Organizações Rurais & Agroindustriais - redalyc.org · operações de produção e distribuição...

Click here to load reader

  • date post

    06-Dec-2018
  • Category

    Documents

  • view

    214
  • download

    0

Embed Size (px)

Transcript of Organizações Rurais & Agroindustriais - redalyc.org · operações de produção e distribuição...

  • Organizaes Rurais & Agroindustriais

    ISSN: 1517-3879

    [email protected]

    Universidade Federal de Lavras

    Brasil

    Uribe-Opazo, Miguel Angel; Birck, Luiz Gilberto; Toesca Gimenes, Rgio Marcio

    A insero econmica da cooperativa agroindustrial LAR e seus reflexos na arrecadao de ICMS,

    dos municpios onde mantm suas plantas industriais

    Organizaes Rurais & Agroindustriais, vol. 8, nm. 3, 2006, pp. 295-312

    Universidade Federal de Lavras

    Minas Gerais, Brasil

    Disponvel em: http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=87880302

    Como citar este artigo

    Nmero completo

    Mais artigos

    Home da revista no Redalyc

    Sistema de Informao Cientfica

    Rede de Revistas Cientficas da Amrica Latina, Caribe , Espanha e Portugal

    Projeto acadmico sem fins lucrativos desenvolvido no mbito da iniciativa Acesso Aberto

    http://www.redalyc.org/revista.oa?id=878http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=87880302http://www.redalyc.org/comocitar.oa?id=87880302http://www.redalyc.org/fasciculo.oa?id=878&numero=8909http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=87880302http://www.redalyc.org/revista.oa?id=878http://www.redalyc.org

  • A insero econmica da cooperativa agroindustrial... 295

    Organizaes Rurais & Agroindustriais, Lavras, v. 8, n. 3, p. 295-312, 2006

    A INSERO ECONMICA DA COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL LAR ESEUS REFLEXOS NA ARRECADAO DE ICMS, DOS MUNICPIOS ONDE

    MANTM SUAS PLANTAS INDUSTRIAIS

    Economic insertion of LAR agroindustrial cooperative and its effects on ICMS collection in thecities where its manufacturing plants are located

    Miguel Angel Uribe-Opazo1, Luiz Gilberto Birck2, Rgio Marcio Toesca Gimenes3

    RESUMOEste artigo apresenta uma anlise sobre a insero no processo de agroindustrializao da Cooperativa Agroindustrial LAR, domunicpio de Medianeira (PR) e seus reflexos na arrecadao do Imposto sobre Operaes Relativas Circulao de Mercadorias esobre Prestaes de Servios de Transporte Interestadual, Intermunicipal e de Comunicao (ICMS) dos municpios onde a cooperativamantm plantas industriais, no perodo 2000 a 2004. A metodologia utilizada incluiu a pesquisa documental e o estudo de caso. Pelosresultados, ficou demonstrado que a Cooperativa Agroindustrial LAR contribuiu positivamente para a arrecadao do ICMS dosmunicpios de Medianeira, Itaipulndia, Missal, Matelndia, Cu Azul e Santa Helena.

    Palavras-chave: agroindustrializao, desenvolvimento regional, ICMS.

    ABSTRACTThis article presents an analysis of the insertion into the process of agroindustrialization of LAR Agroindustrial Cooperative from themunicipality of Medianeira (State of Paran) and its effect on the collection of ICMS (Tax on Transfer of Goods and on TransportServices Interstate, Intercity, and on Communication) in the cities where the cooperative has manufacturing plants for the periodranging from 2000 to 2004. The methodology used was documentary research and case study. The results of the research reveal thatLAR Agroindustrial Cooperative has positively contributed to ICMS collection in the municipalities of Medianeira, Itaipulndia,Missal, Matelndia, Cu Azul, and Santa Helena.

    Key words: agricultural processing, regional development, ICMS.

    Recebido em 11/10/06 e aprovado em 20/01/07

    1 INTRODUO

    A atividade agrcola passou, nos ltimos anos, poruma intensa transformao. O que era uma atividade desubsistncia e auto-suficincia tornou-se uma unidadedependente do mercado e das indstrias de insumos eprocessamento (BIALOSKORSKI NETO, 2000b).

    Para Pinazza et al. (1999), a agricultura incorporouprogressos tcnicos sem precedentes na segunda metadedo sculo XX. A chamada Revoluo Verde tiravadefinitivamente o setor do seu arcasmo milenar, que viviano ciclo de repetio nos costumes e uso das prticasagropecurias. A fora motriz do processo a combinaodos insumos qumicos com a melhoria gentica vegetal eanimal.

    Nesse mesmo sentido, Montoya & Guilhoto (2000)relatam que, ao longo das ltimas dcadas, na economiamundial, os sistemas produtivos agrcolas sofreram

    transformaes importantes, em virtude da era damecanizao agrcola (1920 a 1950), que permitiu aosfazendeiros aumentarem a produtividade do fator deproduo e trabalho; da era da agricultura qumica (1950a 1980), que deu suporte tecnolgico para a chamadaRevoluo Verde, por meio do desenvolvimento e uso dedefensivos e fertilizantes qumicos que levaram ao aumentoda produtividade do fator de produo terra, e da era dabiotecnologia e da tecnologia da informao (a partir de1980), cujos reflexos foram o surgimento de grandesconglomerados agroindustriais e uma forte expanso dasindstrias de manufaturas destinadas fabricao demquinas agrcolas e insumos qumicos. A modernizaoda agricultura brasileira, conforme os referidos autores,ocorreu, assim, a partir do conjunto dessas transformaesestruturais.

    De fato, a agricultura brasileira passoudefinitivamente a integrar a produo industrial, ou seja, o

    1Professor Associado do Mestrado em Desenvolvimento Regional e Agronegcios Universidade Estadual do Oeste do Paran/UNIOESTE, Doutorem Estatstica IME-USP Rua Universitria 2069, sala 65 Jardim Universitrio 85.819-110 Cascavel, PR [email protected]

    2Professor Assistente da Universidade Estadual do Oeste do Paran/UNIOESTE, Mestre em Desenvolvimento Regional e Agronegcios pelaUNIOESTE Campus de Toledo Rua da Faculdade, 2550 Toledo, PR 85.903-000 [email protected]

    3Professor Titular da Universidade Paranaense/UNIPAR, Doutor em Administrao de Empresas, Doutor em Engenharia de Produo e Sitemaspela Universidade Federal de Santa Catarina/UFSC, Ps-Doutor em Finanas pela FEA USP Avenida Tiradentes 3240 Centro 87.505-090 Umuarama, PR [email protected]

  • URIBE-OPAZO, M. A. et al.296

    Organizaes Rurais & Agroindustriais, Lavras, v. 8, n. 3, p. 295-312, 2006

    agronegcio, a partir da expanso da produo industrialassentada no modelo de substituio dasimportaes. Porm, inicialmente, ela estava dirigidapara a produo de bens de consumo no-durveis e,depois, para a produo de bens de consumo durveis,intermedirios e de capital. Assim, a partir da dcada de1980, a agricultura deixou de ser um setor econmicodistinto, com o fortalecimento das indstrias de baseagrcola.

