UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL ESCOLA DE ... · escala subjetiva de esforço foi medida...

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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL ESCOLA DE ENGENHARIA MESTRADO PROFISSIONALIZANTE EM ENGENHARIA ANÁLISE DO CUSTO FÍSICO DO TRABALHO EM PROFESSORAS GINÁSTICAS SISTEMATIZADAS Jackson José da Silva Porto Alegre, 2005
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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL

ESCOLA DE ENGENHARIA

MESTRADO PROFISSIONALIZANTE EM ENGENHARIA

ANLISE DO CUSTO FSICO DO TRABALHO EM PROFESSORAS

GINSTICAS SISTEMATIZADAS

Jackson Jos da Silva

Porto Alegre, 2005

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL

ESCOLA DE ENGENHARIA

MESTRADO PROFISSIONALIZANTE EM ENGENHARIA

ANLISE DO CUSTO FSICO DO TRABALHO EM PROFESSORAS GINSTICAS

SISTEMATIZADAS

Jackson Jos da Silva

Orientador: Professora Dra. Lia Buarque de Macedo Guimares

Banca Examinadora:

Prof. Dr. Paulo Ivo

Prof. Dr. Tarcisio Abreu Saurin

Prof. Dr. Thais de Lima Resende

Trabalho de Concluso do Curso de Mestrado Profissionalizante em Engenharia como

requisito parcial obteno do ttulo de Mestre em Engenharia modalidade

Profissionalizante nfase Ergonomia

Porto Alegre, 2005

3

Este Trabalho de Concluso foi analisado e julgado adequado para a obteno do ttulo

de mestre em ENGENHARIA e aprovado em sua forma final pelo orientador e pelo

coordenador do Mestrado Profissionalizante em Engenharia, Escola de Engenharia,

Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

_______________________________________

Prof. Dr. Lia Buarque de Macedo Guimares

Orientador

Escola de Engenharia

Universidade Federal do Rio Grande do Sul

____________________________________

Profa. Dr. Helena Beatriz Bettella Cybis

Coordenadora

Mestrado Profissionalizante em Engenharia

Escola de Engenharia

Universidade Federal do Rio Grande do Sul

4

BANCA EXAMINADORA

Prof. Dr. Paulo Ivo

PPGEP/UFRGS (exemplo)

Prof. Dr. Tarcisio Abreu Saurin

PPGEP/UFRGS

Prof. Dr. Thais de Lima Resende

Cincias da Sade PUC RS

5

AGRADECIMENTOS

Agradeo a Deus por estar vivo.

A Karla por me ajudar em todo esse tempo.

A minha famlia por todo o auxlio.

A minha orientadora por toda pacincia e dedicao.

A todos amigos que me acompanharam neste momento.

6

RESUMO Este trabalho apresenta discusso sobre anlise do custo fsico do trabalho em

professoras de ginsticas sistematizadas em academias. Seus objetivos se determinaram em

relatar o custo fsico do trabalho de professoras de ginstica, sua percepo subjetiva de

esforo durante a aula e mensurar o nvel de dor sentido em vrios segmentos com o uso da

escala de Corlett. A fim de atingir esses objetivos, determinou-se estudo de literatura

abrangendo os conceitos de carga de trabalho, custo fsico, fadiga muscular e mental e rotas

energticas. As aulas de ginstica analisadas para facilidade de estudo foram divididas em

trs momentos: 0 ao 21 minuto, do 22 minuto ao 40 e do 41 ao 60 minuto, obedecendo a

metodologia empregada na maioria das aulas, aquecimento, parte principal e relaxamento.

Para determinar o custo fsico de trabalho foi utilizada a classificao proposta por Apud

(1987), a carga de trabalho foi estabelecido com o auxlio de equao especfica, utilizando-se

os valores de freqncia cardaca de repouso, freqncia cardaca de trabalho e idade, a

escala subjetiva de esforo foi medida pela escala de Borg. A escala de Corlett, que se

constitui em uma escala contnua para cada segmento do corpo com duas ancoras, foi

utilizada para medir o nvel de dor. A anlise dos resultados apresentou um elevado custo

fsico do trabalho, nas trs partes da aula e uma elevada carga de trabalho, esse resultado foi

encontrado em todos os professores, classificando seu trabalho como extremamente pesado. O

maior nvel de dor apontado pelos professores esta nos membros inferiores (joelho, coxa,

perna e tornozelo) seguidos por queixas de desconforto das regies de ombros.

Palavras-chave: custo fsico, carga de trabalho e ginstica sistematizada.

7

ABSTRACT This work presents quarrel on analysis of the physical cost of the work in teachers of

gymnasticses systemize in academies. Its objectives if had determined in telling the physical

cost of the work of gymnastics teachers, its subjective perception of effort during the lesson

and mensurar the level of pain felt in some segments with the use of the scale of Corlett. In

order to reach these objectives, literature study was determined enclosing the work load

concepts, physical cost, muscular and mental fatigue and energy routes. The analyzed lessons

of gymnastics for study easiness had been divided at three moments: 0 to the 21 minute, of

the 22 the 60 minute to the 40 and of the 41 to minute, obeying the methodology used in the

majority of the lessons, heating, main part and relaxation. To determine the physical cost of

work the classification was used proposal for Apud (1987), the work load was established

with the aid of specific equation, using the values of cardiac frequency of rest, cardiac

frequency of work and age, the subjective scale of effort was measured by the scale of Borg.

The scale of Corlett, that if constitutes in a continuous scale for each segment of the body

with two anchors, was used to measure the pain level. The analysis of the results presented

one high physical cost of the work, in the three parts of lesson and one raised work load, this

result was found in all the professors, classifying its work as extremely weighed. The biggest

level of pain pointed for the professors this in the inferior members (knee, thigh, leg and

ankle) followed by complaints of discomfort of the regions of shoulders.

Key word: Physical cost, Load of work and systemize gymnastics.

LISTA DE FIGURAS

Figura 1: Classificao do trabalho quanto freqncia cardaca----------------------------p 31

Figura 2: Comportamento da FC 20 minutos iniciais de aula--------------------------------- p 36

Figura 3: Sensao de esforo 20 minutos iniciais de aula------------------------------------ p 37

Figura 4: Comportamento da FC entre minuto 21 e 40 de aula ------------------------------p 37

Figura 5: Comportamento da FC entre o minuto 41 e 60 de aula ---------------------------- p 39

Figura 6: Sensao de esforo entre o minuto 41 e 60 de aula --------------- ----------------p 40

Figura 7: Escala de Corlett-------------------------------------------------------------------------p 45

LISTA DE TABELAS

Tabela 1: Caracterizao da amostra------------------------------------------------------------------p 35

Tabela 2: Relao carga de trabalho, idade em anos e nmero de aulas semanais------p 42

Tabela 3: Relao carga de trabalho e escala subjetiva de esforo (BORG)-----------------p 43

Tabela 4: Relao carga de trabalho, idade em anos e experincia em aulas de ginstica-p 44

Tabela 5: carga de trabalho -------------------------------------------------------------------------p 45

Tabela 6: Experincia em anos e carga de trabalho ---------------------------------------------p 46

SUMRIO

1 INTRODUO 1.1Consideraes iniciais ------------------------------------------------------------------- 9 1.2Objetivos da pesquisa ------------------------------------------------------------------- 13

1.2.1Objetivo principal -------------------------------------------------------------- 13 1.2.2Objetivos especficos ---------------------------------------------------------- 13

1.3Estrutura da dissertao ----------------------------------------------------------------- 14 2. ROTAS ENERGTICAS E FADIGA MUSCULAR 2.1 Conceituao de rotas energticas -------------------------------------------------------- 15 2.1.1 Diviso das rotas energticas ----------------------------------------------------- 15 2.1.2 Sistema ATP-CP Anaerbio altico (Trifosfato de Adenosina) ------------------- 16 2.1.2 Anaerbio ltico ----------------------------------------------------------------------------- 17 2.1.3 Sistema Aerbio ----------------------------------------------------------------------------- 17

2.1.4 Sobreposio do metabolismo ---------------------------------------------------- 18 2.2 Conceituao de fadiga ------------------------------------------------------------------- 19 2.3 Fatores fisiolgicos que influenciam a fadiga ---------------------------------------- 20 2.4 Fadiga muscular e rotas energticas para classificao de seus ndices ------------- 21 2.4 Avaliao fisiolgica da carga de trabalho fsico ----------------------------------------- 22 2.4.1 Freqncia cardaca de trabalho como ndice de medida do trabalho fsico-- 22 2.4.2 Avaliao psicofsica atravs da escala de Borg. -------------------------------- 23 2.5 Ginstica Sistematizada ------------------------------------------------------------------------ 24 4 MTODOS E TCNICAS UTILIZADOS NA PESQUISA 4.1 Caracterizao da pesquisa ---------------------------------------------------------------- 27 4.2 Local do trabalho --------------------------------------------------------------------------- 27 4.3 Populao ------------------------------------------------------------------------------------ 28 4.4 Amostra -------------------------------------------------------------------------------------- 28 4.5 Instrumentos de investigao ------------------------------------------------------------- 28 4.6 Estratgia de ao -------------------------------------------------------------------------- 29 5 RESULTADOS E DISCUSSES ------------------------------------------------------------ 31 6 CONCLUSO ----------------------------------------------------------------------------------- 43 REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS ---------------------------------------------------------- 45 ANEXOS -------------------------------------------------------------------------------------------- 48

10 1. INTRODUO

1.1 Consideraes iniciais

Durante a realizao de suas atividades profissionais cotidianas, o trabalhador

exposto a diferentes cargas, influenciando os sistemas mentais e fsicos a uma resposta para

atividade executada, gerando custos fisiolgicos para realizao do trabalho. Para que o

indivduo no tenha complicaes orgnicas decorrentes de exposio excessiva a altas

cargas de trabalho, seus esforos devem ser realizados dentro dos limites de conforto e

segurana, Heikkinen (1994) afirma que os fatores que mais afetam a carga de trabalho so:

a excessiva exigncia fsica, presso, frio, calor e rudo.

