FUNDAMENTOS DO SISTEMA DE GESTÃO DA QUALIDADE...

of 199/199
FUNDAMENTOS DO SISTEMA DE GESTÃO DA QUALIDADE APLICADOS AOS PROCESSOS PRODUTIVOS DE UMA EMPRESA DE PROJETOS DE ENGENHARIA E ARQUITETURA. Rodrigo Bressan Marcondes Projeto de Graduação apresentado ao Curso de Engenharia Civil da Escola Politécnica, Universidade Federal do Rio de Janeiro, como parte dos requisitos necessários à obtenção do título de Engenheiro. Orientador: Profº. Leandro Torres Di Gregorio RIO DE JANEIRO Março de 2018
  • date post

    10-Nov-2018
  • Category

    Documents

  • view

    222
  • download

    0

Embed Size (px)

Transcript of FUNDAMENTOS DO SISTEMA DE GESTÃO DA QUALIDADE...

  • FUNDAMENTOS DO SISTEMA DE GESTO DA QUALIDADE APLICADOS AOS

    PROCESSOS PRODUTIVOS DE UMA EMPRESA DE PROJETOS DE

    ENGENHARIA E ARQUITETURA.

    Rodrigo Bressan Marcondes

    Projeto de Graduao apresentado ao Curso

    de Engenharia Civil da Escola Politcnica,

    Universidade Federal do Rio de Janeiro,

    como parte dos requisitos necessrios

    obteno do ttulo de Engenheiro.

    Orientador: Prof. Leandro Torres Di Gregorio

    RIO DE JANEIRO

    Maro de 2018

  • i

    FUNDAMENTOS DO SISTEMA DE GESTO DA QUALIDADE APLICADOS AOS

    PROCESSOS PRODUTIVOS DE UMA EMPRESA DE PROJETOS DE

    ENGENHARIA E ARQUITETURA.

    Rodrigo Bressan Marcondes

    PROJETO DE GRADUAO SUBMETIDO AO CORPO DOCENTE DO CURSO DE

    ENGENHARIA CIVIL DA ESCOLA POLITCNICA DA UNIVERSIDADE FEDERAL

    DO RIO DE JANEIRO COMO PARTE DOS REQUISITOS NECESSRIOS PARA A

    OBTENO DO GRAU DE ENGENHEIRO CIVIL.

    Examinada por:

    ______________________________________________

    Prof. Leandro Torres Di Gregorio - D.Sc. (orientador).

    ______________________________________________

    Prof. Assed Naked Haddad - D.Sc.

    ______________________________________________

    Prof. Eduardo Linhares Qualharini - D. Sc.

    RIO DE JANEIRO

    Maro de 2018

  • ii

    Marcondes, Rodrigo Bressan

    Fundamentos Do Sistema De Gesto Da

    Qualidade Aplicados Aos Processos Produtivos De

    Uma Empresa De Projetos De Engenharia E

    Arquitetura / Rodrigo Bressan Marcondes - Rio de

    Janeiro: UFRJ / Escola Politcnica, 2018.

    198 p.: il.; 29,7 cm

    Orientador: Leandro Torres Di Gregorio

    Projeto de graduao UFRJ/ Escola

    Politcnica / Curso de Engenharia Civil, 2018.

    Referncias bibliogrficas: p. 97-105

    1. Introduo. 2. Empresas de Projetos na

    Construo Civil 3. Fundamentos do Sistema de

    Gesto da Qualidade 4. Estudo da Caso 5.

    Consideraes Finais

    I. Leandro Torres Di Gregrio. II. Universidade

    Federal do Rio de Janeiro, Escola Politcnica,

    Curso de Engenharia Civil. III. Ttulo

  • iii

    AGRADECIMENTOS

    Em primeiro lugar, agradeo aos meus pais Maria Salete Bressan e Celso Marcondes,

    que sempre me incentivaram e me deram o suporte mais do que necessrio, no

    somente para realizar esse trabalho, mas tambm para conseguir ingressar e concluir

    em um curso muito difcil como o de Engenharia Civil na Universidade Federal do

    Rio de Janeiro.

    Ao meu orientador Leandro Torres Di Gregorio, pela enorme ateno, dedicao e

    ensinamentos passados durante a realizao desse trabalho e durante o perodo de

    realizao do curso. Um exemplo de profissional da melhor qualidade que eu

    considero como referncia.

    Ao meu irmo Bruno Bressan Marcondes que meu maior dolo e exemplo, a pessoa

    em que me espelho para conseguir atingir o sucesso profissional e pessoal.

    Aos meus amigos de infncia do Graja, em especial Gabriel Vieira Cruz, Lucas Roza,

    Vinicius Roza, Diogo Rossi, Joo Sandoval, Rodrigo Matheus, Erick Maia e Sergio

    Chames, que tambm sempre me apoiaram e me ajudam em momentos difceis.

    Aos amigos que fiz durante meu perodo de faculdade, em especial aos da turma que

    entraram comigo como Bruno Santana, Carlos Eduardo Cattoi, Victor Brando,

    Frederico Fernandes, Rafael Di Blasi, Bruno Nery, Guilherme Evaristo, Matheus Lima,

    Thallys Pontes, Vitor Guarilha, e muitos outros que fizeram parte dessa jornada que

    a vida universitria.

    Agradeo em especial aos meus amigos do estgio Amanda Sousa, Ricardo Leal,

    Thiago Barreto, Roberto Mazzarone, Lineker Hoffmann, Arthur Bastos, Thiago

    Bittencourt, Eduardo Guimares e Natlia Carreiro, que contriburam de forma direta

    para realizao desse trabalho.

  • iv

    Resumo do Projeto de Graduao apresentado Escola Politcnica/ UFRJ como

    parte dos requisitos necessrios para a obteno do grau de Engenheiro Civil.

    Fundamentos Do Sistema De Gesto Da Qualidade Aplicados Aos Processos

    Produtivos De Uma Empresa De Projetos De Engenharia E Arquitetura.

    Rodrigo Bressan Marcondes

    Maro/2018

    Orientador: Leandro Torres Di Gregorio

    Curso: Engenharia Civil

    Ao analisar a situao da construo civil, que sofre forte recesso, e compreender

    que este setor exerce forte influncia na economia do pais, que tambm passa por

    uma crise, conclui-se que um caminho para a retomada do crescimento econmico

    do pais est na recuperao deste setor. Como a principal causa na elevao dos

    custos e/ou atrasos em obras est diretamente ligada ao desenvolvimento dos

    projetos de engenharia e arquitetura, torna-se importante a anlise das causas de tais

    no conformidades. Alm desse motivo, o ambiente de negcios competitivo no qual

    estamos inseridos torna cada vez mais importante a busca por mtodos que

    agreguem valor e torne as empresas de projetos mais competitivas. Nesse contexto,

    os fundamentos de um sistema de gesto da qualidade se apresentam como forte

    candidato. Aps esclarecer o ambiente das empresas de projetos e seus mecanismos,

    alm de apresentar os conceitos, mtodos, ferramentas, requisitos e principais

    dificuldades de implementao de tais conceitos, permitiu-se a anlise da

    implementao e manuteno dos fundamentos de um sistema de gesto da

    qualidade nesse trabalho. Por meio de um estudo de caso, foram mapeados todos os

    processos produtivos, seguido de uma anlise crtica de risco potencial de no

    conformidades listadas, alm da proposio de medidas preventivas, solues

    mitigadoras e reengenharia de processos. Por fim, as concluses tiradas vm

    confirmar a complexidade do assunto e que, apesar do aumento rpido do nmero de

    empresas adeptas, as empresas de projeto ainda tm dificuldades quanto ao assunto

    gesto da qualidade de seus produtos.

    Palavras-chave: Gesto da qualidade, projetos, engenharia e arquitetura, processos,

    no-conformidades.

  • v

    Abstract of Undergraduate Project presented to POLI/UFRJ as a partial fulfilment of

    the requirements for the degree of Engineer.

    Fundamentals of Quality Management System Applied to The Productive

    Processes of an Engineering and Architecture Projects Company.

    Rodrigo Bressan Marcondes

    March/2018

    Advisor: Leandro Torres Di Gregorio

    Course: Civil Engineering

    Analyzing the situation of civil construction sector, which is suffering a severe

    recession, and understanding that this sector has a strong influence on the Brazils

    economy, which undergoes a crisis also, it might be concluded that a way for the

    resumption of economic growth of the country is in recovering this sector. As the main

    cause of constructions costs increases and/or delays are directly related to the

    development of engineering and architecture projects, it becomes important to analyze

    the causes of such unconformities. Besides this, the competitive business

    environment, which we are inserted, makes it increasingly important to search for

    methods to improve the value and makes the project companies more competitive in

    this context, the fundamentals of a quality management system are presented as a

    strong candidate. In this context, the fundamentals of a quality management system

    presents itself as a strong candidate. After clarifying the environment of the project

    companies and their mechanisms, besides presenting the concepts, methods, tools,

    requirements and the main difficulties of implementing such concepts, it was possible

    to analyze the implementation and maintenance of the fundamentals of a quality

    management system in this paper. Through a case study, all productive processes

    were mapped, followed by a critical analysis of the potential risk from a list of

    nonconformities, as well as the proposition of preventive measures, mitigation

    solutions and process reengineering. Finally, the conclusions reached confirm the

    complexity of the subject and that, despite the rapid increase of the number of adept

    companies, the civil engineering and architecture project companies still failing on

    quality management.

    Key words: Quality management, projects, engineering and architecture, processes,

    unconformities.