    Essa evoluo na agricultura brasileira ainda nohavia levado o Brasil ao status de economia industrial,pois, segundo Montoya & Guilhoto (2000), a participaorelativa dos agregados no agronegcio, no ano de 1980era de 8,67% e, a jusante, de 59,83%.

    A produo rural passou a situar-se,economicamente, entre as indstrias produtoras de bens einsumos para a agricultura (a montante) e as indstriasprocessadoras e de servios de base agrcola (a jusante).

    Com as propriedades mais especializadas emdeterminadas atividades, sem auto-suficincia, gerandoexcedentes e abastecendo outros mercados, bem comocom a ampliao de estradas, armazns, portos, aeroportos,novas tcnicas e bolsas de mercadorias, a agricultura deantes passou a depender de muitos servios, mquinas einsumos que vm de fora.

    Criou-se, portanto, um elo em todo o processoprodutivo e comercial de cada produto. Surgiu, assim, anecessidade de uma concepo diferente de agricultura.J no se tratam, segundo Arajo (2003), de propriedadesauto-suficientes, mas de um complexo de bens, servios einfra-estruturas que envolvem agentes diversos einterdependentes.

    Silva (1998, p. 145) citando as palavras de Lnin,afirma que:

    (...) da agricultura se separam, um aps o outro, diferentestipos de transformao das matrias-primas (...) e formam-se ramos industriais com existncia prpria, que trocamseus produtos (que agora j so mercadorias) porprodutos da agricultura. Desta maneira, a prpriaagricultura se transforma em indstria (...) e nela se operaidntico processo de especializao.

    Davis & Golberg (1957) enunciaram a soma dasoperaes de produo e distribuio de suprimentosagrcolas, das operaes de produo nas unidadesagrcolas, do armazenamento, do processamento e dadistribuio dos produtos agrcolas e dos itens produzidosa partir deles, como sendo o novo conceito de agribusiness.

    A idia bsica de Davis & Goldberg (1957) era a deque os problemas relacionados com a produo dealimentos eram muito mais complexos que a simplesatividade rural. Por isso, esses problemas deveriam sertratados sob enfoque sistmico de agribusiness e no maissob o enfoque esttico da agricultura.

    Assim, os produtores integrantes do sistema(insumos, processamento e distribuio) passaram a olharno s para seus clientes e fornecedores imediatos, mas,principalmente, para os consumidores finais.

    (...) a agricultura j no poderia ser abordada de maneiraindissociada dos outros agentes responsveis por todasas atividades que garantiriam a produo, transformao,distribuio e consumo de alimentos (BATALHA, 1997,p. 25).

    Surgia, ento, uma teia de relacionamentoseconmicos e contratuais entre diversos atores que formamos chamados negcios do sistema agroindustrial. Isso compreendido desde a produo dos insumos, produoagrcola, processamento e distribuio do produtoprocessado,at chegar s mos do consumidor.

    Para Batalha (1997), esse conjunto de atividadesque concorrem para a produo de produtosagroindustriais, desde a produo de insumos (sementes,adubos, mquinas agrcolas, etc) at que o produto final(queijo, biscoito, massas, etc) chegue ao consumidor,chama-se Sistema Agroindustrial. J um ComplexoAgroindustrial tem como contrapartida determinadamatria-prima de base. Sob o conceito do referido autor,tem-se o complexo da soja, o complexo do leite, etc.

    Na cadeia de valor do agribusiness brasileiro, ascooperativas tm importante participao. De acordo comdados da OCB (2002), no Brasil existem 3.548 cooperativasque totalizam 3,2 milhes de associados e 135 milfuncionrios. O setor agropecurio, principal segmentodo cooperativismo, tem 1.393 cooperativas, reunindo 1,2milho de agricultores e 87 mil funcionrios. Ascooperativas brasileiras agropecurias possuem 600indstrias e 300 unidades de beneficiamento, alm deserem responsveis por 75% da produo nacional detrigo, 40% da produo de acar, 32% da produo delcool, 37% da produo de soja, 52% do leite sobinspeo federal, 50% da produo de suno, 65% daproduo de l, 35,4% da produo vincola e dispemde uma planta industrial bastante diversificada, com maisde 600 indstrias e 300 unidades de beneficiamento deprodutos agropecurios. .

  • A insero econmica da cooperativa agroindustrial... 297

    Organizaes Rurais & Agroindustriais, Lavras, v. 8, n. 3, p. 295-312, 2006

    A razo disto que a agricultura, como setorprimrio da economia, caracteriza-se por interagir, amontante e a jusante, com mercados fortementeoligopolizados, como o caso dos insumos, oprocessamento das matrias-primas e a distribuio dosprodutos acabados at o mercado consumidor(ZUURBIER, 1997; ZYLBERSZTAJN, 1999).

    Por outro lado, os agricultores participam de ummercado cuja estrutura bastante atomizada e bemcompetitiva, colocando-os como meros tomadores depreos, tanto no momento da compra de insumos como navenda de seus produtos. Este posicionamento competitivono mercado propiciou a existncia de estruturas econmicasintermedirias, como as cooperativas agropecurias,garantindo ao produtor menor risco na sua atividade e maiorvalor agregado para os seus produtos que, isoladamente,em muitos casos, seriam presa fcil desses mercadosoligopolizados (ARRUDA, 1995; BIALOSKORSKI NETO,1994, 2001; CRACOGNA, 1997; FULTON, 1995).

    Jank (1990) destaca a evoluo da participao dosprodutos das cooperativas agropecurias na pauta deexportaes brasileiras. Os produtos processados tiveramum aumento de 3% para 31%, na participao do total dasexportaes, representando uma expanso de receitas daordem de 443%, de 1982 a 1988. Observa-se uma tendnciade reforar a estratgia de agregao de valor na produo,o que j ocorre nas demais organizaes que procuramparticipar ativamente da economia mundial.

    O cooperativismo possui grande relevncia para aeconomia brasileira, na medida em que atua apoiando odesenvolvimento econmico e social, principalmente daspequenas propriedades rurais. Atuam no fomento e nacomercializao dos produtos agrcolas, inclusiveimplantando novos cultivos e agregando valor aosprodutos por meio de complexos agroindustriais(BIALOSKORSKI NETO & MARQUES, 1998; BRANDO,1998; GIMENES, 2000; REQUEJO, 1997; ROCHA, 1999).

    nesse cenrio que muitas cooperativas brasileirasentram no processo de industrializao da produoagropecuria pela verticalizao. Assim, a prxima seoabordar o processo de insero das cooperativas naagroindustrializao.

