO

    INTRODUO 08

    CAPTULO I - O Conceito de tica 10

    CAPTULO II - tica do Mundo Antigo ao Mundo Moderno 16

    CAPTULO III Valores 27

    CAPTULO IV Comportamento tico da Educao 32

    CAPTULO V tica Profissional 36

    CONCLUSO 46

    BIBLIOGRAFIA CONSULTADA 47

    NDICE 50

    FOLHA DE AVALIAO 52

  • 8

    INTRODUO

    Este trabalho acadmico tem por objetivo principal conscientizar aos

    futuros profissionais da educao sobre a importncia dos direitos e deveres no

    exerccio da profisso, em que muitos processos tico-disciplinares nos

    conselhos profissionais acontecem por desconhecimento e negligncia.

    Comportamento eticamente adequado e sucesso continuado so

    indissociveis.

    O tema tica sempre foi alvo de inmeras discusses, dada sua forte

    relao com a sociedade; diante das notcias que chegam constantemente ao

    cidado brasileiro, seja atravs da mdia, seja atravs de dilogos entre

    amigos, independente da forma, percebe-se um grande descontentamento das

    pessoas dentro do seio social.

    Como cedio, realmente, em todos os setores da sociedade, h a

    presena de fatos que contrariam os ditames da vida em grupo, da vida em

    sociedade, onde todos deveriam buscar uma melhor convivncia com os seus

    semelhantes, buscando sempre a harmonia nas diversas relaes. Assim,

    diante de tal comportamento, que se ouve falar com bastante freqncia na

    tica, na volta da moral; consenso que todos querem a volta da tica para o

    mundo ftico, no ficando somente presente na teoria, j que a sua importncia

    incomensurvel.

    Os captulos a seguir deste trabalho introduzem uma discusso sobre a

    tica, elemento que, assim como a tecnologia, vem ganhando renovado

    interesse enquanto vetor essencial dos sistemas educacionais, especialmente

    em pases da Europa e na Amrica do Norte; e no Brasil, a nova LDB vem,

    tambm, estimulando a discusso em torno do assunto.

  • 9

    Inicialmente h um primeiro questionamento sobre o conceito de tica, o

    que um comportamento tico e um comportamento no tico, a distino

    entre tica e moral. Discute-se sobre tica e moral, a partir da viso dos

    pensadores clssicos, buscando-se avanar para o atual momento de crise.

    Enfatiza-se a tica do Mundo Antigo ao Mundo Moderno, citando a

    contribuio de grandes pensadores, para a educao nos dias de hoje.

    Diziam os antigos que tica aquilo que torna bom o que feito e

    quem o faz. Tenhamos, pois, a certeza de que agindo com tica faremos

    melhor o nosso trabalho; e o mais importante, tornando tambm melhores as

    pessoas que dependem dele, inclusive ns mesmos.

    O conceito de valores abordado, pois como falar em tica sem se

    referir aos valores.

    No h como deixar de refletir sobre o comportamento tico da

    educao, a tica na formao dos profissionais da educao e no exerccio

    das profisses em geral.

    Destarte, este trabalho proporciona um questionamento crtico e criativo

    dos problemas sociais, discutindo dialeticamente o problema, tornando-se

    muito til na vida cotidiana e no desenvolvimento profissional e pessoal,

    ampliando os conhecimentos, viabilizando um ganho social.

  • 10

    CAPTULO I

    O CONCEITO DE TICA

    Se a tica no governar a razo, a razo desprezar a tica.

    (Jos Saramago)

    Conceituar tica vai colidir com idias de muitos autores, passados

    pelos conceitos histricos at os mais recentes entendimentos.

    Aristteles, considerado um dos maiores alicerces do pensamento

    ocidental, em tica a Nicmaco, diz que "tica tudo aquilo que todos

    desejam", " viver de acordo com tudo que bom para o esprito racional". A

    razo deve dirigir as aes do homem para que a tica vista por Aristteles,

    seja plenamente atingida.

    Inicialmente uma busca ao Aurlio: tica estudo dos juzos de

    apreciao que se referem conduta humana suscetvel de qualificao do

    ponto de vista do bem e do mal. (...).

    Etimologicamente define-se a palavra tica como local de morada ou

    habitao.

    Segundo o Professor Goldin "a tica a investigao geral sobre aquilo

    que bom". Apenas ater-se ao termo grego, sob a interpretao do latim, no

    , porm o que hoje se entende por tica, uma vez que para a traduo no

    latim, passou a ser moralis, ou seja, usos e costumes.

  • 11

    Palavra de origem grega e tem duas origens possveis, citado pelo

    Professor Goldin, "ETHOS" com E curto pode ser lido como costume. "ETHOS"

    com E longo entendido como propriedade de carter. Esta segunda que

    orienta o atual entendimento de tica, no dizer do professor Jos Roberto

    Goldin.

    Doutrinariamente, encontram-se diversos conceitos de tica. Os dizeres

    do festejado Joo Baptista Herkenhoff nos brinda com a seguinte definio

    sobre normas ticas; "So normas que disciplinam o comportamento do

    homem, quer o ntimo e subjetivo, quer o exterior e social. Prescrevem deveres

    para a realizao de valores. No implicam apenas em juzos de valor, mas

    impem escolha de uma diretriz considerada obrigatria, numa determinada

    coletividade. Caracterizam-se pela possibilidade de serem violadas."

    (Introduo ao Estudo do Direito - A partir de perguntas e respostas - p. 87).

    Conclui-se que a tica disciplina o comportamento do homem, quer o exterior e

    social, quer o ntimo e subjetivo; prescreve deveres para realizao de valores;

    no implica apenas em Juzos de valor, mas impe uma diretriz considerada

    obrigatria pela sociedade.

    Conforme classificao de Pierre Weil, fazendo uma rpida distino

    entre tica moralista e tica espontnea, observa-se que a principal diferena

    entre as duas formas de tica, encontra-se no modo do surgimento de cada

    uma delas. A tica moralista se caracteriza pela imitao, ou seja, ela algo

    que vem de fora pra dentro, sendo, portanto, algo adquirido, algo artificial. J a

    tica espontnea, esta surge de dentro da pessoa, da sabedoria, do

    pensamento, surgindo como algo natural, e, conseqentemente, espontneo.

  • 12

    Entretanto, apesar de todas essas distines j feitas, importante

    ressaltar mais uma vez, assim como fez Pierre Weil, que as duas formas de

    tica no so duas coisas que se contrapem. Elas se completam,

    pretendendo obter xito na rdua tarefa de conseguir e garantir um mundo

    mais harmnico e pacfico.

    Conforme entendimento de Miguel Reale, a tica uma cincia

    normativa dos comportamentos humanos, no apenas comportamentos

    valiosos, mas obrigatrios, estando, ento, presente o sentido imperativo da

    norma tica, a expresso do dever ser. A tica seria tudo aquilo que limitasse a

    atuao comportamental do homem dentro da sociedade, sendo atravs de

    punio, coao, sendo atravs do prprio sentimento de erro, com o objetivo

    de permitir uma convivncia pacfica e harmnica entre os semelhantes.

    A tica, como cincia normativa, so princpios da conduta humana,

    diretrizes no exerccio de uma profisso, estipulando os deveres que devem ser

    seguidos no desempenho de uma atividade profissional, tambm denominada

    filosofia moral. Na histria da tica esta se entrelaa com a histria da filosofia.

    Os filsofos que julgam que o bem pode ser analisado so chamados de

    naturalistas. Eles consideram os enunciados ticos como descritivos do mundo

    em termos de verdadeiro ou falso.

    Portanto, conclui-se que, apesar de diversas e variadas concepes e

    classificaes a respeito da tica, independentemente de sua concepo,

    constata-se que a tica um fenmeno indissocivel da moral, tendo assim,

    indubitavelmente, uma forte influncia nas decises das pessoas referentes ao

    comportamento dentro do seio social.

  • 13

    Assim, a tica o estudo do comportamento moral dos homens dentro

    de um ambiente familiar, dentro de um grupo, dentro de uma comunidade,

    dentro da prpria sociedade, que pretende disciplinar e regular tal conduta

    humana, sempre com o intuito de garantir um mundo melhor para o Ser

    individual e social, ou seja, tal estudo perquire o bem para todos.

    1.1- Distino entre tica e moral

    importante fazer aqui algumas distines que permitiro compreender

    melhor os conceitos com os quais estamos lidando. necessrio distinguir

    ethos e tica, tica e moral.