Os custos fisiolgicos relacionados com a execuo de uma atividade de trabalho

podem ser medidos pelo comportamento do sistema cardiovascular e muscular durante a

execuo da tarefa. Variveis como a Freqncia Cardaca (FC), o Consumo Mximo de

Oxignio1 (VO2 max) e o ndice de Percepo de Esforo (IPE) podem estabelecer qual a

intensidade de exigncia desses sistemas, medindo o trabalho.

A execuo de um trabalho produz mudanas no estado dessas variveis, retirando-as,

na maioria das vezes, de um estado de repouso, e elevando seus valores. Astrand (1980),

verificou o comportamento do VO2 max atravs da aplicao de uma carga de trabalho

(trabalho de membros inferiores) e determinou que trabalhos os quais utilizam uma

captao de oxignio superior a 50 por cento da captao mxima do indivduo, e realizada

por alguns minutos, aumenta a concentrao de produtos derivados da formao energtica,

tornando o trabalho subjetivamente mais extenuante.

Pode-se estabelecer limites para a execuo do trabalho a partir do uso dessas variveis

Konz (1995) comenta que durante o trabalho com a presena de cargas mais intensivas, o limite

de cento e trinta e cinco batimentos por minuto no pode ser excedido. Para Ilmarinen (1992), a

mdia de 110 batimentos por minuto um limite aceitvel para manuteno de trabalho

fsico dinmico.

1 O VO2 max representa a mais alta captao de oxignio alcanada por um indivduo, respirando ar atmosfrico ao nvel do mar. (Astrand, 1952, p. ).

11

Pode-se perceber as diferentes classificaes estabelecidas na literatura a respeito da

classificao da carga de trabalho utilizando como ndice a FC, mostrando que apenas essa

varivel pode no ser suficiente para classificao da carga de trabalho.

Medindo a carga de trabalho atravs do consumo mximo de oxignio, estabelecido

atravs de medida direta ou indireta, estabelecendo uma relao com a FC pode-se facilitar o

processo de classificao dos nveis de esforo durante o trabalho. No organismo humano, a

metabolizao de um litro de oxignio consome, em mdia, a energia de vinte kilojoule (kj),

pode-se ento multiplicar o consumo medido de oxignio em litros por 20, ou 4.8, e ter-se-

o consumo de energia em kj ou Kcal. (Grandjean, 2001).

Com base no gasto calrico durante a realizao da tarefa, pode-se determinar a

intensidade de trabalho a qual foi exposta o trabalhador, a experincia prtica mostra que

uma carga de trabalho que utiliza 30% a 40% da captao mxima de oxignio do indivduo

constitui um limite superior mdio razovel para o trabalho fsico realizado com

regularidade durante uma jornada de trabalho de oito horas (Astrand e Rodahl, 1986, apud

Guimares, 2001).

Associar a FC e o consumo mximo de oxignio podem dar maior segurana no

momento de estabelecer a intensidade da carga de trabalho. Christensen (2000) estabelece

relao entre essas duas variveis, classificando a carga de trabalho de muito leve (durante o

repouso) at extremamente alta (esporte) para cada nvel de carga, formando uma relao

entre FC e consumo de oxignio.

Para avaliar o custo fsico do trabalho pode-se valer tambm de tabelas como as

desenvolvidas por Ainsworth (1993), que classifica o custo do consumo de oxignio para

diferentes atividades. Apesar dessa forma relatar apenas uma viso geral do gasto energtico

da atividade, pois so vrios os fatores que podem interferir, para Guimares (2001), como:

o dispndio energtico para o mesmo ritmo de atividade maior para o operador em

aprendizagem do que para o j treinado, este ltimo, como j conhece bem o seu ofcio,

tende a desenvolver o trabalho com mxima eficincia, economizando energia.

O ndice do esforo fsico durante o trabalho, pode tambm ser utilizado para

classificar carga de trabalho BORG (1982), durante a execuo da tarefa, o trabalhador

pode classificar seu esforo percebido de acordo com os ndices apresentados Borg. A unio

entre consumo mximo de oxignio, freqncia cardaca de trabalho e ndice percebido de

12 esforo possibilita uma viso mais detalhada de como o trabalhador est sentindo a carga de

trabalho, podendo interpretar se o custo fisiolgico desse esforo est ou no relacionado

fadiga muscular e, se produtos metablicos, como o lactato esto sendo formados durante a

execuo da tarefa, o que diminuiria seu rendimento e acentuaria a fadiga.

Com base na FC durante o trabalho pode-se caracterizar qual sistema formador de

energia est sendo utilizado, determinando a ocorrncia, ou no, de processos fisiolgicos

que venham a levar fadiga, do ponto de vista de energtica de contrao, a fadiga, nessa

ptica, pode ser vista como o resultado de um simples desequilbrio entre as demandas de

trifosfato de adenosina (ATP)2 de um msculo e sua capacidade de gerar mais ATP

(Shahlin, 1992).

A classificao da carga de trabalho pode ser estendida a qualquer rea, assim como o

uso das variveis mencionadas para sua classificao. O processo de desenvolvimento

acelerado faz com que as atividades rotineiras fiquem mais facilitadas, por exemplo: o uso

de controle remotos, escadas rolantes, entre outros. Essas invenes levam o homem a torne-

se mais hipocintico e sedentrio, trazendo como conseqncias a esses fatos o

aparecimento de doenas: diabetes, obesidade, artroses, cardacas.

Para sair do desenvolvimento do sedentarismo, existe grande procura de ambientes

para prtica de exerccio sistematizados: as academias de ginstica, onde o indivduo

submetido a prtica de atividades orientadas por professores.

A preocupao nas academias de ginstica a melhora das condies orgnicas desses

indivduos, esse o foco principal de todo o material produzido nesta rea, a ateno voltada

as cargas de trabalho a qual so expostas o professor de ginstica muito reduzida. O

professor em grande maioria executa a aula com os alunos, a fim de agir como incentivador.

O aluno executa apenas uma aula e o professor tem uma rotina de vrias horas de trabalho

executando os mesmos gestos na mesma intensidade.

Com base nos argumentos supra-citados, levanta-se a seguinte problemtica: Ser que

a freqncia cardaca das professoras de ginstica permanece em nveis aceitveis quanto ao

carga de trabalho, durante a aula de ginstica sistematizada?

2 Adenosina trifosfato, molcula principal para o processo de formao energtica.

13 1.2 Objetivos da pesquisa

1.2.1 Objetivo geral

O presente estudo pretende avaliar o trabalho de profissionais do sexo feminino de

aulas de ginstica sistematizada, durante a realizao de sua atividade, a fim de estabelecer o

custo fsico de trabalho.

1.2.2 Objetivos Especficos

Para se cumprir o objetivo geral, foram elaborados os seguintes objetivos

especficos:

Monitorar a freqncia cardaca de professoras de aulas de ginstica;

Medir a percepo de esforo com a escala de Borg;

Relacionar a freqncia cardaca de trabalho durante aula com o custo fsico do

trabalho;

Determinar se o tempo de experincia influencia a carga fsica de trabalho;

Analisar se os ndices de esforo percebido pelo professor de ginstica durante a aula

possuem relao com a freqncia cardaca;

Associar o custo fsico do trabalho com escala subjetiva de dor.

Associar o custo fsico do trabalho com fadiga muscular.

1.3 Estrutura da dissertao

Esta dissertao est estruturada em 5 captulos sendo o primeiro a introduo.

O segundo captulo envolve a reviso de literatura, abordando assuntos como: rotas

energticas, carga fisiolgica do trabalho fsico, fadiga muscular, freqncia cardaca

durante trabalho fsico e mtodos de medida da carga fisiolgica do trabalho fsico.

14

O terceiro captulo apresenta os mtodos e as tcnicas utilizados na pesquisa,

apresentando a justificativa de uso e das estratgias de pesquisas adotadas para a coleta.

Os resultados e discusso da pesquisa so apresentados no capitulo quatro e

finalmente o capitulo cinco apresenta a concluso, e os itens a serem pesquisados a partir

desta dissertao.

15 2 ROTAS ENERGTICAS E FADIGA MUSCULAR

2.1 Conceituao da rotas energticas

A fisiologia do trabalho muscular e do exerccio basicamente uma questo de

transformao de energia acoplada em energia qumica (Astrand, 1980). A energia, um pr-

requisito para a realizao do trabalho fsico, capacita o indivduo a realiz-lo de qualquer

forma, entendendo trabalho como a aplicao de fora por um msculo em contrao, contra

certa resistncia. Em ltima anlise, adquire-se energia por meio da conservao dos

alimentos na clula muscular em componentes de alta energia, denominado (ATP) (Bompa,

2002).

Os seres humanos obtm energia dos alimentos, que so compostos, principalmente,

por carbono, hidrognio, oxignio. A energia das ligaes moleculares dos alimentos

liberada quimicamente no interior das clulas e, em seguida, armazenada sob a forma de um

ATP (Wilmore, Costill, 2001).

Toda e qualquer ao do corpo humano exige obrigatoriamente uma fonte de energia

para a sua realizao, fornecida quimicamente em forma de ATP, sendo energia comum

utilizada para toda espcie de trabalho. A energia obtida pela quebra de ATP para ADP

(adenosina difosfato) e PI (fosfato inorgnico) a energia utilizada para a contrao do

msculo esqueltico durante o trabalho. Alm da ATP, o msculo esqueltico possui um

outro fosfato altamente energtico chamado Creatina Fosfato (CP), que pode ser utilizado

para a ressntese de ATP. Existe uma quantidade limitada de ATP em uma clula muscular e

este ATP usado e regenerado constantemente. A regenerao do ATP requer energia e esta

demanda no msculo esqueltico durante uma atividade de alta intensidade pode ser 120

vezes maior que em repouso (Wolinsky, 2002).