  • vi

    Sumrio

    1. Introduo ...................................................................................................................................... 1

    1.1. Consideraes Iniciais ......................................................................................................... 1

    1.2. Objetivo .................................................................................................................................. 1

    1.3. Justificativa do Trabalho ...................................................................................................... 2

    1.4. Metodologia ........................................................................................................................... 3

    1.5. Estruturao do Trabalho .................................................................................................... 4

    2. Empresas de Projetos na Construo Civil .............................................................................. 6

    2.1. Definio de Projetos ........................................................................................................... 6

    2.2. A Importncia dos Projetos ................................................................................................. 7

    2.3. O Processo de Projetos ....................................................................................................... 9

    2.4. Stakeholders: Intervenientes e Agentes em um Projeto de Edificaes ................... 15

    2.5. Etapas de Projeto ............................................................................................................... 17

    2.6. Principais Disciplinas de Projetos .................................................................................... 19

    2.7. Peculiaridades em uma empresa de projetos ................................................................ 22

    2.7.1. Consideraes ............................................................................................................ 22

    2.7.2. A dificuldade de transmisso de informaes nos dados de entrada ................ 23

    2.7.3. Execuo do projeto: A multidisciplinaridade do projeto como um todo ........... 24

    2.7.4. Compatibilizao de projetos .................................................................................... 25

    2.8. Ambiente de negcios ....................................................................................................... 28

    2.8.1. Contextualizao ........................................................................................................ 28

    2.8.2. Qualidade como fator de competitividade em uma empresa .............................. 32

    3. Fundamentos do Sistema de Gesto da Qualidade ............................................................. 34

    3.1. Histrico ............................................................................................................................... 34

    3.1.1. No Mundo .................................................................................................................... 34

    3.1.2. No Brasil ....................................................................................................................... 37

    3.2. Importncia da Gesto da Qualidade em Projetos de Edificaes ............................ 39

    3.3. Principais Modelos, Tcnicas e Ferramentas ................................................................ 41

    3.3.1. NBR ISO 9001:2015 .................................................................................................. 41

    3.3.3. SiAC/PBQP-H ............................................................................................................. 44

    3.3.4. Ferramentas da Qualidade ....................................................................................... 48

    3.4. Sistema de Gesto da Qualidade Conforme NBR ISO 9001:2015 ............................ 57

    3.5. Implementao de um SGQ ............................................................................................. 60

    3.5.1. Como Implementar e manter um SGQ ................................................................... 60

    3.5.2. Dificuldades para Adoo e Prtica......................................................................... 62

  • vii

    3.5.3. Custos da Qualidade .................................................................................................. 63

    3.6. As Vantagens ...................................................................................................................... 65

    4. Estudo da Caso .......................................................................................................................... 68

    4.1. Aspectos Gerais ................................................................................................................. 68

    4.2. Metodologia Detalhada do Estudo de Caso ................................................................... 68

    4.2.1. 1 Passo: Mapeamento de Processos de Produo dos Projetos ..................... 68

    4.2.2. 2 Passo: Anlise de Impactos e Probabilidade de Ocorrncia de No Conformidade .............................................................................................................................. 69

    4.2.3. 3 Passo: Classificao de Risco, Anlise Crtica e Proposio de Medidas Mitigadoras ou de Preveno ................................................................................................... 69

    4.2.4. 4 Passo: Proposta de Reengenharia dos Processos .......................................... 69

    4.3. Caracterizao da Empresa X .......................................................................................... 70

    4.3.1. Consideraes Inicias ................................................................................................ 70

    4.3.2. Estrutura Organizacional e Quadro de Funcionrios ............................................ 70

    4.3.3. Caractersticas dos Projetos Produzidos pela Empresa X .................................. 72

    4.3.4. Equipamentos e Ferramentas Utilizados ................................................................ 73

    4.4. Mapeamento dos Processos de Produo dos Projetos ............................................. 73

    4.4.1. Glossrio de Processos ............................................................................................. 76

    4.5. Possveis No Conformidades e Classificao de Riscos ........................................... 83

    4.5.1. Anlise de Impactos e Probabilidade de Ocorrncia de No Conformidade .... 85

    4.5.2. Classificao de Risco ............................................................................................... 87

    4.5.3. Anlise Crtica e Proposio de Medidas Mitigadoras ou de Preveno .......... 89

    4.6. Reengenharia de Processos ............................................................................................ 93

    5. Consideraes Finais ................................................................................................................ 95

    Referncias Bibliogrficas ................................................................................................................. 99

    Anexo I NBR ISO 9.001:2015 (Requisitos de Projeto) ............................................................ 108

    Anexo II SiAC/PBQP-h (Requisitos de Projeto) ....................................................................... 111

    Anexo III SiAC/PBQP-h Projetos ................................................................................................ 114

    Anexo IV.1. Clculo do BDI de servios .................................................................................... 116

    Anexo IV.2. Clculo do BDI de fornecimentos ......................................................................... 117

    Apndice I Fluxograma Multifuncional Dos Processos De Produo Da Empresa X ........ 118

    Apndice II Anlise De Impacto E Probabilidade De Ocorrncia .......................................... 121

    Apndice III Anlise E Classificao De Risco Das No Conformidades ............................ 174

    Apndice IV Risco Acumulado .................................................................................................... 179

    Apndice V Reengenharia de Processos .................................................................................. 184

  • viii

    LISTA DE FIGURAS

    Figura 1 - O avano do empreendimento em relao chance de reduzir o custo .................. 8

    Figura 2 - Grfico que relaciona o tempo de desenvolvimento de um empreendimento e

    custo mensal das atividades............................................................................................................... 9

    Figura 3 - O modelo descritivo de processo de projeto segundo Cross. ................................... 11

    Figura 4 - O modelo descritivo de processo de projeto segundo French. ................................. 12

    Figura 5 - O processo de projeto em pirmides espelhadas de Markus e Arch. ..................... 14

    Figura 6 - O processo de projeto e seus intervenientes principais............................................. 15

    Figura 7 - Partes interessadas no projeto. ..................................................................................... 17

    Figura 8 - Esquema geral resumido do processo de projeto. ..................................................... 24

    Figura 9 - PIB Brasil x PIB Construo Civil .................................................................................. 28

    Figura 10 - Variao Unidades Residenciais Lanadas 3t2016 X 3t2017 ............................. 30

    Figura 11 - Variao Unidades Residenciais Vendidas 3t2016 X 3t2017 ............................... 31

    Figura 12 - ndices de expectativas (ndice de difuso de 0 a100) ............................................ 31

    Figura 13 - Facilidade de acesso ao crdito .................................................................................. 32

    Figura 14 - Gesto da Qualidade no Tempo .................................................................................. 35

    Figura 15 - Capacidade de influenciar o custo final de um empreendimento de edifcio ao

    longo de suas fases. .......................................................................................................................... 40

    Figura 16 - Nveis de Avaliao do SiAC. ...................................................................................... 45

    Figura 17 - O Ciclo PDCA. ................................................................................................................ 49

    Figura 18 - Ciclos PDCA ................................................................................................................... 49

    Figura 19 - Representao do Diagrama de Ishikawa (espinha de peixe). .............................. 51

    Figura 20 - Representao do Diagrama de Ishikawa (Conceito dos 6M). .............................. 52

    Figura 21 - Exemplo de Folha de Verificao. ............................................................................... 55

    Figura 22 - Diagrama de Pareto ....................................................................................................... 56

    Figura 23 - Simbologia do Fluxograma. .......................................................................................... 57

    Figura 24 - Modelo de SGQ baseado em processo ..................................................................... 59

    Figura 25 - Atividades de Responsabilidade da Administrao .................................................. 60

    Figura 26 - Padronizao e treinamento ........................................................................................ 61

    Figura 27 - Implantao dos procedimentos obrigatrios e relativos medio e

    monitoramento .................................................................................................................................... 61

    Figura 28 - Verificao da conformidade do Sistema de Gesto da Qualidade ...................... 62

    Figura 29 - Relao entre os custos da qualidade ........................................................................ 65

    Figura 30 - Organograma da Empresa X ....................................................................................... 70

    Figura 31 - Fluxograma dos processos de produo de um projeto de instalaes eltricas

    Projetos Bsico e Executivo ............................................................................................................. 75

    Figura 32 - Grfico de Pareto para risco potencial acumulado de no conformidades em

    projetos de instalaes eltricas. ..................................................................................................... 93

    Figura 33 - Proposta de Reengenharia de Processos Projeto Executivo de Arquitetura. ... 94

    file:///C:/Users/rodrigobressan/Desktop/TCC%20-%20R3.docx%23_Toc509225304file:///C:/Users/rodrigobressan/Desktop/TCC%20-%20R3.docx%23_Toc509225305file:///C:/Users/rodrigobressan/Desktop/TCC%20-%20R3.docx%23_Toc509225305file:///C:/Users/rodrigobressan/Desktop/TCC%20-%20R3.docx%23_Toc509225306file:///C:/Users/rodrigobressan/Desktop/TCC%20-%20R3.docx%23_Toc509225307file:///C:/Users/rodrigobressan/Desktop/TCC%20-%20R3.docx%23_Toc509225308file:///C:/Users/rodrigobressan/Desktop/TCC%20-%20R3.docx%23_Toc509225309file:///C:/Users/rodrigobressan/Desktop/TCC%20-%20R3.docx%23_Toc509225310file:///C:/Users/rodrigobressan/Desktop/TCC%20-%20R3.docx%23_Toc509225311file:///C:/Users/rodrigobressan/Desktop/TCC%20-%20R3.docx%23_Toc509225312file:///C:/Users/rodrigobressan/Desktop/TCC%20-%20R3.docx%23_Toc509225313file:///C:/Users/rodrigobressan/Desktop/TCC%20-%20R3.docx%23_Toc509225314file:///C:/Users/rodrigobressan/Desktop/TCC%20-%20R3.docx%23_Toc509225315file:///C:/Users/rodrigobressan/Desktop/TCC%20-%20R3.docx%23_Toc509225316file:///C:/Users/rodrigobressan/Desktop/TCC%20-%20R3.docx%23_Toc509225317file:///C:/Users/rodrigobressan/Desktop/TCC%20-%20R3.docx%23_Toc509225318file:///C:/Users/rodrigobressan/Desktop/TCC%20-%20R3.docx%23_Toc509225318file:///C:/Users/rodrigobressan/Desktop/TCC%20-%20R3.docx%23_Toc509225319file:///C:/Users/rodrigobressan/Desktop/TCC%20-%20R3.docx%23_Toc509225320file:///C:/Users/rodrigobressan/Desktop/TCC%20-%20R3.docx%23_Toc509225321file:///C:/Users/rodrigobressan/Desktop/TCC%20-%20R3.docx%23_Toc509225322file:///C:/Users/rodrigobressan/Desktop/TCC%20-%20R3.docx%23_Toc509225323file:///C:/Users/rodrigobressan/Desktop/TCC%20-%20R3.docx%23_Toc509225324file:///C:/Users/rodrigobressan/Desktop/TCC%20-%20R3.docx%23_Toc509225325file:///C:/Users/rodrigobressan/Desktop/TCC%20-%20R3.docx%23_Toc509225326file:///C:/Users/rodrigobressan/Desktop/TCC%20-%20R3.docx%23_Toc509225327file:///C:/Users/rodrigobressan/Desktop/TCC%20-%20R3.docx%23_Toc509225328file:///C:/Users/rodrigobressan/Desktop/TCC%20-%20R3.docx%23_Toc509225329file:///C:/Users/rodrigobressan/Desktop/TCC%20-%20R3.docx%23_Toc509225330file:///C:/Users/rodrigobressan/Desktop/TCC%20-%20R3.docx%23_Toc509225330file:///C:/Users/rodrigobressan/Desktop/TCC%20-%20R3.docx%23_Toc509225331file:///C:/Users/rodrigobressan/Desktop/TCC%20-%20R3.docx%23_Toc509225332file:///C:/Users/rodrigobressan/Desktop/TCC%20-%20R3.docx%23_Toc509225333file:///C:/Users/rodrigobressan/Desktop/TCC%20-%20R3.docx%23_Toc509225334file:///C:/Users/rodrigobressan/Desktop/TCC%20-%20R3.docx%23_Toc509225334file:///C:/Users/rodrigobressan/Desktop/TCC%20-%20R3.docx%23_Toc509225335file:///C:/Users/rodrigobressan/Desktop/TCC%20-%20R3.docx%23_Toc509225335file:///C:/Users/rodrigobressan/Desktop/TCC%20-%20R3.docx%23_Toc509225336