    No cotidiano os conceitos de tica e moral se confundem ou se

    identificam. (...) Mas, se recorrermos origem etimolgica das palavras, vamos

    encontrar os vocbulos ethos (grego) e mores (latino), ambos significam

    costume, jeito de ser. O domnio do ethos o da moralidade, do

    estabelecimento de deveres, a partir da reiterao das aes e da significao

    a elas atribuda. O ethos a face da cultura que se volta para o horizonte do

    deve ser, ou do bem.

    Rios, explica o conceito de tica em suas razes dizendo: Os papis

    sociais tm seu fundamento no ethos (jeito de ser) de uma sociedade.

    Vasquez define a moral: como um conjunto de normas e regras

    destinadas a regular as aes dos indivduos numa comunidade social dada. E

    a tica uma reflexo crtica, um estudo sobre a dimenso moral do

    comportamento do homem. Cabe a ela, enquanto investigao que se d no

    interior da filosofia procurar ver claramente os valores, problematiz-los buscar

    sua conscincia. nesse sentido que ela no se confunde com a moral. As

    proposies da tica devem ter o mesmo rigor, a mesma coerncia e

    fundamentao das proposies cientficas. Ao contrrio, os princpios, as

  • 14 normas ou os juzos de uma moral determinada no apresentam esse carter.

    No existe uma moral cientfica. (...) A moral no cincia, mas objeto da

    cincia, e, neste sentido por ela investigada e estudada. A tica no a

    moral; sua misso fundamentar e explicar a moral, efetiva (...) sem ser em si

    mesma normativa ou prescritiva.

    Pode-se, portanto entender, que numa determinada sociedade, a moral

    indica o comportamento que deve ser considerado bom ou mau. E a tica

    procura o fundamento do valor que norteia o comportamento, partindo da

    historicidade presente nos valores.

    Para melhor compreenso dos problemas da tica, pode-se buscar em

    Vasquez algumas consideraes: didaticamente, costuma-se separar os

    problemas tericos da tica em dois campos: no primeiro os problemas gerais

    e fundamentais (como liberdade, conscincia, bem, valor, lei e outros) e no

    segundo, os problemas especficos, de aplicao concreta, (como os

    problemas de tica profissional, de tica poltica, de tica sexual, de tica

    matrimonial, de biotica, etc). um procedimento para fins didticos e

    acadmicos, pois na vida real eles no so assim separados.

    Valls tece comentrios importantes sobre o problema da liberdade:

    Ligado a ele sempre aparece a questo do bem e do mal, o problema da

    conscincia moral e da lei, dentre outros. H tambm a questo de como a

    tica se distingue de outros ramos do saber que tambm tratam do

    comportamento humano, como o direito, a teologia, a esttica, a psicologia, a

    histria, a economia.

    As questes da tica nos aparecem no dia-a-dia. Num pas capitalista, o

    princpio do lucro poderia ou deveria situar-se acima ou abaixo das leis da

    tica.

  • 15

    As artes tambm podem levar questionamentos sobre a tica. O poder

    da seduo, de encantamento, da msica, pode (ou deve) ser usado para

    condicionar o comportamento das pessoas?

    Os problemas mencionados implicam uma relao com outras reas,

    mas so mesmo especficos da tica? Valls continua refletindo sobre o assunto

    e coloca um aspecto da tica que parece absolutamente fundamental: Os

    costumes mudam e o que ontem era considerado errado hoje pode ser aceito,

    assim como o que aceito pelos ndios do Xingu pode at ser rejeitado em

    outros lugares do mesmo pas. A tica no seria ento uma simples listagem

    das convenes sociais provisrias?

    Destas reflexes surgem novos questionamentos. A tica no seria nada

    mais do que um comportamento adequado aos costumes vigentes, isto ,

    enquanto estes costumes tivessem fora para coagir moralmente o que aqui

    quer dizer socialmente? Quem se comportasse de maneira discrepante,

    divergindo dos costumes aceitos e respeitados, estaria no erro, pelo menos

    enquanto a maioria da sociedade ainda no adotasse o comportamento ou

    costume diferente? Quer dizer que esta ao seria errada enquanto ela no

    fosse o tipo de um novo comportamento vigente? A tica no apenas retrata os

    costumes vigentes; ela apresenta algumas teorias que no se identificam com

    as formas de sabedoria que geralmente concentram os ideais de cada grupo

    humano. Ela tem sido uma reflexo terica com uma validade mais universal.

    Mas o esforo de teorizao no campo da tica se debate com o

    problema da variao dos costumes. E os grandes pensadores ticos sempre

    buscaram formulao que explicasse esses fenmenos a partir de alguns

    princpios mais universais. Conforme se apreende das discusses anteriores,

    uma boa teoria tica deveria atender pretenso de universalidade e,

    simultaneamente, deveria ser capaz de explicar as variaes de

    comportamento caractersticos das diferentes formaes culturais e histricas.

  • 16

    CAPTULO II

    TICA DO MUNDO ANTIGO AO MUNDO MODERNO

    No presente trabalho so analisados apenas os fundamentos filosficos

    dos trs pensadores da Grcia clssica em confronto com pensamentos de

    outros filsofos medievais e contemporneos, objetivando um ligeiro delinear

    das discusses ticas que se constituem em fundamentos para a formao

    tica do educador.

    2.1 - Ideal tico na Grcia Antiga

    A Grcia antiga o celeiro onde os grandes pensadores deixaram

    humanidade riqussimas teorias, doutrinas, princpios de conduta correta e

    perfeita, baseadas no livre arbtrio, na moral, na reflexo profunda e nos

    valores e virtudes que tm como ponto de partida o dever, o bem e a felicidade.

    Na reflexo sobre estes pensadores encontram-se todas as respostas

    aos questionamentos formulados.

    Entre os anos de 500 e 300 A.C.,

    aproximadamente, encontramos o perodo ureo do

    pensamento grego. Foi um perodo frtil em idias,

    definies e teorias que at hoje acompanham o agir

    do homem. Scrates, Plato e Aristteles so trs

    representantes dos inmeros pensadores

    considerados responsveis por esta grande

    concentrao de saber.

    Com base no entendimento de Valls, comenta-se a respeito de

    Scrates, Plato e Aristteles.

  • 17

    2.2 Scrates

    O filsofo grego Scrates (470-399 a.C.) aparece nos Dilogos de

    Plato usando o primeiro mtodo didtico de que se tem registro. O mtodo da

    maiutica se constitua em interrogar o discpulo interlocutor at que este

    chegasse por si mesmo verdade, sendo o filsofo (mestre) uma espcie de

    parteiro de idias. Scrates foi condenado a beber veneno. Mas por qu? A

    acusao era de que ele seduzia a juventude, no honrava os deuses da

    cidade e desprezava as leis da polis (cidade-estado). Ainda hoje

    questionado a justia em sua condenao, pois Scrates obedecia s leis; s

    as questionava em seus dilogos procurando fundamentar sua validade. O

    conservadorismo grego no aceitava este questionamento. Mesmo sem os

    gregos aceitarem os questionamentos socrticos, Scrates foi chamado,

    muitos sculos depois o fundador da moral, porque sua tica, (a palavra

    moral sinnimo de tica, acentuando talvez apenas o aspecto da

    interiorizao das normas) no se baseava simplesmente nos costumes do

    povo e dos ancestrais, assim como nas leis exteriores, mas sim, na convico

    pessoal, adquirida atravs de um processo de consulta ao seu demnio

    interior (como ele dizia), na tentativa de compreender a justia das leis.

    Scrates ser ento, para muitos, o primeiro pensador da subjetividade, o que,

    alis, tambm transparecia por seu comportamento irnico. Pois a ironia

    sempre estabelece uma diferena entre o que eu digo e o que eu quero dizer,

    entre a formulao e o sentido das proposies; uma distncia, portanto entre o

    exterior e o interior.

    A est o princpio tico de Scrates: movimento de interiorizao da

    reflexo e de valorizao da subjetividade ou da personalidade. Preocupao

    moral no conhece-te a ti mesmo buscando uma sabedoria de vida.

  • 18

    2.3 Plato

    Plato (427-347 a.C.), foi o grande sistematizador entre os discpulos de

    Scrates. Nos Dilogos que deixou escrito, ele parte da idia de que todos os

    homens buscam a felicidade. A busca da felicidade aparece no centro das

    preocupaes ticas ao pesquisar as noes de prazer, sabedoria prtica e

    virtude, colocando sempre a grande questo: onde est o sumo bem?

    Plato parece acreditar numa vida depois da morte e por isso prefere o

    ascetismo ao prazer terreno. No dilogo Repblica ele condena a vida voltada

    exclusivamente para os prazeres. Sugere no dilogo Fdon a imortalidade da

    alma, sendo coerente com a pr-existncia desta. Ele espera a felicidade

    principalmente aps a morte, fixando a sua busca durante a vida na idia do

    Bem.