    2 AS COOPERATIVAS E A AGROINDUSTRIALIZAO

    Inicialmente, o cooperativismo se constituiu nonico suporte de uma camada de pequenos produtoresdiante de um aparato estatal fraco, que no dispunha depolticas pblicas de bem-estar social para as populaesagrrias.

    O cooperativismo era um instrumento privilegiadodo Estado, para a construo de uma ordem socialharmnica e mais justa. Era um instrumento de fomentoque o Estado possua para romper com certas condiesde atraso no desenvolvimento agrcola (BIALOSKORSKINETO, 1994, 2000a,b, 2001).

    Assim, em 1971, o Governo consolida a legislaocooperativista e sanciona a Lei Federal n 5.764/71, quedefine a poltica nacional de cooperativismo, articulando-acom a prpria poltica econmica do governo, tornando ascooperativas dependentes da ao do Estado,principalmente em relao a crditos subsidiados.

    A partir da, o movimento cooperativista paranaenseganhou propores, com o incio das discusses para aimplantao dos projetos de integrao, desenvolvidosconjuntamente pela Associao de Crdito e AssistnciaRural do Paran (ACARPA) e o Instituto Nacional deColonizao e Reforma Agrria (INCRA), com o apoio doBanco do Brasil, Banco Regional de Desenvolvimento doExtremo Sul (BRDE) e Banco Nacional de CrditoCooperativo (BNCC).

    Os objetivos dos projetos foram rediscutir a formade atuao das cooperativas, pois alguns municpios tinhammais de uma cooperativa operando em concorrncia, o queas enfraquecia, enquanto outros municpios no tinhamnenhuma.

    Os projetos foram desenvolvidos em trs etapas,abrangendo regies diferentes. O Projeto Iguau deCooperativismo (PIC), criado em 1971, contemplou areorganizao do sistema no Oeste e Sudoeste. O ProjetoNorte de Cooperativismo (NORCOOP), implantado em 1974,para a reorganizao das cooperativas da regio Norte doestado e o Projeto Sul de Cooperativismo (SULCOOP),iniciado em 1976, reorganizou as cooperativas da regioCentro-Sul.

    A Organizao das Cooperativas do Estado doParan (OCEPAR), nasceu no decorrer do primeiro projeto,no ano de 1971, o que veio a dar forte apoio execuo dosprojetos. Esses projetos propiciaram um contato maisefetivo entre produtores e cooperativas, despertando ocooperativismo para o esprito empresarial.

    A integrao possibilitou uma participao maisefetiva das cooperativas na atividade econmica, em funoda agregao dos interesses dos produtores para a economiade mercado, o que levou as cooperativas montagem dainfra-estrutura bsica para o atendimento das produes,de fundamental importncia para o incio da integrao ecomo conseqncia da agroindustrializao.

  • URIBE-OPAZO, M. A. et al.298

    Organizaes Rurais & Agroindustriais, Lavras, v. 8, n. 3, p. 295-312, 2006

    Ratificando essa idia, Jardim Jnior (2002, p. 285)argumenta que importante ressaltar que osinvestimentos realizados (...) puderam ser concretizadospela existncia de um sistema de crdito oficial, cujoobjetivo era o estabelecimento de uma estrutura produtivacom maior agregao de valor.

    A partir da organizao da produo agrcola, ascooperativas agropecurias passaram a preocupar-se coma montagem do complexo agroindustrial, no seconformando com as condies de meras repassadoras dematria-prima s indstrias.

    As cooperativas inseriram-se, ento, noprocessamento dos produtos agropecurios em vez dacomercializao dos produtos in natura. O resultado foique a atividade industrial passou a impulsionar a crescentegerao de sobras, tornando-se tambm a principalatividade dessas sociedades.

    Para Bialoskorski Neto (2000b), isso se configuranuma prtica capitalista na qual as cooperativas assumemo processo de agroindustrializao como forma desobrevivncia e acumulao.

    O Centro de Pesquisas da OCEPAR foi criado pelascooperativas paranaenses em 1972, tendo aresponsabilidade pelo desenvolvimento tecnolgicoagropecurio de interesse das cooperativas,encarregando-se da busca de novas tecnologias para oaumento de produtividade e propiciando segurana erentabilidade aos agricultores. Esse centro de pesquisadesenvolveu programas que culminaram com arecomendao de novos cultivares de trigo, soja, milho,triticale, alm de pesquisas de algodo e inmeras novastecnologias (OCEPAR, 2003).

    A partir de 1983, o cooperativismo paranaenserealizou uma experincia altamente positiva e pioneira noBrasil, no que concerne ao desatrelamento da ingernciaestatal nas cooperativas. Aps ampla discusso entregoverno, entidades de representao e cooperativas, foiimplantado o Projeto Piloto de Autofiscalizao, quepermitiu alicerar os primeiros passos rumo autogestodas cooperativas no Paran.

    Com a promulgao da Constituio do Brasil, em1988, que, em seu art. 5, inciso XVIII, veda a interfernciaestatal no funcionamento das cooperativas, as cooperativasparanaenses, aps amplos debates e estudos, aprovaram,em setembro de 1991, em Assemblia Geral da OCEPAR, oPrograma de Autogesto.

    Esse programa iniciou suas atividades em marode 1991, com os objetivos especficos de orientao naconstituio e registro de cooperativas; acompanhamento

    de desempenho; educao, capacitao e reciclagem;organizao dos cooperados; comunicao e integrao.

    A viabilizao desse programa se deu com a criao,ainda em 1991, dos Ncleos Regionais Cooperativistas;assim, o estado foi dividido em cinco ncleos, de acordocom a localizao geogrfica e a rea de ao de todas ascooperativas.

    Com base nesses ncleos, foi aprovado umplanejamento estratgico das cooperativas paranaenses,o Plano Paran Cooperativo 2000. Esse plano foi baseadona situao econmica do sistema, nas tendncias domercado interno e externo e no potencial de crescimento.Como resultado do esforo integrado de dezenas delideranas, foram traadas diretrizes de mdio e longo prazo,para orientar os prximos investimentos. A partir dessadata, a consolidao do plano passou a ser o grande desafioe que permitiu inserir o cooperativismo na modernidadeimposta s empresas pela globalizao mundial.

    Nesse ambiente que a Cooperativa AgroindustrialLAR ingressa no processo de industrializao dos produtosagropecurios da regio de Medianeira.

    3 A COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL LAR

    A Cooperativa Agroindustrial LAR tem comomisso a promoo do desenvolvimento econmico esocial dos associados e da comunidade, por meio daagregao de valores produo agropecuria. Acooperativa foi fundada em 19 de maro de 1964, por umgrupo de agricultores que decidiram organizar-se, a fim deconseguirem maiores vantagens e maior competitividadena aquisio de insumos agrcolas, bem como nacomercializao de sua produo. A sede inicial foi emMissal, PR, para melhor atender seus programas deexpanso. Em 1972, transferiu sua sede para Medianeira,PR, onde permanece at hoje. Atualmente, conta com 6.794associados e 2.660 funcionrios. A sua rea de ao estcentrada na regio Oeste Paranaense, atuando em 12municpios. Conta com 14 unidades de recepo deprodutos agropecurios.