  • ix

    LISTA DE QUADROS

    Quadro 1 - Os estgios e mtodos do modelo prescritivo de Cross. ......................................... 11

    Quadro 2 - As atividades e estgios sugeridos por French ......................................................... 13

    Quadro 3 - Estgios do processo de projeto sugeridos por Markus e Arch.............................. 13

    Quadro 4 - Principais intervenientes do processo de projeto e suas funes. ......................... 16

    Quadro 5 - Descrio das etapas de um projeto segundo a NBR 13.531:1995 ...................... 17

    Quadro 6 - Especialidades de projetos ........................................................................................... 19

    Quadro 7 - Configurao da multidisciplinaridade de um projeto. .............................................. 21

    Quadro 8 - Peculiaridades presentes no desenvolvimento de projetos de engenharia e

    arquitetura............................................................................................................................................ 22

    Quadro 9 - Estratgias genricas amplas ...................................................................................... 33

    Quadro 10 - Os princpios filosficos do modelo NBR ISO 9.001:2015 .................................... 42

    Quadro 11 - requisitos necessrios para adoo de um sistema de gesto da qualidade. 43

    Quadro 12 - Requisitos referentes ao processo de projeto segundo o SiAC/PBQP-H. Seo

    Requisito Descrio. .......................................................................................................................... 46

    Quadro 13 - Requisitos referentes ao processo de projeto segundo o SiAC-Projetos. .......... 47

    Quadro 14 - Os estgios do Ciclo PDCA. ...................................................................................... 50

    Quadro 15 - Etapas para a construo de um Diagrama de Causa e Efeito. .......................... 52

    Quadro 16 - As questes a serrem respondidas ao utilizar a ferramenta 5W2H. .................... 53

    Quadro 17 - Recomendaes Gerais para a elaborao e utilizao de Folhas de

    Verificao. .......................................................................................................................................... 55

    Quadro 18 - Componentes Importantes e Sua Finalidade em um SGQ. .................................. 58

    Quadro 19 - Tipos de custos e suas definies ............................................................................ 64

    Quadro 20 - Motivaes e vantagens advindas da implementao da gesto da qualidade. 66

    Quadro 21 - Projetos desenvolvidos na Empresa X ..................................................................... 72

    Quadro 22 - Etapas de projeto. ........................................................................................................ 74

    Quadro 23 - Lista de no conformidades para projetos de instalaes hidrulicas e

    sanitrias.............................................................................................................................................. 84

    Quadro 24 - Itens avaliados na pesquisa ....................................................................................... 85

    Quadro 25 - Faixa de variao de Risco ........................................................................................ 87

    file:///C:/Users/rodrigobressan/Desktop/TCC%20-%20R3.docx%23_Toc509225359file:///C:/Users/rodrigobressan/Desktop/TCC%20-%20R3.docx%23_Toc509225359file:///C:/Users/rodrigobressan/Desktop/TCC%20-%20R3.docx%23_Toc509225360

  • x

    LISTA DE TABELAS

    Tabela 1 - Falhas tpicas de projetos apontados por construtoras. ........................................... 26

    Tabela 2 - Nmero de estabelecimentos na construo civil ...................................................... 29

    Tabela 3 - Nmero De Estabelecimentos Por Grupos De Atividade Econmica Da

    Construo Civil. ................................................................................................................................. 29

    Tabela 4 - Nmero De Estabelecimentos E Tamanho Por Empregados Ativos Na

    Construo Civil .................................................................................................................................. 30

    Tabela 5 - Origens dos problemas patolgicos na construo civil ........................................... 40

    Tabela 6 - Critrio de Rejeio de Chauvenet ............................................................................... 86

    Tabela 7 - Apurao de dados obtidos no estudo de caso ......................................................... 87

    Tabela 8 - Riscos Calculados ........................................................................................................... 88

    Tabela 9 - No conformidades de mdio e alto risco ................................................................... 90

    Tabela 10 - Risco acumulado no conformidades projetos de Instalaes Eltricas .......... 92

    file:///C:/Users/rodrigobressan/Desktop/TCC%20-%20R3.docx%23_Toc509225362file:///C:/Users/rodrigobressan/Desktop/TCC%20-%20R3.docx%23_Toc509225363file:///C:/Users/rodrigobressan/Desktop/TCC%20-%20R3.docx%23_Toc509225364file:///C:/Users/rodrigobressan/Desktop/TCC%20-%20R3.docx%23_Toc509225364file:///C:/Users/rodrigobressan/Desktop/TCC%20-%20R3.docx%23_Toc509225365file:///C:/Users/rodrigobressan/Desktop/TCC%20-%20R3.docx%23_Toc509225365file:///C:/Users/rodrigobressan/Desktop/TCC%20-%20R3.docx%23_Toc509225366file:///C:/Users/rodrigobressan/Desktop/TCC%20-%20R3.docx%23_Toc509225367file:///C:/Users/rodrigobressan/Desktop/TCC%20-%20R3.docx%23_Toc509225368file:///C:/Users/rodrigobressan/Desktop/TCC%20-%20R3.docx%23_Toc509225369file:///C:/Users/rodrigobressan/Desktop/TCC%20-%20R3.docx%23_Toc509225370file:///C:/Users/rodrigobressan/Desktop/TCC%20-%20R3.docx%23_Toc509225371

  • xi

    LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

    ABNT Associao Brasileira de Normas Tcnicas

    BDI Benefcios e Despesas Indiretas

    BIM Building Information Modeling

    CAD Computed Aided Design

    CBIC Cmara Brasileira da Indstria da Construo

    CBMERJ Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro

    CBMERJ Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro

    CCU Composio de Custo Unitrio

    CII Comisso da Indstria Imobiliria

    CONFEA Conselho Federal de Engenharia e Agronomia

    CSN Companhia Siderrgica Nacional

    CWQC Company Wide Quality Control

    EAP Estrutura Analtica de Projeto

    EMOP Equipes de Monitoramento Patrimonial e de Garantia do Crdito Tributrio

    EUA Estados Unidos da Amrica

    INB Indstrias Nucleares do Brasil S.A.

    ISO International Organization for Standardization

    MIL-STD Military Standard

    OTAN Organizao do Tratado do Atlntico Norte

    PBQP Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade

    PBQP-H Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat

    PEGQ Projeto de Especializao em Gesto da Qualidade

    PIB Produto Interno Bruto

    PMI Project Management Institute (Instituto de Gerenciamento de Projetos)

    ProQP O Programa da Qualidade e Produtividade

    RH Recursos Humanos

    SDAI Sistema de Deteco e Alarme de Incndio

    SEAP - Secretaria do Estado de Administrao e do Patrimnio

    SGQ Sistema de Gesto da Qualidade

  • xii

    SiAC Sistema de Avaliao da Conformidade de Empresas de Servios e Obras

    SINAPI Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e ndices da Construo Civil

    SINDUSCON-JP Sindicato da Indstria da Construo Civil de Joo Pessoa

    SiQ Sistema de Qualificao de Empresas de Servios e Obras

    SPDA Sistema de Proteo Contra Descargas Atmosfricas

    SPDA Sistema de Proteo Contra Descargas Atmosfricas

    TCU Tribunal de Contas da Unio

    TI Tecnologia da Informao

  • 1

    1. Introduo

    1.1. Consideraes Iniciais

    A indstria da construo um dos setores mais representativos do pas,

    chegando a atingir 8,0% do PIB brasileiro em 2017 segundo discurso do Presidente

    da Associao Brasileira de Incorporadoras Imobilirias, Rubens Menin (2017). A

    atividade movimenta diversas reas e exerce influncia direta e indireta no resultado

    econmico do Brasil. Sendo assim, a capacidade produtiva e o desenvolvimento

    nacional esto diretamente relacionados ao desempenho do setor. Para Teixeira e

    Carvalho (2005), a indstria da construo pode ser classificada como um setor-chave

    da economia brasileira devida sua forte interligao com outras atividades

    Entretanto, a desacelerao econmica atual afeta negativamente o setor em foco.

    Segundo dados do IBGE (2017), a indstria da construo civil apresentou uma taxa

    de variao negativa de -6,56% no 4 trimestre acumulado de 2017 quando

    comparado ao mesmo perodo do ano anterior. Tendo em vista esse cenrio

    desfavorvel, a continuao ou o desenvolvimento de novos empreendimentos se

    torna mais complicado. Sendo assim, as empresas envolvidas na rea em questo

    tendem a ter o foco na reduo de custos como uma forma de se manterem

    competitivas no mercado de trabalho.

    Como foco desse presente documento, e por fazer parte desse setor muito

    importante na economia do Brasil, empresas de projetos de engenharia e arquitetura

    podem e devem adotar a gesto da qualidade como uma ferramenta no auxlio de

    tomada de deciso, desenvolvimento de estratgias e prticas visando a reduo de

    custos, mas sem perder a competitividade no mercado.

    Alm disso, segundo Prubel (2017), devido falta de qualidade dos projetos,

    considerada como grande barreira para o avano tecnolgico e organizacional da

    indstria de construo do pas, os princpios e os processos da gesto da qualidade

    tm sido bastante discutidos.

    1.2. Objetivo

    O presente trabalho tem como objetivo o desenvolvimento e a aplicao, em uma

    empresa de projetos de engenharia e arquitetura, dos fundamentos bsicos que

  • 2

    direcionam abordagem de gesto da qualidade baseado na NBR ISO 9.001:2015 e

    no Sistema de Avaliao da Conformidade de Empresas de Servios e Obras da

    Construo Civil (SiAC) do Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade do

    Habitat (PBQP-H).