    Plato atravs da dialtica contempla as idias mais altas,

    principalmente as do Ser e do Bem. A partir deste Bem superior, o homem

    deve procurar descobrir uma escala de Bens que o ajudem a chegar

    verdade absoluta. O homem assim ser um sbio virtuoso que consegue

    estabelecer em sua vida a ordem, a harmonia e o equilbrio que todos desejam.

    A harmonia e o equilbrio, como tambm a ordem, vm do hbito de

    submeter-se anlise da razo. Dialtica e virtude devem andar juntas, pois a

    dialtica o caminho da contemplao das idias e a virtude a adequao da

    vida pessoal s idias do Bem. O Sumo Bem para Plato a busca da

    assimilao, ou imitao de Deus, aderir ao Divino, atravs da prtica da

    virtude. Nos diversos dilogos, Plato vai organizando um quadro geral das

    diferentes virtudes que devem fazer parte da vida do homem, so elas:

    Justia (dike), a virtude geral, que ordena e harmoniza.

  • 19

    ZPrudncia ou sabedoria (frnesis ou sfia) a racionalidade, o divino

    no homem. Essa virtude para Plato pe em ordem os nossos pensamentos.

    ZFortaleza ou valor (andria) a que faz com que os valores mais

    nobres predominem e com que o prazer se subordine ao dever.

    ZTemperana (sofrosine) a serenidade, o auto-domnio, a harmonia

    individual.

    Praticamente no h distncia entre as virtudes intelectuais e as virtudes

    morais, pois a vida prtica requer a prtica da teoria.

    Plato alm de grande filsofo foi tambm um grande poeta ou literato.

    Seus escritos, em forma de dilogo apresentam uma forma didtica de motivar

    o leitor despertando seu interesse intelectual e moral.

    Assim, o que realmente caracteriza a tica platnica a idia do Sumo

    Bem, e da virtude como ordem e harmonia universal. A felicidade entendida

    como uma vida bem ordenada, virtuosa, onde as capacidades superiores do

    homem tm a preferncia, sem desprezar as demais, na medida em que o

    homem precisa de todas elas.

    2.4 Aristteles

    Aristteles, (384-322 a.C.), filsofo da mesma estatura de seu mestre,

    Plato apresenta, porm, outro estilo em seus escritos e pensamentos.

    Aristteles muito mais professor do que um poeta. Deixou livros, mas a

    maioria de seus escritos so fragmentos ou roteiros para exposies aos

    discpulos.

  • 20

    Alm de grande pensador especulativo e profundo psiclogo, levava

    muito a srio a observao emprica. Enquanto Plato desenvolvia sua

    especulao terica, Aristteles colecionava depoimentos sobre a vida das

    pessoas e das diferentes cidades gregas, demonstrando seu esforo analtico e

    comparativo, por exemplo, ao comparar constituies polticas de inmeras

    cidades gregas.

    Deixou seus estudos sobre tica e lgica registrados em trs livros: tica

    a Eudemo, tica a Nicmaco e a Magna Moral, alm de um pequeno tratado

    sobre as Virtudes e Vcios.

    Seu pensamento parte tambm da correlao entre o Ser e o Bem,

    porm insiste na variedade dos seres e na variedade dos Bens. Para cada ser

    deve haver um bem, conforme a natureza ou essncia do respectivo ser. Cada

    substncia tem o seu ser e busca o seu bem; h um bem para o deus, um bem

    para o homem, um bem para a planta, etc., e quanto mais complexo for o ser,

    mais complexo tambm ser o respectivo bem.

    questo platnica do Sumo Bem, Aristteles d lugar pesquisa

    sobre os bens em concreto para o homem.

    Para Aristteles, o pensamento o elemento divino, o bem mais

    precioso no homem. A contemplao para ele no um saber pelo saber,

    antes, um estudo das cincias teorticas, como a teologia e a matemtica,

    cincias prticas e poticas. Mas o objeto mais elevado o da teologia: Deus.

    Na tica a Eudemo, os objetivos da vida humana so o culto e a

    contemplao do divino. E o fim, mais nobre a norma de conduta mais segura

    para o homem. J na tica a Nicmaco o autor busca as normas mais relativas

    e as coisas mais necessrias. Por exemplo: o prazer no um bem absoluto,

    mas tambm no um mal; ele acompanha as diferentes atividades, mesmo

  • 21 as intelectuais ou espirituais. No entanto Aristteles insiste em que os

    verdadeiros prazeres do homem so as aes conforme as virtudes. Analisa

    longa e detalhadamente cada virtude e admite o ser do homem como uma

    substncia composta: corpo material e alma espiritual. Mais do que seu mestre,

    Aristteles valoriza a vontade humana a deliberao, e o esforo em busca de

    bons hbitos. A auto-educao supe um esforo voluntrio, enfatiza a a

    liberdade para deliberar e agir inteligentemente. A virtude como uma segunda

    natureza adquirida pela razo livre.

    Para concluir esta pequena viagem pelo pensamento tico dos grandes

    tericos gregos, vale a pena ser citado um trecho da tica a Nicmaco, para

    demonstrar a lgica de seu raciocnio, aliada a uma aguda observao

    psicolgica e ao bom senso que leva a ver as coisas na prtica. Vejamos uma

    das tradues possveis da definio de virtude: um hbito adquirido,

    voluntrio, deliberado, que consiste no justo meio em relao a ns, tal como o

    determinaria o bom juzo de um varo prudente e sensato, pregando conforme

    a reta razo e a experincia.

    2.5 - Fundamentos da Educao encontrados nas teorias de

    Scrates, Plato e Aristteles.

    Esse resumo dos trs pensadores conduz sntese em termos de

    teorias ticas. uma amostra da profundidade e da seriedade da reflexo

    tica, que muito mais que isto.

    So encontrados nestas teorias, alm dos saberes ticos, os contornos

    bem definidos dos fundamentos da educao vivenciados no ensino de hoje.

    Vejamos:

    Em Scrates: a metodologia, a valorizao da subjetividade, o homem

    como sujeito da sua construo de vida.

  • 22

    Em Plato: a motivao buscando o interesse, o dilogo, a classificao

    das virtudes para melhor compreenso e aplicao prtica.

    Em Aristteles: o professor que planeja suas aulas, a pesquisa, o

    mtodo analtico e comparativo, o objeto de estudo, a valorizao da liberdade

    baseada na racionalidade.

    2.6 - Contribuies de Outros Pensadores

    Mas no param por aqui as contribuies dos pensadores. Com Valls a

    interpretao a seguinte: os ideais gregos sobre o homem, o mundo e a

    harmonia csmica produzem doutrinas prticas, que procuravam orientar o agir

    humano para uma vida voltada para o bem, a virtude e o equilbrio com a

    natureza. Viver respeitando a natureza no era uma questo exclusivamente

    ecolgica, mas, sobretudo moral que permitia ao homem viver e se realizar

    como homem, de acordo com a natureza.

    Os ideais gregos sofreram modificaes e acrscimos ao serem

    adotados por telogos cristos. Os esticos insistiram na vida natural,

    entendendo que viver de acordo com a natureza era viver de acordo com as

    leis que Deus nos deu atravs da natureza. Os epicuristas admitiam que a vida

    deveria ser voltada para o prazer, para o sentir-se bem. Ora, como certos

    prazeres em demasia causam mal, produzindo desprazer, exigida certa

    sabedoria, um certo refinamento, uma certa moderao ou temperana na

    prpria vida de prazer.

    No cristianismo os ideais ticos se identificaram com os religiosos. O

    homem viveria para conhecer, amar e servir a Deus diretamente em seus

    irmos. O lema socrtico conhece-te a ti mesmo volta tona em Santo

    Agostinho quando ensina que o ideal tico de uma vida espiritual isto , de

    acordo com o esprito, vida de amor e fraternidade.

  • 23

    Historicamente nem sempre os cristos estiveram altura da afirmao

    de Jesus Cristo que pediu aos seus discpulos para que amassem uns aos

    outros.

    O Renascimento e o Iluminismo, aproximadamente entre os sculos XV

    e XVIII, com a burguesia comeando a crescer, acentuaram outros aspectos da

    tica: o ideal seria viver de acordo com a prpria liberdade pessoal, e em

    termos sociais o grande lema foi o dos franceses: liberdade, igualdade,

    fraternidade. O grande pensador da burguesia e do iluminismo, Kant,

    identificou o ideal tico com o ideal da autonomia individual. O homem racional,

    autnomo, auto-determinado, age segundo a razo e a liberdade, eis o critrio

    da moralidade.