A energia para formao do ATP pode ser formada a parir de ressntese de nutrientes.

Depois da digesto, absoro e assimilao, os principais formadores de energia esto no

corpo humano na forma de glicognio (carboidrato), gordura e protena (Kroemer, 1997).

Existem formas diferentes do organismo fazer a utilizao do ATP (rotas energticas),

podendo ser por vias aerbias ou anaerbias. Quando estas reaes ocorrem sem a presena

de oxignio, o processo chamado de metabolismo anaerbio; quando ocorrem com auxilio

16 de oxignio, denominado metabolismo aerbio (ASTRAND, 1980, KROEMER, 1997,

WILOMRE, COSTILL, 2001, MCARDELL, 2001).

Dependendo da intensidade e da durao das atividades fsicas so definidos trs

sistemas geradores de energia para o trabalho muscular: sistema ATP-CP, tambm chamado

anaerbio altico, o qual representado pelas reservas de fosfagnio (ATP e fosfocreatina)

nos msculos ativos e esgotada provavelmente aps apenas 10 segundos de exerccio

extenuante, sendo a fonte de energia imediata para o trabalho muscular; sistema de gliclise

anaerbia, tambm chamado de anaerbio lctico, que resulta na formao de cido lctico e

est relacionado com a fadiga muscular, no requerendo a presena de oxignio e, 3) sistema

aerbio que requer a presena de oxignio e envolve uma srie de reaes qumicas

complexas, sendo utilizado principalmente em atividades de baixa intensidade e longa

durao (Fox et al., 1991).

A seguir so detalhadas as trs rotas formadoras de energia: anaerbio altico,

anaerbio lctico e o aerbio, a importncia de se conhecer as trs rotas formadoras de

energia a de se caracterizar qual a rota energtica esta sendo utilizada pela professora

durante a aula a fim de fazer a associao destas com a carga de trabalho e fadiga muscular.

2.1.1 Sistema ATP-CP Anaerbio altico

O sistema energtico mais simples o sistema ATP-CP. Embora ele possa ocorrer na

presena de oxignio (O2), esse processo no exige O2 e, por essa razo, considera-se o

sistema ATP-CP como sendo anaerbio (Wilmore, Costill, 2001).

Este sistema utiliza a energia proporcionada, quase que exclusivamente, pelos fosfatos

de alta energia (ATP e CP) que so armazenados dentro dos msculos especficos ativados

durante o exerccio fsico. Portanto, uma fonte de energia utilizada quando h a

necessidade de um fornecimento rpido e imediato. A capacidade do indivduo de gerar

energia intensa por um curto perodo de tempo pode ser influenciada pela quantidade de

fosfato intramuscular armazenado (Fox et al, 1991; McArdle et al., 1998).

17 2.1.2 Anaerbio ltico

Outro mtodo de oxidao a quebra da glicose e molculas de glicognio em

alguns fragmentos e a oxidao destes naturalmente. A energia formada nesse metabolismo

anaerbio grande (Kroemer, 1997).

O sistema anaerbio de fornecimento de energia utiliza principalmente o glicognio

armazenado no msculo em atividade. O armazenamento do glicognio no msculo

resultado do processo anaerbio da gliclise. Fornece energia rpida acima daquela

disponvel a partir dos fosfagnios armazenados, entretanto, tem, como conseqncia, a

formao do cido ltico e, subseqentemente, o seu acmulo. Num exerccio leve, o cido

ltico formado oxidado rapidamente; entretanto, acima de uma certa intensidade de

trabalho, o acmulo do cido ltico pode levar a queda no rendimento e/ou impossibilitar a

continuidade da atividade (Fox et al, 1991; McArdle et al., 1998).

Essa gliclise anaerbia resolve o problema da produo de trabalho quando o

suprimento de oxignio deficiente, mas o preo a ser pago uma contnua acumulao do

produto final (lactato) na clula. Esse acmulo ir, cedo ou tarde, retardar e eventualmente

interromper a atividade, quando a concentrao de cido ltico ficar muito alta. (Astrand,

1981).

Quando a atividade desenvolvida por um longo perodo atravs desse sistema

formador de energia grandes quantidades de cido ltico acumulam-se no msculo,

causando a fadiga e, eventualmente, provocando a paralisao da mesma, esse fato pode

ocorrer em aulas de ginsticas se as cargas de trabalho do professor forem intensas. O

acentuado aumento dos nveis de lactato na corrente sangunea pode levar o professor a

conseqncias negativas da fadiga, como o aparecimento de leses entre outras.

2.1.3 Sistema Aerbio

Quando o exerccio vigoroso prossegue por mais de alguns minutos, a energia

conseguida atravs de reaes aerbias. Estas reaes consomem oxignio fornecendo

energia, a quantidade de cido ltico produzido oxidado ou transformado em glicose. Sob

condies metablicas de ritmo estvel, ou equilibrado, o acmulo de cido ltico mnimo

(Fox et al, 1991; McArdle et al., 1998).

18

Durante toda a aula de ginstica existe a participao desse sistema, como

fornecedor energtico, sendo que seu grau de participao vai depender de qual intensidade

o professor est ministrando a aula, de sua condio orgnica geral e dos domnios da

tcnica: quanto maior a eficincia mecnica na realizao dos gestos de aula, menor sua

exigncia fsica. O metabolismo aerbio fonte primria de energia para eventos que durem

de 2 minutos a 2-3 horas (Bompa, 2002).

As principais reaes do sistema aerbio de fornecimento de energia so: gliclise

aerbia, ciclo de Krebs e sistema de transporte de eltrons.

A Gliclise aerbia a desintegrao aerbia do glicognio para gua e gs

carbnico com liberao de energia. Na presena de oxignio suficiente, a gliclise no

causa o acmulo de cido ltico. Durante este processo, 1 mol de glicognio transformado

em 2 moles de cido pirvico, liberando energia para a ressntese de 3 moles de ATP.

Durante o Ciclo de Krebs acontecem trs importantes eventos: a produo de cido

carbnico, a oxidao e a produo de ATPs. Atravs da oxidao do cido pirvico, ocorre

a formao de gs carbnico que difundido no sangue e eliminado nos pulmes. No ciclo

de Krebs propriamente dito, para cada unidade de glicognio, so formados 2 ATPs (FOX et

al., 1991; McARDLE et al., 1998).

No sistema de transporte de eltrons, os ons de hidrognio e os eltrons originados

da oxidao do cido pirvico so transportados para o oxignio por carreadores de eltrons

em uma srie de reaes enzimticas, cujo produto final a gua. Estas sries especficas de

reaes so denominadas de sistema de transporte de eltrons ou cadeia respiratria.

medida que os eltrons so carreados para as reaes mais inferiores da cadeia respiratria,

ocorre liberao de energia e o ATP ressintetizado em reaes acopladas. Doze pares de

eltrons so removidos de 1 mol de glicognio gerando 36 moles de ATP (FOX et al., 1991;

MCARDLE et al., 1998).

2.1.4 Sobreposio do metabolismo

O organismo usa ou depleta as fontes de energia durante trabalho fsico de acordo

com a intensidade e durao da atividade. Exceto em atividades de durao muito curta, a

maior parte das atividades emprega as duas fontes de energia em graus variados, havendo a

sobreposio dos metabolismos aerbio e anaerbio (BOMPA, 2000).

19

No incio do exerccio, mesmo se a intensidade for abaixo de 60 a 70 por cento do

consumo mximo de oxignio, parte do metabolismo energtico utilizado anaerbio,

enquanto o suprimento de oxignio s clulas musculares em trabalho est sendo ajustado

para alcanar a demanda atual, isto , durante os primeiros 45 a 90 segundos, quando o

dbito cardaco est mudando da condio de repouso para o nvel exigido pela carga de

trabalho (ASTRAND, 1977).

Kell, Doll e Keppler (1969) sugerem que a diviso de 50% entre os metabolismos

ocorre em um perodo de 60 a 70 segundos aps o incio do exerccio. Mader e Hollman

(1977) descobriram que mesmo no final do primeiro minuto de um evento intensivo, a

contribuio do sistema aerbio de 47%.

Para cada atividade fsica ou trabalho fsico, existem formas de utilizao diferentes

dos diversos sistemas de energia, havendo, muitas vezes, a participao de vrios sistemas

formadores de energia em uma mesma atividade (ergognese). Bompa (2000) enfatiza o

papel dominante do sistema aerbio na maioria das atividades, pois um bom sistema aerbio

aumenta a disponibilidade de energia total mesmo em eventos com predominncia

anaerbia.

2.2 Fadiga

O uso da palavra fadiga est associado com uma capacidade de produo

diminuda e uma perda de vontade para cumprir as tarefas dirias. O conceito de fadiga vem

evoluindo no decorrer dos anos, tendo hoje uma conotao psicossocial.

Para Iida (1990), fadiga o efeito de um trabalho continuado, que provoca uma

reduo reversvel da capacidade do organismo e uma degradao qualitativa deste trabalho.

A fadiga causada por um conjunto complexo de fatores, cujos efeitos so cumulativos. Em

primeiro lugar, esto os fatores fisiolgicos e, depois, uma srie de fatores psicolgicos.

Para Powers (1985), fadiga simplesmente uma incapacidade de manuteno de produo

de potncia ou fora durante contraes musculares repetidas. Nesse sentido, Grandjean

(1998) ressalta que, com exigncias crescentes, lentamente diminui o desempenho dos

msculos, at que o estmulo no gere mais nenhuma resposta. Neste caso, tanto faz se o

estmulo eltrico aplicado no msculo ou no nervo, ou se o indivduo voluntariamente

20 contra um msculo. Este fenmeno da diminuio do rendimento do msculo aps a

exigncia chama-se, em fisiologia, fadiga muscular.