    Para concluso de tal objetivo, necessrio o melhor entendimento do ambiente

    de uma empresa de projetos de engenharia e arquitetura, como esta exerce suas

    funes, boas prticas, alm de dificuldades, peculiaridades e ambiente de negcio

    atual.

    Neste contexto, esse presente documento tambm tenta esclarecer os conceitos

    e fundamentos de gesto da qualidade de forma geral e direcionadas a empresas de

    projetos de engenharia e arquitetura, alm de esclarecer os requisitos, pr-

    determinados por normas, e as dificuldades de se aplicar e manter os fundamentos

    de gesto da qualidade nesse tipo de empresa do setor da construo civil.

    1.3. Justificativa do Trabalho

    O projeto um produto que tem o potencial para ser o diferencial em algum

    empreendimento. Sua qualidade essencial para o sucesso e concluso de uma obra

    (PERALTA, 2002).

    Sendo o projeto o primeiro passo na execuo de um empreendimento, de suma

    importncia que este seja de alta qualidade (BARROS, 1996; PERALTA, 2002;

    HAMMARLUND e JOSEPHSON, 1992), visto que isso ir se refletir como um

    facilitador na hora da execuo, auxiliando, de forma considervel, na reduo de

    falhas e/ou dvidas de quem for executar o projeto em campo. Seguindo essa lgica,

    quanto melhor a qualidade de um projeto, menor ser a probabilidade de falhas na

    execuo e com isso menor o custo final da obra, aumentando o lucro do

    empreendedor.

    Tendo em vista a crise econmica na qual passa o Brasil e como forma de ganhar

    competitividade no mercado, o desenvolvimento e aplicao dos fundamentos de um

    sistema de gesto da qualidade se torna indispensvel.

    A falta de interesse ou conhecimento sobre o assunto (BARROS, 1996) no

    ambiente de trabalho e no mercado que se apresenta tambm foi de extrema

  • 3

    importncia para a deciso em fazer essa pesquisa e poder ajudar a esclarecer o

    mximo possvel sobre o assunto.

    Ao demonstrar como desenvolver e aplicar os fundamentos de um sistema de

    gesto da qualidade, acredita-se que este trabalho poder contribuir para a melhoria,

    no s da qualidade dos projetos, mas tambm no aumento de competitividade entre

    empresas e, consequentemente, no desenvolvimento econmico do Brasil.

    1.4. Metodologia

    A metodologia utilizada para a elaborao do presente trabalho consistiu em

    pesquisa bibliogrfica a fontes relacionadas aos temas Fundamentos de um Sistema

    de Gesto da Qualidade, Projetos da Construo Civil e estudo de caso composto por

    visita a uma empresa de projetos e entrevista com profissionais funcionrios dessa

    empresa.

    A anlise documental foi baseada em documentao textual e eletrnica. Para a

    parte textual foram consultados livros de autores referenciados no assunto, artigos

    publicados em meio eletrnico, teses de mestrado e doutorado assim como material

    disponibilizado pela empresa referenciada no estudo de caso. A memria Iconogrfica

    em parte de autoria prpria e realizada durante a observao em campo, e em parte

    fornecida pela empresa.

    O estudo de caso histrico-organizacional, com a tcnica de coleta de dados por

    meio acesso a documentos e entrevistas com os profissionais, foi realizado em uma

    empresa de projetos de engenharia e arquitetura em que o presente autor trabalha. A

    consulta a empresa durou cinco meses, de 01/08/2017 a 29/12/2017, e se constituiu

    por passagem nas reas de produo dos projetos. Foi possvel observar a gesto

    das rotinas e como o trabalho desenvolvido, alm de reunies de acompanhamento,

    incio e trmino de projeto.

    A escolha da empresa em estudo baseou-se no nvel de cumprimento de requisitos

    fundamentais da gesto da qualidade. Para isso, foi selecionada uma empresa no

    certificada e que fosse possvel notar uma filosofia de gesto da qualidade no muito

    enfatizada, tornando possvel identificar falhas processuais e gerenciais e, com isso,

    propor novas rotinas baseadas na gesto da qualidade, a serem detalhadas

    posteriormente.

  • 4

    Os dados coletados do estudo de caso foram fornecidos pela empresa e

    detalhados pelos engenheiros projetistas, com o intuito de esclarecer o que foi

    desenvolvido. Alm disso, o presente autor contou com apoio de outros profissionais

    da empresa e professor orientador no tema escolhido.

    Tambm considerados de suma importncia no resultado final da qualidade do

    produto, os processos internos da empresa, como por exemplo os setores de recursos

    humanos e comercial, no foram abordados nesse documento tendo em vista a

    quantidade e o difcil acesso s informaes. Sendo assim, o estudo de caso limitou-

    se a analisar os setores de produo direta dos projetos.

    1.5. Estruturao do Trabalho

    O presente trabalho composto por cinco captulos, sendo o primeiro esta

    introduo, que apresenta o tema e ressalta sua importncia, assim como apresenta

    o objetivo, justificativa, metodologia e a estruturao do mesmo.

    O segundo captulo tem o objetivo de apresentar uma contextualizao do

    ambiente de uma empresa de projetos. Definies, relevncia de seus produtos,

    assim como um esclarecimento de seus processos, etapas, boas prticas, agentes,

    peculiaridades, enfim, um desmembramento desta a fim de obter um melhor

    entendimento de como este tipo de empresa funciona. No esquecendo de um

    assunto de fundamental importncia que o ambiente de negcios atual.

    O terceiro inicia esclarecendo conceitos e fundamentos da gesto da qualidade

    fundamentado com um histrico deste. J direcionando o assunto empresas de

    projetos, o captulo aborda a importncia na qualidade dos projetos da construo civil

    e apresenta modelos, mtodos e ferramentas que auxiliam essas empresas

    projetistas. Criando um link com o estudo de caso que vir no captulo seguinte, este

    captulo aborda o assunto fundamentos de um sistema de gesto da qualidade

    atendendo requisitos da norma NBR ISO 9001:2015 e o SiAC-PBQPH, prticas para

    aplicao, dificuldades, custos e vantagens de se manter esses fundamentos de

    sistema de gesto da qualidade.

    O quarto captulo apresenta o estudo de caso onde so aplicados os conceitos dos

    fundamentos de um sistema de gesto da qualidade junto a uma anlise crtica da

    aplicao do mesmo. realizada uma caracterizao da empresa em estudo,

  • 5

    apontando seus processos de produo, estrutura, etapas de projetos, recursos e

    caractersticas de seus produtos. Em seguida realizado a aplicao de fundamentos

    de um sistema de gesto da qualidade onde h o mapeamento dos processos de

    produo dessa empresa, seguida de um estudo estatstico de avaliao de risco e

    classificao de prioridade para tomada de ao preventiva ou de mitigao.

    O quinto captulo apresenta as consideraes finais deste trabalho e sugestes

    para trabalhos futuros, alm de pontos de maiores dificuldades no desenvolvimento

    desse documento.

    Por fim, so apresentadas as referncias bibliogrficas, eletrnicas e anexos deste

    trabalho.

  • 6

    2. Empresas de Projetos na Construo Civil

    2.1. Definio de Projetos

    O conceito de projeto constantemente revisado e aprimorado por especialistas.

    Projeto possui uma diversidade de definies, variando de acordo com o contexto em

    que esteja se referindo e quanto ao emprego desta palavra (SANTOS, 2014).

    Segundo o PMI (2013), projeto um esforo temporrio empreendido para criar

    um produto, servio ou resultado exclusivo. A natureza temporria dos projetos indica

    que eles tm um incio e um trmino definidos, podendo ser de curto, mdio ou longo

    prazo. Podendo tambm envolver uma nica pessoa a milhares delas, e produzir

    resultados curtos ou duradouros. No entanto, o que difere um projeto de um servio

    justamente a sua temporalidade, visto que o servio pode ser contnuo, enquanto que

    todo projeto tem um fim.

    Um projeto um conjunto organizado de pessoas engajadas que visam atingir um

    objetivo especfico. Projetos geralmente envolvem gastos, aes ou

    empreendimentos nicos de altos riscos e devem obter prazo bem definido para

    concluso, dependente de um montante de dinheiro, dentro de alguma expectativa de

    desempenho (TUMAN, 1983).

    Para Vargas (2016), projeto um empreendimento no repetitivo, caracterizado

    por uma sequncia clara e lgica de eventos, com incio, meio e fim, que se destina a

    atingir um objetivo claro e definido, sendo conduzido por pessoas dentro de

    parmetros predefinidos de tempo, custo, recursos envolvidos e qualidade.

    Segundo a norma NBR 5.674:1999, projeto uma descrio grfica e escrita das

    caractersticas de um servio ou obra de Engenharia ou Arquitetura, onde so

    definidos seus atributos tcnicos, econmicos, financeiros e legais.

    De acordo com o Conselho Federal de Engenharia e Agronomia CONFEA, a

    partir da Deciso Normativa No 106, o termo projeto definido como a somatria do

    conjunto de todos os elementos conceituais, tcnicos, executivos e operacionais

    abrangidos pelas reas de atuao, pelas atividades e pelas atribuies dos

    profissionais da Engenharia e da Agronomia.

  • 7

    O projeto permite planejar no apenas a forma final do produto edifcio, definindo

    uma srie de aspectos da edificao que influenciam na qualidade e produtividade do

    processo construtivo (SANTOS, 2014).

    Nesse contexto, Souza e Abiko (1997) afirmam que na etapa de projeto que o

    produto concebido e desenvolvido e que deve ser baseado na identificao das

    necessidades dos clientes em termos de desempenho e custos e nas condies de

    exposio a que est submetido o edifcio na sua fase de uso.

    Pode-se concluir que o projeto um processo temporariamente bem definido

    contendo um conjunto de diversos desenhos e documentos multidisciplinares, com o

    objetivo de empreender um determinado objeto, definindo escopo, prazos, recursos

    empregados, objetivos a serem alcanados e responsabilidades de execuo. No

    contexto da construo civil, o projeto de edificaes o termo utilizado para referir-

    se ao projeto do empreendimento a ser entregue, ou seja, os projetos arquitetnicos,

    estrutural, de instalaes, etc.

    2.2. A Importncia dos Projetos

    A preocupao com o projeto tornou-se maior por ser a elaborao deste

    considerada uma das principais fontes de melhoria de desempenho do produto

    edificao, de diminuio de custos de produo, de diminuio de ocorrncia de

    falhas tanto no produto quanto no processo e de otimizao das atividades de

    execuo (PERALTA, 2002).