    Se Kant e a Revoluo Francesa acentuaram de maneira abstrata a

    liberdade, o ideal tico para Hegel estava numa vida livre dentro de um Estado

    livre, um Estado de direito, que preservasse os direitos dos homens, lhe

    cobrasse seus deveres, onde a conscincia moral e as leis no estivessem

    separadas e nem em contradio.

    De novo vem tona a perspectiva poltica de Plato e Aristteles em

    Hegel embora a realidade histrica no tenha acompanhado muitas de suas

    teorias. Nos ltimos duzentos anos os valores espirituais, ticos e religiosos

    foram se tornando assunto particular e os assuntos gerais foram sendo

    dominados pelo discurso da ideologia.

    No sculo XX os pensadores da existncia, embora em posies

    diversas, insistiram sobre a liberdade como um ideal tico, privilegiando o

    aspecto personalista da tica: autenticidade, opo, cuidado, etc.

  • 24

    J o pensamento social e dialtico buscou a idia de uma vida social

    mais justa com a superao das injustias econmicas mais gritantes. A tica

    se preocupa com a terra, se esquecendo do cu, apressando, de certo modo, a

    construo de um mundo mais humano, acentuando a justia econmica,

    embora essa no seja a nica caracterstica do paraso buscado.

    Em Maquiavel e Hegel a razo de Estado infiltra-se na reflexo tica

    como elemento complicador, enquanto aparecem no pensamento

    revolucionrio de esquerda alguns problemas semelhantes. A relao entre os

    meios e os fins no parece um problema resolvido.

    2.7 - tica no Mundo Moderno

    No h como negar que a maioria dos pases ricos atuais se caracteriza

    por uma tica que lembra a busca do prazer, porm, nem sempre com

    moderao. S que hoje o prazer tomou figuraes diferentes. Aps o sculo

    XIX houve a acumulao capitalista que foi se reduzindo, de fato, posse

    material de bens ou propriedade do capital, sendo cometidos muitos crimes e

    injustias em nome de sua defesa.

    A reflexo social do sculo XX trouxe a massificao atual; a maioria

    hoje talvez no se comporte mais eticamente, pois no vive de forma imoral,

    mas amoralmente. Os meios de comunicao de massa, as ideologias, os

    aparatos econmicos e do Estado j no permitem mais a existncia de

    sujeitos livres, de cidados conscientes e participantes com capacidade de

    julgamento.

    O pensamento de Vaz pode se resumir no seguinte: Nos tempos da

    grande filosofia, a justia e todas as demais virtudes ticas referiam-se ao

    universal (povo e cidades), eram virtudes polticas e sociais; o lema mximo da

    tica era o bem comum. E se a tica hoje se reduziu ao particular, ao privado,

    isto no um bom sinal.

  • 25

    Um mrito definitivo do pensamento de Kant ter colocado a

    conscincia moral do indivduo no centro de toda preocupao moral, sem

    esquecer do social.

    Superando o ponto de vista de Kant, que chama de moralista, Hegel

    enfatiza a liberdade conscientemente tica que deveria existir na famlia, na

    sociedade civil e no Estado.

    A exposio de Hegel teve o mrito de localizar especificamente onde

    so gerados os problemas que no podem ser ignorados por uma tica

    concreta.

    a) Na famlia, so colocadas hoje, de forma aguda, questes como a

    exigncia tica da compreenso do amor, envolvendo amor livre, fidelidade, o

    sim no casamento, preferncias celibatrias e homossexuais, relacionamento

    de pais e filhos, a libertao da mulher, entre outras.

    b) Em relao sociedade civil problemas como o trabalho e a

    propriedade, formas escravizadoras de trabalho, a educao, as injustias

    sociais baseadas na propriedade; e na produo, a explorao.

    c) Os problemas ticos em relao ao estado so muito maiores e mais

    complexos. So questes ticas fundamentais: As leis, a Constituio, as

    declaraes de direitos e definio de poderes, a prpria prtica das eleies

    peridicas, a luta e a explorao em nvel micro e macro econmico, a

    chamada parceria entra as naes, as formas polticas ditatoriais,

    autoritarismo, a ditadura da mdia e dos demais meios de comunicao, o

    desrespeito e a corrupo.

  • 26

    Diante desta triste realidade da vida, hoje o povo, sujeito e espectador

    impotente, se protege escondido atrs da indiferena, se anula para

    sobreviver ao infortnio e falncia tica da atualidade.

  • 27

    CAPTULO III

    VALORES

    O presente trabalho no pode deixar de abordar os valores. Como falar

    em tica sem se referir aos valores.

    Para comentar o assunto pode-se tomar como ponto de partida o dizer

    de Valente (1995), Revista da Educao, Universidade de Lisboa: Todo

    processo cultural determinado, condicionado e tem suas foras propulsoras

    constitudas por ideais e valores. A histria da humanidade marcada por

    conflitos sociais, por contradies entre os seres humanos, sendo que, nos

    tempos de crise, vem tona a carncia dos valores. Ao experimentar a

    ansiedade, ao se ter conscincia da gravidade dos problemas, a sociedade

    responsabiliza a escola e exige dela respostas adequadas no sentido de

    desenvolver a dimenso tica e moral na personalidade dos alunos.

    Mas, h tambm dentro da escola, contradies conflitos e inverso de

    valores, do mesmo modo que na sociedade e nem sempre esses conflitos so

    inteligveis para os seus membros.

    As instituies educacionais so, por definio social, culturalmente

    construdas e compartilhadas, portanto, inevitavelmente envolvidas em

    questes de valores. Os maiores problemas educacionais no so de natureza

    tcnica; e os vrios tipos de respostas tcnicas s podem ser avaliados no

    contexto dos valores que assumem no projeto educativo.

    Sendo a questo da educao e dos valores uma questo de todos os

    tempos, ressurgiu, no entanto, com muita nfase nas duas ltimas dcadas no

    nvel das organizaes mundiais de educao. Portugal alimentou acirradas

    discusses sobre a Lei de Bases do Sistema Educativo e do modo de

    implement-la nas escolas. Os sistemas educativos de vrios pases da Europa

  • 28 tm tomado medidas diversificadas neste mbito. evidente a preocupao

    com a formao moral das crianas e adolescentes. As questes que

    polarizam as discusses tm a ver com a compreenso que se tem das

    possibilidades do ato educativo, da misso e responsabilidades das instituies

    escolares, da compreenso do desenvolvimento afetivo, cognitivo e moral dos

    educandos, do modelo conceitual que se adota para promover esses

    desenvolvimentos e principalmente da concepo do sentido da vida e do

    mundo.

    Na Espanha a Lei de Ordenacion General del Sistema Educativo,

    LOGSE, em sua introduo diz o seguinte: Na sociedade do futuro,

    progressivamente modelada como uma sociedade de conhecimento, a

    educao com as demais instituies sociais partilhar a responsabilidade da

    informao e conhecimento mas, requerer maior relevncia capacidade

    para produzir o sentido crtico dos mesmos, para lhes atribuir um significado

    pessoal e moral, para gerar atitudes e hbitos individuais e coletivos, para

    desenvolver capacidades e preservar a essncia dos valores. Como o fazer,

    quando e por quem, objeto de alguma controvrsia.

    Na Esccia a idia de que determinados ambientes sociais e

    comportamentos promovem, mais do que outros, melhores modos de ser,

    levou algumas escolas a se envolverem num exerccio de clarificao dos

    valores. Envolveram professores, alunos, pais e membros interessados da

    comunidade em um esforo de conseguirem consenso sobre um conjunto de

    princpios em torno dos quais as escolas deveriam se organizar. Esclareceu-se

    que esses princpios so importantes no s nos processos de ensino e

    aprendizagem, mas tambm no clima de toda a escola. Os cinco princpios

    encontrados foram:

    a) o respeito e o cuidado do eu, significando auto-estima e confiana,

    conscincia do valor de si, capacidade para se responsabilizar por si prprio e

    para desenvolver ao mximo seu potencial humano.

  • 29

    b) respeito e ateno ao semelhante, reconhecendo-o como nico e com

    valor, tanto como indivduo, como pertencente a um dado grupo cultural e

    tnico.

    c) o sentido de que os alunos pertencem a uma variedade de

    comunidades: famlia, escola, inserida na comunidade local, de que faz parte, e

    ao mesmo tempo podem pertencer a diferentes comunidades religiosas do seu

    pas inseridas por sua vez em outras comunidades mundiais.

    d) responsabilidade social, significando o desenvolvimento de

    competncias e atitudes que permitam ao indivduo tornar-se membro

    responsvel da sociedade, compreender e contribuir para o processo

    democrtico.

    e) respeito pelo aprender, desenvolvendo um entendimento da natureza

    do conhecimento, como construdo e usado e um comprometimento em

    tornar o aprender uma atividade da vida inteira.