    A Cooperativa Agroindustrial LAR tambm umacooperativa que atua no agronegcio, comercializandoprodutos agropecurios, industrializando soja, mandioca,vegetais congelados e aves; os produtos so distribudospara supermercados e empresas de insumos agropecurios.Em 1982, essa cooperativa implantou uma unidadeindustrial de soja, de raes e de concentrados. Mas, ainsero na agroindustrializao, de forma mais intensiva,s se deu a partir da dcada de 1990, com a implantao deuma unidade de mandioca, de leites, de vegetais e de

  • A insero econmica da cooperativa agroindustrial... 299

    Organizaes Rurais & Agroindustriais, Lavras, v. 8, n. 3, p. 295-312, 2006

    aves. O capital necessrio para esses investimentos foiadquirido via agentes financeiros, como o caso doPrograma de Revitalizao das Cooperativas de ProduoAgropecuria (RECOOP), em 1998.

    Por fim, a insero da Cooperativa AgroindustrialLAR no processo de agroindustrializao dos produtosagropecurios da regio de Medianeira deve ter refletido,em termos econmicos e financeiros, tanto para essasociedade cooperativa, como tambm para odesenvolvimento da regio de Medianeira.

    O objetivo deste trabalho foi analisar a insero,no processo de agroindustrializao da CooperativaAgroindustrial LAR e demonstrar os reflexos financeirosque os investimentos nesse setor trouxeram ao municpio-sede (Medianeira, PR) e nos demais municpios em queesta cooperativa tem plantas industriais, como o caso deItaipulndia, Missal, Matelndia, Cu Azul e Santa Helena.Especificamente, procurou-se verificar a participao daagroindustrializao desta Cooperativa no retorno doImposto sobre Operaes Relativas Circulao deMercadorias e sobre Prestaes de Servios de TransporteInterestadual, Intermunicipal e de Comunicao ( ICMS)ao Poder Executivo dos referidos municpios no perodode 2000 a 2004.

    4 METODOLOGIA

    Esta seo apresenta os procedimentosmetodolgicos que proporcionaram averiguar aparticipao da agroindustrializao da CooperativaAgroindustrial LAR no retorno do ICMS ao PoderExecutivo nos municpios em que tem plantas industriais.

    As verificaes dos efeitos da agroindustrializaoda Cooperativa Agroindustrial LAR no retorno do ICMS,no perodo de 2000 a 2004, nos municpios onde a mesmaatua, localizados na regio oeste do Paran, foramrealizadas por meio da anlise da decomposio do ndiceque define o retorno aos municpios paranaenses do ICMS(25%),arrecadado pelo estado do Paran.

    Esta anlise se iniciou pelo estudo da composiodos critrios que compem o retorno do referido imposto,da parte que cabe aos referidos municpios. Assim, peloartigo 158, inciso IV, da Constituio Federal e do artigo132 da Constituio do Estado do Paran, e da Lei FederalComplementar n 63/90, foram definidos os critrios dacomposio dos ndices de retorno aos municpiosparanaenses, segundo as Leis Estaduais n 9.491/90, n12.847 e 59/91 (Complementar), conforme demonstrado noQuadro 1.

    QUADRO 1 Critrios de rateio do ICMS.

    Critrios PercentualValor adicionado 75,0 %Produo agropecuria 8,0 %

    Habitantes (populao rural) 6,0 %

    Propriedades rurais 2,0 %rea territorial 2,0 %

    Fator fixo 2,0 %Preservao ambiental 5,0%

    Total 100,0 %Fonte: Lei n 9.491/90 (PR) e Lei Complementar n 59/91 (PR).

    A partir desses critrios definidos na legislao, aSecretaria da Fazenda do Estado do Paran (BRASIL, 2005)define, a cada ano, a partir das Declaraes Fisco-Contbeis(DFC), os ndices de retorno do ICMS aos municpios.

    Frise-se que os nmeros relativos aos valoresadicionados de um determinado ano, bem como daproduo primria e dos outros critrios, somente causaroefeito no retorno do ICMS nos dois anos seguintes. Assim,para a verificao da participao das indstrias daCooperativa Agroindustrial LAR no retorno do ICMS, aosmunicpios citados, nos anos de 2000 a 2004, utilizaram-se,respectivamente, as DFC com ano-base 2002, 2001, 2000,1999 e 1998.

    Os efeitos da participao da agroindustrializaoda Cooperativa Agroindustrial LAR no retorno do ICMSaos Municpios citados foram verificados mediante osseguintes procedimentos:a) aferio da participao da produo das suas plantasindustriais, bem como da produo primria incrementadapelas unidades de processamento da CooperativaAgroindustrial LAR, no Valor Adicionado ( VA);b) verificao da participao da produo agropecurianos municpios, ocorrida em funo das indstrias daCooperativa Agroindustrial LAR.

    Para tanto, obteve-se o VA das indstrias daCooperativa, referente aos anos citados, pelas DFCapresentadas, pela sociedade, Secretaria da Fazenda doEstado do Paran, por ocasio dos perodos de apuraodos ndices anuais de retorno do ICMS.

    Uma vez conhecido o referido VA, ele foi comparadoao Valor Adicionado Total (VAT) dos municpios, emtermos nominais e relativos.

    Apurada a participao do VA das indstrias daCooperativa Agroindustrial LAR, multiplicou-se esse

  • URIBE-OPAZO, M. A. et al.300

    Organizaes Rurais & Agroindustriais, Lavras, v. 8, n. 3, p. 295-312, 2006

    percentual pelo peso (75%) do valor adicionado na formaodo ndice de retorno. Isto , segundo a Equao (1):

    IRET = 0,75 * VA, (1)

    sendo, IRET: ndice de Retorno sobre o Valor Adicionado;e VA: Valor Adicionado.

    Em termos de valores anuais, no entanto, essaparticipao somente foi obtida, quando compararam-seos valores creditados em favor dos executivos municipais.J os efeitos da agroindustrializao da CooperativaAgroindustrial LAR no critrio produo agropecuriaforam aferidos pelo Relatrio do Valor Bruto da ProduoAgropecuria Paranaense. De posse do Valor Bruto daProduo (VBP) dos municpios referidos, verificaram-seos valores brutos da produo agropecuria, focando osprodutos de interesse da Cooperativa , com a finalidade deapurar a participao de cada um.

    Com relao a esses dois critrios que compem ondice de Retorno (IR) do ICMS, h de se ressaltar que,como essa participao definida pelos ndices, que depoisso aplicados sobre o montante que cabe aos municpiosda arrecadao do estado do Paran, do ICMS, foinecessria a converso dos referidos ndices em moeda(reais), totalizando tais valores anualmente.

