Estágio Básico corrigido

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FACULDADE DE MEDICINA DE SÃO JOSÉ DO RIO PRETO Técnicas Básicas em Histologia Estágio Básico Ana Paula Ribeiro F. da Costa 15/01/2011 Relatório de Estágio Básico apresentado à Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - FAMERP. Orientador: Prof. Dr. Júlio César André.

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FACULDADE DE MEDICINA DE SO JOS DO RIO PRETO

Tcnicas Bsicas em HistologiaEstgio BsicoAna Paula Ribeiro F. da Costa15/01/2011

Relatrio de Estgio Bsico apresentado Faculdade de Medicina de So Jos do Rio Preto - FAMERP.

Orientador: Prof. Dr. Jlio Csar Andr.

Ana Paula R. F. da Costa

Agradecimentos Domingos Zanchetta Neto, pela amizade, auxlio, pacincia e bom humor durante a superviso do estgio. Zanclayr Alves Santana, pela simpatia e apoio durante o estgio. Ao Prof. Dr. Jlio Csar Andr, pela disponibilidade e pela oportunidade. A todos do laboratrio de Histotecnologia pela colaborao e partilha de conhecimentos.

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Sumrio1. 2. 3. Introduo ......................................................................................................................... 4 Objetivos........................................................................................................................... 5 Procedimento no Laboratrio de Histotecnologia ............................................................... 5 3.1. 3.2. 4Composio e Preparo da Soluo Sulfocrmica: ....................................................... 5 Cuidados Gerais de Laboratrio ................................................................................. 5

Preparao de Tecidos para Exame Microscpico .............................................................. 7 4.1. 4.2. Dissecao e coleta do material .................................................................................. 7 Fixao...................................................................................................................... 8 Conceitos Gerais ................................................................................................ 8 Solues: Principais fixadores ............................................................................ 9

4.2.1. 4.2.2. 4.3. 4.4. 4.5. 4.6. 4.7. 4.8. 4.9. 4.10. 4.10.1. 4.10.2. 4.10.3. 5. 6.

Descalcificao........................................................................................................ 10 Incluso ................................................................................................................... 11 Microtomia .............................................................................................................. 12 Distenso em Banho Maria e Captura dos Cortes ..................................................... 13 Desparafinizao e Hidratao ................................................................................. 13 Montagem ............................................................................................................... 14 Montagem total de Mesentrio ................................................................................. 15 Mtodos de Colorao ......................................................................................... 15 Conceito .......................................................................................................... 15 Colorao de Rotina: Hematoxilina e Eosina (HE) ........................................... 16 Colorao especial ........................................................................................... 19

Documentao Fotogrfica .............................................................................................. 23 Anlise Histolgica ......................................................................................................... 23 5.1. 5.1.1. 5.1.2. 5.1.3. 5.1.4. 5.2. Introduo ............................................................................................................... 23 Tecidos Epiteliais ................................................................................................ 23 Tecidos Conectivos .......................................................................................... 24 Tecido Nervoso ................................................................................................ 24 Tecidos Musculares ......................................................................................... 25

Anlise de Foto micrografias ................................................................................... 25 Traquia........................................................................................................... 25 Orelha .............................................................................................................. 30 Lngua ............................................................................................................. 31 2

5.2.1. 5.2.2. 5.2.3.

Ana Paula R. F. da Costa 5.2.4. 5.2.5. 5.2.6. 5.2.7. 5.2.9. 5.2.10. 5.2.11. 5.2.12. 5.2.13. 5.2.14. 7. Esfago............................................................................................................ 34 Estmago ......................................................................................................... 36 Intestino Delgado ............................................................................................. 38 Intestino Grosso ............................................................................................... 41 Fgado.............................................................................................................. 45 Rim.................................................................................................................. 47 Bexiga ............................................................................................................. 49 Mesentrio ....................................................................................................... 51 Artria Elstica ................................................................................................ 53 Corao ........................................................................................................... 54

Referncias Bibliogrficas ............................................................................................... 55

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1. Introduo Histologia (do grego hydton = tecido + logos = estudos) o estudo dos tecidos do corpo e de como estes tecidos se organizam para constituir rgos. (JUNQUEIRA E CARNEIRO, 2004). Nesse contexto, o objeto de estudo da histologia entender no s a micro anatomia das clulas, dos tecidos e dos rgos, mas tambm aprender o mximo possvel sobre sua funo em termos estruturais (MICHAEL E ROMRELL,1993). Logo, utilizam-se mtodos extremamente diversificados, que vo muito alm dos cortes iniciais em parafina corados com hematoxilina e eosina (HE) comumente utilizados para cursos histolgicos bsicos tal como prope o presente estgio. Atualmente, em toda a histologia animal definem-se quatro tipos bsicos de tecidos. So eles: tecido epitelial, tecido conjuntivo, tecido muscular e tecido nervoso. Estes, de modo geral, so constitudos por clulas e matriz extracelular (MEC), sendo esta ltima, composta por inmeras molculas, as quais podem formar estruturas complexas tal como fibrilas de colgeno e membranas basais. Para o estudo adequado da organizao abordada o procedimento mais utilizado consiste na preparao de cortes histolgicos, posteriormente observados sob microscpio de luz, no qual a imagem forma-se aps um feixe de luz atravessar determinada estrutura. Dessa maneira clulas vivas, camadas muito delgadas de clulas ou de tecidos, membranas transparentes de animais vivos (mesentrio, por exemplo) so observadas diretamente no microscpio (JUNQUEIRA E CARNEIRO, 2004). Embora, hoje, a interpretao detalhada da micro anatomia, fique a cargo da microscopia eletrnica, em virtude de sua maior ampliao poder de resoluo para um curso bsico em tcnicas histolgicas cabe utilizar a microscopia de luz, a partir da qual inmeras anlises posem ser realizadas, atingindo os objetivos propostos. No intuito de analisar adequadamente a organizao tecidual necessria a aplicao de tcnicas histolgicas, buscando a preservao das caractersticas celulares e teciduais dos rgos (LUZ E NETTO, 1998). Inicialmente, as estruturas so coletadas do animal por meio de tcnica especfica, logo, so fragmentadas a fim de uma melhor penetrao do fixador soluo especifica para evitar a autlise tecidual. Agora j possvel a desidratao, diafanizao e impregnao de parafina. Ento se obtm blocos parafinados, onde se incluem os fragmentos das estruturas submetidas a analise. Porm, nessa etapa ainda, a maioria dos tecidos e rgos so espessos, impossibilitando a penetrao adequada de luz a fim de formar uma imagem. Desse modo, por meio de um instrumento de grande preciso, o micrtomo, fatiam-se milimetricamente as estruturas, obtendo grande preciso. Essa uma das etapas mais importantes do processo. Agora j possvel aprisionar os cortes sob as lminas de vidro para serem corados. Resumiu-se, ento, a preparao de tecidos para exame microscpio.

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2. Objetivos Aprender as tcnicas abordadas acima foi o objetivo do estgio Tcnicas Bsicas em Histologia no laboratrio de Histotecnologia do Departamento de Anatomia da Faculdade de Medicina de So Jos do Rio Preto FAMERP. A convivncia diria em um laboratrio de Histotecnologia, alm do contato direto com diversos profissionais que utilizam o laboratrio referido para os mais diversos tipos de estudos possibilitou um amadurecimento a respeito da importncia da Histologia como base para estudo de outras disciplinas, como por exemplo, a Patologia, a fisiologia e imunologia. 3. Procedimento no Laboratrio de Histotecnologia Para maior segurana dos pesquisadores e atuantes no laboratrio, assim como para o sucesso dos procedimentos, as drogas e vidrarias devem ser rotuladas e catalogadas. Essas devem sempre ser manuseadas de modo adequado e com segurana, tomando as precaues necessrias. imprescindvel o controle de entrada e sada do material do laboratrio. Na tcnica histolgica deve-se primeiramente ler a tcnica para em seguida colocar no lugar de trabalho todo o material a ser utilizado, j devidamente identificado e rotulado. importante seguir pormenorizadamente as etapas da tcnica, acatando com preciso sempre os tempos de cada passo do processo. A vidraria do laboratrio deve ser bem lavada e seca em estufa apropriada. J para a limpeza das lminas deve-se coloc-las em soluo sulfocrmica durante vinte e quatro horas, em seguida lav-las em gua corrente e enxug-las com pano tipo fralda, guardando-as em caixas prprias. 3.1. Composio e Preparo da Soluo Sulfocrmica: - 1 l de gua; - 30 gramas de bicromato de potssio; - 50 ml de cido sulfrico; Dissolver o bicromato de potssio na gua e adicionar o cido. As demais recomendaes a serem seguidas correspondem s normas de segurana e manuteno aplicveis a todos os laboratrios. 3.2. Cuidados Gerais de Laboratrio 1. Usar sempre material de proteo (luvas, culos, mscaras, etc.) indicado para cada caso particular. Segurana um dever e uma obrigao. 2. Manter sempre limpo o local de trabalho, evitando obstculos inteis que possam dificultar a anlise. 3. Usar uniformes adequados. 4. Proteger bem os ps usando sapatos adequados, bem fechados.5

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5. No correr dentro do laboratrio. 6. Beber, comer e fumar, somente nos locais permitidos. 7. No usar nenhum objeto ou utenslio de laboratrio para uso pessoal. 8. Ler os rtulos de reagentes com ateno (inflamvel, txico, etc.) e utilizar os mesmos com os devidos cuidados. 9. Tomar o cuidado necessrio ao trabalhar com substncias cidas ou bsicas. 10. Quando for diluir cidos fortes, sempre adicionar cido gua e nunca o contrrio. 11. Ao preparar solues que produzem reaes exotrmicas fortes, sempre usar capela ou banho de gelo seco. 12. No colocar as tampas de frascos ou pipetas sobre a bancada. 13. Ao preparar reagentes, rotular imediatamente os frascos para evitar confuses. 14. Ao derrubar alguma substncia sobre a bancada ou cho, limpe imediatamente para evitar acidentes. 15. No trabalhar e no deixar frascos com inflamveis prximos de chamas ou resistncias eltricas. 16. No aquecer substncias inflamveis (lcool, benzeno, etc.) sem os devidos cuidados. Usar manta trmica ou banho-maria. 17. No inalar vapores de gases irritantes ou inflamveis. Utilizar a capela de exausto na presena dos mesmos. 18. Ter muita cautela ao testar um novo composto qumico; no coloc-lo prximo ao nariz. 19. Nunca deixar sem ateno qualquer operao que envolva aquecimento ou reao violenta. 20. No deixar sobre a bancada vidros quentes; se isto for necessrio, avisar todos os colegas. 21. Nunca trabalhar ou aquecer tubos de ensaio com abertura dirigida para si ou outra pessoa. Direcionar para a capela. 22. No aquecer reagentes em sistemas fechados. 23. Ligar o exaustor sempre que houver escape de valores ou gases no laboratrio. 24. Antes de realizar uma reao da qual no saiba os resultados esperados, fazer uma em escala na capela. 25. No trabalhar com material imperfeito, principalmente vidros. Improvisaes o primeiro passo para um acidente. 26. Aps trabalhar com material txico, lavar bem as mos, o local de trabalho e os materiais utilizados. 27. Lubrificar os tubos de vidro, antes de tamp-los com uma rolha. 28. Proteger as mos com luvas apropriadas. 29. No jogar nenhum material slido dentro da pia ou do ralo. Colocar em recipientes especiais para lixo. Quando no forem inflamveis ou txicos, despejar na pia com bastante gua. 30. Ter a localizao dos chuveiros de emergncia, lavadores de olhos e extintores e saber us-los corretamente. 31. Combustveis e substncias altamente inflamveis devem ter local prprio e bem determinado no laboratrio.6