A fadiga pode se instalar por sobrecargas de trabalho tanto mentais como entende

Santos (1994), fadiga mental entende-se por designao de um estado de perturbao

nervosa, um esgotamento acentuado, uma forma de padecimento psquico, que no

alterado pelo descanso ou frias, sendo de difcil recuperao, quanto musculares que

ocorrem principalmente em funo da presso do tempo, da dificuldade da tarefa entre

outros, no primeiro caso e, pela demanda energtica ou manuteno de posturas estticas, no

segundo caso. Nessa dissertao,o foco de analise ser restrito aos aspectos fsicos do

trabalho, que podem ser avaliados pelo gasto energtico durante a execuo de trabalho

mecnico ou pela fadiga muscular ocasionada por sobrecarga que atua organicamente

alterando os padres de funcionamento dos sistemas cardiovascular e respiratrio, exigindo

uma maior demanda quanto ao seu funcionamento.

2.3 Fatores que influenciam a fadiga

So diversos os fatores que podem levar ao surgimento da fadiga, para Guimares:

.. a contrao forte e prolongada de um msculo pode levar ao estado de

fadiga muscular. Isso decorre da instalao de processos metablicos e

contrteis das fibras musculares continuarem proporcionando condies

propcias para efetuar o trabalho. O nervo continua a funcionar

adequadamente, os impulsos nervosos passam de modo normal atravs da

juno neuro-muscular para a fibra muscular, e at os potenciais se

difundem normalmente pelas fibras musculares. No entanto, a contrao

torna-se cada vez mais dbil, por causa da depleo de energia fornecida

pelas prprias fibras musculares. A interrupo do fluxo sangneo para um

msculo leva-a severa fadiga em um minuto ou pouco mais, por causa da

perda de suprimento nutritivo e de oxignio disponvel para a produo de

energia para a contrao (Guimares, 2001).

A fadiga muscular tem origem qumica nos processos de produo energtica quanto ao

envio de impulsos nervosos (Powers 2000). Sabe-se que, no msculo, ocorrem reaes de produo de energia durante o processo de contrao muscular e de ressntese durante o processo de

21 relaxamento. Quando o consumo de energia supera o processo de produo, verifica-se um

desequilbrio nos processo metablicos, resultando em formao de resduos. Quando a necessidade

energtica muito grande para produo de trabalho, existe um aumento crescente no processo de

fadiga primeiramente sentido pelo sistema nervoso central.

Para Powers (2000), a discusso sobre os mecanismos da fadiga comea no crebro, onde

vrios fatores podem evidenciar o desejo de vencer e, contnua at as pontes cruzadas nos

msculos. As razes incluem: tipo de fibra e estado de condicionamento; se o msculo foi

estimulado voluntria ou eletricamente; a intensidade e a durao do exerccio e se a atividade foi

contnua ou intermitente. Lida (1990) comenta que a fadiga fisiolgica resulta do acmulo do

cido ltico nos msculos, mas no pode ser apenas explicada em termos de exausto muscular ou

energtica, pois uma pessoa em situao estressante tambm apresenta diversos sintomas de

exausto e fadiga.

Fazendo uma sntese da literatura, Guimares (2001) esclarece que existem

basicamente duas correntes tericas sobre a fadiga muscular: a qumica e a do Sistema

Nervoso Central (SNC). A primeira reconhece a reduo do desempenho muscular, pela

fadiga, como resultado de processos qumicos (consumo de energia, produo de

substncias e acmulo de metablicos), com o fenmeno eltrico nos msculos e nervos em

nvel secundrio. Em contraposio, a teoria do SNC reconhece os processos qumicos como

sendo apenas os estmulos para impulsos sensoriais que, atravs dos nervos, chegam ao

crebro no crtex cerebral, evidenciando que a fadiga muscular advm de um cansao mais

geral.

Nota-se que existe pouca concordncia entre os autores sobre os mecanismos que

possam levar fadiga, bem como de uma diviso exata para esse conceito, pois tanto os

processos qumicos como os relacionados ao sistema nervoso central podem influenciar a

fadiga. Nesta dissertao, para fins prticos, caracterizou-se a fadiga oriunda de mecanismos

formadores de energia, medida pelas diferentes formas de utilizao das fontes energtica

atravs da freqncia cardaca durante a execuo de trabalhos dinmicos3 tanto de carter

aerbio quanto anaerbio em aula de ginstica sistematizada.

3 O trabalho dinmico caracteriza-se por uma seqncia rtmica de contrao e extenso portanto de tensionamento e afrouxamento da musculatura em trabalho.

22

2.4 Fadiga muscular e rotas energticas para classificao de seus ndices.

Powers (2000) menciona a diviso da fadiga em nveis aerbios e anaerbios, estabelecendo

uma classificao de acordo com o potencial energtico exigido na atividade desenvolvida. A seguir,

apresenta-se a proposta de diviso desenvolvida por Powers (2000), quanto aos fatores de

desenvolvimento da fadiga, envolvidos com a energtica de contrao.

Desempenhos de durao ultra-curta (menos de dez segundos) exigem que quantidades

de energia sejam produzidas num curto perodo de tempo, as fibras musculares do tipo II (contrao

rpida) sejam recrutadas, haja motivao ou estmulo. As fontes primrias de energia so anaerbias,

com a maior obteno voltada para a creatina fosfato.

Desempenhos de curta durao (dez a cento e oitenta segundos) so predominantemente anaerbios, utilizando fibras de contrao rpida, mas quando o desempenho mximo prolongado

at trs minutos, cerca de sessenta por cento da energia oriunda de processos aerbios geradores de

ATP mais lento. A gliclise anaerbia fornece uma poro substancial da energia, produzindo nveis

elevados de lactato.

Desempenhos de durao moderada (trs a vinte minutos): apesar de 60% da produo de

ATP derivar de processos aerbicos num esforo mximo de trs minutos, o valor salta para 90%

num desempenho mximo de vinte minutos. Essas atividades exigem um custo energtico prximo

ao Vo2max, com recrutamento das fibras tipo II e qualquer fator que interfira na liberao de

oxignio (altitude ou anemia por exemplo) diminui o desempenho.

Desempenhos de durao intermediria (vinte e um a sessenta minutos): essas atividades so

realizadas a menos de 90% do Vo2 mx e so predominantemente aerbias, considerando a durao

da atividade os fatores ambientais, como o calor e a umidade, o estado de hidratao do indivduo

tm um papel importante no resultado.

Desempenhos de longa durao (uma a quatro horas): so desempenhos aerbios que

envolvem uma pequena produo anaerbia de energia. Neste sistema, os fatores ambientais tm um

papel mais importante, uma vez que os estoques de glicognio dos msculos e do fgado tentam se

manter de acordo com a velocidade com que os carboidratos so utilizados.

2.4 Avaliao fisiolgica da carga de trabalho de professores de ginstica

2.4.1 Freqncia cardaca de trabalho como ndice de medida do trabalho fsico.

A FC sofre alteraes a todo momento que samos do estado de repouso e passamos a

executar uma atividade. Varia seu comportamento de acordo com o tipo de exigncia que

23 imposta ao organismo, por exemplo: exerccios dinmicos (atividade desempenhada com

movimento) e estticos (atividade desempenhada com a manuteno da postura)

Atualmente, esse ndice tem sido aceito como um preditor da carga de trabalho e cada

vez mais utilizado para sua avaliao (Grandjean, 1988). Sofre alteraes de acordo com o

tipo de trabalho executado, associada tambm a fatores como: nmero de msculos

envolvidos, quantidade de trabalho esttico e temperatura do ambiente e ainda ao ritmo de

trabalho, conforme afirma Grandjean.

Em um trabalho relativamente leve a FC do pulso sobe rapidamente e mantm-se em

uma altura correspondente intensidade do trabalho que fica constante durante toda a

durao da carga de trabalho. Quando o trabalho termina, em poucos minutos a FC retorna

a nveis inicias. Quando realizado um trabalho pesado, o pulso sobe constantemente

enquanto realizado o trabalho, at que o trabalho seja interrompido ou que a pessoa fique

em um estado de esgotamento que a obrigue a parar o trabalho. (Grandjean, 1988)

Existem limites aceitveis em relao FC durante a execuo do trabalho. Karrasch e

Muller apud Grandjean (1998) sugeriram, com base em suas investigaes, que o limite da

carga mxima aceitvel deveria ser aquele no qual a FC de trabalho no aumente

continuadamente, e que aps o fim do trabalho a freqncia do pulso volte, aps quinze

minutos, aos valores de repouso normal.

Para E. A. Mulher apud Grandjean (1988) o limite do trabalho contnuo para o homem

alcanado quando a FC do pulso durante o trabalho (ou seja, a diferena entre o valor

absoluto de batimentos cardacos e a medida tomada com o sujeito em repouso) for de 30

batidas por minuto acima do pulso de repouso. Para isso deve-se medir o pulso de repouso

na mesma posio em que exercido o trabalho (em trabalho em p medido em p, etc.).

Grandjean (1988) props que o pulso de repouso seja tomado com a pessoa sentada e

que 35 pulsos de trabalho seriam o limite de trabalho contnuo a ser usado como referncia

para os homens. Para mulheres, pode-se considerar que o limite de trabalho contnuo de 30

pulsos de trabalho adequado, partindo-se tambm de uma medio do pulso de repouso

com a pessoa sentada.