    Sendo esses os critrios que definem o ndice departicipao dos municpios no ICMS, pde-se calcular,em valores, a participao da Cooperativa no retorno doICMS aos 6 (seis) municpios nos quais essa cooperativamantm unidades industriais e tem influenciado a produoagropecuria.

    J para a anlise dos efeitos da agroindustrializaoda Cooperativa Agroindustrial LAR, em termos de retornodo ICMS, obtiveram-se os dados por meio do site daSecretaria de Estado da Fazenda (SEFA) (FAZENDA, 2005),que contm os clculos dos itens componentes do retornodo ICMS, de informaes em relatrios contbeis e de DFC,conseguidas junto ao setor contbil da sociedadecooperativa em estudo e, ainda, de dados obtidos com aSecretaria da Fazenda do municpio de Medianeira.

    Os dados que possibilitaram a verificao daparticipao da agroindstria da CooperativaAgroindustrial LAR com reflexos na produoagropecuria foram obtidos por meio do Departamento deEconomia Rural (DERAL), subordinado SecretariaEstadual da Agricultura e Abastecimento (SEAB).

    5 RESULTADOS E DISCUSSES

    Nas Tabelas de 1 a 6, apresenta-se a participaoda Cooperativa Agroindustrial LAR no retorno do ICMS,em cada um dos referidos municpios4.

    Na Tabela 1 apresentada a participao daCooperativa Agroindustrial LAR no retorno do ICMS aomunicpio de Cu Azul, de 2000 a 2004. Nesse municpio, areferida cooperativa tem instalada uma unidade industrialde soja, uma unidade industrial de empacotados e umaunidade de beneficiamento de ovos.

    Conforme os resultados apresentados na Tabela 1, aparticipao da Cooperativa Agroindustrial LAR no retornodo ICMS, nos perodos em estudo, variou entre 8,46% (ano2002) e 15,76% (ano 2004), sendo o maior percentual obtidona participao do retorno do ICMS. Em 2004, o Executivo domunicpio de Cu Azul recebeu, em valores atuais, R$6.041.194,55 (item 8). Desse total, a Cooperativa AgroindustrialLAR participou com R$ 952.016,08 (item 9, ano 2004), valorque se obtm da soma da participao da LAR no valoradicionado da indstria (item 1.1.1), da produo primria (item1.3.1) e na estimativa da produo agropecuria feita peloDERAL (item 2.1). A maior parte da participao da CooperativaAgroindustrial LAR no retorno do ICMS ao municpio deCu Azul, entre 2000 e 2004, foi no valor adicionado daindstria. Conforme se verifica nos itens 1.1 e 1.1.1, na colunaTotal Acumulado, as indstrias de Cu Azul, por meio deseus valores adicionados, foram responsveis pela geraode retorno de R$ 2.620.315,13 em ICMS e, desse valor, as trsunidades industriais da Cooperativa LAR contriburam como valor adicionado de R$ 1.678.865,92. A comparao entreesses dois valores indica que as agroindstrias da CooperativaLAR representaram, no perodo 2000 a 2004, quase dois terosdo valor adicionado das indstrias. Isso tambm pode serverificado ao se comparar os percentuais apresentados nacoluna Total Acumulado, isto , as unidades industriais daCooperativa LAR representaram 6,33% da contribuio totaldas indstrias, que foi 9,88%, participao total do setorindustrial de retorno do ICMS ao municpio de Cu Azul noperodo 2000 a 2004. Pelo item 8 e 9, na coluna TotalAcumulado, percebe-se que, dos R$ 26.526.083,74 que omunicpio de Cu Azul recebeu do Governo do Estado doParan, a ttulo de retorno do ICMS, a Cooperativa teveparticipao direta em R$ 3.332.469,00 representando, noperodo, um percentual mdio de 12,57 %.

    Na Figura 1 apresenta-se, graficamente, aparticipao da Cooperativa Agroindustrial Lar no retornodo ICMS a Cu Azul, segundo as informaes apresentadasna Tabela 1.

    4Os dados constantes das tabelas referidas esto atualizados pelondice Nacional de Preos ao Consumidor INPC/IBGE queso: 2001 9,44%; 2002 14,74%; 2003 10,38%; 2004 6,13% e, 2005 (at julho) 3,31%.

  • A insero econmica da cooperativa agroindustrial... 301

    Organizaes Rurais & Agroindustriais, Lavras, v. 8, n. 3, p. 295-312, 2006

    TA

    BE

    LA

    1

    Dec

    ompo

    si

    odo

    reto

    rno

    deIC

    MS

    para

    om

    unic

    pio

    deC

    uA

    zul,

    2000

    a20

    04(p

    reo

    sco

    rren

    tes)

    .

    Fon

    te:R

    esul

    tado

    sda

    Pes

    quis

    a.

  • URIBE-OPAZO, M. A. et al.302

    Organizaes Rurais & Agroindustriais, Lavras, v. 8, n. 3, p. 295-312, 2006

    TA

    BE

    LA

    2

    Decom

    pos iodo

    r etornode

    ICM

    Sp ara

    om

    u nicpiod e

    Itaipul ndia,2 000

    a200 4

    (pre oscorren tes).

    Font e:R

    esulta dosda

    Pe squisa.

  • A insero econmica da cooperativa agroindustrial... 303

    Organizaes Rurais & Agroindustriais, Lavras, v. 8, n. 3, p. 295-312, 2006

    TA

    BE

    LA

    3

    Dec

    ompo

    si

    odo

    reto

    rno

    deIC

    MS

    para

    om

    unic

    pio

    deM

    atel

    ndi

    a,20

    00a

    2004

    (pre

    os

    corr

    ente

    s).

    Fon

    te:R

    esul

    tado

    sda

    Pes

    quis

    a.

  • URIBE-OPAZO, M. A. et al.304

    Organizaes Rurais & Agroindustriais, Lavras, v. 8, n. 3, p. 295-312, 2006

    TA

    BE

    LA

    4

    Decom

    pos iodo

    r etornode

    ICM

    Sa o

    munic pio

    deM

    edianeir a,2000

    a2004

    (p reosco rrentes).

    Fon te:

    Result ados

    daP

    esquisa.

  • A insero econmica da cooperativa agroindustrial... 305

    Organizaes Rurais & Agroindustriais, Lavras, v. 8, n. 3, p. 295-312, 2006

    TA

    BE

    LA

    5

    Dec

    ompo

    si

    odo

    reto

    rno

    deIC

    MS

    para

    om

    unic

    pio

    deM

    issa

    l,20

    00a

    2004

    (pre

    os

    corr

    ente

    s).

    Fon

    te:R

    esul

    tado

    sda

    Pes

    quis

    a.

  • URIBE-OPAZO, M. A. et al.306

    Organizaes Rurais & Agroindustriais, Lavras, v. 8, n. 3, p. 295-312, 2006

    TA

    BE

    LA

    6

    Decom

    pos iodo

    r etornode

    ICM

    Sp ara

    om

    u nicpiod e

    SantaH

    elena, 2000

    a20 04

    (pre oscorre ntes).