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32. Algumas substncias se alteram temperatura ambiente devendo ser conservadas em cmara fria, geladeira ou freezer. 33. Substncias higroscpicas devem ser acondicionadas no dissecador. 34. Manter ao abrigo da luz toda substncia fotossensvel. 35. Em incndio produzido por papel, madeira ou material que faa brasas ou cinzas, usar gua. Dirigir jato de gua para a base do fogo. 36. Os recipientes contendo vidro, quando se inflamam devem ser cobertos com tela de amianto ou outro objeto apropriado, para evitar a entrada de ar, apagando desta forma o fogo. 37. No jogar gua em fogo produzido por lquidos inflamveis que no sejam miscveis em gua. Apague as chamas com extintores (CO2 ou p qumico) ou abafe imediatamente. 38. No usar extintores de lquido em circuitos eltricos; usar sempre extintores de CO 2. 39. Ao sair do laboratrio, verifique se no h torneiras de gua ou gs abertas. Desligar todos os aparelhos, deixar os equipamentos limpos e lavar as mos. Fechar as janelas, apagar a luz e fechar a porta. (MINISTRIO DA AGRICULTURA, 1981) 4- Preparao de Tecidos para Exame Microscpico Consiste na preservao dos tecidos de modo que suas estruturas se mantenham normais e muito prximas do natural.

4.1. Dissecao e coleta do material Geralmente o material coletado proveniente de sacrifcio e dissecao, ou produto de necropsia e biopsia. Durante o estgio realizou-se a dissecao de rato albino macho pesando em torno de 300g, obtido no biotrio da FAMERP. O animal foi anestesiado com ter e teve suas patas amarradas a uma placa de madeira para distenso do mesmo, facilitando o procedimento. Aps a realizao de uma inciso xifo-pubiana, o plastro esternal foi rebatido para expor a cavidade torcica. Em seguida, canalizou-se o ventrculo esquerdo com uma agulha para a entrada de soluo salina e fixadora enquanto o trio direito foi seccionado para sada da mesma. Primeiramente, perfundiuse a soluo salina - 1ml/g e em seguida, a soluo de formol a 10% - 1ml/g . Aps a perfuso foram retirados os seguintes fragmentos de rgos: fgado, pulmo, corao, intestino grosso, intestino delgado, estmago, pncreas, bao, rins, glndula adrenal, testculos, bexiga, crebro, cerebelo, medula espinal, lngua, traquia, costela e mesentrio. Como aponta Luz e Netto, importante sempre evitar pinar o material selecionado ou comprimi-lo de qualquer forma, lacerar a amostra a ser coletada ou manuse-la de forma indevida. Ainda segundo Luz e Netto, o ponto mais importante da coleta do material refere-se rapidez com que o ato se processa aps a morte do espcime, a fim de evitar autlises. A suscetibilidade dos tecidos autlise bastante varivel. De 5 30 minutos aps a7

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morte inicia-se a autlise do sistema nervoso, pncreas, hipfise, glndulas salivares e clulas sangneas. Aps 1 a 2 horas da morte, fgado, rins, adrenais e intestinos sofrem lise, aps 6 horas: corao, pele e pulmo. Mais de 6 horas indevida a coleta de bao, estmago, msculos lisos, esquelticos, ossos, dentes e cartilagens. Portanto, uma vez coletado adequadamente, o material deve ser fixado apropriadamente o mais breve possvel. 4.2. Fixao 4.2.1. Conceitos Gerais Fixadores so substncias qumicas que mantm a integridade do tecido aps a morte, sem alterao da estrutura celular. Portanto, as finalidades bsicas dos fixadores so evitar o mximo alteraes da constituio qumica celular, fixar protenas e inativar enzimas proteolticas, o mais rpido possvel, pois so as responsveis pelos fenmenos de autlise. tambm seu objetivo permitir o estudo da clula ou do tecido como se estivessem, naquele momento, vivos. No entanto, em geral, por melhor que seja o fixador, sempre ocorrem contrao e diminuio de volume (entre 20 e 40%), dependendo do fixador empregado. A fixao pode ser feita por agentes fsicos como o calor ou por meios qumicos. Para a escolha do fixador, deve-se levar em conta a velocidade de penetrao nos tecidos e a finalidade do exame a ser realizado. Existem fixadores que s podem ser usados para pequenos fragmentos de tecidos (aldedo glutrico, lcool, ter etc.). Outros podem ser empregados para fragmentos maiores (aldedo frmico, Zenker etc.), pois tm maior poder de penetrao. Como regra geral nunca o fragmento de tecido deve ter espessura maior que 5 mm. Para adequada fixao necessrio que o volume do fixador seja, pelo menos, 30 vezes maior que o do tecido nele mergulhado. Certos tecidos, como o pulmonar e o gorduroso, que tm densidades menores que a do lquido fixador, flutuam e, portanto, parte do tecido no mergulhado no se fixa adequadamente. Nesses casos, importante cobrir todo o tecido com algodo hidroflico. O tempo de fixao depende do fixador e da temperatura em que este se encontra. Quando se deseja, por exemplo, uma fixao rpida para os casos de cortes imediatos de congelamento, emprega-se a formalina aquecida a 50C por 1 hora. Esse mesmo fixador em temperatura ambiental requer pelo menos 12h pra exercer sua atividade. A temperatura aumenta a velocidade de fixao, ampliando a penetrao do fixador atravs do tecido. Quanto mais elevada ela for, mais rpida ser a penetrao. Certas precaues requerem, no entanto, penetrao lenta para melhor preservao estrutural. Nesses casos, recomenda-se o resfriamento entre 0 C e 6 C.

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Os corantes comuns no penetram nas clulas vivas. Assim torna-se necessrio que elas sejam mortas por fixador para ento serem coradas. Para que as clulas vivas se corem sem prvia fixao, devem-se usar corantes chamados vitalis, como azul de metileno, azul tripan, vermelho neutro, vermelho congo, etc. De acordo com sua propriedade de agir sobre as protenas, os diferentes fixadores so classificados em coagulantes ou precipitantes. Os fixadores podem ser simples como o formol, o lcool etlico e o metlico, o cido pcrico, o cido actico, o cido crmico, o bicromato de potssio e etc. Frequentemente, os fixadores so constitudos de um principal, associado s vezes a outros, trata-se das misturas fixadoras. Cita-se como exemplo o lquido de Zenker (mistura bicromato cido actico), o lquido de Fleming, a mistura crmio-smio actica (Helly), a mistura picro-formol-actica (lquido de bouin), bem como a mistura bicromato-sublimato-formol. Essas combinaes devem ser estudadas com cuidado pela possibilidade de sua combinao, o que seria inadequado para uma boa fixao. Quase todos os bons fixadores so, entretanto, constitudos de duas ou mais substncias fixadoras, corrigindo uma os defeitos da outra (TOLOSSA, RODRIGUES, BEHMER E NETO, 2003). Os principais so: a) b) c) d) e) f) g) h) i) j) k) Acetona; cido actico; cido smico; cido pcrico; lcool etlico lcool metlico; Aldedo frmico; ldeido glutrico; Bicloreto de mercrio; Cromato; Permaganato de potssio;

Os fixadores mais usados em laboratrios de histologia so o formol neutro, o lquido de Bouin e o fixador de Helly. Tratamento subseqente ao tecido: varivel de acordo com o fixador empregado. 4.2.2. Solues: Principais fixadores Formol a 10% Formol: 10 ml. gua Destilada: 90ml.

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Formol Tamponado Aldedo frmico (37% a 40%): 100ml. gua destilada: 900ml. Fosfato monossdico (monobsico): 4g. Fosfato dissdico (dibsico): 6,5g Fixador de Bouin (normal) Soluo aquosa de cido pcrico: 75 ml. Formol: 25ml. cido actico: 5ml

4.3. Descalcificao Processo que permite o estudo de estruturas sseas ou de tecidos com reas de calcificao. Nesta etapa, remove-se o clcio tecidual sem a alterao dos elementos celulares. Normalmente, as substncias empregadas possuem natureza cida cido ntrico, clordrico e sulfrico. A. Descalcificador com cido ntrico: Soluo A: gua: 750 ml. Formol: 250 ml. Soluo B: gua: 750 ml. cido ntrico: 250 ml. Misturar partes iguais na hora do uso. Depois de descalcificado, mergulhar em bicarbonato de sdio e lavar em gua durante 2 horas. B. Descalcificador com Citrato de sdio: Soluo A: Citrato de sdio a 20% Soluo B: cido frmico a 50% Misturar partes iguais na hora do uso. Deixar imerso no descalcificador por uma ou duas semanas.

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C. EDTA* formol EDTA 50g Hidrxido de clcio 10%: 50 ml. Formol: 150 ml. gua destilada: 800 ml. *Etilenodiaminotetracetatotetrasdio. D. EDTA- (fixao de medula ssea) EDTA: 0,7g/l Tartarato de sdio e potssio: 8 mg/l cido clordrico: 99,2 ml/l Tartarato de sdio: 0,14 g/l gua destilada: 1 l

4.4. Incluso A incluso proporciona a impregnao dos tecidos com uma substncia rgida, para poder cort-los em fatias finas microtomia e cor-los. Embora a tcnica seja complexa, o material obtido pode ser estocado e guardado uma vez que permanente, podendo ser submetido a uma srie de anlises distintas (JUNQUEIRA, 1983). A embebio em parafina, isto , a incluso geralmente precedida por duas tcnicas: desidratao e clareamento. A gua inicialmente extrada passando os fragmentos por diversos banhos de solues de concentraes crescentes de etanol (normalmente de etanol 70% em gua at etanol 100%). Durante o estgio, colocaramse os fragmentos em pequenas caixas de plstico, os cassetes bsicos para incluso. Ento, realizaram-se as passagens gradativas do material pelo etanol 70%, 80%, 95% e absolutos I, II, e III, respectivamente, permanecendo em cada um por 1 hora. Esta etapa remove a gua do tecido e permite que ele seja colocado em lquido no aquoso, como o xilol que miscvel em parafina derretida (ROSS E ROMRELL, 1989). Aps a desidratao, o etanol presente nos fragmentos deve ser substitudo por uma substncia intermediria (geralmente um solvente orgnico) que miscvel tanto em etanol como no meio que foi escolhido para incluso (parafina ou resina) processo denominado diafanizao. Para a incluso em parafina a substncia mais comumente utilizada o xilol. Ao serem embebidos no solvente orgnico os fragmentos de tecido ficam translcidos (JUNQUEIRA E CARNEIRO, 2008). Durante o estgio realizou-se duas embebies do material em xilol por 1hora cada. A seguir o material colocado em parafina quente (56 - 60C) mergulhado duas vezes. A temperatura elevada provoca a evaporao do solvente orgnico enquanto que,11