    Dentro desse contexto, para Franco (1992) e Barros e Dornelles (1991), as

    decises tomadas na fase de desenvolvimento dos projetos trazem maior repercusso

    nos custos, velocidade e qualidade dos empreendimentos, alm ser a maioria dos

    problemas patolgicos dos edifcios.

  • 8

    A Figura 1 demonstra a importncia das fases iniciais do empreendimento,

    reafirmando a opinio de Hammarlund e Josephson (1992) de que decises para a

    reduo de custos e de falhas na construo de edifcios devem ser tomadas nas

    fases inicias do empreendimento.

    Fonte: Hammarlund e Josephson (1992).

    Muitas vezes considerado como um nus pelo empreendedor, o projeto

    encarado como uma despesa a ser minimizada ao mximo possvel, esclarece Barros

    (1996).

    Melhado e Violani (1992) defendem que o investimento em prazo e custo de projeto

    devem assumir um papel de maior importncia no desenvolvimento de um

    empreendimento de forma geral, ou seja, seria necessrio um maior investimento

    inicial para permitir o melhor desenvolvimento dos projetos, ainda que houvesse um

    acrscimo no custo inicial e maior perodo de tempo na elaborao de projetos. (Figura

    2)

    Figura 1 - O avano do empreendimento em relao chance de reduzir o custo

  • 9

    Fonte: Barros e Melhado (1997).

    Nesse contexto, Melhado (1995) afirma que o projeto deve ser encarado como

    informao de natureza tecnolgica ou de cunho gerencial, servindo como suporte ao

    planejamento da obra, o que expe o seu carter processual. Sendo assim, a

    necessidade de clarificar e desenvolver seus processos se torna um caminho

    inevitvel.

    2.3. O Processo de Projetos

    O processo realizao dos projetos de uma construo considerado com nvel

    de complexidade alto, visto que h uma enormidade de interaes entre eles, alm de

    uma variada multidisciplinaridade. Tal complexidade retratada de inmeras formas

    na literatura.

    A partir de teorias e estudos empricos, muitos autores propem diversos exemplos

    de fluxogramas e grficos que tm o objetivo de clarificar e melhor representar o

    processo de desenvolvimento de projetos.

    Vernadat (1996) defini processo como um conjunto de atividades parcialmente

    ordenadas, conectadas pelas suas relaes de precedncia, cuja execuo do

    mesmo caracterizada por alguns eventos que resultam em uma condio final

    quantificvel. Assim, um processo pode ser organizado em subprocessos e estes em

    Figura 2 - Grfico que relaciona o tempo de desenvolvimento de um empreendimento e custo mensal das atividades.

  • 10

    atividades, com fornecedores suprindo o processo com entradas e clientes utilizando

    sadas.

    Os processos de projetos podem ser apenas descries das atividades que

    tipicamente ocorrem durante a gerao de um projeto em sequncia, ou podem ser

    etapas de uma forma de desenvolver o processo de maneira mais apropriada onde o

    processo desenvolvido atravs de metodologias particulares de projeto descrevendo

    uma forma mais sistemtica de desenvolvimento de projetos, esclarece Cross (1942).

    Sendo assim, o autor prope dois modelos bsicos de processo de projeto, descritivo

    e prescritivo.

    O modelo descritivo apresentado como simplificado e tem uma natureza foco na

    soluo da problemtica de projetos. A soluo gerada por este modelo analisada,

    avaliada, refinada e desenvolvida, algumas vezes, durante a anlise e avaliao.

    Semelhante a um processo de tentativa e erro, se ao chegar concluso de que a

    soluo no adequada e possui falhas, esta soluo descartada e o processo se

    repete at alcanar uma soluo satisfatria. Posto em estgios sequenciais, o

    modelo representa as quatro atividades essenciais de um projetista ao desenvolver

    um projeto (Figura 3).

    J o modelo prescritivo apresentado muito mais detalhado e tem o foco no

    desenvolvimento de mtodos apropriados e que busquem a melhoria do processo de

    projeto. Assim, Cross (1942) prope um modelo de sete estgios no total, cada estgio

    com seus mtodos para simplificao e melhoria de seu desenvolvimento (Quadro 1).

  • 11

    Fonte: Adaptado de Cross (1942)

    Quadro 1 - Os estgios e mtodos do modelo prescritivo de Cross.

    Estgio Mtodo relevante ao estgio

    Elucidao de

    objetivos

    rvore de objetivos - Objetivo: Clarificar os objetivos de

    projeto e seus sub-objetivos, e suas relaes.

    Estabelecimento

    de funes

    Anlise de funes - Objetivo: Estabelecer as funes

    requisitadas, e os limites do sistema de um novo projeto.

    Composio de

    requisitos

    Especificao de performance - Objetivo: Desenvolver uma

    especificao clara da performance requerida pelo projeto.

    Determinao de

    caractersticas

    QFD Objetivo: Estabelecer objetivos a serem atingidos

    atravs das caractersticas do produto, para que este

    satisfaa os requisitos dos clientes

    Gerao de

    alternativas

    Grfico morfolgico - Objetivo: Gerar uma composio

    completa de alternativas de solues de projeto, e assim

    ampliar a busca por novas solues potenciais.

    Avaliao das

    alternativas

    Atribuio de valores para os objetivos - Objetivo: Comparar

    os valores de cada alternativa de projeto, atravs da

    definio de valores para os diferentes objetivos.

    Figura 3 - O modelo descritivo de processo de projeto segundo Cross.

  • 12

    Melhoria de

    detalhes

    Engenharia de valor - Objetivo: Aumentar ou manter o valor

    de um produto atravs da reduo de custos de produo.

    Fonte: Adaptado de Cross (1942)

    French (1985) prope, tambm, um modelo descritivo do processo de projeto,

    porm mais detalhado (Figura 4). Cada atividade principal, representada por

    retngulos, interligada, garantindo o carter iterativo explicado por Cross (1942). O

    Quadro 2 descreve cada estgio do processo proposto pelo autor.

    Fonte: Adaptado de French (1985)

    Figura 4 - O modelo descritivo de processo de projeto segundo French.

  • 13

    Quadro 2 - As atividades e estgios sugeridos por French

    Atividade ou Sada (output)

    Descrio

    Necessidade Primeiro estgio do processo, a necessidade da gerao de um projeto.

    Anlise do problema

    Identificao da necessidade a ser satisfeita de melhor maneira possvel e desejvel.

    Confirmao do problema

    O problema sintetizado e claramente especificado, com suas limitaes, requerimentos, prazos, padres, etc.

    Projeto conceitual

    A partir da confirmao do problema os projetistas geram solues em formas de rascunhos/planos. Este estgio exige muito do profissional e onde a engenharia, conhecimento prtico, mtodos produtivos e aspectos comerciais devem ser integrados.

    Rascunhos/planos selecionados

    Dos vrios rascunhos/planos gerados no estgio de projeto conceitual, apenas os mais satisfatrios devem ser selecionados para dar continuidade ao processo de projeto.

    Concepo do projeto

    Neste estgio, quando mais de um rascunho selecionado, deve-se escolher um rascunho final e este desenvolvido para gerar o projeto final.

    Detalhamento

    Estgio final onde muitas pequenas decises ainda precisam ser feitas. A qualidade deste estgio deve ser boa, ou o resultado pode gerar atrasos, custos extras e falhas.

    Plantas, etc. O projeto de engenharia em si, o produto final do processo de projeto.

    Fonte: Adaptado de French (1985)

    Markus e Arch (1973) propem um processo de decises em projetos, essas

    decises se dividem em trs estgios principais. (Quadro 3)

    Quadro 3 - Estgios do processo de projeto sugeridos por Markus e Arch

    Estgio Descrio

    Anlise (Compreendendo o

    problema)

    Aglomerao de todas informaes relevantes;

    estabelecimento de interaes, restries,

    objetivos e critrios.

    Sntese (Produzindo as

    solues de projeto)

    Este estgio pode proporcionar uma ou mais

    solues de projeto, dependendo da estrutura do

    problema e da personalidade e viso do

    projetista.

    Apreciao (Estabelecendo

    o desempenho da soluo)

    O projetista avalia a qualidade de suas solues

    de projeto. Seguindo trs sub-estgios: (a)

    Representao: A soluo modelada de uma

  • 14

    maneira adequada, sendo verbal, matemtica,

    visual (b) Medio: Atividade neutra pela qual o

    desemprenho do modelo obtido atravs da

    anlise de fatores como custos, condies

    ambientais, flexibilidade, utilizao do espao,

    etc. (c) Avaliao: Os resultados medidos so

    avaliados; anlise de custo-benefcio; julgamento

    de valores subjetivos; comparao com padro

    de desempenho ideal, mediano ou legal;

    conformidade com as restries; etc.

    Fonte: Adaptado de Markus e Arch (1973)

    Na Figura 5, estes autores apresentam estes trs estgios principais em uma

    estrutura de pirmides espelhadas. Nessa estrutura, todo estgio de sntese seguido

    pelo estgio de apreciao.

    Fonte: Adaptado de Markus e Arch (1973)

    Como pode-se concluir pela figura acima, um projetista pode abordar o processo

    de realizao do projeto de trs formas distintas, so elas:

    Caminho 1 - A compreenso do problema feita visando todas fases antes da

    gerao da soluo final

    Figura 5 - O processo de projeto em pirmides espelhadas de Markus e Arch.

  • 15

    Caminho 2 - Cada fase do problema analisada e resolvida antes de passar

    para a prxima fase.

    Caminho 3 - Aps uma anlise completa, o processo de sntese se inicia em

    um nvel geral e estratgico at chegar ao nvel de detalhamento.

    2.4. Stakeholders: Intervenientes e Agentes em um Projeto de Edificaes

    De acordo com Savage et al. (1991) e PMI (2013), so denominados Stakeholders,

    partes interessadas que incluem os indivduos, grupos e outras organizaes que tm

    interesse nas aes de uma empresa e que tm habilidade para influenci-la.

    H quatro principais intervenientes que participam das fases do processo de

    projeto e est ilustrado na Figura 6 (MELHADO, 1998 apud. ROMANO, 2003)

    As principais funes de destes Stakeholders, segundo os autores, esto

    destacados no Quadro 4.

    Fonte: Romano (2003)

    Figura 6 - O processo de projeto e seus intervenientes principais.

  • 16

    Quadro 4 - Principais intervenientes do processo de projeto e suas funes.

    Intervenientes Principais funes

    Empreendedor

    Responsvel pela gerao do produto, avalia a qualidade do

    projeto a partir do alcance de seus objetivos empresariais, que

    envolvem seu sucesso quanto penetrao do produto no

    mercado e formao de uma imagem junto aos compradores,

    bem como ou at principalmente pelo retorno que o projeto

    pode proporcionar a seus investimentos, ou pelo menos pela

    manuteno dos custos previstos para o empreendimento.