    Em seguida so apresentadas formas de integrao desses princpios

    s reas curriculares, no clima da escola, da sala de aula, na cultura da

    instituio escolar, enfim em todas as instncias onde podem ser consideradas

    questes ticas. So recomendadas formas de trabalhar, os valores para

    desenvolvimento do raciocnio moral, de promover o respeito, a confiana, a

    dignidade do indivduo, a interdependncia, a cooperao, significando uma

    mudana radical no processo de ensino e nos papis do professor e do aluno.

    Oportunidades para participao em processos de tomadas de deciso

    trabalhando em grupo ou em outras atividades, para facilitar a compreenso

    dos deveres e responsabilidades em situaes reais para permitir a apreciao

    das conseqncias das decises luz de acontecimentos posteriores. A

    cooperao nas tarefas favorece a compreenso de outros pontos de vista,

  • 30 outros modos de fazer as coisas, outras necessidades e permite que os alunos

    desenvolvam compreenso da natureza do compromisso, o valor do respeito

    mtuo, a importncia da considerao nas relaes com as pessoas.

    Um outro aspecto relevante na iniciativa escocesa tem a ver com o

    ambiente geral da escola. Ela deve ser lugar acolhedor, bom para se viver

    contribuindo para fortalecer o sentido de pertena, cuidando da preservao

    da parte fsica, como tambm criando oportunidades para atividades sociais e

    recreativas.

    A relao de comunicao no desenvolvimento do clima global da

    escola e da sala de aula outro ponto de destaque no programa escocs.

    Relaes amistosas e de ajuda fazem da escola uma base segura do ponto de

    vista emocional, onde os alunos se sentiro livres e vontade para

    expressarem seus sentimentos e ansiedades.

    O objetivo est centrado na Formao Pessoal e Social no Clima Global

    da Escola, sendo esta a linha de fora da original iniciativa escocesa.

    Tambm o Reino Unido organizou um projeto tendo como idia principal

    que a determinao do nosso comportamento deve levar em conta as

    necessidades, sentimentos e interesses do outro. A moralidade reside no

    respeito e afeto por todas as pessoas e coisas.

    Na Alemanha foram adaptados e testados em algumas escolas,

    materiais desenvolvidos nos EUA, modelados segundo uma abordagem

    interativa.

    Em todos os projetos pesquisados, uma das chaves da promoo de

    valores na escola, reside na qualidade das interaes dos professores. Estes

    precisam de uma formao especializada para empreenderem a tarefa. Neste

  • 31 sentido os prprios projetos j trazem dispositivos para empreendimento desta

    formao dos professores em exerccio.

    So desenvolvidos esforos, paralelamente, no sentido de integrar essa

    questo a todos os currculos de formao inicial e todas as iniciativas de

    formao contnua. So propostos mdulos de formao com cerca de 60

    horas que integrem aes de formao de gestores, diretores de turma e

    outros cursos de aprofundamento e especializao.

    Existe tambm a recomendao de que as Escolas Superiores de

    Educao e as Universidades deveriam incluir em seu currculo a discusso e o

    aprofundamento desta questo, quer em disciplina, quer integrado aos

    programas de outras disciplinas mais gerais como a Pedagogia, a Filosofia da

    Educao ou disciplinas afins. H tambm a recomendao que as entidades

    formadoras de professores neste domnio troquem pontos de vista e

    experincias numa dinmica aberta de contnuo aperfeioamento.

  • 32

    CAPTULO IV

    COMPORTAMENTO TICO DA EDUCAO

    A educao escolar no est limitada apenas informao do acervo

    cientfico produzido pela humanidade. Seus objetivos direcionam para uma

    formao integral do educando, o que significa atender aspectos como a

    realizao pessoal, a preparao para a vida, para uma funo produtiva na

    sociedade, e para o exerccio da cidadania.

    Theobaldo diz: Como a educao sistemtica se passa nas escolas que

    so instituies sociais com maior tendncia a perpetuar valores da

    comunidade em que esto inseridas do que em modific-los, os propsitos e a

    abrangncia da educao estaro em conformidade com os fins e a

    importncia que sua comunidade deposita e espera de seus membros no que

    concerne moralidade. Assim, a prtica moral, sua difuso e discusso no

    ambiente escolar refletem os valores vivenciados pelo sistema educacional e

    pela comunidade. Mesmo havendo ou no uma educao moral formalizada na

    escola, um fato a transmisso de valores no convvio escolar, sejam eles

    morais ou no. Tudo o que se vivencia na escola est impregnado de valores,

    de concepo e modo de compreender e avaliar a realidade natural, social e

    subjetiva.

    As consideraes de Theobaldo, vm corroborar o que se observa nas

    escolas brasileiras. Sabe-se que a educao moral refletiu as caractersticas

    ideolgicas e metodolgicas da poltica educacional ps anos 60. De carter

    informativo, seu principal objetivo foi transmitir ao educando uma srie de

    direitos e deveres do cidado os costumes e tradies vigentes no senso

    comum. Conforme Theobaldo, A educao moral na escola brasileira nunca

    abordou com relevncia os componentes culturais que permeiam a regra e os

    atos morais, componentes extremamente significativos para a compreenso e

  • 33 a prtica da moralidade. Os valores morais so considerados como entidades

    isoladas, estticas e apriorsticas, ou seja, os princpios que fundamentam a

    moralidade so esquecidos (ou excludos) dos processos pedaggicos e da

    prpria prxis moral na escola.

    4.1 - Lei de Diretrizes e Bases da Educao Nacional, os

    Parmetros Curriculares Nacionais e a integrao aos valores

    ticos.

    A nova Lei de Diretrizes e Bases da Educao Nacional (LDB),

    direcionando a discusso educacional para a busca de novos rumos, de novas

    prticas e novas teorias, procura atribuir educao a conscincia do seu

    verdadeiro papel dentro da viso emergente do mundo do terceiro milnio. Um

    novo conceito de educao se impe. A instituio escolar, como um dos

    principais veculos, deve ser repensada e partir em busca de novos

    significados.

    No atual paradigma faz-se necessrio e urgente rever todos os

    componentes do processo ensino-aprendizagem e promover sua interao e

    integrao aos valores ticos.

    Os Parmetros Curriculares Nacionais (PCNs) estabelecem objetivos

    que definem as capacidades afetivas, cognitivas, fsicas, ticas, de relao

    interpessoal e insero social a serem adquiridas pelos alunos no processo de

    aprendizagem e indicam os contedos que favorecem o desenvolvimento

    destas. As intenes educativas expressas na integrao de objetivos e

    contedos esto definidas buscando a unidade nacional e respeitando a

    pluralidade nos planos cultural, social, regional, e local. E, conforme

    recomendaes dos PCNs, Cabe escola se responsabilizar e atuar no

    sentido de possibilitar que diferentes capacidades gerais se desenvolvam de

    forma harmnica.

  • 34

    E est claro, como o prprio texto diz, que a escola enfatiza muito mais

    o desenvolvimento das capacidades cognitivas que as afetivas, fsicas, ticas,

    estticas, de relao interpessoal e de insero social.

    H ainda evidente desequilbrio que vem contribuindo para a formao

    de pessoas, digamos, pouco preparadas para a vida em sociedade e que

    deveriam participar de maneira crtica e ativa no meio social onde vivem. A

    dcada de 90 ficou marcada profundamente na histria deste pas. Em 1992,

    as denncias de irregularidades se somaram consecutivamente mobilizando os

    brasileiros, culminando com a renncia do Presidente da Repblica. As

    anlises sobre a presena de corrupo em todas as instncias da sociedade,

    a violncia nas relaes sociais provocaram fortes apelos a que seja realizada

    uma reflexo crtica sobre tudo o que vem acontecendo. Ser o fim, a falncia

    geral de todas as instituies? Se entendermos assim, teremos um quadro da

    falncia do ser humano, j que as instituies so por ele dirigidas.

    Sabe-se que no cabe somente escola a responsabilidade de dar sua

    contribuio para a reconstruo dos valores; mas sua responsabilidade ter a

    lucidez necessria para intervir de modo tangvel na reconstruo de nossa

    cidadania.

    O atual momento histrico deve ser encarado com seriedade e

    prudncia. Faz-se necessrio promover uma reflexo crtica no sentido de

    estabelecer um objetivo comum que direcione o trabalho conjunto dos

    educadores a um explcito comprometimento com a reconstruo do conceito

    de Moral e tica em nosso pas.

    um bom comeo, e conforme Rios: Vamos tentar superar o senso

    comum que em geral no faz a distino entre os conceitos de tica e de

    moral, banalizando as discusses e favorecendo as atitudes moralistas, to

  • 35 graves quanto uma atitude cnica que hoje nos desafia e ameaa, descartando

    a perspectiva de um projeto mais consistente de sociedade e trabalho.