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o espao existente dentro dos tecidos vai se preenchendo com a parafina. Aps permanecer por cerca de 1 hora e 30 minutos na estufa, ao retirar os fragmentos da estufa a parafina se solidifica e eles enrijecem. Para finalizar, os espcimes so colocados em formas de metal e, conforme a necessidade, as formas so preenchidas com cera de abelha. Aps o endurecimento, os blocos recm-formados foram levados ao congelador por 30 minutos, em seguida segue-se a microtomia. 4.5. Microtomia Trata-se da etapa mais difcil da preparao histolgica. Consiste na obteno de cortes sucessivos dos blocos de parafina que contm os fragmentos dos rgos. Tem por objetivo reduzir os tecidos a cortes finssimos, transparentes ao microscpio. Os cortes so realizados em aparelhos especiais chamados micrtomos, dos quais existem modelos para incluso em parafina, celoidina e congelao. Cortes por congelao so vantajosos nas bipsias cirrgicas para determinar a natureza benigna ou maligna de uma leso, enquanto o paciente mantido na mesa cirrgica. Durante o estgio utilizou-se a parafina. Os blocos de parafina contendo os tecidos so levados ao micrtomo. Este aparelho especial consiste em nada mais que um equipamento com uma navalha de ao, bem afiada e um brao, ao qual se prende o bloco que se desloca verticalmente. Agora as estruturas podem ser seccionadas pela lmina de ao ou vidro, fornecendo cortes de 110 micrmetros de espessura. Os cortes obtidos devem ser os mais finos possveis, sendo o mais usual o de 5 micrmetros os mais utilizados possuem de 3 a 8 micrmetros. Para Luz e Netto, a obteno do ngulo adequado entre a face cortante da navalha e do bloco fundamental para a formao de fitas ou tnias e deve ser entre 5 e 10. Para que a microtomia se processe com xito as seguintes normas devem ser seguidas: 1. Prender o suporte do bloco firmemente no brao do micrtomo; 2. Colocar o maior eixo vertical ao fio da faca. Se o tecido tiver regies mais duras, coloc-las na regio superior; 3. Orientar o bloco para que a superfcie de corte fique paralela ao fio da faca; 4. O bloco deve ter de 2 a 3 mm de parafina sem tecido nas suas regies superiores e inferiores. Nas laterais retira-se o mximo possvel de parafina, a fim de permitir que se estique melhor no banho-maria. 5. Aproximar com o controle manual o bloco o mais perto possvel do fio da navalha, sem nele encostar. Prossegue-se, ento, tirando o excesso de parafina do bloco at12

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chegar ao rgo. Os cortes devem sair presos um ao outro, formando as fitas ou tnias. 6. Ao cortar o bloco, deve-se atentar a velocidade de corte. Geralmente tecidos moles cortam melhor em velocidades mais lentas. importante testar vrias velocidades antes de obter os cortes definitivos. 7. Manter a navalha e o micrtomo sempre limpos e lubrificados. 8. Tomar cuidado com a navalha, pois se trata de instrumento muito afiado que pode causar cortes profundos e perigosos (Junqueira, 1983). Aps seco, os cortes so colocados para flutuar sobre uma superfcie de gua aquecida e, logo, so colocados sobre lminas de vidro, nas quais aderem e onde sero posteriormente corados. 4.6. Distenso em Banho Maria e Captura dos Cortes As fitas de corte so transferidas para o banho Maria com auxlio de uma pina. O banho Maria deve possuir fundo escuro e temperatura em alguns graus abaixo da de fuso da parafina de 3 a 8C abaixo. A fita colocada paulatinamente na gua, iniciando-se por sua extremidade livre. Desse modo, possvel evitar a formao de bolhas de ar em baixo da fita. Tambm possvel cortar os segmentos da tnia em banho Maria. Uma vez na superfcie da gua, os cortes so pinados e logo distendidos. A distenso pode ser obtida por meio de pina curva ou anatmica, a fim de eliminar dobras. Aps a distenso e individualizao dos cortes, estes so colhidos na superfcie de uma lmina previamente preparada e mergulhada paralelamente aos cortes dentro de banho Maria. Caso a fita de corte esteja ainda muito pregueada, o que provavelmente foi provocado pela presena de dentes na navalha, utiliza-se lcool 50% para banh-la e somente aps essa etapa coloca-se a fita em banho Maria. Os cortes assim obtidos so transferidos para um suporte inclinado que colocado dentro de uma estufa a 60C. L permanecem durante 1 a 24 horas aproximadamente. 4.7. Desparafinizao e Hidratao Uma vez montados na lmina, os cortes devem ser desparafinados para que o corante possa penetrar nas clulas e cor-las. Desse modo, a parafina deve ser retirada do corte e em seguida o tecido deve ser hidratado. Logo, a colorao poder ser realizada com qualidade. As lminas devem permanecer na estufa 56C por aproximadamente 24 horas, a fim de retirar dos tecidos a parafina excedente. Porm, a estufa no retira a parafina completamente, havendo a necessidade de antes de serem coradas, realizar novamente a13

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diafanizao, retirando a parafina incrustada nos tecidos. Para isto as lminas so passadas em solvente de parafina (xilol). Procedimentos para desparafinao e hidratao dos cortes: Desparafinizao Xilol I................................................................................................................. Xilol II................................................................................................................ 15 min. 15 min.

Hidratao lcool Absoluto (ABS) I............................................................................... lcool ABS II................................................................................................ lcool 50%..................................................................................................... gua corrente................................................................................................. 6 mergulhos. 6 mergulhos. 6 mergulhos. 6 mergulhos.

4.8. Montagem Nessa etapa, coloca-se uma substncia lquida sobre o corte, denominada meio de montagem. Essa substncia ser responsvel pela aderncia da lamnula lmina, bem como por oferecer um meio ptico transparente e possibilitar uma clarificao do corte. O verniz, o entelan e o blsamo do Canad so exemplos de meios de montagem. O primeiro deles enquadra-se como o melhor pelo seu custo baixo, resultados satisfatrios e pouca toxicidade. Para qualificar uma substncia como um bom meio de montagem deve-se considerar o tempo de secagem, o ndice de refrao, a neutralidade da mesma quando comparada aos ndices da substncia responsvel pela colorao. Uma boa combinao permitir a no alterao da cor ou do estado fsico ao longo do tempo. Para realizar a montagem da lmina, deve-se retir-la do ltimo banho de xilol e com um pano limpo retirar o xilol do seu dorso, bem como das regies laterais onde no h corte. Em seguida, pinga-se uma gota de verniz sobre o corte, cobrindo-o, posteriormente, com uma lamnula limpa permitindo que ela desa gradualmente em diagonal com o corte, evitando, dessa forma, a formao de bolhas de ar. possvel proceder de maneira inversa, ao colocar a gota de verniz sobre a lamnula e depositar sobre ela a lmina que abriga o corte. Nesse caso, para se retirar o excesso de verniz e as bolhas de ar necessrio pressionar suavemente a lamnula com uma pina e passar um papel na margem da lamnula. Por fim, a lmina deve ser limpa e etiquetada.

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4.9. Montagem total de Mesentrio

O mesentrio, por ser uma membrana muito fina e delicada, no necessita de incluso. Para o preparo da montagem total, retirou-se uma parte do intestino, onde se contra o mesentrio. Segundo Moore e Dalley, um mesentrio uma lmina dupla de peritnio que ocorre como resultado da invaginao do peritnio por um rgo e constitui uma continuidade do peritnio visceral e parietal que propicia meios para a comunicao neurovascular entre o rgo e a parede do corpo. O mesentrio liga o rgo parede abdominal posterior e caracterizado por um cerne de tecido conectivo contendo vasos sanguneos e linfticos, nervos, linfonodos e gordura. O mesentrio foi retirado do animal com o intestino delgado e aberto em cima de uma placa de parafina sendo fixado por meio de alfinetes. Em seguida, fixado em formol a 10% por 20 minutos. Posteriormente, foi lavado em gua corrente e corado com Azul de Toluidina a 1% tambm por 20 minutos. Aps a colorao, fragmentos de mesentrio foram recortados e distendidos em lminas. Estas so colocadas em estufa a 40C para secar e permitir a montagem do preparado histolgico com verniz. Outra colorao efetuada nos fragmentos de mesentrio foi a Orcena. Para isso, os mesentrios foram mergulhados na soluo de Orcena, 10 minutos em estufa e mais 50 minutos em temperatura ambiente. Depois, imersos em lcool a 70%, em soluo de cido pcrico e em gua corrente, 5 minutos cada, e a montagem da lmina realizada em seguida.

4.10. Mtodos de Colorao 4.10.1. Conceito Como a maioria dos tecidos orgnicos so incolores, para observao microscpica torna-se necessria a colorao artificial, de modo que evidencie e diferencie determinados componentes estruturais de clulas e tecidos, conforme colorao adequada. Nesse contexto a colorao torna-se uma etapa indispensvel. Muitos corantes se comportam como substncias de carter cido ou bsico e tendem a formar ligaes eletrostticas (salinas) com componentes ionizados dos tecidos. (JUNQUEIRA E CARNEIRO, 2008). Existem componentes basfilos e acidfilos, sendo que os primeiros coram-se bem com corantes bsicos so substncias cidas - enquanto que os segundos substncias bsicas - com corantes cidos. Os principais componentes cidos das clulas e tecidos (substncias basfilas)15

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so os cidos nuclicos (devido aos radicais fosfatos), os polissacardeos cidos (devido aos radicais sulfato e carboxila) e as protenas cidas (devido ao grande nmero de aminocidos cidos). As protenas podem ser cidas ou bsicas, de acordo com a predominncia de aminocidos cidos (asprtico, glutmico, etc.), ou bsicos (lisina, arginina, histidina). J os principais componentes bsicos dos tecidos (estruturas acidfilas) so as protenas ricas em aminocidos bsicos (colgeno), as protenas dos grnulos eosinfilos dos leuccitos e as protenas mitocondriais.