    Font e:R

    esulta dosda

    Pe squisa.

  • A insero econmica da cooperativa agroindustrial... 307

    Organizaes Rurais & Agroindustriais, Lavras, v. 8, n. 3, p. 295-312, 2006

    FIGURA 1 Grfico comparativo da participao da Cooperativa Agroindustrial LAR no retorno de ICMS de Cu Azul,no perodo de 2000 a 2004 (por critrio e total).

    Na Tabela 2 apresentada a decomposio doretorno do ICMS no municpio de Itaipulndia. Percebe-seque as unidades de processamento da CooperativaAgroindustrial LAR influenciaram no retorno do ICMSentre 10,01 % e 14,48 %, entre 2000 e 2004 (conforme seapresenta no item 9), tendo o maior percentual ocorrido em2003. Nesse municpio, a LAR mantm uma unidadeindustrial de vegetais e uma unidade produtora de leites.

    Pela Tabela 2, pode-se perceber que a produoagropecuria, influenciada pelas plantas industriais daCooperativa Agroindustrial LAR, teve maior participaono retorno do ICMS ao municpio de Itaipulndia, entre2000 a 2004. Isso pode ser verificado pelos valores dositens 1.1, 1.3.1 e 2.1 da coluna Total Acumulado que so,respectivamente, R$ 130.534,41, R$ 19.688,19 e R$582.407,86. Este ltimo representou 10,14% do totalrecebido de ICMS no mencionado perodo, enquanto ositens 1.1 e 1.3.1 representaram, respectivamente, 2,27% e0,34%.O Valor Adicionado das duas empresas tem menorrepresentatividade em funo de essas empresas teremcomeado a dar retorno do ICMS em 2001, como tambmpor serem empresas com valores adicionados no muitosaltos. Em termos gerais, do total do retorno de R$ 732.630,46(item 9, da coluna Total Acumulado), a participao daCooperativa Agroindustrial LAR representa 12,75% do totalde ICMS recebido pelo municpio nos 5 anos analisados,que foi de R$ 5.744.426,79 (item 8, coluna TotalAcumulado).

    Na Figura 2, apresenta-se essa participao dasindstrias da Cooperativa Agroindustrial LAR no retornodo ICMS de Itaipulndia, segundo as informaesapresentadas na Tabela 2.

    Na Tabela 3 apresenta-se a decomposio doretorno do ICMS ao municpio de Matelndia. Asinformaes dessa tabela demonstram variaes, de umano para outro, na importncia da CooperativaAgroindustrial LAR, no retorno do ICMS do municpio deMatelndia, nos anos de 2000 a 2004. O item 9 mostra quea Cooperativa Agroindustrial LAR representou 4,27% noretorno de 2000; 6,63% em 2001; 13,59% em 2002; 23,90%em 2003 e 26,53% em 2004.

    Segundo os dados da Tabela 3, o municpio deMatelndia recebeu, a ttulo de retorno de ICMS, entre2000 e 2004, o valor acumulado e corrigido (atualizadospelo ndice Nacional de Preos ao Consumidor INPC/IBGE que so: 2001 9,44%; 2002 14,74%; 2003 10,38%;2004 6,13% e 2005 (at julho) 3,31%), de R$ 21.609.932,60,conforme demonstrado no item 8, da coluna TotalAcumulado. Deste, R$ 3.455,539,04 foram influenciadosdiretamente pela Cooperativa Agroindustrial LAR, o querepresenta 16%, conforme demonstrado no item 9. Essaparticipao foi elevada, gradativamente, em funo daunidade industrial de aves, que a maior indstria daCooperativa Agroindustrial LAR. Ela comeou suasatividades recentemente, mais precisamente em 1999 e, emfuno disso, os reflexos em termos de participao noretorno do ICMS, aconteceram a partir de 2001, quandoeste imposto representou apenas 6,63%, chegando a26,53% em 2004. Essa variao positiva ocorreu em funode investimentos feitos, pela sociedade, na ampliao dafbrica que, em 2004, empregava 2.024 funcionrios e jabatia 170.000 aves por dia. Isso apresenta a importnciampar, em termos financeiros, da CooperativaAgroindustrial LAR para o municpio de Matelndia.

  • URIBE-OPAZO, M. A. et al.308

    Organizaes Rurais & Agroindustriais, Lavras, v. 8, n. 3, p. 295-312, 2006

    Observa-se tambm a importncia da Unidade Industrialde Aves no municpio de Matelndia, pelo valor adicionadoda indstria. O item 1.1.1 revela, na coluna TotalAcumulado, que o adicionado da indstria da CooperativaAgroindustrial LAR de Matelndia totaliza R$ 1.834.030,79e o adicionado do conjunto de empresas do setor industrialde Matelndia totaliza R$ 2.644.851,53 (item 1.1, colunaTotal Acumulado). Ou seja, dos 12,24% de valores

    adicionados pelas indstrias de Matelndia representaramno retorno do ICMS a este municpio, o valor adicionadopela unidade industrial da Cooperativa Agroindustrial LARrepresentou 8,49%. Assim, pode-se afirmar que essa nicaindstria que a Cooperativa LAR mantm em Matelndiarepresentou, no perodo, mais da metade do total do retornode ICMS proveniente do valor adicionado. Isso pode servisualizado no grfico da Figura 3.

    FIGURA 2 Grfico comparativo da participao da Cooperativa Agroindustrial LAR no retorno de ICMS de Itaipulndia,no perodo de 2000 a 2004 (por critrio e total).

    FIGURA 3 Grfico comparativo da participao da Cooperativa Agroindustrial LAR no retorno de ICMS de Matelndia,no perodo de 2000 a 2004 (por critrio e total).

  • A insero econmica da cooperativa agroindustrial... 309

    Organizaes Rurais & Agroindustriais, Lavras, v. 8, n. 3, p. 295-312, 2006

    Na Tabela 4 apresenta-se a decomposio doretorno do ICMS ao municpio de Medianeira. O municpiorecebeu, a ttulo de retorno de ICMS, entre 2000 a 2004, ovalor acumulado e corrigido de R$ 24.315.095,11, conformedemonstra o item 8 da coluna Total Acumulado. Deste,apenas a quantia de R$ 1.502.649,21 foi influenciadadiretamente pela Cooperativa Agroindustrial LAR, o querepresenta 6,18%, conforme demonstra o item 9 da referidatabela. Ao analisar, pormenorizadamente, os critrios quemais representatividade tiveram no referido retorno, pode-se verificar que o critrio produo agropecuria,influenciado pela Cooperativa LAR, foi superior ao critriovalor adicionado da indstria da Cooperativa LAR. Issoest apresentado na coluna Total Acumulado quedemonstra que a produo agropecuria, influenciada pelaCooperativa LAR, conforme o item 2.1, obteve o valor deR$ 1.117.704,64, enquanto o valor adicionado da UnidadeIndustrial de Raes, da Cooperativa LAR, demonstradono item 1.1.1, somou R$ 384.944,57. Pode-se observar,tambm pelo item 1, na coluna Total Acumulado, que ovalor adicionado das indstrias de Medianeira respondeupor 82,55% (R$ 20.071.324,46) do total recebido por essemunicpio, entre 2000 a 2004, de retorno de ICMS (R$24.315.095,11), enquanto os R$ 384.944,57 (item 1.1.1, colunaTotal Acumulado) de valor adicionado da unidadeindustrial da Cooperativa Agroindustrial LARrepresentaram apenas 1,58 % do retorno desse ICMS.