24

A FC de repouso deve ser executada na posio em que o trabalho ser desenvolvido,

se o trabalho for desenvolvido na posio em p a FC de repouso para nvel de calculo deve

ser verificada nessa mesma posio. (Grandjean, 1988)

2.4.2 Avaliao psicofsica atravs da escala de Borg.

Existem meios subjetivos de obter informaes sobre a interferncia do exerccio no

que o avaliado est sentindo. Para Guimares:

.. os questionrios e as escalas de avaliao tm sido freqentemente usados para

avaliao da exposio aos custos do trabalho, devido ao seu baixo custo. O uso de

questionrios e tcnicas de entrevista tem o potencial de estudar exposies repetitivas no

tempo como um todo, o que um importante parmetro, geralmente no disponvel em

medies diretas. Guimares (2000)

A escala de Borg, tambm conhecida como ndice de Percepo de Esforo (IPE),

representa uma escala de valores com os quais o indivduo informa a sensao de

intensidade do trabalho que lhes est sendo imposta durante a realizao de uma tarefa.

Quando aplicado pela primeira vez, propemse a leitura de um texto informativo para

esclarecimento do funcionamento da escala em anexo.

Os resultados apresentados pelo IPE so bons indicadores do esforo subjetivo e

provm uma forma quantitativa de acompanhar o progresso do indivduo durante teste de

esforo fsico graduado ou uma sesso de exerccio. Isto til para descobrir quando o

indivduo se encontra prximo da exausto (Powers 2000).

O IPE demonstra uma alta confiabilidade no teste-reteste e est intimamente

relacionado ao Vo2 mx, independentemente do tipo do exerccio e do condicionamento do

indivduo (Powers, 2000).

2.5 Ginsticas Sistematizadas As atividades aerbias so importantes para a melhora da aptido cardiovascular e

reduo da massa gorda, reduzindo os riscos de doenas cardiovasculares (Cooper, 1972).

"Aerobic Dance" foi a proposta de Sorensen (1974) como um mtodo que utilizava a msica

de forma mais dinmica e combinava os passos de dana com exerccios calistnicos com

objetivo de aumentar a resistncia cardiovascular. Surgia, ento, a ginstica aerbica, uma

25 modalidade cujo o objetivo era o treinamento da capacidade aerbia de pessoas adultas

sedentrias.

Thonsem e Ballor (1991) apud Monteiro (2000), classificam ginstica aerbia como

uma forma popular de exerccios com sries e rotinas coreografadas utilizando a msica.

Nelson et al (1988), as rotinas de ginstica aerbica utilizam os passos bsicos, por

meio da variao dos movimentos tradicionais da dana e exerccios calistnicos,

incorporados msica. A ginstica aerbica tem sido considerada positivamente para o

desenvolvimento da resistncia cardiorrespiratria em sedentrios. Em estudo, desenvolvido

por Monteiro (1995), demonstrou que se a intensidade do exerccio no for controlada,

pode-se ultrapassar o limite mximo proposto pela literatura, mobilizando as fontes

anaerbias de produo de energia, ocorrendo fadiga e adaptaes especficas ao

metabolismo requerido.

Diferentes mtodos de origem estrangeira, influenciaram a Ginstica de Academia

at adquirir o formato de hoje. A ginstica Calistenica nos anos 60 e 70, a ginstica Aerbia

(alto e baixo impacto) na dcada de 80. As antigas rotinas de ginstica aerbia, esto sendo

remodeladas a fim de atender as novas expectativas da populao atual.

Para Paoli (2004) atualmente, a diviso ,mais utilizada em uma sesso de ginstica

: aquecimento, parte principal, exerccios de solo, relaxamento. O aquecimento tm

durao de aproximadamente dez minutos, composto por exerccios de pr-aquecimento

musculares de baixa intensidade e alongamentos. A parte principal da aula a parte mais

importante da aula, onde sero trabalhados os grandes grupos musculares. Tm durao de

aproximadamente entre trinta e quarenta minutos e caracteriza-se pela alta intensidade e

aumento significativo dos parmetros fisiolgicos com FC. Os exerccio de solo so

caracteristicamente exerccios para o Abdmen, Glteos e Adutores. Os exerccios de

relaxamento so exerccios de alongamento de leve intensidade e baixa amplitude articular,

tambm conhecida como parte regenerativa da aula. Tm em mdia 5 a 10 minutos e deve

obedecer a uma desacelerao gradual dos parmetros fisiolgicos.

Com a busca pela melhoria da qualidade de vida, as academias de ginstica sofrem

um incremento em sua procura, consequentemente aumentando-se o nmero de aulas

ofertadas diariamente. Um dos maiores problemas atuais nas aulas de ginstica aumentar

26 o ndice de reteno do aluno na academia, a alta rotatividade constante nesse ambiente, e

uma das solues esta na padronizao das aulas.

A padronizao um dos segredos do sucesso dos programas pr-coreografados

como o Body Systems. Para muitos, seguem o conceito das redes de fast food. O cliente

sabe como ser a atividade fsica, de que modo o professor deve se comportar e a qualidade

dos resultados obtidos, independentemente do tamanho e localizao da academia. Essa

padronizao e a motivao oferecida durante a aula funcionam como apelos a reteno do

aluno.

Nas aulas padronizadas de ginstica o professor na maioria das vezes se obriga a

executar os movimentos junto com seus alunos, de maneira que possa estabelecer uma

maior motivao. Na ginstica sistematizada esse fato se torna mais evidente, o professor

levado a executar todos os movimentos de aula, a fim de que os alunos faam a cpia dos

mesmos.

A indstria do Fitness, onde se enquadram s aulas de ginstica sistematizada, vem

procurando criar alternativas mais motivadoras de aulas tanto aerbias quanto anaerbias,

para possibilitar o aumento do nvel de permanencia dos novos alunos em aula e diminuir

sua rotatividade.

O objeto de estudo dessa dissertao est focado na aulas sistematizadas: Body Attack,

Body Pump e Body Combat definida por Les Mills International (2001) como: aula atltica

que proporciona uma variedade considervel de exerccios com perodos de recuperao

ativa. A estrutura e o contedo do programa causam uma demanda em mltiplos sistemas

energticos e neuromuscular, proporcionando uma gama de benefcios cardiovasculares, de

resistncia muscular e de agilidade.

Nesse tipo de sistema de ginstica, o professor obrigado a executar toda a aula,

demonstrando ao aluno a correta tcnica do exerccio bem como executar os diferentes

movimentos na intensidade exigida naquele momento, comandada por um ritmo musical.

Para Egger e Champion (1990), essas aulas atingem os sistemas formadores de energia de

fosfato, lactato e aerbio, impondo demandas moderadas no sistema anaerbio de lactato,

demandas limitadas no sistema fosfato e contnua demanda no sistema aerbio. De acordo

com Ls Mills International (2001), a utilizao de cada um dos sistemas envolvidos

27 determinado por inmeros fatores como, grau de condicionamento aerbio e anaerbio,

tcnica e habilidade na execuo dos movimentos, entre outros.

Em uma aula de Body Attack por exemplo, os alunos e professores freqentemente se

exercitam em intensidades sub-mximas (85 % da freqncia cardaca mxima) por at 90

segundos requisitando o uso de sistema lactato (Less Mills International, 2001). A

concentrao de lactato com este tipo de treinamento pode interferir na contrao muscular,

na conduo nervosa e produo de energia (Egger na Swinburn 1996 Ahlbor al 1986)

levando a altos nveis de fadiga.

Aulas de BodyPump proporcionam um baixo estmulo para promover a capacidade

aerbia, produzem uma significativo gasto calrio e podem promover outros benefcios

como o aumento da massa muscular e manuteno da composio corporal. (P. Pfitzingger,

J. Lythe, 2003). O professor durante esse tipo de aula muito exigido pois alm de realizar a

aula, realizando gestos repetitivos, tem que incentivar a turma.

Essas aulas de ginstica so divididas em trs momentos distintos, primeiro

aquecimento, com a funo de preparar o organismo para as cargas seqentes da aula,

segundo: desenvolvimento da aula, onde por diferentes meios e mtodos tenta-se atingir os

objetivos estabelecido para a aula e a parte final, composta na maioria das vezes por

relaxamentos para retornar as funes orgnicas a um estado normal.

Para facilitar a analise a aula foi dividida e analisada seguindo esses trs momentos e

foram denominados como: 20 minutos de aula, 40 minutos e 60 minutos.

28 3. MTODOS E TCNICAS DE PESQUISA

3.1 Caracterizao da pesquisa

Estabelecido o objeto de estudo, assim como os objetivos que nortearo a pesquisa,

e na constante busca para compreender o que envolve o processo de fadiga fisiolgica,

buscou-se orientaes bsicas para dar sustentao pesquisa. Para tanto, entende-se que

esta pesquisa caracteriza-se como sendo descritiva e exploratria.

Segundo Moraes (2001), na pesquisa descritiva o pesquisador procura conhecer e

interpretar a realidade, sem nela interferir para modific-la; interessa-se em descobrir e observar

fenmenos e procura descrev-los, classific-los e interpret-los. A pesquisa em Ergonomia, ao

avaliar as condies de trabalho e analisar a tarefa, caracteriza-se como uma pesquisa descritiva.

Esta pesquisa tambm assume aspectos de pesquisa exploratria, haja vista a

possibilidade de se aumentar a experincia acerca de um determinado problema. Pilatti

(2001) ressalta que tal tipo de pesquisa tem como objetivo familiarizar o pesquisador com

o problema, possibilitando tornar o mesmo mais explcito ou a construo de hipteses.

No mesmo sentido, Trivinos complementa:

Pensa-se que a realizao de um estudo exploratrio, por ser aparentemente

simples, elimina os cuidados no tratamento cientfico que todo investigador tem

presente nos trabalhos de pesquisa. Este tipo de investigao, por exemplo, no

exime a reviso de literatura, as entrevistas, o emprego de questionrios, etc., tudo

dentro de um esquema elaborado com a severidade caracterstica de um trabalho

cientfico. (1996:109-10)

Ao definir qual o tipo de pesquisa que est sendo realizada, deve-se ressaltar que

a finalidade de toda e qualquer pesquisa cientfica no apenas a mera apresentao de um

relatrio, mas sim, o desenvolvimento de um carter interpretativo no tocante aos dados que

foram obtidos.