4.10.2. Colorao de Rotina: Hematoxilina e Eosina (HE) Trata-se da colorao bsica geral para posterior escolha de coloraes especiais. Dentre todos os corantes, a combinao de Hematoxilina e Eosina (HE) a mais utilizada. A Hematoxilina um corante natural que, combinado com sais como ferro, alumnio e tungstnio, passa a adquirir afinidade tintorial pelo ncleo da clula e outras estruturas basfilas. Ela cora as mesmas em tonalidades de azul, roxo ou violeta, mostrando sua propriedade policromtica. Assim, o ncleo das clulas e outras estruturas cidas, tais como pores do citoplasma ricas em RNA e a matriz da cartilagem hialina. A colorao de fundo feita com Eosina, safranina, floxina e outros corantes. Ela tinge as estruturas acidfilas em tonalidade rsea citoplasma e colgeno. Seguindo-se as regras de fixao corretamente, esta colorao produz bons resultados. A Hematoxilina mais utilizada a de Harris:

Hematoxilina de Harris Hematoxilina (cristais)....................................................................................... lcool absoluto.................................................................................................. Almen de potssio ou amnio.......................................................................... gua destilada.................................................................................................... 5g 50 ml 100 g 1000 ml

xido amarelo de mercrio................................................................................ 2,5 g

Mtodo de Preparao: Dissolver a Hematoxilina no lcool. Dissolver o almen em gua aquecida (sem ferver) e, aps, misturar as duas solues. Levar ao fogo novamente at a ebulio que no deve ultrapassar um minuto. Colocar o xido lentamente (com soluo fora do fogo). Agitar bem e retornar ao fogo at a soluo adquirir a cor

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prpura. Levar o recipiente imediatamente gua fria. Na hora de usar, adicionar 5 ml de cido actico glacial para cada 200ml de soluo.

Eosina (soluo estoque) Eosina hidrossolvel.......................................................................................... gua destilada.................................................................................................... 1g 100 ml

Floxina (soluo de estoque) Floxina B............................................................................................................ gua destilada.................................................................................................... 1g 100 ml

Soluo de Eosina Floxina (de uso) Eosina (soluo estoque).................................................................................... Floxina (soluo estoque).................................................................................. lcool 95%........................................................................................................ cido actico glacial.......................................................................................... 100 ml 10 ml 780 ml 4 ml

Tcnica de Colorao:

1. 2. 3. 4.

Desparafinar e hidratar. Corar na soluo de hematoxilina: 5 min Lavar em gua corrente para retirar o excesso do corante. Diferenciar em cido clordrico- lcool 70%

lcool: 70 ml gua: 30 ml Em 99 ml dessa soluo, adicionar um ml de cido clordrico. 5. 6. 7. Lavar bem em gua corrente. Dar a colorao de contraste com eosina. Desidratar, clarear e montar.

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Resultados: Azul: ncleos; Rosa: citoplasma.

Desparafinar 1. Xilol I: 15 minutos 2. Xilol II: 15 minutos Hidratar 3. 4. 5. 6. lcool ABS I: 6 mergulhos lcool ABS II: 6 mergulhos lcool 50%: 6 mergulhos gua corrente: 6 mergulhos

Colorao do ncleo 7. Hematoxilina: 4 a 6 minutos 8. gua corrente: 6 mergulhos 9. Diferenciao- lcool 70% HCL: Rpida 10. gua corrente: 10 min. 11. lcool 80%: 6 mergulhos Colorao do citoplasma 12. Eosina: 30 segundos Desidratar 13. lcool 95%: 6 mergulhos 14. lcool ABS I: 6 mergulhos 15. lcool ABS II: 6 mergulhos Clarificar 16. Xilol I: 6 mergulhos 17. Xilol II: 6 mergulhos 18. Xilol III: 6 mergulhos Montar.

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4.10.3. Colorao especial 1Tricrmio de Gomori

Fixador Bouin. Soluo: Cromotrope 2R................................................................................................... 0,6 g

Fast Green.......................................................................................................... 0,3 g cido fosfotngstico.......................................................................................... 0,8 g

cido actico...................................................................................................... 1 ml gua destilada.................................................................................................... 100 ml

Pode-se substituir o Fast Green ou verde claro amarelado por azul de anilina, corando o colgeno em azul. Mtodo de Colorao: 1. 2. 3. 4. 5. Desparafinar e hidratar os cortes. Hematoxilina de Harris: 5 min. Diferenciar em lcool clordrico Lavar bem em gua corrente:10 min. Coloca-se a lmina num frasco borel. Despeja-se quantidade de soluo Gomori no mesmo, at cobrir o corte contido nas lminas. 6. Corar na soluo Gomori: 30 min. 7. Lavar rapidamente em gua. 8. Desidratar, clarificar e montar. Resultados Fibras elsticas, mucoprotenas e clulas betas do pncreas adquirem colorao azul escuro. Fibras musculares, clulas basfilas e clulas da hipfise colorao vermelha. Enquanto o verde colore fibras colgenas, clulas pigmentos de lipofucsina. Ncleos adquirem colorao preta. 2Mtodo de Taenzer Unna (Orcena)

Fixador: indiferente. Orcena 0,5%- soluo alcolica acidificada com HCl. Orcena: 0,5 gr. lcool absoluto: 40 ml. cido clordrico (HCl): 20 gotas.19

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gua destilada: 20 ml. Mtodo de Colorao: 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. Desparafinar e hidratar. Lavar em gua destilada por 5 minutos. Corar pela soluo orcena, deixar na estufa por 1 hora. Lavar em lcool 70%. Soluo saturada de cido pcrico. Lavar em gua da torneira durante 5 minutos. Desidratar. Montar.

Resultados: Marrom escuro: fibras elsticas. Marrom claro: fibras colgenas. Amarelo: outras estruturas.

3-

Mastcito (Azul de Toluidina 0,5%)

Soluo de azul de toluidina 0,5%: Azul de toluidina: 0,5% g lcool 95%: 20 ml gua destilada: 80 ml Mtodos de Colorao: 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. Desparafinar. Hidratar. Corar com azul de toluidina 0,5% por 30 minutos. Rpido mergulho em gua. Desidratar rapidamente. Clarificar. Montar.

Resultados: Os grnulos dos mastcitos coram-se em azul.

4-

cido Peridico e Reativo de Schiff (PAS)

Fixador- Formol neutro. Reativo de Schiff: Fucsina bsica (vermelho magenta): 1g20

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gua destilada: 200 ml Bissulfito de sdio: 2 g cido clordrico normal: 10 ml Carvo vegetal: 1g Dissolver a fucsina na gua fervendo. Resfriar a soluo at 70 C, adicionar o bissulfito de sdio. Agitar bem at resfriar, ento adicionar o cido clordrico normal. Agitar bem, tampar e guardar em lugar escuro por 24 horas. Adicionar o carvo vegetal. Agitar e filtrar (a soluo no dever ficar escura). Guardar a soluo em vidro escuro e na geladeira. Mtodo de Colorao: 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. Desparafinar e hidratar Colocar no cido peridico a 2% por 15 minutos Lavar em gua destilada por 5 minutos. Corar no Reativo de Schiff por 20 minutos. Lavar bem em gua corrente por 20 minutos. Dar 5 mergulhos rpidos na hematoxilina de Harris. Lavar bem em gua corrente por 10 minutos. Desidratar, clarificar e montar.

Resultados: Rosa: fibras colgenas Rosa escuro: membrana basal e glicognio (vermelho magenta). 5Azul de Alcian

Fixador - indiferente. Soluo de Azul de Alcian a ph 1,0: Azul de alcian 8Qx:1 gr Soluo de cido Clordrico 1N: 100 ml cido actico diludo a 3% pH 2,5:100 cc Alcian blue: 0,2g

Mtodo de Colorao: 123456Desparafinar e hidratar os cortes. Corar pelo Azul de Alcian por 30 min. Lavar os cortes. Corar pela Floxina por 1 min. Lavar os cortes. Desidratar, clarificar e montar

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Resultados: Roxo: polissacardeos Rosa: demais estruturas 6Retculo de Gomori (Impregnao Argntica)

Fixador- Formol 10% Soluo de Prata Amoniacal: Soluo de nitrato de prata a 10%: 20ml Hidrxido de potssio a 10%: 4 ml Esta mistura (24 ml) formar um precipitado escuro, adicionar hidrxido de amnio P.A. at a dissoluo do precipitado, no mximo 4 ml. Adicionar igual volume de gua destilada. A soluo ser desprezada depois do uso. Mtodo de Colorao: 1- Desparafinar e hidratar. 2- Permanganato de potssio a 1%: 2 min. 3- Lavar em gua. 4- cido oxlico a 3%: 1 minutos. 5- Lavar em gua. 6- Almen frrico a 1%: 2 minutos. 7- Lavar em gua, passar em gua destilada. 8- Soluo de prata amoniacal: 2 min. 9- Lavar passando pela gua destilada. 10- Soluo de formol a 10%: 3 minutos 11- Lavar em gua, passar pela gua destilada. 12- Cloreto de ouro a 0,2%: 5 min. 13- Lavar em gua. 14- Hipossulfito de sdio a 2%:1 min. Lavar bem em gua destilada. Contrastar com soluo saturada de cido pcrico: 2 min. Desidratar, clarificar e montar.

Resultados: Negro: fibras reticulares. Marrom-castanho: clulas e fundo.

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5. Documentao Fotogrfica Para a obteno das fotomicrografias foi utilizado o mtodo de captura de imagens atravs do microscpio Axioshop 2 ZEISS, cuja imagem transferida para um programa de computador por meio do qual se pode realizar os ajustes.

6. Anlise Histolgica 5.1. Introduo Segundo Ross e Romrell, ao examinar-se a estrutura do corpo com microscopia de luz, evidente que as clulas e as substncias extracelulares que compem os vrios rgos e partes do corpo apresentam uma variedade de padres de organizao reconhecveis e, muitas vezes, padres distintos. De fato, geralmente so o arranjo ordenado e os padres distintos de clulas que chamam a ateno. Esse arranjo ordenado reflexo do trabalho conjunto de clulas semelhantes para realizar determinada funo. Tal conjunto denominado Tecido. Considera-se tecido um conjunto de clulas iguais ou diferentes com uma determinada funo. H quatro tipos bsicos, so eles: Tecidos Epiteliais, Tecidos Conectivos, Tecido Nervoso ou Neural e Tecidos Musculares. Segundo Junqueira e Carneiro cada um dos tecidos fundamentais formado por vrios tipos de clulas caractersticas daquele tecido e por associaes e arranjos caractersticos entre as clulas e a matriz extracelular. Estas associaes so geralmente, muito peculiares e facilitam o reconhecimento dos muitos subtipos de tecidos, conforme ser analisado. 5.1.1. Tecidos Epiteliais Caracteriza-se basicamente pela contigidade e justaposio das clulas. Sua substncia intercelular escassa e quase ausente, h grande coeso entre as clulas em virtude de inmeras estruturas juncionais. Apia-se sobre uma membrana basal, responsvel por separ-lo do tecido subjacente. avascular e recebe nutrientes por meio de difuso a partir da Membrana Basal. Quanto ao nmero de camadas classificam-se como simples, estratificado ou pseudo-estratificado. Quanto forma das clulas podem ser pavimentosas, cbicas, cilndricas ou de transio. J quanto presena de especializaes podem possuir microvilosidades (borda em escova ou estriada), clulas caliciformes e queratina. Funes: proteo, recepo sensorial, transporte transcelular (transcitose), absoro, secreo, excreo (ANDR, 1998).