    Projetista Atuam na formalizao do produto, concebem e elaboram o

    produto,

    Construtor

    Viabiliza a execuo do produto, avalia a qualidade do projeto

    com base na clareza da apresentao, importante para facilitar o

    trabalho de planejamento da execuo, onde o contedo, a

    preciso e a abrangncia das informaes podem reduzir a

    margem de dvida ou necessidade de correes durante a

    execuo, alm de analisar a potencial economia de materiais e

    de mo-de-obra, capazes de proporcionar reduo de

    desperdcios.

    Usurio

    Assume a utilizao do produto, avalia a qualidade do projeto

    como cliente externo, medida da satisfao de suas intenes

    de consumo, envolvendo conforto, bem-estar, segurana e

    funcionalidade, alm de desejar, implicitamente, baixos custos de

    operao e de manuteno.

    Fonte: Adaptado de Melhado (1998)

    J PMI (2013) afirma que as partes interessadas incluem todos os membros da

    equipe do projeto, assim como todas as entidades interessadas dentro ou fora da

    organizao. A equipe do projeto tem o dever de identificar as partes interessadas

    internas e externas e as partes executoras e orientadoras a fim de determinar os

    requisitos do projeto e as expectativas de todas as partes envolvidas. Ao mesmo

    tempo, o gerente de projetos precisa gerenciar a influncia de todas essas partes

    interessadas em relao aos requisitos do projeto, buscando garantir um resultado

    bem-sucedido. A Figura 7 ilustra a viso de PMI (2013).

  • 17

    Fonte: PMI (2013).

    2.5. Etapas de Projeto

    A NBR 13.531:1995, especifica as etapas de projeto em: levantamento, programa

    de necessidades, estudo de viabilidade, estudo preliminar, anteprojeto ou pr-

    execuo, projeto legal, projeto bsico e projeto para execuo. Cada etapa citada

    tem seus requisitos e objetivos prprios, que esto resumidos no Quadro 5.

    Quadro 5 - Descrio das etapas de um projeto segundo a NBR 13.531:1995

    Etapa do projeto Objetivo/Contedo

    Levantamento

    (LV)

    Coleta das informaes de referncia que representem as

    condies preexistentes, de interesse para instruir a

    elaborao do projeto, podendo incluir os seguintes tipos de

    dados:

    a) fsicos - planialtimtricos; - cadastrais (edificaes, redes,

    etc.); - geolgicos, hdricos; - ambientais, climticos,

    ecolgicos; - outros.

    b) tcnicos;

    c) legais e jurdicos;

    d) sociais;

    e) econmicos;

    f) financeiros;

    g) outros.

    Figura 7 - Partes interessadas no projeto.

  • 18

    Programa de

    necessidades

    (PN)

    Determinao das exigncias de carter prescritivo ou de

    desempenho (necessidade e expectativas dos usurios) a

    serem satisfeitas pela edificao a ser concebida.

    Estudo de

    viabilidade (EV)

    Concepo e representao do conjunto de informaes

    tcnicas iniciais e aproximadas, necessrios compreenso

    da configurao da edificao, podendo incluir solues

    alternativas.

    Estudo preliminar

    (EP)

    Concepo e representao final do conjunto de informaes

    tcnicas iniciais e aproximadas, necessrios compreenso

    da configurao da edificao, podendo incluir solues

    alternativas.

    Anteprojeto (AP)

    e/ou pr-

    execuo (PR)

    Concepo e representao das informaes tcnicas

    provisrias de detalhamento da edificao e de seus

    elementos, instalaes e componentes, necessrias ao inter-

    relacionamento das atividades tcnicas de projeto e suficientes

    elaborao de estimativas aproximadas de custos e de

    prazos dos servios de obra implicados.

    Projeto legal (PL)

    (opcional)

    Representao das informaes tcnicas necessrias

    anlise e aprovao, pelas autoridades competentes, da

    concepo da edificao e de seus elementos e instalaes,

    com base nas exigncias legais (municipal, estadual, federal),

    e obteno do alvar ou das licenas e demais documentos

    indispensveis para as atividades de construo.

    Projeto bsico

    (PB) (opcional)

    Concepo e representao das informaes tcnicas da

    edificao e de seus elementos, instalaes e componentes,

    ainda no completas ou definitivas, mas consideradas

    compatveis com os projetos bsicos das atividades tcnicas

    necessrias e suficientes licitao (contratao) dos servios

    de obra correspondentes.

    Projeto para

    execuo (PE)

    Concepo e representao final das informaes tcnicas da

    edificao e de seus elementos, instalaes e componentes,

    completas, definitivas, necessrias e suficientes licitao

  • 19

    (contratao) e execuo dos servios de obra

    correspondentes.

    Fonte: Adaptado da NBR 13.531:1995.

    O Conselho Federal de Engenharia e Agronomia - CONFEA, restringe o projeto

    um projeto bsico e um executivo. Sendo, o projeto bsico o conjunto de elementos

    que define a obra, os servios que compem o empreendimento. Nesta etapa as

    caractersticas bsicas e desempenho almejado devem estar perfeitamente definidos,

    o que possibilita a estimativa de seu custo e prazo de execuo. Ainda nesta fase

    definido um conjunto mais abrangente de estudos e projetos, que so estudos

    preliminares, anteprojeto, estudos de viabilidade tcnica, econmica e avaliao de

    impacto ambiental. Enquanto o projeto executivo definido como o conjunto dos

    elementos necessrios e suficientes execuo completa da obra, de acordo com as

    normas pertinentes da Associao Brasileira de Normas Tcnicas ABNT. (CONFEA,

    1991)

    Atravs do Manual de Obras Pblicas-Edificaes, a Secretaria do Estado de

    Administrao e do Patrimnio SEAP, reconhece como partes de um projeto de

    edificaes quatro fases: o programa de necessidades, o estudo preliminar, o projeto

    bsico e o projeto executivo (BRASIL, 1997).

    2.6. Principais Disciplinas de Projetos

    No que diz respeito as disciplinas de projetos, Santos (2014) apresenta uma breve

    descrio de requisitos e sadas esperadas no Quadro 6.

    Quadro 6 - Especialidades de projetos

    Disciplina Breve resumo

    Projeto

    Arquitetnico

    O projeto arquitetnico o processo pelo qual uma obra de

    arquitetura concebida e tambm a sua representao final.

    considerada a parte escrita de um projeto. O objetivo

    principal de projeto de arquitetura de uma edificao a

    execuo da obra idealizada pelo arquiteto. Essa obra deve

    se adequar aos contextos natural e cultural em que se insere

    e responder as necessidades do cliente e futuros usurios do

    edifcio. O projeto arquitetnico pode contar com uma gama

  • 20

    de projetos, plantas baixas, como fachadas, cortes, detalhes

    de acabamentos e esquadrias, entre outros.

    Projeto Estrutural

    Elaborado por calculistas (Engenheiro de Estruturas), visa

    adaptar o projeto arquitetnico ao sistema estrutural mais

    adequado. Atravs de criteriosos clculos, o

    dimensionamento da estrutura proporciona ao cliente ganhos

    como: rapidez na execuo da obra, economia de

    investimentos em materiais excedentes, facilidade de

    obteno de oramentos como ferragens e concreto usinado

    atravs da quantificao dos mesmos. Alm de proporcionar

    segurana para operrios e futuros moradores. Os projetos

    estruturais tambm possuem vrios tipos como projeto de

    fundaes, formas, dimensionamento de pilares, de vigas,

    entre outros.

    Projeto de

    Instalaes

    Eltricas e

    Telefnicas

    Como o prprio nome j diz, o projeto eltrico de uma

    edificao. Nesse projeto que mostra onde que vai cada

    tomada na edificao, quanto vai consumir de energia, a

    potncia de cada ela, onde que est ligada, a que circuito

    pertence, quadro de medidores, quadro de disjuntores, enfim

    toda a parte eltrica da residncia. J o projeto telefnico,

    nos mostra onde que fica os pontos do telefone, do interfone,

    da antena da televiso

    Projeto de

    Instalaes

    Hidrosanitrio

    O projeto de instalao hidrosanitrio tem a nos informar toda

    a parte de gua e esgoto da edificao, entre plantas baixas,

    detalhes, descida de prumada de gua, barriletes, entre

    outros.

    Fonte: Adaptado Santos (2014)

    De forma complementar, o Quadro 7 demonstra uma configurao resumida de

    disciplinas presentes em um projeto.

  • 21

    Quadro 7 - Configurao da multidisciplinaridade de um projeto. P

    roje

    to

    Dis

    cip

    lina

    Gr

    fica

    Projeto Arquitetnico

    Projeto Estrutural

    Fundaes

    Estrutura De Concreto

    Estrutura Metlica

    Projeto De Instalaes

    Eltrica

    Telefnica

    Hidrulica

    Sanitria

    Projeto De Sistemas Mecnicos Elevadores Condicionamento

    De Ar

    Projeto Para Produo

    Forma Para Concreto

    Impermeabilizao

    Canteiro De Obra

    Vedaes

    Revestimento De Fachada

    Laje Racionalizada

    Dis

    cip

    lina

    Escrita

    Memorial Descritivo

    Memorial De Clculo

    Caderno De Encargos

    Oramento

    Fonte: Adaptado Tavares (2001).

    Vale ressaltar que para cada disciplina h numerosas especialidades e projeto

    diferentes que podem ter ligao direta ou indireta, como por exemplo os projetos

    drenagem de guas pluviais e o projeto de reuso de gua das chuvas. Outro aspecto

    que tambm preciso ter conscincia a interao entre projetos de disciplinas

    diferentes, como por exemplo projetos de instalaes eltricas que interagem com

    projetos de instalaes hidrulicas, o que ilustra a complexidade das interaes entre

    todos os projetos envolvidos em uma construo.

  • 22

    2.7. Peculiaridades em uma empresa de projetos

    2.7.1. Consideraes

    Aps analisar o processo de realizao de projetos e suas etapas possvel

    afirmar que um projeto de engenharia e arquitetura possui peculiaridades e

    caractersticas nicas que o singularizam quando comparados aos projetos de

    indstrias e que influenciam na definio, obteno e avaliao da sua qualidade

    (AMORIM, 1998; BOBROFF, 1993).

    Algumas peculiaridades presentes no desenvolvimento de projetos so

    apresentadas e esclarecidas no Quadro 8 segundo Santos (2014).