3.2 Local

O local escolhido para realizao do trabalho foram as academias da cidade de

Ponta Grossa, no estado do Paran, que possuem aula de ginstica sistematizada, cujos

professores so do sexo feminino e graduados em Educao Fsica. Participaram do estudo

cinco professoras, que foram previamente contatadas e informadas do estudo.

29 3.3 Autorizao da empresa

Em um primeiro momento, a empresa foi contatada para verificar a viabilidade da

realizao da pesquisa. Aps a apresentao do projeto da pesquisa e esclarecida sua

finalidade, houve autorizao para incio do estudo.

Antes do incio da pesquisa, os proprietrios das academias de ginstica foram

informados sobre datas e horrios possveis para realizao do estudo.

3.4 Autorizao dos professores

A autorizao dos professores foi concedida com a entrega de um termo de

consentimento (apndice 1), onde foram expostos todos os passos para a realizao da

pesquisa e qual interferncia o estudo teria durante a realizao das aulas.

Foi deixado claro da no obrigatoriedade na participao e garantiu-se aos sujeitos

a manuteno de sigilo sobre as informaes coletadas.

3.5 Populao e amostra

A populao foi formada por professoras de ginstica das academias da regio de

Ponta Grossa, graduados em Educao Fsica e licenciadas para ministrarem aulas de

ginstica sistematizada.

Como condio para fazer parte da amostra os indivduos tinham que ministrar

pelo menos uma aula diria (entre segunda e sexta) de ginstica. Atenderam aos critrios de

participao, cinco professoras.

Foi escolhido para a pesquisa somente as professoras, por na regio pesquisada ter

apenas dois professores do sexo masculino que atendiam parcialmente os requisitos.

3.6 Instrumentos de pesquisa

Para a realizao da pesquisa foi aplicado no primeiro momento, um questionrio

(apndice 2) para identificao de caractersticas do professor e que possam vir a interferir

no estudo. Levantouse fatores como o tempo de experincia em aulas sistematizadas,

nmero de aulas ministradas por dia, entre outros.

30 3.7 Estratgia de ao

3.7.1 Coleta de dados durante a aula Freqncia cardaca

A carga de trabalho fisiolgica foi avaliada por clculo direto, com base na

freqncia cardaca registrada durante a aula com aparelhos portteis de monitoramento de

freqncia cardaca da marca Polar, modelo Acurrex Plus. Ele composto por uma

unidade transmissora, com eletrodos fixados junto ao trax, na direo do processo xifide,

e fixados por tira elstica ajustvel. Esses eletrodos detectam os sinais advindos do corao

que so, ento, transmitidos a uma unidade receptora que foi colocada no pulso, para

gravao e posterior anlise por software especfico.

Foi verificada a freqncia cardaca de repouso, na posio mais prxima possvel

da realizao da atividade, e a seguir, mensurao da freqncia cardaca durante o trabalho.

Os professores foram orientados quanto a correta tcnica de utilizao do monitor de

freqncia cardaca. Ao final de cada msica, a partir do incio da aula, o professor acionou

o boto Start no monitor de freqncia cardaca para que o batimento cardaco daquele

momento ficasse registrado.

A carga fsica de trabalho foi obtida por intermdio do levantamento da freqncia

cardaca durante a aula, o que possibilitou avaliar e classificar a mesma. A carga fsica de

trabalho foi classificada de acordo com a metodologia proposta por Apud (1997), mostrada a

seguir.

Classificao do trabalho quanto a freqncia cardaca, fonte: Apud (1997).

Atravs dos dados coletados (freqncia cardaca de repouso, freqncia cardaca

de trabalho e idade), determinou-se a carga cardiovascular no trabalho, que corresponde

Freqncia cardaca do trabalho (BPM)

Classificao do trabalho

< 75 Muito leve 75 100 Leve 100 125 Mediamente pesado 125 150 Pesado > 151 Extremamente pesado

31 porcentagem da freqncia cardaca durante o trabalho, em relao freqncia cardaca

mxima utilizvel. Para calcular a carga cardiovascular, utilizou-se a seguinte equao:

CCV = FCT FCR * 100

FCM FCR

Em que CCV = carga cardiovascular, em %; FCT = freqncia cardaca de trabalho, em

bpm (batimentos por minuto); FCR = freqncia cardaca de repouso, em bpm; e FCM =

freqncia cardaca mxima (220 idade).

Para um desempenho contnuo no trabalho a carga cardiovascular no dever

ultrapassar 40%. Desta forma, a freqncia cardaca-limite (FCL) em bpm, para a carga

cardiovascular de 40%, foi obtida pela seguinte frmula:

FCL = 0,40*(FCM FCR) + FCR

As aulas sistematizadas da marca Body System possuem sistemas prprios de

execuo, com a aula dividida em diferentes msicas, variando de intensidade, com ritmos

alguns dias leves e outros mais pesados. Durante a aula o professor executa os movimentos

servindo de referencia para que os alunos possam atravs da observao executar os

movimentos propostos. As aulas em mdia so compostas por quatorze msicas e dividida

em aquecimento, desenvolvimento e relaxamento.

Escala de Borg

A cada vinte minutos a partir do incio da aula, o professor visualizava a Escala de Borg

(apndice 3), e mostrava uma classificao para seu esforo percebido.

Escala de Corlett

As escalas constituem instrumentos nos quais os sujeitos devem analisar, em um

contnuo ordenado, o grau em que determinada situao se aplica, aconselhvel o uso de

escalas contnuas, com a escala de 15 cm e duas ancoras nas extremidades. Guimares

(2000)

Nesse estudo foi utilizado para mensurao do nvel de dor um mapa de regies

corporais de Corlett, com escalas contnuas para cada segmento do corpo, que esta sendo

usada pela equipe de design e ergonomia do PPGEP/UFRGS. Os locais para serem

32 considerados locais com dor tiveram uma classificao maior ou igual a 7,5 cm medidos em

um escala contnua de 15 cm, com duas ancoras (apndice 4). O questionrio foi entregue no

primeiro contato com o professor e devidamente explicado.

33 4. Resultados e discusses

Neste captulo sero apresentados os resultados referente anlise das coletas de

FC, escala de esforo (BORG) e interpretao do questionrio utilizado na pesquisa, aps o

tratamento estatstico dos dados.

Os resultados da medida da FC durante a aula, nos minutos vinte, quarenta e

sessenta, foram comparados entre os cinco professores, que neste captulo sero chamados

de primeiro professor, segundo professor, terceiro professor, quarto professor e quinto

professor. Esta nomenclatura ser utilizada para no haver confuso entre os professores

participantes da pesquisa e suas medidas.

Para a Escala de Borg foi realizado o teste estatstico Qui-quadrado, com nvel de

5% de significncia, para avaliar a associao entre os valores da Escala e os Tempos de

atividade. A anlise estatstica foi feita no software estatstico SPSS 10.0, para os outros

tratamentos estatsticos utilizouse a planilha eletrnica Excell.

4.1 Caracterizao da amostra A amostra foi composta de cinco sujeitos do sexo feminino, o universo total de

professores da regio que atendia aos requisitos da pesquisa. A idade mdia dos sujeitos foi

de 22.1, o que permite caracteriz-los como uma fora de trabalho jovem, pois, 100 %

possuem menos de 33 anos de idade. Com relao ao nmero de aulas semanais a

distribuio variou entre sete e vinte e sete aulas durante a semana.

A distribuio dos indivduos quanto ao nmero mdio de aulas semanais, tempo como

professor de ginstica apresentado na tabela 1.

34

A tabela 1 mostra a caracterizao geral dos professores analisados.

TABELA 1 Caractersticas da amostra Varivel Nmero % Sexo Feminino 5 100 Total 5 100 Idade De 18 a 24 1 20 De 25 a 30 4 80 Total 5 100 Tempo de atuao < 1 ano 1 20 1 a 2 anos 3 anos 1 20 4 anos 5 anos 2 40 > 5 anos 1 20 Total 5 100 Nmero de aulas semanais

1 12 2 7 3 13 4 6 5 12 Total 167

4.2 Anlise geral em relao ao comportamento da FC

Os resultados apresentados neste tpico representam a comparao das medidas de

FC obtidas durante as aulas e relaes entre nmero de aulas de ginstica semanal e

ocomportamento da FC. Optouse em dividir a aula em trs momentos: 0 aos 20 minutos,

21 aos 40 minutos e 41 aos 60 minutos, para uma visualizao melhor do comportamento da

FC durante a aula e tambm a fim de respeitar o trs momentos caractersticos de toda aula

de ginstica: aquecimento, desenvolvimento e volta a calma.

35 4.2.1 Comportamento da FC durante 20 minutos primeiros de aula

Figura 1 Comportamento da FC 20 minutos iniciais da aula Os professores com maior nmero de aulas semanais, mantiveram durante toda a

semana a FC em nveis mais elevados do que aqueles com nmero menor de aulas semanais,

mostrando um possvel stress excessivo pela carga de trabalho semanal, podendo levar ao

surgimento de seqelas, como a fadiga muscular, o estresse oxidativo e, conseqentemente,

o desenvolvimento de leses.

Como resultado desse quadro, fica deteriorada a realizao do exerccio normal, pois o

indivduo apresenta uma dificuldade cada vez maior de recuperar-se aps uma sesso de

trabalho (MCARDLE, KATCH & KATCH, 1998). Um treinamento muito intenso leva

frustrao e ao estresse, bem como a queda do desempenho e do prprio rendimento

(WEINECK, 1999).