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5.1.2. Tecidos Conectivos O tecido conectivo amplamente distribudo pelo nosso corpo. A principal funo do tecido conjuntivo o preenchimento de espaos vazios e fazer a ligao de rgos e de tecidos diversos e entre outros, como, preenchimento, sustentao, transporte e defesa. caracterizado por inmeros tipos de clulas e abundante material intercelular (matriz extracelular). So responsveis pelo estabelecimento e manuteno da forma do corpo. Este papel mecnico dado por um conjunto de molculas (matriz) que conecta e liga as clulas e rgos dando suporte ao corpo. Do ponto de vista estrutural, os componentes do tecido conjuntivo podem ser divididos em trs classes: clulas, fibras e substncia fundamental. Diferente de outros tecidos que so formados apenas por clulas, o principal constituinte do conjuntivo matriz. As matrizes extracelulares consistem em diferentes combinaes de protenas fibrosas e de substncia fundamental. Substncia fundamental um complexo viscoso e altamente hidroflico de macromolculas aninicas (glicosaminoglicanos e proteoglicanos) e glicoprotenas multiadesivas(laminina, fribonectina, entre outras) que se ligam a protenas receptoras (integrinas) presente na superfcie das clulas bem como a outros componentes da matriz, fornecendo, desse modo, fora tnsil e rigidez matriz. classificado em tecido conectivo propriamente dito, conectivo frouxo e conectivo denso. Suas principais clulas so: fibroblastos, macrfagos, mastcitos, plasmcitos, adipcitos e leuccitos. 5.1.3. Tecido Nervoso Coordena as atividades de diversos rgos, recebendo informaes do meio externo e respondendo aos estmulos. Encontra-se no crebro, medula espinal, e nervos que percorrem o corpo. Em particular est em contacto com os msculos, regulando o seu movimento, e com os tecidos glandulares regulando a sua atividade secretora. As clulas que formam o tecido nervoso podem ter diversas formas, caractersticas, comprimentos e funes muito diversas, segundo o papel desempenhado por cada uma, dividem-se basicamente em neurnios e clulas da glia. Os neurnios so responsveis pelas funes receptivas enquanto que as clulas da glia ou neurglia so responsveis pela sustentao e pela proteo dos neurnios. Os neurnios podem ser classificados quanto forma em: multipolares, bipolares, unipolares ou pseudo-unipolares, quanto funo dividem-se em: motores, sensoriais e interneurnios. J as clulas da glia dividem-se principalmente em: astrcitos, oligodendrcitos e clulas microgliais.

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5.1.4. Tecidos Musculares O tecido muscular constitudo por clulas alongadas, altamente especializadas e dotadas de capacidade contrtil, denominadas fibras musculares. A capacidade de contrao das fibras que proporciona os movimentos dos membros, das vsceras e de outras estruturas do organismo. As clulas musculares tm nomes especficos para as suas estruturas. Assim, a membrana plasmtica denominada sarcolema, enquanto o citoplasma chamado de sarcoplasma. Existem trs variedades de tecido muscular: tecido muscular liso, tecido muscular estriado esqueltico, tecido muscular estriado cardaco. O tecido muscular liso formado por clulas alongadas fusiformes, uninucleadas, contendo no citoplasma miofibrilas muito finas. Apresenta contraes lentas e involuntrias e encontrado nas paredes do tubo digestivo, nas vias respiratrias, nos vasos sangneos e nos rgos do sistema urogenital. J as clulas alongadas e plurinucleadas compem o tecido muscular estriado. Os msculos esquelticos apresentam contraes rpidas e voluntrias. Esses msculos envolvem as vsceras e a locomoo. constitudo por vrias fibras com estrias transversais. O tecido muscular estriado cardaco tem contrao rpida, involuntria e rtmica; composto de clulas com um ou dois ncleos de localizao central. Cabe ressaltar a presena de estruturas juncionais especializadas, os discos intercalares. As fibras musculares so formadas por 80% de gua, 1% de sais minerais e compostos orgnicos, como a glicose, fosfocreatina, protenas, utilizados em seu metabolismo.

5.2. Anlise de Foto micrografias 5.2.1. Traquia Trata-se de um tubo que se origina na laringe e termina se bifurcando para formar os brnquios primrios. Possui parede reforada por anis de cartilagem hialina em forma de ferradura. Caracteriza-se por trs camadas: mucosa, submucosa e adventcia. A mucosa constituda por um epitlio pseudo-estratificado cilndrico ciliado com clulas caliciformes, por tecido conectivo subepitelial e por um feixe de fibras elsticas relativamente espessas, que separa a mucosa da submucosa. As clulas caliciformes constituem grande parte do total da populao do epitlio respiratrio e so responsveis pela produo de glicoprotenas. As clulas colunares ciliadas tambm se apresentam em grandes quantidades no epitlio, so delgadas e altas com o ncleo localizado na regio basal com clios e microvilos na membrana celular apical. A lmina prpria da traquia constituda por tecido conjuntivo frouxo fibroelstico.

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J a submucosa traqueal composta por tecido conjuntivo denso, irregular fibroelstico onde se encontram numerosas glndulas serosas e mucosas. Tambm se encontram suprimento sangneo e linftico. A camada adventcia composta por tecido conectivo fibroelstico, tendo como principal caracterstica os anis em C de cartilagem hialina e o tecido conectivo fibroso interposto. responsvel por ancorar a traquia s estruturas adjacentes. A cartilagem hialina presente na traquia a modalidade cartilaginosa mais freqente no organismo humano, estando tambm presente nas fossas nasais e laringe, na extremidade ventral das costelas e recobrindo superfcies articulares dos ossos longos (JUNQUEIRA E CARNEIRO,2004). molde de cartilagem para muitos ossos durante o desenvolvimento embrionrio e constitui os discos epifisrios dos ossos em crescimento (GARTNER E HIATT,1999). A cartilagem hialina constituda por fibrilas de colgeno tipo II, associados ao cido hialurnico, proteoglicanas e glicoprotenas. Alm do colgeno, a matriz contm glicosaminoglicanas, formando proteoglicanas. A glicoprotena estrutural condronectina tambm outro importante componente da matriz da cartilagem hialina. Esta cartilagem revestida por uma camada de tecido conectivo denso denominado pericndrio (figura 3), responsvel pela nutrio, oxigenao e eliminao dos refugos metablicos da cartilagem. Desse modo, no pericndrio encontram-se vasos sanguneos e linfticos, inexistentes no tecido cartilaginoso (JUNQUEIRA E CARNEIRO, 2004). H, basicamente, trs tipos de clulas constituintes da cartilagem: as clulas condrognicas - diferenciam-se em condroblastos, bem como em clulas osteoprogenitoras - os condroblastos, originados das clulas mesenquimais e das clulas condrognicas e os condrcitos, condroblastos rodeados de matriz. As clulas condrognicas so fusiformes, estreitas, derivadas de clulas mesenguimais, com ncleo ovide e citoplasma esparso. Os condroblastos so clulas dilatadas, basfilas, apresentando organelas necessrias para a sntese protica. J os condrcitos encontrados na periferia da matriz so ovides enquanto os mais profundos, redondos (GARTNER E HIATT,1999).

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Figura 1

LCH

EP

TC

CH

Fotomicrografia de Traquia: A luz (L) revestida por um tecido epitelial pseudoestratificado cilndrico ciliado (seta) demarcado pelo tecido conectivo subjacente (TC) e cartilagem hialina (CH). Colorao de HE , aumento 40x.

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Figura 2

EP

BM

TC

GL

TC

Fotomicrografia de uma preparao corada por HE onde se v a membrana basal (BM) da Traquia. Sua aparncia uma estrutura espessa e homognea estendida logo abaixo do epitlio (EP). Na realidade, faz parte do tecido Conectivo (TC) e constituda em grande parte por fibrilas (de colgenos) do tecido conectivo, densamente comprimidas. Para demonstrar a membrana basal associada ao epitlio glandular, como ocorre na maioria dos demais tecidos epiteliais, necessita-se de tcnicas especiais de colorao, tal como o PAS, aumento: 400X.

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Figura 3

-1

-2

P

Fotomicrografia de cartilagem hialina da traquia, corada em HE, com aumento de 400x. Esta cartilagem possui a funo de sustentao, evitando o colabamento da traquia. Nela se observa o pericndrio (P), camada de tecido conjuntivo que envolve a cartilagem, cuja funo, como j dito anteriormente, nutrio e crescimento. O pericndrio formado por duas camadas: camada condrognica, mais rica em clulas e mais prxima da cartilagem; e camada fibrosa (tecido conjuntivo denso no modelado), rica em fibras de colgeno tipo I. Nota-se tambm condroblastos (1), encontrados geralmente na superfcie da cartilagem abaixo do pericndrio, embora tambm seja encontrado dentro da matriz cartilaginosa (isto se deve ao tipo de crescimento da cartilagem, que intersticial e aposicional). So responsveis por sintetizar e renovar as macromolculas da matriz cartilaginosa. Os condrcitos (2) aparecem dentro da matriz cartilaginosa, so clulas mais arredondadas, porm podem aparecer em grupos (grupos isgenos). Responsveis por manter a matriz ssea.

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5.2.2. Orelha Estrutura conhecida como pavilho auditivo, composta histologicamente por pele fina e seus anexos, bem como por cartilagem elstica. A pele que recobre tem uma camada subcutnea ntida apenas na superfcie posterior da orelha e provida de poucos e pequenos plos e glndulas sebceas associadas, sendo as ltimas, s vezes de tamanho considervel. Glndulas sudorparas so raras e quando presentes so pequenas (BLOOM E FAWCETT, 1977). A cartilagem elstica encontrada tambm no conduto auditivo externo, na tuba auditiva, na epiglote e na cartilagem da laringe. basicamente semelhante cartilagem hialina, porm apresenta fibrilas de colgeno tipo II e uma abundante rede de fibras elsticas entremeadas e contnuas com as do pericndrio. Do mesmo modo que a cartilagem hialina a cartilagem elstica tambm possui pericndrio e cresce principalmente por aposio, entretanto ela menos sujeita a processos degenerativos que a cartilagem hialina (JUNQUEIRA E CARNEIRO, 2004). Ela apresenta condrcitos mais numerosos e maiores, matriz pouco ampla e seus feixes de fibras elsticas da matriz territorial so maiores e mais espessos do que os da matriz interterritorial (GARTNER E HIATT, 1999). Figura 4

FP

M

FP

Gl

Gl

TC

Fotomicrografia de orelha revestida por um tecido epitelial estratificado queratinizado (cabea de setas). Subjacente ao tecido epitelial visualiza-se um tecido conectivo (TC) vascularizado, com folculos pilosos (FP) e glndulas sebceas (Gl) associadas aos mesmos. O eixo de sustentao da orelha apresenta-se constitudo por uma musculatura estriada esqueltica (M) e cartilagem elstica (seta). H E aumento 40 x.30