    O que os Parmetros Curriculares Nacionais recomendam para

    minimizar esta situao da educao no Pas? Sabiamente, os PCNs

    apresentam os Temas Transversais, tentando resgatar no currculo e na escola

    o aspecto formativo (educativo) do ensino que, at ento, esteve relegado ao

    ltimo plano no processo ensino-aprendizagem.

    Os temas transversais aparecem potencializando valores, fomentando

    comportamentos e desenvolvendo contedos conceituais, procedimentais e

    atitudinais. Estes contedos esto distribudos pelas diversas disciplinas, pois

    atravessam, cruzam como linhas diagonais as verticais das reas de

    conhecimento dando sentido primeira acepo do termo transversalidade.

    Com a finalidade de alcanar muitas das qualidades formativas do sistema

    educacional (afetivas, motoras, de equilbrio pessoal e integrao social, etc.)

    necessrio compreender que estes contedos devem estar presentes ao longo

    de todo o currculo para suprir as carncias das diferentes reas.

  • 36

    CAPTULO V

    TICA PROFISSIONAL

    A tica est diretamente relacionada ao estudo e determinao das

    condutas humanas no que diz respeito a certo e errado no contexto de uma

    determinada sociedade. Partindo-se desse conceito, podemos concluir que a

    tica profissional tem como precedente a tica social, ou seja, antes de se

    determinar as condutas moralmente aceitas ou esperadas de uma determinada

    atividade, existem padres de comportamento estabelecidos por esta

    sociedade, qual o exerccio profissional est inserido e deve sem sombra de

    dvidas se pautar. Se sua educao foi desprovida de certos princpios ou

    estes no foram agregados formao de sua personalidade, dificilmente

    estaro presentes em sua conduta profissional.

    Este conjunto de preceitos morais deve nortear a conduta do indivduo,

    no ofcio ou na profisso que exerce, devendo necessariamente contribuir para

    a formao de uma conscincia profissional composta de hbitos dos quais

    resultem integridade e a probidade, de acordo com as regras positivadas num

    ordenamento jurdico.

    De forma, sinttica, Joo Baptista Herkenhoff, exterioriza sua concepo

    de tica; "o mundo tico o mundo do "deve ser ( mundo dos juzos de valor),

    em contraposio ao mundo do "ser" (mundo dos juzos de realidade).

    Todavia, "a moral a parte subjetiva da tica".

    A moral disciplina o comportamento do homem consigo mesmo, trata

    dos costumes, deveres e modo de proceder dos homens para com os outros

    homens, segundo a justia e a equidade natural.

  • 37

    Os princpios ticos e morais so na verdade os pilares da construo

    de um profissional que representa o dever justo, distinguindo-se por seu talento

    e principalmente por sua moral e no pelo efeito externo que possa dar causa.

    J como tica profissional, cita Francisco Antonio de Andrade Filho, o

    conceito de Gilvando que diz ser "a parte da tica que ensina o homem a agir

    em sua profisso, tendo em vista os princpios da moral fundamental". A

    compreenso da tica profissional no pode ser observada e aceita sem

    conhecer a cincia dos deveres, no mbito de cada profisso. Este estudo,

    quando mais aprofundado, no pode, simultaneamente, afastar-se dos direitos

    do homem, frente a sua profisso e se assim o fizer, no haver um

    crescimento harmnico junto ao caminho escolhido uma vez que o coletivo

    ser abandonado em detrimento s limitaes pessoais. Da afirmar que a

    conduta tica profissional , em parte, castradora da liberdade individual, no

    dizer nenhuma heresia, pois a liberdade absoluta no se verga s normas e

    condutas de ordem tica.

    Ao mesmo tempo, estas limitaes, ou esta aparente falta de liberdade,

    sob o olhar da tica profissional colocam o profissional diante de inmeras

    oportunidades para exercitar a moral plena e tambm aprimorar e aperfeioar a

    liberdade social em busca de uma justia integra que no final, a felicidade

    social almejada.

    notria a grande importncia que possui a tica nas variadas relaes

    profissionais. Assim sendo, no resta dvida a necessidade de criao de um

    cdigo de normas ticas que limita a atuao profissional dentro de cada

    categoria. No somente se destaca a importncia desses cdigos de tica

    profissional, como tambm de rgos fiscalizadores das atitudes e condutas

    dos profissionais dentro de cada categoria.

  • 38

    O prprio conceito de profisso j exprime a necessidade de

    homogeneizar as atitudes dos profissionais. Como do conhecimento de

    todos, apesar de muitos ignorarem tal premissa, toda e qualquer profisso

    possui, alm de importncia individual para o profissional, importante e

    imprescindvel funo social.

    Finalmente, a tica profissional, todavia, esta deve ser estimada e

    desempenhada com mxima austeridade adotando-a antes mesmo de

    qualquer outro cdigo, pois a moral juntamente com a tica devem ser

    cultivadas para crescimento profissional e institucional.

    5.1 - Consideraes sobre a falta de identidade profissional do

    Educador

    Muitas dificuldades se apresentam na aplicao do conceito de

    profisso ocupao de professor ou de educador. A distino entre

    professor e educador aparece s vezes como dicotmica seno antagnica. E

    h at quem considere a profissionalizao do educador como a negao de

    sua vocao.

    Em seu livro Education as a Profession, Lieberman, h mais de 40

    anos, propunha alguns critrios para a constituio de uma profisso, que

    parecem inteiramente vlidos ainda nos nossos dias. Vejamos: Em primeiro

    lugar, uma profisso deveria prestar um servio pblico em geral; em segundo

    lugar, os membros de uma profisso deveriam ter um cdigo de tica no qual

    o servio pblico colocado acima do ganho particular; finalmente, para

    desempenhar estes servios nicos, cada membro de uma profisso deveria

    possuir um entendimento de operaes intelectuais especiais e a posse de

    habilidades tcnicas especiais. A posse destas caractersticas justificaria

    elementos de controle e de responsabilidade. A organizao, dentro da qual

    os membros da profisso trabalham, deveria ser abrangente e auto-

  • 39 governada. Portanto, recrutamento, treinamento e credenciamento dos

    praticantes deveriam, em ltima anlise, estar nas mos dos membros, ou de

    seus representantes oficiais. Sobretudo, a organizao mesma deveria traar

    standards para a conduta profissional, insistir sobre sua aceitao pelos

    membros e estar em condio de lidar com qualquer violao dos mesmos.

    Citado por Holmes. Se for examinada a ocupao de professor, luz destes

    critrios, aparecem mltiplas dificuldades para sua aplicao.

    primeira anlise, os critrios anteriormente citados e usualmente

    empregados para a designao de uma profisso se apresentam mais

    dirigidos s profisses tradicionais sendo de difcil aplicao para as demais.

    Tambini refere-se ao assunto dizendo: Talvez esses critrios definam

    um tipo ideal de profisso do qual a Pedagogia estaria bem afastada ao

    longo do continuum profissional, pois uma profisso cuja competncia

    apresenta falhas, no tem controle e o reconhecimento bastante precrio.

    A autora tentou configurar as distncias comparando a ocupao do

    educador, ou do professor em geral, no apenas do pedagogo, com uma

    dessas profisses mais consolidadas, ao estabelecer um confronto entre a

    profisso do educador e a profisso do mdico. Assim escreveu: A medicina

    se destaca entre as profisses bem estabelecidas. Ela possui um corpo de

    conhecimentos prprios, cujo domnio requer um longo perodo de

    treinamento. Ela presta um servio especfico ao pblico, que o reconhece e

    retribui por ele. Ela impe padres de entrada e permanncia na profisso

    cujo controle est nas mos de seus membros. Ela se rege por um cdigo de

    tica.

    J a educao traz algumas questes a esse respeito que no se

    encontram apenas no mbito nacional. Holmes analisando o assunto em

    diferentes pases, assim as formula: Quem deveria determinar o cdigo de

    tica segundo o qual os professores viveriam e trabalhariam? Quem

  • 40 determinaria no servio pblico o que se espera deles? Baseado em que, se

    estabeleceria o conhecimento sobre o qual esse servio se apia? Quem

    deveria determinar as exigncias de admisso, treinamento e

    credenciamento?