Uma das dificuldades atuais das academias de ginstica a grande rotao de alunos e

um dos motivos desse fato o baixo desempenho do professor como incentivador durante

as aulas, proporcionado pelo alto custo fsico da aula. Analisando a Figura 1, constata-se a

grande dificuldade que o professor possui em relao manuteno do mesmo ritmo de aula

durante a semana pelo seu progressivo aumento de stress fsico relatado pelo aumento da

FC.

FC 20 minutos de aula

110115120125130135140145150155160165170

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13

Aula

Fc

Professor 1

Professor 2

Professor 3

Professor 4

Professor 5

36 Esse fato pode apontar para que o professor execute suas aulas em melhor ritmo deva

ministrar quantidades menores de aulas, aumentando possivelmente seu desempenho, tendo

como conseqncia uma diminuio na rotatividade de alunos.

O nmero elevado de aulas semanais executadas por esses professores tem justificativa

relacionado ao ganho por hora de trabalho reduzido, o que obriga para manuteno de um

nvel salarial um acmulo de aulas.

Pela anlise pode-se constatar que o nmero maior de aulas semanais esta associado a

um maior stress sofrido pelo professor, resultando gradativamente numa reduo no ritmo

de trabalho, uma soluo a diminuio de horas de aula em sala de ginstica, onde o

professor executa todos os movimentos da mesma, e um aumento de horas na sala de

musculao ou outro ambiente da academia, onde o professor somente seja responsvel pela

orientao de movimentos e no execuo dos mesmos.

Figura 2 Sensao de esforo 20 minutos iniciais de aula

Durante as ltimas aulas semanais a FC dos professores possui uma tendncia de

diminuio, relatando um provvel menor ritmo de trabalho desenvolvido nos ltimos dias,

podendo ser ocasionado por acmulo de stress orgnico, o tempo de recuperao entre uma

aula e outra pequeno, no deixando o organismo se restabelecer corretamente.

Sensao de esforo 20 minutos de aula

56789

1011121314151617181920

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13

Aula

Esca

la d

e Es

for

o Professor 1Professor 2

Professor 3

Professor 4

Professor 5

37

De acordo com a classificao do trabalho proposta por Apud (1997), o trabalho

desenvolvido nos vinte primeiros minutos de aula pode ser caracterizado entre mediamente

pesado e extremamente pesado, confirmando o acmulo de stress orgnico no decorrer da

semana, o que pode levar a um menor desempenho nas ltimas aulas semanais.

Quando considerase uma relao entre a FC medida e o nvel subjetivo de

sensao de esforo, verificouse que mesmo com a diminuio da FC nos ltimos dias de

aula o nvel subjetivo de esforo percebido pelos professores 1, 2, 3 e 5 aumentaram nas

ltimas aulas semanais, mostrando que o grau de fadiga e stress orgnico elevado, e aponta

tambm para uma possvel diminuio do ritmo de trabalho, e um aumento na sensao de

esforo, no relatado com a FC.

A FC relata apenas o comportamento do sistema cardiovascular, atravs da escala

de esforo pode-se perceber de forma mais ampla o grau de stress sofrido pelo trabalhador

que mais elevado nos ltimos dias, para a maioria dos professores. O professor 4 no

apresenta esta caracterstica, sendo o que possui menor nmero de aulas semanais e um

maior tempo de recuperao entre as aulas.

Na figura 2 observouse que o professor 2, apresenta um nvel menor de esforo

percebido, junto com uma freqncia cardaca menor durante os 20 primeiros minutos, este

fato pode ser explicado levando-se em considerao a metodologia de aula, onde alguns

professores optam no incio da aula realizem a demonstrao dos exerccios de forma

menos intensa, focando esse momento em processo educativo para o aluno, mostrando de

forma lenta a correta execuo dos movimentos de aula.

O aquecimento, ou primeira parte da aula deve ser composto por exerccios de pr-

aquecimento musculares de baixa intensidade, visando uma adaptao msculo-articular e

orgnica, preparando-se para elevao gradual da freqncia cardaca e do esforo muscular.

(DE PAOLI, 2004)

A primeira parte da aula ou os vinte minutos iniciais devem ser os menos intensos

da aula, e j neste momento seguindo a classificao proposta por Apud (1998) o trabalho

caracterizado entre mediamente pesado e extremamente pesado, o professor j iniciando sua

aula com alto stress relacionado FC.

38 4.2.2 Comportamento da FC entre minuto 21 e 40 de aula

Figura 3 Comportamento da FC entre minuto 21 e 40 de aula

Este momento de aula de grande importncia onde so alcanados seus objetivos.

Se compararmos os trs momentos de aula verificase que aqui os de maiores valores de

FC, conseqentemente maior custo fsico, ocasionando aumento da fadiga, medida que

existe um aumento no ritmo de trabalho, a ateno e a rapidez de raciocnio ficam

reduzidos, tornando o operador menos produtivo e mais sujeito a erros e acidentes (Silva,

1999).

Pela classificao do trabalho proposta por Apud (1997), neste momento de aula

todos os professores com maior nmero de aulas apresentam-se com trabalho extremamente

pesado, e os professores com menor nmero de aula em trabalho pesado, o que caracteriza

um alto nvel de carga de trabalho.

A fadiga neste momento atinge os sistemas nervoso e muscular, influenciando o

rendimento do professor durante a aula e sua ateno. Os movimentos executados nesta

etapa so de alta intensidade, exigindo um alto grau de ateno, o que se torna difcil pelo

nvel de carga de trabalho fsico. Nessa etapa ainda existe um maior grau de presso sobre o

professor, em funo do incentivo que deve ser transmitido ao aluno.

FC 40 minutos de aula

110115120125130135140145150155160165170175

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13

Aula

Fc

Professor 1

Professor 2

Professor 3

Professor 4

Professor 5

39 4.2.3 FC durante minuto 41 ao minuto 60 de aula

Figura 4 Comportamento da FC entre o minuto 41 e 60 de aula

Figura 5 Sensao de esforo entre o minuto 41 e 60 de aula

FC 60 minutos de aula

9095

100105110115120125130135140

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13

aulas

FC

Professor 1

Professor 2

Professor 3

Professor 4

Professor 5

Escala de Esforo 60 minutos de aula

0

2

4

6

8

10

12

14

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13

aulas

Esc

ala

de E

sfor

o Professor 1Professor 2

Professor 3

Professor 4

Professor 5

40

Os ltimos 20 minutos de aula so dedicados ao perodo de menor de esforo,

como pode ser visualizado nas figuras 5 e 6, esse fato ocorre pelo motivo dos ltimos

minutos da aula serem dedicados ao retorno do organismo as condies normais as quais se

encontravam antes do incio da atividade.

Nesse perodo, sendo o menos intenso da aula, a FC para Grandjean (1981) se

encontra na sua mdia em nveis moderados (120 bpm), mostrando que o nvel do custo

fsico do professor de ginstica sistematizada durante a execuo de seu trabalho na diviso

mais tranqila da aula no baixo.

Analisando a escala de sensao de esforo apenas o professor nmero 1 teve uma

percepo de esforo aumentada, enquanto os demais ou baixaram sua percepo de esforo

ou mantiveram em um nvel igual ao obtido na ltima aula, apesar de a medida da FC dos

professores nmeros 1, 3 e 5 tiverem um acrscimo na ltima aula, mostrando que mesmo

com um percepo de esforo diminuda, o organismo desses professores encontrava-se em

provvel estado de fadiga. Quando comparamos o nmero de aulas semanais com a

percepo de esforo, detectase que aqueles professores com menor nmero de aula

semana se aproximam mais de uma relao positiva entre FC e percepo de esforo,

podendo ser esse fato caracterstico do menor custo total do trabalho durante a semana.

4.2.4 Anlise da FC em relao as trs etapas de aula Pode-se observar com anlise nas figuras 1 a 5, que a carga de trabalho fsico do

professor de aulas sistematizadas classificado por Apud (1997) com em mdia pesado, e

que um nmero menor de aulas semanais esta relacionado com menor FC durante as aulas.

As aulas sistematizadas analisadas estabelecem que o professor deve executar todos os

movimento durante a mesma para que o aluno consiga fazer a cpia , elevando seu custo

fsico.

Nos trs momentos analisados o professor submetido a um grande nvel de esfoo, o

que provavelmente venha a piorar com o passar dos anos, levando-o a possveis leses,

principalmente na musculatura dos membros inferiores pelo alto nvel de exigncias destas

durante a aula, relatos de professores com vrios anos de trabalho nesta rea mostram que os

mesmos possuem dor em alguma articulao.

41 4.3 Anlise da carga de trabalho

A discusso neste tpico estabelece o nvel de carga de trabalho desenvolvido

pelos professores durante suas aulas e sua relao com o nmero de aulas semanais,

experincia como professor de ginstica.

4.3.1 Relao entre carga de trabalho e nmero de aulas semanais TABELA 2 - Relao carga de trabalho, idade em anos e nmero de aulas semanais

Professor Idade anos Aulas semanais FCR (bpm) FCT (bpm) FCL (bpm) CCV (%) 1 28 27 69,8 144 119 60,46 2 29 7 78,4 133 123 48,74 3 28 13 74,9 143 121 58,32 4 27 12 75,1 130 122 47,54 5 20 12 70,4 143 122 59,61

A tabela 2 mostra a idade em anos, o nmero de aulas semanais, a freqncia

cardaca mdia em repouso (FCR) e no trabalho (FCT); a freqncia cardaca-limite (FCL);

a carga cardiovascular (CCV), para facilitar a analise da relao entre carga de trabalho e

nmero de aulas semanais.

De acordo com a tabela 2 o professor de nmero 1, com maior nmero de aulas

semanais tambm aquele que possui o maior custo de trabalho, A carga cardiovascular

associada diretamente ao custo de trabalho, corresponde porcentagem da freqncia

cardaca do trabalho (FCT), em relao freqncia cardaca mxima utilizvel (FCM), no

devendo ultrapassar 40% da freqncia cardaca do trabalho (Fiedler, 1998).