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5.2.3. Lngua Trata-se de um rgo muscular recoberto por membrana mucosa. Esta membrana constituda por epitlio estratificado pavimentoso, queratinizado em certas partes, e repousa sobre um tecido conjuntivo frouxo (ROSS E ROMRELL, 1989). A lngua a maior estrutura da cavidade oral, extremamente mbil devido grande massa de fibras musculares esquelticas entrelaadas que compe o seu arcabouo. As fibras musculares esto organizadas em trs planos e se cruzam umas com as outras formando ngulos retos, cada fibra longa, cilndrica, multinucleada (ncleos perifricos) e estriada. O tecido muscular estriado esqueltico ricamente vascularizado e apresenta-se envolvido pelo epimsio (tecido conjuntivo denso no modelado). Do epimsio partem de tecido conjuntivo que circundam feixes de fibras musculares denominados perimsio (tecido conjuntivo denso). O perimsio origina um tecido conectivo frouxo que envolve cada clula muscular denominado endomsio (composto por fibras reticulares). A maior parte da musculatura formada de arranjos longitudinais de miofibrilas cilndricas. O arranjo destas, paralelamente responsvel pelas estriaes tansversais, as faixas claras e escuras, observadas em cortes longitudinais. As faixas escuras so denominadas bandas A (anisotrpicas luz polarizada) e as claras, bandas I (isotrpicas). O centro da banda A ocupado por uma rea clara, a banda H, que dividida pela linha M. Cada banda I dividida por uma fina linha escura, o disco Z (linha Z). A regio da miofibrila entre dois discos Z sucessivos conhecida por sarcmero, considerada a unidade de contrao das fibras musculares esquelticas. A massa muscular recoberta por uma membrana mucosa muito aderente. A lmina prpria densa est ligada ao tecido conjuntivo intersticial do msculo. S h uma camada mucosa na superfcie ventral (BLOMM E FAWCETT, 1977). A superfcie dorsal do tero posterior da lngua irregular por causa da presena das tonsilas linguais. Destacam-se tambm as papilas linguais. A maioria das papilas linguais se projeta sobre a superfcie, cobrindo os dois teros anteriores da face dorsal da lngua. Elas so classificadas em filiformes, fungiforme, foliceas e circunvaladas. As filiformes so numerosas, delgadas, revestidas por epitlio estratificado pavimentoso queratinizado e atuam raspando o alimento. importante ressaltar que no possuem botes gustativos. As fungiformes assemelham-se a um cogumelo, cuja delgada haste liga um largo capuz superfcie da lngua, seu revestimento epitelial estratificado pavimentoso no queratinizado. Destacam-se seus botes gustativos no lado dorsal dos capuzes. J as papilas foliceas possuem botes gustativos nos recm nascidos, porm degeneram no 1 ou 2 ano de vida. Nota-se a abertura, na base dos sulcos, dos ductos delgados das glndulas de Von de Ebner, glndulas salivares serosas pequenas, localizadas no interior da lngua.31

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H entre 8 e 12 papilas circunvaladas no V lingual. Estas papilas esto submersas na superfcie da lngua, de modo que ficam rodeadas por um sulco revestido de epitlio, cuja base perfurada pelos ductos das glndulas de Von de Ebner. Tambm possuem botes gustativos. Os botes gustativos so rgos sensoriais intra-epiteliais que atuam na percepo do gosto. So constitudos por quatro tipos de clulas: clulas basais, clulas escuras, clulas claras e clulas intermedirias. No se sabe ao certo a funo destas clulas, mas alguns acreditam que as clulas basais atuam como clulas de reserva e regeneram as clulas dos botes gustativos; outros, porm, afirmam que as clulas basais originam clulas escuras, que amadurecem em clulas claras, logo, se tornam clulas intermedirias e morrem (GATNER E HIATT, 1999). Figura 5

ME ME TCEPA BFotomicrografia da superfcie dorsal da lngua revestida por epitlio estratificado pavimentoso queratinizado (EP); subjacente, o tecido conjuntivo (TC) e o msculo estriado esqueltico (ME). Projees do tecido conectivo revestidas pelo tecido epitelial constituem as papilas filiformes (cabea de setas). A: HE (100X). B: Tricrmico do Gomori que diferencia tecido conectivo (azul turquesa) do tecido muscular (roxo), em vermelho observa-se a superfcie queratinizada (100X).

TC EP

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Figura 6

N

AFotomicrografia da musculatura da lngua. A est corada com Tricrmio de Gomori enquanto B est corada em HE e Azul de Alcian, todas com um aumento de 400x. O msculo estriado e de organizao nica; em A destaca-se os ncleos das clulas. A maioria dos cortes mostra fibras musculares cortadas longitudinalmente, sendo que em A nota-se direita inferior um corte transversal. Em B destaca-se em azul as bainhas envoltrias.

B

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5.2.4. Esfago Trata-se de um tubo muscular, contnuo faringe. dividido em trs pores: cervical, torcica e abdominal. No trax situa-se ventral mente coluna vertebral e dorsalmente traquia, prximo aorta. Ao atingir o abdmen atravessa o msculo diafragma, desembocando no estmago. Tem sua luz aumentada durante a passagem do bolo alimentar, em virtude dos movimentos peristlticos, providenciados pela musculatura da parede do esfago (DANGELO E FATTINI, 2003). composto por trs camadas: mucosa, submucosa e muscular. A primeira composta de um epitlio estratificado, no queratinizado, apoiando-se sobre uma lmina prpria de tecido conjuntivo. importante ressaltar a possibilidade da presena de queratina no epitlio, variando conforme a regio da mucosa esofgica e o tipo de dieta alimentar. A segunda constituda por pequenas glndulas que lanam suas secrees em direo luz do esfago, essas secrees contm substncias responsveis pelo combate aos agentes infecciosos do meio externo. J a camada muscular divide-se em externa e interna, sendo que sua parte proximal constituda por fibras musculares, em sua maioria estriada esquelticas, enquanto que a parte distal possui majoritariamente fibras musculares lisas. Figura 7

TC EP Q

Fotomicrografia corada em HE, ilustrando parte queratinizada (Q) do epitlio pavimentoso estratificado (EP) da parede do esfago. Tecido Conjuntivo (TC). Aumento de 400x.

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Figura 8

A

B

Fotomicrografia corada em HE, mostrando clulas musculares lisas, alongadas e fusiformes da parede do esfago de rato. Os ncleos celulares so achatados. A corte longitudinal. B corte transversal. Aumento de 400x.

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5.2.5. Estmago O estmago um rgo relacionado no s com o armazenamento como com a digesto dos alimentos. No homem, a funo de armazenamento muito menos importante do que nos herbvoros, particularmente nos ruminantes. No estmago humano, o alimento semi-slido resultante de mastigao reduzido a um fluido pela contrao da parede muscular do rgo, e pela mistura do alimento com secrees das glndulas de sua membrana mucosa (BLOOM E FAWCETT, 1977). Trata-se da regio mais dilatada do tubo digestivo. uma estrutura em forma de saco. Alm da liquefao do alimento e continuidade da digesto, responsvel pela produo de HCL e das enzimas pepsina, renina e lpase gstrica, bem como pela produo de hormnios parcrinos. Possui basicamente 4 regies: crdia (estreita regio gastresofgica), fundo (regio em forma de cpula, preenchida por gs), corpo (maior regio, responsvel pela formao do quimo) e piloro ( regio em forma de funil, provida de um esfncter piloro espesso, que controla a liberao do quimo ao duodeno). A mucosa do fundo estomacal revestida por epitlio, tecido conjuntivo (a lmina prpria) e a musculatura da mucosa. O epitlio simples cilndrico, constitudo de clulas que produzem muco. O tecido conjuntivo frouxo, altamente vascularizado, com grande quantidade de plasmcitos, linfcitos, mastcitos, fibroblastos e raras clulas musculares lisas. Grande parte da lmina prpria ocupada por glndulas fndicas. A musculatura da mucosa constituda por clulas musculares lisas, arrumadas em trs camadas, sendo que as camadas circular interna e longitudinal externa so bem definidas, porm a terceira pouco evidente. J o tecido conectivo da submucosa gstrica denso no modelado e possui uma rica rede avascular e linftica que supre e drena os vasos da lmina prpria. A populao celular da submucosa parece com a de qualquer tecido conectivo propriamente dito (GARTNER E HIATT,1999).

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Figura 9

MM

B ALP

B

P P

Fotomicrografias da superfcie do corpo e fundo do estmago, sendo B aumento da regio destacada de A. So ntidas nas figuras as criptas gstricas (setas). A mucosa de revestimento apresenta-se constituda por um tecido epitelial simples cilndrico secretor (cabeas de setas), uma lmina prpria (LP) e muscular da mucosa (MM). A e B corado em HE. A: aumento de 100x e B: aumento de 400x. As clulas epiteliais de revestimento da superfcie so todas secretoras de muco, assim como as clulas que revestem as fovolas gstricas, isto , criptas rasas de forma estrelada (P). Em A destaca-se a presena de numerosas glndulas gstricas.

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5.2.6. Intestino Delgado Trata-se do segmento mais longo do tubo digestivo, com aproximadamente 7m de comprimento. subdividido em trs regies: duodeno recebe enzimas e um tempo alcalino do pncreas e a bile do fgado jejuno e leo. responsvel pela digesto e absoro dos produtos finais do processo digestivo. Sua superfcie luminal modificada, observando-se, deste modo, trs tipos de modificaes: pregas circulares, vilosidades e micro vilosidades. As pregas circulares so dobras transversais da mucosa, formando elevaes semicirculares e helicoidais. Tais pregas constituem um apndice permanente do duodeno e do jejuno e terminam na metade proximal do leo. As vilosidades so protruses da lmina prpria coberta por epitlio, em forma de dedo ou folha. So estruturas permanentes, encontradas em maior nmero no duodeno. Tais vilosidades conferem a aparncia aveludada ao revestimento do rgo, ademais aumentam a superfcie de absoro do intestino em 10 vezes. J as microvilosidades so modificaes do plasmalema apical das clulas epiteliais que cobrem as vilosidades intestinais e aumentam a rea de superfcie do intestino em 20 vezes. O intestino delgado tambm possui uma mucosa constituda por trs camadas. A primeira um epitlio cilndrico simples que cobre as vilosidades e a superfcie dos espaos entre elas. composto de clulas absortivas, clulas caliciformes e clulas enteroendcrinas. As clulas absortivas so numerosas e altas, com ncleo oval localizado na base, apresenta uma superfcie apical com borda em escova, tendo como principal funo a digesto terminal e a absoro de gua e nutrientes. So responsveis pela reesterificao dos cidos graxos em quilomcrons e pelo transporte da maior parte dos nutrientes absorvidos para a lmina prpria, a segunda camada da mucosa, se onde sero distribudos ara o resto do corpo. As clulas caliciformes so glndulas excrinas unicelulares em forma de clice. Possui uma regio basal estreita que se apia na lmina basal, enquanto sua poro apical alargada, a taa, volta-se para a luz do tubo digestivo. Estas clulas produzem mucinognio cuja forma hidratada a mucina, um componente do muco e uma camada protetora que reveste a lus. A segunda camada da mucosa intestinal constituda de tecido conectivo frouxo da lmina prpria e forma o eixo das vilosidades. rica em linfcitos que ajudam a proteger o revestimento intestinal da invaso de microorganismos. A terceira camada, a muscular, da mucosa do intestino delgado possui camadas de clulas musculares lisas, helicoidais de passo curto (circular interna) e helicoidal de passo longo (longitudinal externa). Um tecido conjuntivo denso fibroelstico nomodelado, com rico suprimento linftico e muscular, compe a submucosa. O intestino delgado possui vrios tipos de clulas enteoendcrinas que produzem hormnios parcrinos e endcrinos. Seu segmento mais curto, o duodeno, recebe a bile do fgado e sucos digestivos do pncreas. O duodeno difere do jejuno e do leo em virtude de suas vilosidades serem mais largas, mais altas e mais numerosas por unidade de rea, entretanto, o mesmo tambm possui um nmero menor de clulas caliciformes e glndulas de Brrner em sua mucosa.38