    Estas so interrogaes que indicam a vulnerabilidade do terreno da

    educao e conduzem compreenso da complexidade da problemtica que

    envolve a formao de professores e a construo de sua identidade

    profissional. So interrogaes feitas 36 anos antes e que, se transportadas

    para a realidade atual brasileira sero, quase na sua totalidade, aceitas como

    adequadas.

    Ao retomar o pensamento de Tambini vale ressaltar aqui, novamente, o

    exemplo dos mdicos: sua formao parte de uma base comum que garante,

    antes de qualquer especializao, uma formao profissional bsica (...).

    Ombreiam-se, sem qualquer desconforto, dentro da mesma profisso, o

    pediatra, o urologista, o ginecologista, o cardiologista, etc., tanto os que lidam

    com crianas quanto os que lidam com pacientes de outras idades. No

    esta, certamente, a situao da educao onde, desde a formao, at o

    salrio, passando por outras variveis, h toda uma srie de fatores

    separando os que lidam com crianas, dos que lidam com adolescentes, dos

    que lidam com adultos. Paralelamente a tudo isto, existe ainda, na educao

    uma multiplicidade de especialistas (administradores, supervisores,

    orientadores, assessores e outros tcnicos), somados grave separao

    entre professores de ensino fundamental, professores de ensino mdio e dos

    professores de ensino superior.

    Essas separaes internas so de difcil superao, e vm contribuir

    para a falta de consolidao da profisso de educador. A anlise destas

    reflexes sobre o conceito de profisso e a conseqente falta de sua

    consolidao vm demonstrar que o sistema educacional brasileiro apresenta

  • 41 uma certa inconsistncia estrutural para conduzir o processo e conferir

    profissionalizao ao educador.

    A comparao feita por Tambini e os questionamentos formulados por

    Holmes foram propositadamente aqui citados pelo que eles contm em sua

    abordagem reveladora de preocupaes com a dimenso cientfica, social,

    tica, poltica, organizacional e administrativa. Tais elementos deveriam estar

    presentes nos cursos e programas de formao docente em nosso pas para

    que conferissem aos mesmos a propriedade exigida pela identidade

    profissional do professor.

    Dois aspectos ainda merecem discusso dentro do contexto do

    exerccio da ocupao do educador e de sua profissionalizao.

    O primeiro deles seu carter de dependncia, seja em relao ao

    poder pblico, seja em relao a pessoas estranhas profisso que tm

    poder de deciso sobre seus membros. Sobre este ponto, mais uma vez se

    observa o carter internacional do problema. Lortie que o aponta, no cenrio

    americano: interessante que professores no tm questionado sua

    subordinao formal (...) os professores no tm contestado o direito de

    pessoas estranhas ocupao governarem seus assuntos tcnicos.

    O segundo aspecto est diretamente relacionado ao primeiro. Trata-se

    da contribuio de associaes profissionais para a organizao da ocupao

    como profisso. inegvel a importncia desse fator para o amadurecimento

    do grupo de participantes enquanto profissionais. H uma dimenso social

    que extrapola o exerccio individual de qualquer ocupao e que s se

    desenvolve no contato e na dimenso de problemas comuns entre os grupos

    de profissionais. Arroyo chama a ateno para a: importncia da percepo

    clara e consciente, por parte dos professores, de sua posio e de seu

    trabalho, dentro da atual composio de foras do processo produtivo. A viso

  • 42 do educador como trabalhador e de sua insero no sistema de produo

    pode ajud-lo a caminhar no sentido de uma mais clara definio profissional.

    Com o intuito de encerrar esta discusso Cunha sugere que a (ANDE)

    Associao Nacional de Educao, apresente em sua carta de princpios,

    entre outras, propostas de mbito bastante abrangente que resultem:

    a) Na melhoria das condies de trabalho e de remunerao dos

    profissionais da educao, sobretudo dos professores e na implementao de

    medidas que disciplinam o ingresso e a carreira desses profissionais de modo

    compatvel com sua formao e com os critrios de ensino.

    b) No reconhecimento da necessidade de que os educadores reflitam

    politicamente sobre sua prtica, isto , sobre as determinaes que essa

    prtica sofre da sociedade e as influncias que essa sociedade pode exercer

    sobre a prtica, repudiando a viso da atividade educacional como um

    sacerdcio, bem como todas as solues que apelam para o idealismo dos

    educadores, ignorando a dimenso poltica de sua tarefa.

    5.2 - A tica na formao de educadores

    O nosso pas encontra-se, neste incio de sculo, mergulhado em um

    mar de violncia nas relaes sociais, corrupo e impunidade em todas as

    instncias da sociedade e outros tantos males que causam uma imensa

    perplexidade. Da surge uma pergunta: o que pode ser feito, que providncias

    devem ser tomadas para que o ser humano possa ter segurana, possa viver

    em paz? No fcil encontrar a resposta. O que vem acontecendo em todos

    os nveis da sociedade, bem como, a percepo das coisas e dos

    acontecimentos deixa-nos desarmados. Ningum dispe da informao ou dos

    procedimentos e instrumentos necessrios para fazer frente s situaes. Os

    estudiosos sociais, pedagogos e tantos outros cientistas, indicam uma nica

    soluo: a educao.

  • 43

    A presente monografia no poderia deixar de abrir espao para uma

    reflexo crtica, dirigida aos profissionais da educao, participantes dessa

    sociedade e de quem se reclama uma atitude especfica diante do que est

    sendo vivenciado por todos. Na rea da educao, qual seria o ramo do saber

    que estaria pertinente com o que a sociedade requer nos dias de hoje?

    Certamente a resposta a esta pergunta est no saber tico, uma reflexo

    filosfica, sobre os costumes e as aes humanas.

    A problemtica da formao do professor adquire hoje, no Brasil,

    especial relevncia e destaque. A busca da construo de um ensino com bom

    nvel de qualidade e comprometimento com a formao do aluno, exige

    necessariamente, ateno especial. Partindo do pressuposto de que

    necessrio construir a competncia pedaggica e que a formao de

    professores pertence estruturalmente rea da educao, torna-se pertinente

    neste trabalho abordar alguns aspectos bsicos, fundamentais para garantir

    uma formao de professores realmente comprometidos com a transformao

    social.

    Segue-se a discusso sobre a crise de identidade do magistrio, que

    persiste e se agrava apesar de iniciativas como, pesquisas, trabalhos,

    seminrios, mesas-redondas, projetos, etc. sobre o assunto, terem se

    multiplicado nos ltimos anos.

    Com o mesmo objetivo h a realizao de parcerias entre instituies,

    propostas e novos modelos de formao inicial e continuada, elaboradas e

    testadas incorporando novas metodologias tanto em relao a modalidades

    presenciais quanto a sistemas de educao distncia.

    Refletindo sobre a formao do profissional da educao, encontra-se

    hoje uma nova realidade; as inovaes tecnolgicas que vm exigir deste

    profissional novas competncias, novos modelos de ensino que possam

  • 44 atender s constantes e profundas modificaes da sociedade nesta nova

    perspectiva.

    Em uma reflexo sobre a formao do profissional da educao

    imprescindvel que seja includo um aspecto especfico, determinante da

    competncia no trabalho educativo, qual seja a dimenso tica.

    A Didtica representa no currculo dos cursos de licenciatura um

    contedo pedaggico especfico e responsvel, em grande parte, pela

    formao profissional pretendida.

    Em uma abordagem do universo da Didtica, em particular da sua

    prtica no mbito dos currculos dos cursos de formao de professores,

    pretende-se relacion-la ao corpo terico construdo pela prtica, pela

    pesquisa, pelo estudo, e vivncia dos valores ticos. A inteno desenvolver

    uma anlise focalizando didaticamente o ensino vivido no interior da escola e

    no somente as formas de conduzir este ensino, com base em construes

    orgnicas j relativamente slidas na rea e representadas pelas teorias

    pedaggicas que vm sendo construdas.

    No decorrer das discusses, conduzir estudos e prticas comprometidos

    com orientaes dirigidas a atender s necessidades prticas que o exerccio

    da docncia apresenta no dia-a-dia da escola.

    O nosso pas est no incio deste sculo carente de uma discusso

    sobre a tica na educao. Esta discusso se constituir em uma proposta de

    contribuio para uma reflexo crtica dos profissionais desta rea,

    participantes desta sociedade e de quem reclama uma atitude especfica diante

    do que est sendo vivenciado por todos.

  • 45

    Pode-se afirmar que, mesmo diante das dificuldades encontradas,

    atualmente, no processo educacional, com a profisso de professor cada vez

    mais desrespeitada, perdendo sua efetividade, so incompreensveis certas

    condutas e atitudes de professores que utilizam meios contrrios lealdade e

    boa-f, e conseqentemente, contrrios boa moral no exerccio da profisso.