    Quadro 8 - Peculiaridades presentes no desenvolvimento de projetos de engenharia e arquitetura.

    Peculiaridade Descrio

    1 - Atividade ainda

    essencialmente

    artesanal.

    Cada produto produzido individualmente por uma ou

    mais pessoas. Mesmo a utilizao de recursos

    computacionais no altera o fato de que cada documento

    uma entidade distinta e ainda que se tenha um elevado

    grau de informatizao na elaborao de um projeto, este

    no pode ser comparado com uma linha de produo ou

    uma produo seriada tpica de uma fbrica

    2 - No um produto

    nico.

    O produto resultante de um projeto constitudo por um

    conjunto de produtos: especificaes, desenhos,

    requisies e memoriais. Por esta razo, no basta que

    alguns destes produtos tenham qualidade. A qualidade

    deve recair sobre todas as partes constituintes

    3 - Carter no

    homogneo e no

    seriado do seu

    produto.

    Estando na dependncia de encomendas que implicam

    na elaborao de um bem singular, no reproduzvel.

    Para garantir a qualidade deste produto preciso

    conhecer e definir as reais necessidades do

    cliente/contratante para poder atender aos seus

    requisitos

    4 - A qualidade final do

    objeto projetado

    Ao receber um projeto, o cliente no consegue detectar

    todas as eventuais falhas e, muitas vezes, as

  • 23

    revela-se na hora da

    sua execuo.

    inadequaes de projeto so identificadas em fases

    bastante avanadas da obra, sendo normalmente

    solucionadas de forma insatisfatria ou com alto custo

    5 - A atuao de

    grande complexidade

    inter-relacional.

    Decorrente da diversidade e do nmero de intervenientes

    no processo de projeto (usurios, clientes, projetistas,

    financiadores, construtoras) com interesses nem sempre

    convergentes e relaes contratuais informais e pouco

    definidas, faz com que o julgamento sobre a qualidade do

    projeto fique na dependncia da avaliao de diversos

    usurios

    Fonte: Adaptado Santos (2014)

    Tendo o conhecimento da alta complexidade e nmero de pessoas interessadas e

    evolvidas, alm de muitas etapas para realizao destes, percebe-se que por fim so

    geradas dificuldades e etapas crticas, das quais se tornam comuns no

    desenvolvimento dos projetos de edificaes.

    Dentro de um esquema resumido do processo de um projeto visto de forma geral

    (Figura 8), pode-se destacar trs muito influenciadas pelas peculiaridades que um

    projeto de edificaes apresenta quando comparado com projetos em geral, que so:

    a dificuldade de transmisso de informaes nos dados de entrada,

    multidisciplinariedade na execuo do projeto e compatibilizao dos mesmos.

    2.7.2. A dificuldade de transmisso de informaes nos dados de

    entrada

    Diversos autores, como Ndekugri et al. (2008, apud PEREIRA et al., 2011), relatam

    em seus estudos que um aspecto crtico que afeta a qualidade dos projetos a

    deficincia na coleta de dados.

    Muitas podem ser as causas dessa deficincia, sendo as falhas na transmisso de

    informaes onde se concentra a maior parte delas. Uma possvel explicao a

    dificuldade do cliente em transmitir suas ideias, requisitos e desejos em relao ao

    empreendimento a ser construdo.

  • 24

    Outra possvel causa do problema da transmisso das informaes pode ser a m

    interpretao dos projetistas ao receb-las, cada indivduo capta e processa a

    informao segundo sua formao profissional e pessoal.

    Fonte: Fonte: Oliveira et al. (2004)

    2.7.3. Execuo do projeto: A multidisciplinaridade do projeto como um

    todo

    Assim como descrito no item 2 do Quadro 8, uma edificao um aglomerado de

    sistemas e subsistemas cuja interligao essencial para o funcionamento da

    construo. Portanto, a complexidade dos projetos de edificaes consequncia

    direta do elevado quantitativo de disciplinas e especialidades envolvidas para o

    desenvolvimento desses sistemas e subsistemas.

    Multidisciplinaridade essa que pode ser natada no Quadro 7 ilustrado

    anteriormente nesse documento.

    Todo o processo de desenvolvimento de um projeto est interligado e existe um

    constante repasse de informaes entre todas as categorias de profissionais

    envolvidos e os clientes. Esta interao pode gerar diversos problemas na concepo

    do projeto de edificaes devido dificuldade de comunicao e das diferenas de

    Figura 8 - Esquema geral resumido do processo de projeto.

  • 25

    formao, experincias e conflitos de ideias e percepes de projeto que cada

    profissional envolvido no projeto tem (OLIVEIRA, 2004).

    Oliveira (2004) tambm apresenta um possvel fator que serve como agravante

    para uma dificuldade executiva do projeto de edificaes, e relacionado

    multidisciplinaridade do mesmo, que o desenvolvimento em paralelo do projeto em

    locais fisicamente distantes, sendo reunidos somente na hora da execuo dos

    servios. Este procedimento gera uma srie de incompatibilidades, e no permite

    clareza com relao s funes e responsabilidades dos profissionais envolvidos,

    comprometendo a qualidade do produto e causando enormes perdas de materiais e

    produtividade.

    2.7.4. Compatibilizao de projetos

    Compatibilizao de Projetos a atividade de gerenciar e integrar projetos

    correlacionados, tendo em vista o perfeito ajuste entre eles. Tambm pode ser

    definida como: a anlise, verificao e correo das interferncias fsicas entre as

    diferentes solues de projeto de uma edificao (SANTOS, 2014).

    Picchi (1993 apud SOUSA, 2010) define a compatibilizao de projetos como

    sendo a atividade de sobrepor os vrios projetos e identificar suas interferncias,

    sendo de fundamental importncia a realizao de reunies entre os diversos

    projetistas e a coordenao de projetos, com objetivo de resolver as interferncias que

    tenham sido detectadas.

    Para exemplificar, a compatibilizao deve resolver as interferncias entre os

    sistemas presentes em uma construo, por exemplo: interferncia estrutural com o

    layout da arquitetura (espaos para garagens, circulaes de veculos e pessoas,

    possveis modificaes), interferncia entre os caminhos horizontais e verticais das

    instalaes, ou encontro dos projetos eltricos e hidro sanitrio, tal como quadro de

    disjuntores com tubulaes de passagens em alvenarias.

    Contudo, a incompatibilidade apontada por muitos autores, como Saffaro e

    Mller et al. (2011), como a causa de falhas e problemas encontrados durante a

    construo. A partir de sua pesquisa, Formoso (1993, apud SANTOS, 2014) constatou

    que a falha mais comum apontada pelas construtoras foi a compatibilizao de

    projetos (Tabela 1).

  • 26

    Fonte: Formoso (1993)

    De modo geral a compatibilizao se processa por meios manuais ou digitais

    (SILVA, 2004). Esta autora diz que a compatibilizao de projetos realizada atravs

    da superposio e anlise de desenhos, sendo descrito cada modo como:

    Manualmente: Analisando cada um dos projetos em desenhos impressos,

    em material translcido ou em plantas plotadas. As incompatibilidades

    podem ser destacadas com nuvens de reviso e classificadas por cor e

    disciplina, colocando-se, ao lado do desenho, uma lista por disciplina de

    projeto

    Digitalmente: Atravs de recursos de superposio de pranchas

    bidimensionais ou em 3D de arquivos eletrnicos. Sendo o CAD uma

    ferramenta que se consolidou em larga escala entre os projetistas.

    Diversos autores dissertam sobre alguns mtodos de realizao da atividade de

    compatibilizao. Dois dos mtodos mais conhecidos e usados so:

    Engenharia Sequencial, baseada no modelo de converso que

    conceitualizado por Koskela como uma converso de entradas em sadas

    de forma sequencial, de onde foi extrado o nome de batismo do mtodo

    (SANTOS, 2014)

    Engenharia Simultnea, definida por Lugli & Naveiro (1996 apud SANTOS,

    2014) como a maneira de conduzir a atividade de projeto de forma que as

    Tabela 1 - Falhas tpicas de projetos apontados por construtoras.

  • 27

    vrias atividades relacionadas progresso do projeto so integradas e

    realizadas, sempre que possvel, em paralelo ao invs de sequencialmente.

    Entretanto, a Engenharia Sequencial apresenta diversos pontos negativos, como

    erros de projetos que so detectados em fases avanadas, causando retrabalhos,

    alm de muitas vezes ocorrem longos perodos de espera entre o desenvolvimento

    de aes subsequentes (TZORTZOPOULOS, 1999). Lessa et al. (1999 apud

    SANTOS, 2014) reafirma que h frequente aumento dos custos devido ao retrabalho,

    alm de atrasos no lanamento previsto dos produtos.

    Sendo assim, pela globalizao dos mercados, este modelo de Engenharia

    Tradicional perdeu espao para uma nova forma de organizao, que a Engenharia

    Simultnea (SANTOS, 2014). Contudo, deve-se observar e decidir por qual mtodo

    utilizar de acordo com as caractersticas e peculiaridades de cada projeto a ser

    desenvolvido.

    Nesse contexto, se torna fundamental que exista uma coordenao de projetos,

    que os compatibilize desde os estudos preliminares (GOZZI & OLIVEIRA, 2001). Em

    concordncia sobre o assunto, Rodrguez e Heineck (2001 apud SANTOS, 2014)

    indicam que a compatibilizao fica facilitada na medida em que ela iniciada a partir

    dos estudos preliminares.

    Uma soluo para tal dificuldade enfrentada pelas empresas de projetos a nova

    tecnologia de softwares de modelagem tridimensional, o sistema BIM (Building

    Information Modeling), que baseada em ferramentas digitais com base de dados e

    que auxiliam no desenvolvimento simultneo de projetos, facilitando a aplicao dos

    conceitos da Engenharia Simultnea anteriormente dito.

    Essa tecnologia permite a atribuio de caractersticas (custo, resistncia,

    material, etc.) aos elementos construtivos que esto representados em desenho. Em

    adio, possibilita a modificao de informaes em tempo real, por exemplo um

    engenheiro de instalaes que quiser alterar o caminho de alguma tubulao ter a

    verificao de possveis interferncias com outros elementos j projetos, ao mesmo

    tempo em que esta mudana automaticamente armazenada em tempo real para

    todos os envolvidos no projeto. Esta ltima caracterstica vem para sanar o problema

  • 28

    da difcil inter-relao e comunicao entre os diversos profissionais de projeto que se

    esto fisicamente distantes.

    2.8. Ambiente de negcios

    2.8.1. Contextualizao

    Nos anos recentes a palavra crise vem definindo o estado da economia no Brasil.