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Em contrapartida o jejuno possui vilosidades mais estreitas, mais curtas e mais espessas do que o duodeno, bem como o nmero de clulas caliciformes tambm maior. No leo as vilosidades so mais esparsas, mais curtas e mais estreitas do que as das duas regies anteriormente citadas. A lmina prpria do leo abriga grupos permanentes de linfonodos conhecidos como clulas de Peyer. Estas estruturas esto localizadas na parede do leo oposta ligao com o mesentrio (GARTNER E HIATT,1999). Figura 10

L

V

A

B

L

Fotomicrografia do epitlio intestinal delgado mostrando clulas caliciformes isoladas (cabeas de setas) dispersas entre as clulas de absoro. Epitlio caracterizado pela presena de luz (L), de projees digitiformes, vilosidades intestinais, revestidas por uma mucosa. Esta, como j citado, constituda por um epitlio simples cilndrico com borda estriada e clulas caliciformes, lmina prpria. Aumento 400x, colorao em HE. Em B destaca-se uma vilosidade (V).

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Figura 11

Fotomicrografias coradas em PAS, em um aumento de 400x. A colorao PAS principalmente usada para colorir estruturas que contm uma alta proporo de macromolculas de carboidratos (glicognio, glicoprotena, proteoglicanos), tipicamente encontradas em tecidos conjuntivos, mucos, e lminas basais. Na figura observam-se clulas caliciformes secretando muco - vermelho magenta.

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5.2.7. Intestino Grosso Constitui a poro terminal do canal alimentar , sendo mais calibroso e mais curto que o intestino delgado. caracterizado pelos haustros, tnias e apndices epiplicos. subdividido em: ceco, clon ascendente, clon transverso, clon descendente, clon sigmide e reto (DANGELO E FATTINI, 2003). Trata-se de uma membrana mucosa sem pregas exceto em sua poro distal. constituda por um epitlio cilndrico simples com clulas caliciformes. No apresenta vilosidades. Possui glndulas intestinais longas, bem como inmeras clulas caliciformes, clulas absortivas e um reduzido nmero de clulas enteroendcrinas. Suas clulas absortivas so colunares e caracterizadas por suas microvilosidades curtas e irregulares. Tais estruturas corroboram na absoro de gua (absoro passiva), formao da massa fecal e produo de muco. O epitlio situa-se sobre uma lmina prpria de tecido conjuntivo frouxo, contendo criptas de Lieberkhn mais longas que o intestino delgado . Tal lmina rica em clulas linfides e em ndulos que freqentemente se estendem at a mucosa, em virtude da abundante populao bacteriana do intestino grosso. Na regio anal, a membrana mucosa forma uma srie de dobras longitudinais, as colunas retais (de Morgani). Cerca de 2 cm acima da abertura anal a mucosa intestinal substituda por epitlio estratificado pavimentoso (JUNQUEIRA E CARNEIRO, 2004). A submucosa formada por tecido conjuntivo fibroelstico. A camada muscular formada por tnicas de msculo liso, uma circular interna e outra longitudinal externa. A camada mais externa a serosa.

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Figura 12

EP

EP L M L EP MM

A

L

C EL

DFotomicrografias do intestino grosso coradas em HE. Nota-se que o epitlio (EP) que reveste a luz (L) apresenta numerosas clulas caliciformes (cabeas de setas) e glndulas intestinais (setas). Nota-se uma parte da camada muscular da mucosa (MM) e a camada muscular externa (M). A (100x), B (400x), C ( 400x) , D (400x) e E (40x).

MM

M

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5.2.8. Pncreas Aps o fgado, trata-se da glndula anexa mais volumosa do sistema digestivo. Situa-se posteriormente ao estmago em posio retroperitoneal, logo, est fixado parede abdominal posterior (DANGELLO E FATTINI, 2003). Possui trs partes: cabea, corpo e cauda. uma glndula mista, isto , excrina e endcrina, portanto produz enzimas digestivas e hormnios. A parte excrina armazenada e secretada por clulas da poro excrina, arranjadas em cinos, sendo recolhida, posteriormente, por ductos, a saber, o pancretico e o pancretico acessrio. Tal poro excrina do pncreas uma glndula acinosa, similar partida em estrutura. A distino entre estas duas glndulas se d pela ausncia de ductos estriados e pela presena das ilhotas de langerhans no pncreas. Outra caracterstica do pncreas a penetrao das pores iniciais dos ductos intercalares no lmen dos cinos. Ncleos circundados por um citoplasma claro pertencem s clulas centro acinares que constituem a poro intra-acinar dos ductos intercalares. Tais clulas encontram-se apenas nos cinos pancreticos. O cino pancretico excrino constitudo por vrias clulas serosas que circundam um lmen, Estas clulas so polarizadas, com um ncleo esfrico, sendo tpicas clulas secretoras de protenas (JUNQUEIRA E CARNEIRO, 2004). Na poro endcrina so encontradas as ilhotas de langerhans que so aglomerados arredondados de clulas, ricamente vascularizado. Estas possuem cinco tipos de clulas, sendo elas: clulas B responsveis pela secreo de insulina- clulas A responsveis pela secreo do glucagon clulas delta secretam somatostatina - clulas PP polipeptdeo pancretico, bem como clulas G secretam gastrina. Tais clulas no podem ser diferenciadas entre si com mtodos de rotina, mas com processamentos imuno-histoqumicos que permitem sua visualizao (GARTNER E HIATT, 1999). O pncreas revestido por uma cpsula delgada de tecido conjuntivo. Tal cpsula envia septos para o interior do rgo, separando-o em lbulos. Os cinos so circundados por uma lmina basal, sustentada por uma bainha delicada de fibras reticulares. O pncreas tambm possui uma rede de capilares extensa, essencial para o processo de secreo (JUNQUEIRA E CARNEIRO, 2004).

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Figura 13

A B

CFotomicrografias do pncreas em HE. Poro excrina do pncreas. Os cinos pancreticos apresentam-se constitudos clulas acinares que contm ncleos basfilos ocupando o 1/3 basal. Ao redor do ncleo observa-se o ergastoplasma evidenciado pela hematoxilina e, portanto basfilo. A abundncia de ergastoplasma tpica de clulas que sintetizam intensamente protenas de exportao. No pice das clulas, os grnulos de secreo acidfilos so evidenciados pela eosina. Em A (100x) e B (40x) ntido o estroma subdividindo a glndula em lbulos por septos de tecido conjuntivo que contm vasos sanguneos. Observa-se tambm uma poro endcrina, as ilhotas pancretias (cabea de setas). Em C (400x) ntida a poro excrina da glndula, isto , os cinos pancreticos destaque em circulo amarelo (destaque tambm em A). Nota-se tambm destacado por setas em verde um grande ducto intralobular.

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5.2.9. Fgado o mais volumoso rgo do organismo, localizando-se imediatamente abaixo do diafragma e direita, embora uma pequena poro ocupe a metade esquerda do diafragma. Trata-se de uma glndula que desempenha importantes papis nas atividades vitais do organismo, seja interferindo no metabolismo dos carboidratos, das gorduras e protenas, seja secretando a bile e participando dos mecanismos de defesa (DANGELO E FATTINI,2003). O fgado o rgo no qual os nutrientes absorvidos no trato digestivo so processados e armazenados para utilizao por outro rgo. E, portanto, uma interface entre o sistema digestivo e o sangue. Grande parte do sangue que vai para o fgado chega pela veia porta, enquanto que uma menor parte suprida pela artria heptica. A posio do fgado no sistema circulatrio ideal para captar, transformar e acumular metablitos e para a neutralizao e eliminao de substncias txicas. Esta eliminao ocorre por meio da bile, uma secreo excrina do fgado, importante para a digesto de lipdios. O fgado tambm tem sua importncia na produo de protenas plasmticas albumina e outras protenas carreadoras. revestido por uma cpsula delgada de tecido conjuntivo (cpsula de Glisson) que se torna mais espessa no hilo, onde a veia porta e a artria heptica penetram no fgado e por onde saem os ductos hepticos direito e esquerdo, bem como os vasos linfticos. O hepatcito o componente estrutural bsico do fgado. So clulas epiteliais agrupadas em placas interconectadas. O lbulo heptico formado por uma massa poligonal de tecido cujo tamanho varivel. Pode-se encontrar os espaos porta, presentes nos cantos dos lbulos aglomerados angulares de tecido conjuntivo onde ficam localizados ramos da veia porta, da artria heptica, os canalculos biliares (trades de Glisson), bem como vasos linfticos . Observa-se que os hepatcitos encontram-se radialmente dispostos no lbulo heptico, formando placas celulares, ou seja, a organizao do fgado em lbulos hepticos com a veia central. Nos cortes geralmente os lbulos aparecem com forma mais ou menos hexagonal, e so constitudos por cordes de clulas hepticas estreitamente contguas que se afastam radialmente da veia central, juntamente com os capilares sinusoidais que correm entre os cordes. Os espaos entre essas placas contm capilares, os sinusoidais hepticos, que so vasos irregularmente dilatados compostos por uma camada descontnua de clulas endoteliais fenestradas. Normalmente, os hepatcitos contm glicognio depsito de glicose mobilizado quando a glicose sangunea cai abaixo do nvel adequado, mantendo, portanto, a glicemia estvel. O hepatcito possui funes endcrinas e excrinas, uma vez que alm de sintetizar protenas para a sua prpria manuteno e para exportao albumina, protrombina, fibrinognio e lipoprotenas - secreta a bile (JUNQUEIRA E CARNEIRO, 2004).

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Figura 14

VC VC

VC

A

B

C

Fotomicrografias de fgado corado em PAS. A (40x); B (100x); Organizao em lbulos hepticos com veias centrolobulares (VC), observam-se os cordes de clulas hepticas estreitamente contguos que se afastam radialmente da veia centrolobular. C (400x); cordes de hepatcitos (detalhe retngulo em amarelo) mostrando o glicognio intracelular (setas) sob a forma de grnulos mais ou menos grosseiros, presentes em seu citoplasma.