    Tais profissionais devem ser tratados com indignao, no merecem serem

    reconhecidos como profissionais da educao, profisso to bonita e

    importante para o desenvolvimento do cidado brasileiro.

    O verdadeiro educador no pode ser formado apenas dentro dos

    fundamentos do saber pedaggico. A perspectiva tica deve comparecer de

    mos dadas com a competncia pedaggica. Elas se interpenetram e se

    completam com tal profundidade que no possvel admitir a prtica no

    espao humano do professor sem considerar sua perspectiva tica de

    problematizao dos valores que fundamentam esta prtica.

  • 46

    CONCLUSO

    O estudo aqui apresentado baseou-se em referncias tericas

    fenomenolgicas que sustenta a idia de que a educao pode trabalhar a

    construo da tica na sociedade.

    Por causa da prpria sobrevivncia das catstrofes nas evolues

    econmicas, sociais, polticas e ecolgicas, a partir da segunda metade do

    sculo XX, evidencia-se, na sociedade, uma preocupao com a necessidade

    de uma tica na formao do sujeito histrico-social. Com isso, neste incio de

    milnio, a sociedade se mostra preocupada em recuperar os valores que foram

    se perdendo em meio a tantos desenvolvimentos cientficos, principalmente,

    naqueles ocorridos nas ltimas dcadas.

    O tema em questo de grande preocupao com o lado social da

    profisso. Assim, inegvel a necessidade da implantao do carter da tica

    na conduta do profissional de educador, devendo o profissional atuar com zelo,

    dignidade, lealdade, honestidade preocupando-se sempre com a harmonia nas

    diversas relaes.

    Uma retrospectiva histrica fez-se necessria para melhor compreenso

    das diversas dimenses do conceito to abrangente de tica.

    Atravs da anlise das relaes humanas, a tica fundamental para o

    resgate dos princpios humanos e dos valores que ora se encontram

    descontextualizados.

    Concluindo, partindo da premissa que difcil para o campo cientfico,

    para o religioso, para o senso comum dar conta da concretizao prtica sobre

    a reflexo tica, acredita-se ser o campo da educao um dos responsveis

    para a formao tica em prol da sociedade.

  • 47

    BIBLIOGRAFIA

    ABRO, Bernardete S., Histria da Filosofia, Coleo Os Pensadores, Nova

    Cultural, So Paulo, 1999.

    ARENDT, Hanna, Condio Humana. Trad. Celso Lafer. Florence Editora

    Universitria (USP).

    ARISTTELES, tica a Nicmaco in Aristteles Coleo Os Pensadores.

    So Paulo: Abril Cultural, 1979.

    BRASIL, S.E.E.F. Parmetros Curriculares Nacionais: terceiro e quarto ciclos:

    Apresentao dos Temas Transversais - Secretaria da Educao Fundamental.

    Braslia: MEC/SEF, 1998.

    CHATELET, Franois. Histria da Filosofia. Rio de Janeiro: Ed. Zahar.

    CHAU, Marilena et alii. Primeira Filosofia. So Paulo: Brasiliense, 1985.

    COMPARATO, Fbio Konder tica, So Paulo: Companhia das Letras, 2006.

    DURANT, Will A Histria da Filosofia, Coleo Os Pensadores, So Paulo,

    Nova Cultural, 1996.

    DUSSEL, Enrique. tica da Libertao ( Hipteses Fundamentais). Concilium,

    1984.

    GATTI, B. A. A Identidade do Pedagogo. Educao e Compromisso. UFPI,

    Teresina, v.5, n.12,1993.

  • 48

    GILLES, Pierre Weil. A Nova tica. 4 ed. Rio de Janeiro: Record: Rosa dos

    Tempos, 2002.

    HERNANN, Nadja. Pluralidade e tica em Educao. Rio de Janeiro: DPZA

    editora, 2001.

    LIBANEO, J. Carlos & PIMENTA, Selma G. Formao de profissionais da

    educao: viso crtica e perspectiva de mudana. Educao & Sociedade.

    Campinas: Cedes (68). Especial. Dez 1999.

    MARQUES, Mrio O. A reconstruo dos cursos de formao do profissional

    da educao. Em Aberto. Braslia : INEP.,abr./jun. 1992.

    ________________. A formao do profissional da educao. Ijui : Unijui,

    1992.

    MEC/SEF. Referenciais para formao de professores. Braslia: MEC.

    MORIN, Edgar. Os sete saberes necessrios educao do futuro. So Paulo:

    Cortez/Unesco, 2000.

    NVOA, Antnio. Os professores e sua formao. Lisboa: Dom Quixote, 1995.

    ______________. Profisso professor. Porto: Porto editora. 1991.

    ______________. Reformas educativas e formao de professores. Lisboa:

    Educa. 1992.

    ______________. Vidas de professores. Porto: Porto editora. 1992.

    PIMENTA, Selma G. Pedagogia, cincia da educao? So Paulo: Cortez,

    1996.

  • 49

    PLATO, A Repblica, Editora Calouste Gulbenkian.

    ________, O Julgamento de Scrates, in Scrates, Coleo Os Pensadores.

    So Paulo: Abril Cultural, 1979.

    REALE, Miguel. Lies Preliminares de Direito. 25 ed. So Paulo: Saraiva,

    2000.

    SANCHEZ VAZQUEZ, Adolfo. tica. Rio de Janeiro: Civilizao Brasileira,

    1983.

    SCHUTZ, Alfred. Fenomenologia e Relaes Sociais. Rio de Janeiro: Zahar,

    1979.

    SEVERINO - A formao e a prtica do professor em face da crise atual dos

    paradigmas educacionais.

    SEVERINO, Antnio J. Sujeito, histria e educao. So Paulo: Olho d gua,

    2002.

    VALLS, lvaro L. M. O que tica. So Paulo: Brasiliense, 1986.

    ZEICHNER, K. A formao reflexiva de professores: idias e prticas. Lisboa:

    Educa. 1993.

  • 50

    NDICE

    INTRODUO 08

    CAPTULO I 10

    O CONCEITO DE TICA 10

    1.1 Distino entre tica e moral 13

    CAPTULO II 16

    TICA DO MUNDO ANTIGO AO MUNDO MODERNO 16

    2.1 Ideal tico na Grcia Antiga 16

    2.2 Scrates 17

    2.3 Plato 18

    2.4 Aristteles 19

    2.5 Fundamentos da Educao encontrados nas teorias

    de Scrates, Plato e Aristteles 21

    2.6 Contribuies de Outros Pensadores 22

    2.7 tica no Mundo Moderno 24

    CAPTULO III 27

    VALORES 27

    CAPTULO IV 32 COMPORTAMENTO TICO DA EDUCAO 32 4.1- Lei de Diretrizes e Bases da Educao Nacional, os

    Parmetros Curriculares Nacionais e a integrao aos

    valores ticos. 33

  • 51

    CAPTULO V 36

    TICA PROFISSIONAL 36

    5.1 - Consideraes sobre a falta de identidade

    profissional do educador. 38

    5.2 A tica na formao de educadores 42

    CONCLUSO 46

    BIBLIOGRAFIA CONSULTADA 47

    NDICE 50

  • 52

    FOLHA DE AVALIAO

    Nome da Instituio: A VEZ DO MESTRE UNIVERSIDADE CNDIDO

    MENDES

    Ttulo da Monografia: TICA PROFISSIONAL DO PROFESSOR

    Autora: SYLVIA CARLA SUCRMONT RODRIGUES SIMES

    Data da entrega: 26 DE JANEIRO DE 2008

    Avaliado por: CARLOS ALBERTO CEREJA DE BARROS Conceito:

    AGRADECIMENTOSSUMRIOCAPTULO I- O Conceito de tica10CAPTULO II - tica do Mundo Antigo ao Mundo Moderno16CAPTULO III Valores 27

    CAPTULO V tica Profissional36CONCLUSO46BIBLIOGRAFIA CONSULTADA47NDICE50FOLHA DE AVALIAO52CAPTULO I 10O CONCEITO DE TICA 10CAPTULO II 16TICA DO MUNDO ANTIGO AO MUNDO MODERNO 162.1 Ideal tico na Grcia Antiga 162.2 Scrates 172.3 Plato 182.4 Aristteles 192.5 Fundamentos da Educao encontrados nas teoriasde Scrates, Plato e Aristteles 21CAPTULO III 27VALORES 27

    CAPTULO V 36TICA PROFISSIONAL 365.1 - Consideraes sobre a falta de identidadeprofissional do educador. 385.2 A tica na formao de educadores42CONCLUSO46BIBLIOGRAFIA CONSULTADA47NDICE50FOLHA DE AVALIAO