    Devida a forte ligao do setor com a economia do pais (TEIXEIRA e CARVALHO,

    2005), a construo civil segue padres no muito divergentes dos padres nacionais

    como mostra a variao do PIB de ambos, pais e setor da construo civil (Figura 9).

    Fonte: CBIC (2017)

    Para reduzir a amostragem e esclarecer melhor o contexto das empresas de

    projetos, so abordados dados relacionados ao municpio e estado do Rio de Janeiro

    e regio sudeste, visto que o ambiente no qual este presente documento est

    desenvolvido. Em adio, foi considerado que o comportamento das empresas de

    projetos foi semelhante ao comportamento do geral do setor da construo civil.

    De acordo com os dados mais recentes divulgados, ano de 2016, podemos

    observar que o municpio e o estado do Rio de Janeiro comportam, respectivamente,

    5,07% e 11,33% das empresas ligadas a construo na regio sudeste, ficando

    Figura 9 - PIB Brasil x PIB Construo Civil

  • 29

    somente a frente de Vitria ES em ambos os mbitos, municipal e estadual (Tabela

    2).

    Fonte: CBIC (2018)

    Como pode-se observar, aps seguidos aumentos, em 2016 houve uma queda do

    nmero de estabelecimentos em todos as capitais e estados da regio sudeste, alm

    de queda no pais tambm.

    O Tabela 3 demonstra o mesmo nmero de estabelecimentos, porm por grupos

    diferenciados. Pode-se notar que os grupos Construo de edifcios, Instalaes e

    Obras de acabamento representam juntos, aproximadamente 63% dos

    estabelecimentos na regio Sudeste. A representatividade dos mesmos grupos no Rio

    de Janeiro de aproximadamente 62%.

    Fonte: CBIC (2018).

    2010* 2011* 2012* 2013* 2014* 2015* 2016*

    Regio Sudeste 80.853 90.989 94.675 100.527 106.118 104.470 96.014

    Minas Gerais 28.592 31.015 31.822 33.271 34.677 33.308 29.973

    Belo Horizonte - MG 5.511 5.993 6.653 6.749 6.737 6.311 5.746

    Esprito Santo 4.273 4.677 4.945 4.961 5.137 5.032 4.443

    Vitria - ES 816 807 805 790 757 724 682

    Rio de Janeiro 8.678 10.013 10.618 11.682 12.477 12.104 10.884

    Rio de Janeiro - RJ 3.895 4.451 4.790 5.219 5.590 5.389 4.872

    So Paulo 39.310 45.284 47.290 50.613 53.827 54.026 50.714

    So Paulo - SP 11.856 13.531 14.317 15.195 16.030 15.725 14.894

    TOTAL BRASIL 172.703 195.954 208.537 223.773 237.919 233.343 215.039

    F o nte: R A IS 2000-2016 / M T P S.

    Elabo rao : B anco de D ado s-C B IC .

    (*) De acordo com a nova Classificao Nacional de Atividades Econmicas - CNAE 2.0 de novembro/2006.

    LOCALIDADEANO

    Minas Gerais 2.154 14.057 991 616 1.655 1.170 2.685 2.829 3.816 29.973

    Esprito Santo 307 1.848 250 96 187 258 588 437 472 4.443

    Rio de Janeiro 967 3.395 419 302 874 419 2.094 1.264 1.150 10.884

    So Paulo 4.209 15.363 1.210 873 3.022 2.048 9.368 6.871 7.750 50.714

    SUDESTE 7.637 34.663 2.870 1.887 5.738 3.895 14.735 11.401 13.188 96.014

    TOTAL BRASIL 17.851 86.286 8.624 4.803 11.115 9.590 28.824 22.014 25.932 215.039

    F o nte: R A IS 2016 / M T P S.

    Elabo rao : B anco de D ado s-C B IC .

    (1) Grupos de acordo com a CNAE 2.0/IBGE de novembro de 2006.

    Obras de

    acabamento

    Outros

    servios

    especializados

    para

    construo

    TOTALLocalidade

    Incorporao de

    empreendiment

    os imobilirios

    Construo

    de edifcios

    Construo de

    rodovias,

    ferrovias, obras

    urbanas e obras

    de arte especiais

    Obras de

    infra-

    estrutura

    Outras

    obras de

    infra-

    estrutura

    Demolio

    e

    preparao

    do terreno

    Instalaes

    Tabela 2 - Nmero de estabelecimentos na construo civil

    Tabela 3 - Nmero De Estabelecimentos Por Grupos De Atividade Econmica Da Construo Civil.

  • 30

    Fonte: CBIC (2018).

    Ao analisar a Tabela 4 acima, podemos concluir que a regio sudeste a que

    apresenta maior nmero de estabelecimentos e emprega o maior nmero de pessoas.

    A anlise do ramo imobilirio tambm vlida tendo em vista que cada unidade

    residencial representa demanda para realizao de projetos. Tendo isso em vista, as

    Figura 10 e 11 mostram que se por um lado houve aumento no nmero de unidades

    residenciais lanadas no Rio de Janeiro, por outro houve diminuio de vendas das

    mesmas, ambas comparadas ao mesmo perodo do ano anterior. Isso significa um

    aumento no estoque das imobilirias e com isso uma provvel desacelerao na

    incorporao de novas unidades.

    Fonte: CBIC 2018

    Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste TOTAL

    0 empregados 1.937 9.672 22.420 15.694 4.876 54.599

    At 4 empregados 3.654 14.646 42.852 25.672 8.683 95.507

    De 5 a 9 empregados 1.107 4.606 13.110 7.099 2.366 28.288

    De 10 a 19 empregados 773 3.130 8.566 4.071 1.404 17.944

    De 20 a 49 empregados 539 2.301 5.636 2.307 1.001 11.784

    De 50 a 99 empregados 233 850 1.889 599 336 3.907

    De 100 a 249 empregados 144 493 1.042 235 164 2.078

    De 250 a 499 empregados 35 145 333 47 45 605

    De 500 a 999 empregados 15 57 114 21 15 222

    1.000 ou mais vnculos ativos 12 23 52 9 9 105

    TOTAL BRASIL 8.449 35.923 96.014 55.754 18.899 215.039

    Tamanho do

    estabelecimento por

    empregados ativos

    Construo Civil

    Regies Geogrficas

    Tabela 4 - Nmero De Estabelecimentos E Tamanho Por Empregados Ativos Na Construo Civil

    Figura 10 - Variao Unidades Residenciais Lanadas 3t2016 X 3t2017

  • 31

    Fonte: CBIC: 2018

    Contudo, os empresrios iniciam o ano de 2018 mais otimistas (CBIC, 2018). Os

    indicadores de expectativa consolidaram a alta em janeiro e apontam para um

    horizonte mais otimista para o setor da construo. O indicador de confiana dos

    empresrios refora esse cenrio, ao atingir o maior valor desde fevereiro de 2013

    (Figura 12).

    Fonte: CBIC (2018)

    Nesse contexto, os indicadores de nvel de atividade e de nmero de

    empregados de dezembro de 2017, apesar da queda usual quando comparado ao

    Figura 11 - Variao Unidades Residenciais Vendidas 3t2016 X 3t2017

    Figura 12 - ndices de expectativas (ndice de difuso de 0 a100)

  • 32

    ms anterior, atingiram o maior valor para o ms desde 2013 e 2014, respectivamente,

    indicando desacelerao do ritmo de queda do nvel de atividade e do emprego.

    Um dos motivos para o otimismo dos empresrios a maior facilidade de

    acesso ao crdito que apresentou quarta alta consecutiva. A alta indica menor

    dificuldade das empresas em acessar crdito (Figura 13).

    Fonte: CBIC (2018)

    Entretanto, mesmo com o otimismo dos empresrios do setor, o recente cenrio

    econmico regressivo, tornou necessrio, mais do que nunca, a reduo de custo na

    produo de produtos e servios, e para empresas de projetos de engenharia e

    arquitetura no diferente. Inserido nesse contexto, os fundamentos de um sistema

    de gesto da qualidade se tornam um meio de atingir essas redues de custos alm

    de atingir o principal objetivo de atender aos requisitos dos clientes e com isso garantir

    sua satisfao e provvel fidelidade.

    2.8.2. Qualidade como fator de competitividade em uma empresa

    Na dcada de 1980, a qualidade era uma dimenso competitiva. No Entanto, em

    meados da dcada seguinte a qualidade deixou de ser uma vantagem estratgica

    Figura 13 - Facilidade de acesso ao crdito

  • 33

    para se tornar uma necessidade competitiva (KAPLAN e NORTON, 2004 apud.

    GUELBERT, 2012).

    Com o avano da globalizao a abrangncia de mercado para empresas

    aumentou consideravelmente. Sendo assim, a competitividade chegou ao nvel de

    empresas de localizaes fsicas distantes concorrerem entre si dentro de um mesmo

    mercado consumidor. Neste contexto, cada vez mais, um nmero maior de empresas,

    est passando a enfocar a qualidade associando a lucratividade e uma estratgia

    contra a concorrncia. (GARVIN, 2002).

    Amorim (1997) afirma que a implementao de sistemas da qualidade apresenta-

    se como uma alternativa concreta para atender a demanda por maior eficincia,

    satisfazendo as necessidades de projetos mais precisos e obras mais adequadas s

    condies dos clientes, com custo e prazos projetais menores.

    Os escritrios certificados passaram a desenvolver servios mais alinhados

    qualidade e contratantes pblicos vm intensificando a qualidade dos fornecedores e

    implementando sistemas de gesto da qualidade (REIS, 1998).

    Nesse contexto, para uma empresa obter uma vantagem competitiva, Poter (1990

    apud OLIVEIRA et al., 2003) estabelece trs estratgias (Quadro 9).

    Quadro 9 - Estratgias genricas amplas

    Estratgia Descrio

    Liderar via custos Fazer produtos com custos inferiores aos dos concorrentes para poder competir em preo.

    Liderar vida diferenciao Uma empresa procura se diferenciar de suas concorrentes por dimenses como: qualidade, prazo, confiabilidade e flexibilidade.

    Liderar via enfoque

    Uma empresa visa vantagem competitiva em um ambiente estreito dentro de uma indstria. O responsvel, selecionando um segmento ou um grupo de segmentos e adapta sua estratgia para atende-la

    Fonte: Oliveira et al. (2003)

  • 34

    3. Fundamentos do Sistema de Gesto da Qualidade

    3.1. Histrico

    3.1.1. No Mundo

    Jufran (1992) defini qualidade como sendo as caractersticas do produto que

    respondem s nece