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5.2.10. Rim Trata-se de um rgo par, abdominal, localizado posteriormente ao peritnio parietal retroparietal. envolvido por uma cpsula fibrosa (tecido conjuntivo denso) e quase sempre por um abundante tecido adiposo perirenal, constituindo a cpsula adiposa. Possui uma borda medial, o hilo, por onde passam o ureter, a artria e veia renais, vasos linfticos e nervos. Dentro do rim o hilo se expande formando o seio renal que aloja a pelve. Estudando seu interior, macroscopicamente, distingui-se um crtex e uma medula poro mais escura (DANGELO E FATTINI,2003). Cada rim constitudo por 1 a 4 milhes de nefros. Estes so formados por uma parte dilatada, o corpsculo renal, pela poro contorcida do tbulo proximal, pelas partes delgadas e espessas de ala do nefro ou de Henle e pela poro contorcida do tbulo distal. O nefro a unidade funcional dos rins (JUNQUEIRA E CARNEIRO, 2004). Figura 15

TC

A

B B

Fotomicrografias coradas em HE. A (100X) e B (400x). Transio crtico-medular do rim, onde se observam seces transversais de tbulos coletores (TC). Em toda sua extenso, os tubos coletores so formados por clulas com citoplasma que se coram fracamente pela eosina e cujos limites intercelulares so ntidos. Os tbulos coletores da transio crtico-medular do rim participam dos mecanismos de concentrao de urina (reteno de gua).

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Figura 16

T

T

BC

A

B

T TC D

T CBE

C

CF

CB T

Fotomicrografia de uma preparao de rim corada pelo PAS. Os locais de colorao rseo-escura representam a membrana basal. Os tbulos renais (T) esto nitidamente delimitados por suas membranas basais circunjacentes e que aparecem coradas. Os capilares glomerulares (C) e o epitlio parietal da cpsula de Bowman (CB) tambm mostram a membrana basal PAS positiva. A (40X); B (100X); D, E, F (400X).

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5.2.11. Bexiga uma bolsa situada posteriormente s[infise pbica e que funciona como reservatrio de urina. O fluxo contnuo de urina que chega pelos ureteres transformado graas a ela em emisso peridica (mico) (DANGELO E FATTINI, 2003). Trata-se de um rgo de armazenamento de urina. Esta armazenada at que a presso se torne suficiente para induzir a urgncia da mico ou esvaziamento. A mucosa da bexiga tambm atua como barreira osmtica entre a urina e a lmina prpria. Tal mucosa arranjada em numerosas pregas que desaparecem quando a bexiga se distende com a urina. Durante a disteno, grandes e redondas clulas em forma de cpula do epitlio transicional tornam-se esticadas e mudam sua morfologia para tornarem-se achatadas (GARTNER E HIATT, 1999). revestida por um epitlio de transio e por uma lmina prpria de tecido conjuntivo que varia de frouxo ao denso (JUNQUEIRA E CARNEIRO, 2004). O tecido conjuntivo pode ser subdividido em duas camadas: uma mais superficial, de tecido conjuntivo denso e irregular, bem como uma camada mais profunda de tecido conjuntivo frouxo composto por uma mistura de fibras colgenas e elsticas. A bexiga no contm glndulas, exceto na regio que circunda o orifcio uretral, onde glndulas mucosas podem ser encontradas. A tnica muscular da bexiga possui disposio complexa, descrevendo-se um msculo esfincter da bexiga ao nvel do stio interno da uretra. Tal msculo, bem como a camada muscular do rgo esto envolvidos com a mico (DANGELO E FATTINI, 2003). A camada muscular da bexiga composta por trs camadas intercaladas de msculo liso. Nesta, h uma camada circular mdia que forma o esfncter muscular interno em volta do orifcio interno da uretra. A adventcia da bexiga composta por um tipo de tecido conjuntivo denso, irregular, contendo uma grande quantidade de fibras elsticas (GARTNER E HIATT, 1999).

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Figura 17

LP

LP

A

ET B

ET

ML

C

Fotomicrografia da bexiga. A luz apresenta-se revestida por um epitlio de transio (ET); subjacente, uma lmina prpria (LP) e uma musculatura lisa em arranjo plexiforme (ML). A, B, C (400X) HE. Em C as clulas musculares lisas so alongadas e fusiformes, da parede da bexiga de rato. Os ncleos celulares so achatados.

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5.2.12. Mesentrio O mesentrio uma capa dupla de peritnio resultado do prolongamento do peritnio visceral e parietal, invaginando-se em torno de determinados rgos. responsvel pela comunicao neurovascular entre os rgo envolvidos e a parede abdominal. Possui um cilindro de tecido conjuntivo contendo os vasos sanguneos linfticos e nervos. responsvel tambm pela fixao do jejuno e leo na parede posterior do abdmen. Entre as pores do mesentrio se encontram os vasos mesentricos superiores, os gnglios linfticos e uma quantidade varivel de gordura e de nervos autnomos. O mesentrio do intestino grosso denomina-se mesocolon (MOORE E DALLEY, 2006). frequentemente utilizado em montagens totais, sendo distendido sobre uma lmina histolgica, uma vez que sua estrutura fina o suficiente para que a luz ultrapasse, podendo ser corado e examinado diretamente ao microscpio som precisa ser cortado no micrtomo. Consiste em uma poro central de tecido conjuntivo revestido em ambos os lados por um epitlio simples pavimentoso, o mesotlio. No tecido conjuntivo so encontradas fibras colgenas e elsticas, evidenciadas aps a colorao pela orcena, bem como estruturas cilndricas, alongadas e tortuosas. Esse conjuntivo caracteriza-se por apresentar poucas fibras colgenas, muitas clulas e abundante material amorfo. O material amorfo no se cora e aparece como espaos claros com aspecto de vazio entre as clulas. possvel observar as fibras elsticas , mais delgadas, longas e ramificadas formando uma rede fibrilar em contraste com as colgenas, mais grossas, retas e sem ramificaes. Uma grande quantidade mastcitos pode ser observada. O mastcito uma clula globosa, grande e com citoplasma repleto de grnulos metacromticos, corados devido alta concentrao de radicais cidos presentes nas glicosaminoglicanas. O ncleo pequeno, esfrico e central, sendo de difcil observao uma vez que est repleto de grnulos citoplasmticos. Eles colaboram com as reaes imunes e tm um papel essencial na inflamao, nas reaes alrgicas e na expulso de parasitas. Apesar de serem morfologicamente semelhantes, existem no tecido conjuntivo pelo menos dois tipos de mastcitos, distinguidos por coloraes especficas. Um denominado de mastcito do tecido conjuntivo, encontrado na pele e cavidade peritoneal e seus grnulos contm uma substncia anticoagulante heparina. O outro denominado de mastcito de mucosa, presente na mucosa intestinal e nos pulmes. Seus grnulos contm condroitin sulfatado. Os mastcitos originam-se a partir de clulas precursoras hematopoiticas da medula ssea, saindo via corrente sangneos imaturos e entram nos tecidos, onde sofrem maturao, proliferao e diferenciao (JUNQUEIRA E CARNEIRO, 2004).

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Figura 18

A

BFotomicrografias de montagem total de mesentrio. A. mastcitos com grnulos citoplasmticos metacromticos (setas) Azul de toluidina (400x). B. mastcitos (setas) e fibras elsticas (cabeas de seta) - Orcena (400x).

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5.2.13. Artria Elstica Elas possuem grande importncia no controle da presso arterial, pois no deixam que a presso abaixe no perodo de distole do ventrculo esquerdo, contribuindo, portanto, para a estabilizao do fluxo sangneo. Logo, a parede elstica de um vaso como a aorta bastante espessa e resistente, mas em proporo ao tamanho do lmen ela mais delgada do que a parte das artrias musculares (BLOOM E FAWCETT, 1977). As artrias elsticas so constitudas por uma tnica ntima, mdia e uma adventcia. A tnica interna bem desenvolvida, com grande quantidade de fibras elsticas. Apresenta uma camada de clulas endoteliais, apoiada em uma camada de tecido conjuntivo frouxo, isto , a camada subendotelial, que pode conter clulas musculares lisas. Em artrias a tnica ntima separada da mdia por uma lmina elstica interna componente mais externo da ntima. Na tnica mdia h um pequeno o nmero de clulas musculares lisas e tambm h bastante substncia elstica. A camada adventcia pouco desenvolvida. Figura 19

L TI

TM TA ML

Fotomicrografia de artria de grande calibre ou artria elstica com suas camadas: partindo da luz (L), a tnica ntima (TI) constituda pelo endotlio e tecido conjuntivo subendotelial (seta); a tnica mdia (seta TM) com lamelas elsticas (cabea de seta) produzidas pelas fibras musculares lisas (ML) e a tnica adventcia (TA) constituda por tecido conjuntivo propriamente dito.53

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5.2.14. Corao O corao um rgo muscular que se contrai ritmicamente, enquanto bombeia o sangue pelo sistema circulatrio. Tambm responsvel pela produo de um hormnio chamado fator natriurticoatrial. Suas paredes so constitudas por trs tnicas: a interna, ou endocrdio; a mdia ou miocrdio; e a externa ou pericrdio. A regio fibrosa do corao, comumente chama esqueleto fibroso, serve de ponto de apoio para as vlvulas, alm de ser tambm o local de origem e insero das clulas musculares cardicas (JUNQUEIRA E CARNEIRO, 2008). O msculo cardaco constitudo por fibras que possuem a mesma configurao, em bandas transversais, presente no msculo estriado esqueltico. Portanto, tambm estriado. Contudo difere em muitos aspectos do msculo esqueltico. As diferenas histolgicas so: presena de discos intercalares, localizao dos ncleos da clula cardaca no centro da fibra e as ramificaes da fibra muscular. Todas essas diferenas so visveis em um corte longitudinal bem preparado (ROSS E ROMRELL, 1989). Figura 20

A

B

As fotomicrografias coradas em HE, com um aumento de 400x, apresentam um corte longitudinal do msculo cardaco. As setas apontam para os discos intercalares, que representam junes extremidade a extremidade especializadas de clulas contguas. Observa-se tambm a evidente ramificao das fibras musculares. Em A destacam-se grnulos de glicognio retngulos.

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7. Referncias Bibliogrficas ANDR, J. C.; Princpios de histologia para as Cincias da Sade. 1 Edio Engenheiro Schmidt: Educare Editora Ltda, 1998. BLOOM, W.; FAWCETT, D. W. Tratado de Histologia. 10 edio Rio de Janeiro: Editora interamericana Ltda; 1977. BRASIL. MINISTRIO DA AGRICULTURA. II Recomendaes gerais. In: Mtodos analticos oficiais para controle de produtos de origem animal e seus ingredientes: mtodos fsicos e qumicos. [Internet]. Braslia (DF), 1981. [citado em 2009 jan 28]. V. II, p. L/1 L/6. Disponvel em: http://extranet.agricultura.gov.br/sislegis consulta/servlet/VisualizarAnexo?id=12395) DANGELO J. G.; FATTINI C. A. Anatomia Humana Sistmica e Segmentar 3 edio So Paulo: Editora Atheneu. GARTNER, Leslie P.; HIATT, JAMES L. Tratado de Histologia. 5 Ed. GuanabaraKoogan: Rio de Janeiro, 1999.

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