CONTROLE DA POLUIÇÃO ATMOSFÉRICA - fap.if.usp.br .Controle da Poluição Atmosférica – Cap.

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  • Henrique de Melo Lisboa

    CAPTULO III SUMRIO:

    3.1 INTRODUO ...............................................................................................................................2 3.2 HISTRICO DA POLUIO ATMOSFRICA .......................................................................4 3.3 EFEITOS SOBRE A SADE .......................................................................................................6 3.4 EFEITOS SOBRE OS MATERIAIS...........................................................................................10 3.5 EFEITOS SOBRE AS PROPRIEDADES DA ATMOSFERA .................................................11 3.6 EFEITOS SOBRE A VEGETAO ..........................................................................................31 3.7 REPERCUSSES ECONMICAS DA POLUIO DO AR .................................................31 3.8 REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS ........................................................................................33

    Montreal Primeira verso - Agosto 2007

    CONTROLE DA POLUIO

    ATMOSFRICA

    EFEITOS CAUSADOS PELA POLUIO ATMOSFRICA

  • Controle da Poluio Atmosfrica Cap. 3 Efeitos da Poluio Atmosfrica ENS/UFSC

    III - 2

    3.1 INTRODUO Para viver s e confortavelmente indispensvel dispor de uma quantidade ilimitada de ar relativamente puro. O homem consome cerca de 15,0 Kg de ar por dia, em contraste com 2,0 Kg de gua e 1,50 Kg de alimentos. Ele pode recusar gua ou alimento suspeito, porm no consegue fazer o mesmo em relao ao ar poludo. Ele pode viver 5 ou mais semanas sem alimento, 5 dias sem gua, no sobrevive a mais de 5 minutos sem ar. Efeitos da poluio do ar: A - Efeitos txicos sobre o ser vivo e os animais; B - Efeitos desagradveis dos maus odores; C - Efeitos sobre os materiais; D - Efeitos sobre as propriedades da ATM; E - Efeitos sobre a vegetao; F - Efeitos econmicos. O EFEITO CAUSADO PELO POLUENTE DEPENDE: Da concentrao presente na ATM; Do tempo de exposio do indivduo; Da sensibilidade de cada pessoa.

    O monxido de carbono (CO) o contaminante do ar mais abundante da camada inferior da atmosfera. Outros poluentes so xidos de nitrognio, xidos de enxofre, dixidos de enxofre, hidrocarbonetos (especialmente em reas urbanas), o oznio ( o mesmo que exerce um efeito benfico na alta atmosfera, protegendo-nos dos raios ultravioleta), chumbo, aldedos e material particulado.

    Estas substncias atingem seres humanos manifestando-se atravs de sintomas distintos : dores de cabea, desconforto, cansao, palpitaes no corao, vertigens, diminuio dos reflexos (monxido de carbono, que em concentraes elevadas, pode conduzir morte), irritao dos olhos, nariz, garganta e pulmes (xidos de nitrognio) ; infiltrao de partculas nos pulmes formando cidos sulfurcos (xido de enxofre) ; asma aguda e crnica, bronquite e enfisema (dixido de enxofre) ; Cncer (hidrocarbonetos) ; destruio de enzimas e protenas (oznio) ; degenerao do sistema nervoso central e doenas nos ossos, principalmente em crianas (chumbo).

    O material particulado causa irritao e entupimento dos alvolos pulmonares. O Brasil um dos pases com maior quantidade de aldedos na atmosfera, originados pelos carros lcool. Acredita-se que o aldedo frmico provoque tumores em cobaias, mas sobre os efeitos no homem ainda no h informaes. A poluio do ar mata. Em geral mata lenta e discretamente e as mortes resultantes no chamam dramaticamente a ateno do pblico.

    A Tabela 3. 1 apresenta os efeitos causados pelos principais poluentes encontrados na atmosfera.

  • Controle da Poluio Atmosfrica Cap. 3 Efeitos da Poluio Atmosfrica ENS/UFSC

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    Tabela 3. 1 - Efeitos causados pelos poluentes.

    POLUENTES EFEITOS

    XIDOS DE ENXOFRE SOX (*)

    - irritaes do aparelho respiratrio e conjuntivas oculares(olhos;nariz e garganta) - estudos epidemiolgicos usualmente relacionam o aumento da mortalidade e morgidade, quando a concentrao de SO2 e MP atinge valores determinados (morte de doentes sensveis) - broncoconstrio ou aumento da resietncia pulmonar passagem do ar - tosse; rinite; queimadura dos olhos e pele - danos sobre a vegetao: reduo da resistncia s pragas ressecamento dos tecidos das folhas e descoloramento destas alterao do processo fotossinttico - danos sobre os materias: corroso em metais descolorao de pinturas enfraquecimento e desintegrao da superfcie dos couros torna o papel quebradio reduo da resistncia tenso e formao de manchas em tecidos desbotamento em corantes

    MATERIAL PARTICULADO - MP -

    - incmodo populao - diminuio da visibilidade - doenas pulmonares (asma; bronquites; morte de doentes sensveis) - presena de alfa-benzopireno, carcinogentica potencial - corrosivo - interfere na fotossntese das plantas

    MONXIDO DE CARBONO

    - CO -

    - aumento do nvel de carboxiemoglobina no sangue levando a stress; deficincia na capacidade psicomotora; dor de cabea; tontura; alucinao; depresso; angina; sincope; asfixia e morte