Todos os professores possuem CCV maior que o recomendado 40%,

caracterizando a carga de trabalho de professores de ginstica como alta, gerando alto custo

fsico na execuo do trabalho, usando tambm a classificao proposta por Apud (1997) a

carga fsica de trabalho dos professores classificada como pesada.

Comparando a FCL com FCT, observase que todos os professores ficam alm da

freqncia cardaca estipulada como limite, gerando um maior custo na execuo do

trabalho. A FCT foi calculada como sendo a mdia da FC de todas as aulas ministradas e

acompanhadas na semana de coleta de dados, valido lembrar que para seu calculo,

utilizou-se a soma dos trs momentos: aquecimento, desenvolvimento e volta a calma, se

42 desconsiderssemos o ltimo perodo a CCV ter um valor mais elevado, o que determina

uma elevao para o custo de trabalho.

Podemos observar que o nmero de aulas semanais esta envolvido diretamente

com o custo fsico do trabalho, os professores que possuem o maior nmero de aulas

semanais so aqueles que possuem a maior carga cardiovascular.

4.3.2 Relao entre carga de trabalho e escala subjetiva de esforo (BORG)

A tabela 3 do Qui-quadrado mostra que h diferena significativa entre os Tempos

associados com os valores da Escala de Borg (p < 0,01).

Os valores 7, 10 e 11 apresentam associao com o Tempo de 60 minutos, enquanto

que os valores 16, 17 e 18 apresentam associao com os Tempos de 40 minutos e o valor

de 14 com o Tempo de 20 minutos.

Podese notar que utilizando a escala de Borg para classificao do esforo a

associao observada pelos professores entre momento de aula e nvel de sensao de

esforo, apontando para o momento de desenvolvimento de aula, ou tempo de 40 minutos

como o de maior sensao de esforo, sendo os ndices de percepo de esforo

classificados entre 16 e 18, classificando-o entre muito cansativo e exausto.

Durante o aquecimento os nveis de esforo sentido tambm so altos, caracterizando

mesmo na fase inicial da aula uma alta sensao de esforo pelo professor e no ltimo

momento de aula, 60 minutos os ndices de esforo declinam, o que no verdade se

observarmos o comportamento da FC neste momento.

43

Tabela 3 do Qui-quadrado da Escala de Borg e os Tempos Tempos Escala de Borg 20 min

(n = 50) 40 min (n = 50)

60 min (n = 50)

p

7 0 (0%) 0 (0%) 5 (10,0%) 8 3 (6,0%) 0 (0%) 2 (4,0%) 9 4 (8,0%) 0 (0%) 2 (4,0%) 10 0 (0%) 3 (6,0%) 16 (32,0%) 11 3 (6,0%) 4 (8,0%) 18 (36,0%) 12 4 (8,0%) 0 (0%) 7 (14,0%) 13 3 (6,0%) 2 (4,0%) 0 (0%) 14 12 (24,0%) 5 (10,0%) 0 (0%) 15 9 (18,0%) 10 (20,0%) 0 (0%) 16 10 (20,0%) 14 (28,0%) 0 (0%) 17 2 (4,0%) 8 (16,0%) 0 (0%) 18 0 (0%) 4 (8,0%) 0 (0%)

< 0,01

4.3.2 Relao entre carga de trabalho e experincia em aulas de ginstica TABELA 4 - Relao carga de trabalho, idade em anos e experincia em aulas de ginstica

Professor Idade anos

Experincia em anos com aulas de ginstica CCV Desvio

1 28 Mais que 5 anos 60,46 5,46 2 29 4 anos 48,74 1,82 3 28 5 anos 58,32 4,16 4 27 5 anos 47,54 2,40 5 20 1 ano 59,61 3,31

Analisandose os valores encontrados na tabela 3 fica claro que o tempo de

experincia em aulas de ginstica no um fator de grande influencia sobre o custo fsico de

trabalho, o professor nmero 5 com maior nmero de anos de trabalho tem uma CCV

prxima do professor nmero 1 com o menor nmero de anos de experincia entre todos os

professores participantes da pesquisa.

Atravs da analise da tabela 4, verificouse que a experincia na realizao dos

movimentos da aula no um fator de grande influencia sobre o custo do trabalho, todos os

professores que ministram esse tipo de aula passam por um perodo de aprendizagem, onde

so levados a aprender a tcnica correta de realizao de todos os movimentos executados

44 durante a aula, ficando aptos a desenvolver a aula somente depois de passarem por um teste

onde exigido a execuo perfeita de todos os movimentos.

Na metodologia desenvolvida durante as aulas analisadas os professores so levados

a cumprir uma coreografia pr-estipulada, onde em cada minuto da aula devero executar

um tipo de movimento, com uma intensidade para o movimento j determinada, fazendo

com que o professor que tem um ano de experincia e o professor que possui cinco anos de

experincia executem o mesmo movimento no mesmo ritmo, esse fato importante quando

analisamos o tempo de experincia em relao ao custo fsico, faz com que no exista uma

economia energtica e muscular associada e experincia na realizao de movimentos que

constituem a aula.

4.4 Nvel de dor 4.4.1 Relao entre nvel de dor e carga de trabalho

GRFICO 6 Escala de Corlet

Escala de Corlet

0

2

4

6

8

10Pescoo

CervicalOmbro Esq.

Ombro Dir.

Brao esq.

Costas inferior

Brao Dir.

Costas media

Costas inferi.

Bacia

Cotovelo Esq.

Cotovelo Dir.

Antebrao Esq.Antebrao dir.

Punho Esq.Punho dir.

Mo Esq.

Mo Dir.

Coxa esq.

Coxa dir.

Joelho Esq.

Joelho Dir.

Perna Dire.

Perna Esq.

Tornozelo Esq.

Tornozelo Dir.

P esq.P dire.

Professor 1

Professor 2

Professor 3

Professor 4

Professor 5

45

TABELA 5 - carga de trabalho Professor CCV Desvio 1 60,46 5,46 2 48,74 1,82 3 58,32 4,16 4 47,54 2,40 5 59,61 3,31

O local onde foi apontado o maior ndice de dor pelos professores foi o da regio

dos membros inferiores (joelho, coxa, perna, tornozelo) seguido por queixas de desconforto

das regies dos ombros, todos esses valores foram levados em considerao com marcao

maior que 7,5 cm utilizada na coleta de dados. O grfico 7 mostra a distribuio de dor dos

professores, de acordo com as regies pesquisadas.

De acordo com a tabela 5, os professores com maior custo fsico para realizao do

trabalho so: 1, 3 e 5, apresentam o maior nmero de regies corporais com dor, esse fator

pode ser associado ao maior nvel de fadiga a que os mesmos so submetidos. O professor 1

apresenta maior grau de queixa nas regies: ombro direito, joelho direito, joelho esquerdo,

coxa direita e coxa esquerda, o professor 3: joelho direito, perna direita, perna esquerda e

cervical, o professor 5: perna esquerda, perna direita, ombro esquerdo, ombro direito, coxa

esquerda, coxa direita, mo direita.

Como a maioria das aulas gera maior impacto sobre os membros inferiores, nesse

local que se concentram o maior nmero de queixas, essa musculatura exigida na maioria

dos movimentos exigidos do professor, no somente em suas aulas ministradas, mas como

em todas as atividades exigidas em sua profisso: como trabalho na rea de natao,

musculao, ciclismo em sala de aula, entre outras. Algumas literaturas apontam para dores

na regio lombar e cervical para professores de ginstica o que no encontramos nesse

estudo.

Os professores 2 e 4 so os professores que apresentam o menor nvel de queixas,

o professor 2 no apresenta nenhuma regio corporal com dor medidas pela Escala de

Corlett, o professor 4, apresenta sinais nos tornozelos direito e esquerdo e joelho direito e

esquerdo.

Com a anlise do grfico 7 e tabela 5 verificou-se que o maior custo fisiolgico

para realizar o trabalho est relacionado com o maior nvel de dor e professor com menor

46 custo na realizao esto associados a menor prevalncia de regies corporais com sinais de

dor.

4.4.2 Relao entre dor e tempo de trabalho

TABELA 6 Experincia em anos e carga de trabalho

Professor Experincia em anos com aulas de ginstica CCV Desvio

1 Mais que 5 anos 60,46 5,46 2 4 anos 48,74 1,82 3 5 anos 58,32 4,16 4 5 anos 47,54 2,40 5 1 ano 59,61 3,31

Analisando a tabela 6, verificaser que o professor 1 o que possui o maior nmero

de anos de experincia um dos analisados que apresenta o maior nvel de dor e o maior

custo fsico na realizao do trabalho, o professor 5 que apresenta o menor tempo de

trabalho, tambm apresenta um nmero elevado de queixas para dores e um alto custo fsico

na realizao do trabalho, mostrando no existir uma relao direta entre o tempo de

experincia como professor de ginstica e nvel de dor.

Os professores 2, 3 e 4 apresentam um tempo de trabalho entre 4 e 5 anos,

variando tambm seu nvel de dor, o professor nmero 2 no apontou nenhum local do

organismo com presena de dor, j os professores 3 e 4 apresentaram alguns locais com

presena de dor, confirmando a relao encontrada entre o professor 1 e 5, o tempo de

trabalho como professor de ginstica no interfere no nvel de dor.

47 5. Concluso

A finalidade deste estudo foi analisar qual o custo fsico da professora de

ginstica durante seu trabalho, e quanto este fator interfere sobre a fadiga. Os resultados

foram baseados na anlise da FC, durante o trabalho. Tambm foi analisado a relao entre

nvel de dor e custo fsico.

Inicialmente as obser