    Na Figura 4, apresenta-se o grfico comparativo daparticipao da Cooperativa Agroindustrial LAR noretorno de ICMS a Medianeira, no perodo de 2000 a 2004.

    FIGURA 4 Grfico comparativo da participao da Cooperativa Agroindustrial LAR no retorno de ICMS de Medianeira,no perodo 2000 a 2004 (por critrio e total).

    A Unidade Industrial de Mandioca, que a nicafbrica que a Cooperativa Agroindustrial LAR mantm nomunicpio de Missal, muito importante para o retorno doICMS a esse municpio. Isso apresentado na Tabela 5.Por ela, percebe-se que, de forma geral, a Cooperativa LAR importante na contribuio que d ao retorno de ICMSao municpio de Missal.

    Segundo a Tabela 5, do total recebido de ICMSpelo municpio de Missal, entre 2000 a 2004, no valor de R$10.715.507,32 (item 8, coluna Total Acumulado), omontante influenciado pela Cooperativa AgroindustrialLAR foi de R$ 1.657.611,90 (item 9, coluna TotalAcumulado). Essa coluna mostra que isso representou15,47%. Pelo item 1.1.1 da coluna Total Acumulado,observa-se o valor de R$ 406.711,52, que foi a participaoda Unidade Industrial de Mandioca no total do critriovalor adicionado da indstria, o qual representou quasea metade do valor adicionado de todas as indstrias deMissal, que, conforme item 1.1, foi de R$ 852.221,78. Noentanto, aquele valor (R$ 406.711,52) representou 3,80%do total recebido de ICMS por Missal, entre 2000 e 2004.Porm no critrio produo agropecuria que se v amaior importncia da Cooperativa no retorno do ICMS.Conforme o item 2.1 da coluna Total Acumulado, aCooperativa Lar influenciou o valor de R$ 1.184.361,49,que representou 11,05% do total recebido de ICMS porMissal (R$ 10.715.507,32), no perodo pesquisado. Fazendo-se outra comparao, pode-se concluir que a produoagropecuria influenciada pela Cooperativa LAR (R$

  • URIBE-OPAZO, M. A. et al.310

    Organizaes Rurais & Agroindustriais, Lavras, v. 8, n. 3, p. 295-312, 2006

    FIGURA 5 Grfico comparativo da participao da Cooperativa Agroindustrial LAR no retorno de ICMS a Missal, noperodo de 200 a 2004 (por critrio e total).

    1.184.361,49) representou R$ 2.326.921,59 (item 2, colunaTotal Acumulado). Essa importncia, destinada aomunicpio de Missal, ocasionada pela Cooperativa LAR,pode ser visualizada graficamente na Figura 5.

    Na Tabela 6, apresenta-se o retorno do ICMS aomunicpio de Santa Helena, nos exerccios de 2000 a 2004.Nela, percebe-se que a Cooperativa Agroindustrial LAR noteve nenhuma participao no retorno do referido tributo,tendo em vista que a unidade de raes foi implantada nessemunicpio em 2003. Esse retorno de ICMS dever ocorrer apartir de 2005, por causa da metodologia de clculo daSecretaria Estadual da Fazenda, pela qual a produo de umano tem reflexo no retorno do ICMS apenas dois anos depois.

    Se, para a Cooperativa Agroindustrial LAR, osinvestimentos em plantas industriais foram benficos, para opoder pblico, a LAR tambm foi, como o caso dos municpiosde Missal, Matelndia, Itaipulndia, Medianeira e Cu Azul.

    Na Tabela 7 apresenta-se um resumo dos municpiosem que a Cooperativa LAR tem participado diretamente

    no retorno do ICMS transferido pelo Governo do EstadoParan, nos anos de 2000 a 2004. Assim, apresenta-se aimportncia da Cooperativa, em termos de participao dareceita direta dos respectivos poderes executivosmunicipais. Ou seja, de uma arrecadao, a ttulo de retornodo ICMS, que totalizou R$ 88.911.045,56, os municpios emque a Cooperativa Agroindustrial LAR mantm unidadesindustriais participaram, diretamente, com R$ 10.680.899,61,isto , no conjunto, representou 12,01%. uma participaoexpressiva, considerando tratar-se de apenas umasociedade, entre muitas, que esto instaladas em cadamunicpio. Em termos percentuais, a Cooperativa LAR tevemaior participao no retorno do ICMS aos municpios deMatelndia, com 16% e Missal com 15,47%. Mas, em termosde valores, as maiores foram em Matelndia com R$3.455.539,04 e em Cu Azul, com R$ 3.332.469,00.

    Na Figura 6 est apresentada graficamente aparticipao da Cooperativa Agroindustrial LAR no retornodo ICMS aos referidos municpios.

    TABELA 7 Resumo da participao da Cooperativa Agroindustrial LAR no retorno de ICMS por municpio.

    MunicpiosRetorno do ICMS

    2000 a 2004Participao da LAR

    (R$)Participao da LAR

    (%)Cu Azul 26.526.083,74 3.332.469,00 12,57

    Itaipulndia 5.744.426,79 732.630,46 12,75

    Matelndia 21.609.932,60 3.455.539,04 16,00

    Medianeira 24.315.095,11 1.502.649,21 06,18

    Missal 10.715.507,32 1.657.611,90 15,47

    Totais 88.911.045,56 10.680.899,61 12,01

  • A insero econmica da cooperativa agroindustrial... 311

    Organizaes Rurais & Agroindustriais, Lavras, v. 8, n. 3, p. 295-312, 2006

    FIGURA 6 Grfico resumo do retorno de ICMS por municpio soma de 2000 a 2004.

    6 CONSIDERAES FINAIS

    Verificou-se que a Cooperativa Agroindustrial LARcontribuiu positivamente na arrecadao do ICMS dosmunicpios onde mantm instaladas plantas industriais,que so Medianeira, Itaipulndia, Missal, Matelndia, CuAzul e Santa Helena.