    DIXIDO DE CARBONO -CO2

    - influncia a longo prazo no aumento da temperatura da terra e fenmenos relacionados - asfixia: morte

    DIXIDO DE NITROGNIO -NO2 -(gs marron)

    - tosse e catarro; dispnia; dor no peito; edema pulmonar; irritao nos olhos; taquicardia

    AMNIA - NH3. (gs incolor que em grande quantidade

    assemelha-se a fumaa branca)

    - irritao nos olhos, nariz e garganta; dispnia espasmos bronquios; dor no peito; edema pulmonar; queimadura na pele

    GS SULFDRICO (cheiro de ovo)

    - irritao do sistema respiratrio; tontura; irritao da vista; convulses; coma e morte

    OZNIO - irritao dos olhos e mucosas; edema pulmonar; doena respiratria crnica

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    3.2 HISTRICO DA POLUIO ATMOSFRICA A poluio do ar no problema novo, existindo muitas provas de que j na pr-histria era provocada por erupes vulcnicas, tempestades de poeira e incndios nas florestas. Duas erupes vulcnicas, a do Monte Krakatoa em 1883, e a do Monte Katmai em 1902, produziram fumaa e poeira que obstruiram a luz solar durante vrios anos - ver caso ainda mais recente do vulco El Chichon(a inchao) ocorrido em 28/03/82 no Mxico, que provocou uma nuvem de gs e p na estratosfera, a qual cobria, por volta de agosto, um tero do globo, numa faixa que circundava o mundo a partir do equador at a latitude da Georgia1. O problema ficou registrado na histria do sc. XIII, na Inglaterra. A fumaa resultante do emprego em larga escala de carvo betuminoso, tornou-se rapidamente incomoda, particularmente em Londres. Mais tarde, em 1303, promulgou-se um decreto, proibindo-lhe o uso. Apesar desta e de outras medidas restritivas, difundiu-se o uso de combustveis fsseis, e a contaminao do ar tornou-se problema de crescente importncia. No fim do sculo XIX, foram feitos estudos sobre as causas da poluio por fumaa e sobre sua preveno e controle, sob a responsabilidade de uma comisso inglesa, em 1881, e de comisses alems e francesas, em 1894. Em 1890, foi fundada em Leeds a Smoke Abatement Society, com a finalidade de analisar a poluio causada pela fumaa de carvo, estudar o consumo deste combustvel em caldeiras, fornalhas e lareiras e examinar os sitemas de controle empregados.

    PRINCIPAIS EPISDIOS2 a) Vale do Meuse, 1930 (Blgica) - Durao: 5 dias - Grande nmero de pessoas adoeceu, com a seguinte sintomatologia: dores no peito, tosse, dificuldade de respirao, irritao nasal e dos olhos. A partir do 3 dia o problema acentuou-se. - Ao final de 1 semana 60 pessoas morreram, principalmente pessoas idosas que j portadoras de doenas do corao e pulmes. - Morte no gado. - Presumiu-se que uma combinao de diversos poluentes esteve associada com o episdio; destacada a presena de gotculas de cido sulfrico resultante de altas concentraes de dixido de enxofre com presena de gotculas dgua. - Acentuada inverso de temperatura. b) Donora, 1948 (Pensilvania, E.U.A.) - outubro 1948 - Durao: 5 dias - 43% da populao (14.000 habitantes) adoeceu, cuja sintomatologia era de irritao do trato respiratrio e dos olhos. - 20 pessoas morreram, principalmete em pessoas que j eram portadoras de doenas cardaca e do sistema respiratrio. - Presumiu-se que a presena de dixido de enxofre e material particulado em suspenso no ar esteve associada com o episdio. 1 El chichon- Revista Cincia Ilustrada, ano II, n 14, pg. 42-50. 2 NEFUSSI N. e GUIMARES, F.A. (1976)

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    - Inverso de temperatura e anticiclone estacionrio na regio Nordeste dos EUA, associado a intensa neblina.

    - Uma fundio de zinco, 1 fundio de ao e numerosas metalrgicas foram as fontes causadoras. c) Poza Rica, 1955 (Mxico) - Durao: 25 minutos - 320 pessoas foram hospitalizadas, das quais 22 morreram. - Presena de gs sulfdrico na atmosfera, lanado acidentalmente por uma indstria de recuperao de enxofre de gs natural, foi responsvel pelo episdio. d) Londres, 1952 (Inglaterra) - Durao: 5 dias - Grande nmero de pessoas adoeceu, sendo que aumentaram o nmero de admisses em hospitais de portadores de doenas respiratrias. - Cerca de 3.500 a 4.000 pessoas morreram a mais do esperado para este perodo. - A mortalidade foi maior para o grupo de pessoas idosas, e naqueles que j eram portadores de bronquite, bronco-pneumonia e doenas do corao. - A presena de poeira em suspenso (4,46 mg/m3) e de dixido de enxofre (3,75 mg/m3) atribuiu-se o episdio. e) Bauru, Agosto de 1952 (So Paulo, Brasil)

    - Durao: 1 semana - Foram registrados 150 casos de doenas respiratrias aguda e 9 bitos. - Bronquite e manifestaes alrgicas do trato respiratrio superior foram os principais ef