    A comear pela participao expressiva nacomposio do retorno do ICMS, em mdia, a CooperativaLar participou com 12,01% do retorno do ICMS, do ano de2000 a 2004, nos municpios de Cu Azul, Itaipulndia,Matelndia, Medianeira e Missal. Do montante de R$88.911.045,56 que o poder executivo desses municpios,juntos, recebeu do Governo do Estado do Paran, no referidoperodo, R$ 10.680.899,61 foram em conseqncia dasunidades industriais da Cooperativa Agroindustrial LAR.

    Individualmente, a maior participao daCooperativa no retorno do ICMS foi no municpio deMatelndia, onde a Lar mantm instalada uma UnidadeIndustrial de Aves, desde setembro de 1999. Esse municpiorecebeu, no referido perodo, R$ 21.609.932,60, dos quais aindstria da Cooperativa teve participao em R$3.455.539,04, representando 16,00%.

    O segundo municpio em que a Cooperativa tevemaior participao no retorno do ICMS foi Missal, em quea unidade industrial de mandioca participou com 15,47%.Ou seja, dos R$ 10.715.507,32, recebidos pelo executivomunicipal, R$ 1.657.611,90 foram influenciados pelaindstria da LAR.

    Essa participao financeira reflete no bem-estardas sociedades, uma vez que os recursos gerados datransferncia constitucional do ICMS pelo governoestadual foram investidos pelos prefeitos no bem-estar dapopulao. So recursos direcionados s sociedades, pormeio de investimentos em sade, educao e segurana,entre outros, que melhoram a qualidade de vida dosmoradores desses municpios.

    7 REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS

    ARAJO, M. J. Fundamentos de agronegcios. So Paulo:Atlas, 2003. 147 p.

    ARRUDA, C. et al. Relatrio da anlise comparativaBrasil,Argentina e Chile na competitividade mundial. BeloHorizonte: Fundao Dom Cabral, 1995.

    BATALHA, M. O. Sistemas agroindustriais: definies ecorrentes metodolgicas. In: ______. Gestoagroindustrial. So Paulo: Atlas, 1997. 573 p.

    BIALOSKORSKI NETO, S. Agribusiness cooperativo:economia, doutrina e estratgias de gesto. 1994.Dissertao (Mestrado em Economia Aplicada) - EscolaSuperior de Agricultura Luiz de Queiroz, Piracicaba, 1994.

    BIALOSKORSKI NETO, S. Incentivos contratuais e eficincia:o caso da nova gerao de cooperativas. Revista de Economiae Sociologia Rural, [S.l.], v. 38, n. 4, p. 109-127, 2000a.

  • URIBE-OPAZO, M. A. et al.312

    Organizaes Rurais & Agroindustriais, Lavras, v. 8, n. 3, p. 295-312, 2006

    BIALOSKORSKI NETO, S. Agribusiness cooperativo. In:ZYLBERSZTAJN, D.; NEVES, M. F. Economia & gestodos negcios alimentares. So Paulo: Pioneira, 2000b. p.235-253.

    BIALOSKORSKI NETO, S. Cooperativas: economia,crescimento e estrutura de capital. So Paulo: OCESP/SESCOOP-SP, 2001. v. 1, 117 p.

    BIALOSKORSKI NETO, S.; MARQUES, P. V.Agroindstria cooperativa: um ensaio sobre crescimentoe estrutura de capital. Revista Gesto e Produo, SoCarlos, v. 5, n. 1, p. 60-68, 1998.

    BRANDO, V. Encruzilhada cooperativa. RevistaExpresso. Florianpolis: AZ Comunicaes, n. 8, p. 21-24, 1998.

    BRASIL. Secretaria de Estado da Fazenda. Repassesfinanceiros. Disponvel em: . Acesso em: 12 dez. 2005.

    DAVIS, J. H.; GOLDBERG, R. A. A concept of agribusiness.Boston: Harvard University, 1957. 136 p.

    CRACOGNA, D. Adequao da legislao cooperativista:experincia internacional. In: CONGRESSO BRASILEIRODE COOPERATIVISMO, 11., 1997, Braslia, DF. Anais...Braslia, DF: [s.n.], 1997. p. 134-145.

    FULTON, M. E. The future of canadian agriculturalcooperatives: a property rights approach. AmericanJournal of Agricultural Economics, [S.l.], v. 77, p. 1144 -1152, 1995.

    GIMENES, R. M. T. Anlisis del comportamiento de losadministradores financieros respecto al coste yestructura de capital: aplicacin a las cooperativasagropecuarias del Estado del Paran. 1999. Tese(Doutorado) - Universidad de Len, Lon, 2000.

    JANK, M. S. A insero do Brasil e do setor cooperativono mercado mundial de produtos agroindustrializados.Piracicaba: USP-ESALQ-FEALQ, 1990.

    JARDIM JNIOR, J. F. Cooperativismo e agronegcio:quatro dcadas de cooperativismo: o caso da COCAMAR.In: BRAGA, M. J.; REIS, B. dos S. (Orgs.). Agronegciocooperativo: reestruturao e estratgias. Viosa: UFV, 2002.305 p.

    MONTOYA, M. A.; GUILHOTO, J. J. M. O agronegciobrasileiro entre 1959 e 1995: dimenso econmica, mudanaestrutural e tendncias. In: MONTOYA, M. A.; PARR, J.L. O agronegcio brasileiro no final do sculo XX:estrutura produtiva, arquitetura organizacional etendncias. Passo Fundo: UPF, 2000. v. 1, 337 p.

    ORGANIZAO DAS COOPERATIVAS BRASILEIRAS.Banco de dados cooperativistas. [S.l.], 2002.

    OCEPAR. As cooperativas paranaenses e sua importnciano desenvolvimento do Estado do Paran. Disponvel em:. Acesso em: 7 fev. 2003.

    PINAZZA, L. A.; ALIMANDRO, R.; TEJON, M. J. L.(Orgs.). Reestruturao no agribusiness brasileiro:agronegcios no terceiro milnio. Rio de Janeiro:Associao Brasileira de Agribusiness, 1999. 266 p.

    REQUEJO, L. M. H. Desafios para o gerenciamentofinanceiro das cooperativas brasileiras. In: CONGRESSOBRASILEIRO DE COOPERATIVISMO, 11., 1997, Braslia,DF. Anais... Braslia, DF: OCB, 1997. p. 96-111.

    ROCHA, E. E. R. O cooperativismo agrcola em transio.Campinas: Unicamp/IE, 1999.

    SILVA, J. G. da. A nova dinmica da agricultura brasileira.2. ed. Campinas: Unicamp, 1998. 211 p.

    ZUURBIER, P. J. P. Unio europia e reorganizao docooperativismo europeu. In: CONGRESSO BRASILEIRODE COOPERATIVISMO, 11., 1997, Braslia, DF. Anais...Braslia, DF: OCB, 1997. p. 153-171.

    ZYLBERSZTAJN, D. (Coord.). Empresas cooperativas:reestruturao e sobrevivncia. So Paulo: USP-FEA, 1999.Relatrio Final de Pesquisa - CNPq.