ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO: SUA IMPORTÂNCIA...

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CENTRO UNIVERSITRIO DE BRASLIA FACULDADE DE CINCIAS SOCIAIS APLICADAS - FASA CURSO: ADMINISTRAO DE EMPRESAS DISCIPLINA: MONOGRAFIA ACADMICA PROFESSOR ORIENTADOR: JOS ANTNIO RODRIGUES DO NASCIMENTO

ADMINISTRAO DO CAPITAL DE GIRO: SUA IMPORTNCIA NO RESULTADO DA EMPRESA

PAULO EDUARDO PEREIRA DE BRITO MATRCULA N. 2015146/3

Braslia/DF, Junho de 2005

PAULO EDUARDO PEREIRA DE BRITO

ADMINISTRAO DO CAPITAL DE GIRO

Monografia apresentada como requisito para

concluso do curso de bacharelado em

Administrao de Empresas do UniCEUB

Centro Universitrio de Braslia.

Professor Orientador: Jos Antnio Rodrigues do Nascimento

Braslia/DF, Junho de 2005

CENTRO UNIVERSITRIO DE BRASLIA FACULDADE DE CINCIAS SOCIAIS APLICADAS FASA CURSO: ADMINISTRAO DE EMPRESAS DISCIPLINA: MONOGRAFIA ACADMICA

MEMBROS DA BANCA EXAMINADORA

MEMBROS DA BANCA

ASSINATURA

PROFESSOR ORIENTADOR: Professor: Jos Antnio Rodrigues do Nascimento

PROFESSOR(A) CONVIDADO(A): Professor(a):

PROFESSOR(A) CONVIDADO(A): Professor(a):

MENO FINAL:

Braslia/DF, 22 de Junho de 2005

Libertando-nos do intelectualismo da

cincia que poderemos apreender nossa prpria natureza e, nesse sentido, a natureza em geral. Quanto a dizer que a cincia tambm caminho que conduz arte essa uma opinio que no merece que nela nos detenhamos.

Max Weber

Primeiramente a Deus, que o

combustvel necessrio para ns seres humanos, sem isso seria impossvel vencer os obstculos da vida.

Aos meus pais, e a minha namorada,

que sempre me apoiaram tornando possvel fazer desta caminhada uma subida que nunca cansa.

Ao meu filho, a pessoa mais

importante em minha vida, e que sem dvida a maior motivadora para que eu continue a estudar, trabalhar e viver, sem voc nada disso estaria acontecendo.

Agradeo,

Ao professor orientador Jos Antnio Rodrigues do Nascimento, pois sem sua orientao e dedicao no seria possvel o trmino deste trabalho.

SUMRIO

1. INTRODUO.................................................................................................... 01 1.1. Justificativa da Escolha da rea...................................................................02

1.2. Tema............................................................................................................. 03

1.3.Delimitao do Tema.....................................................................................03

1.4. Objetivos....................................................................................................... 03

1.4.1. Objetivo Geral............................................................................................ 03

1.4.2. Objetivo especficos.................................................................................. 03

1.5. Formulao do Problema............................................................................. 03

1.6. Variveis....................................................................................................... 04

2. DESENVOLVIMENTO DO TRABALHO........................................................ 05 2.1. Metodologia................................................................................................ 05

2.1.1. Mtodos de abordagem......................................................................... 05

2.1.2. Mtodos de procedimento...................................................................... 06

2.1.3. Tcnicas de pesquisa............................................................................. 06

2.1.4. Universo da pesquisa............................................................................. 07

2.1.5. Amostra...................................................................................................07

2.2. Embasamento Terico............................................................................... 08

2.2.1. Conceito de Capital de Giro................................................................... 08

2.2.1.1. Composio do Capital de Giro......................................................... 10

2.2.2. Fontes de Recursos................................................................................ 17

2.2.3. Natureza do Capital de Giro.................................................................... 19

2.2.4. Estrutura do Balano Patrimonial............................................................ 20

2.2.5. Administrao do Ativo Circulante.......................................................... 20

2.2.5.1. Ciclo Operacional................................................................................22

2.2.5.2. Administrao dos Estoques.............................................................. 26

2.2.5.3. Administrao dos Valores a Receber................................. ..............29

2.2.5.4. Administrao do Disponvel....................................................... .......32

2.2.6. Administrao do Passivo Circulante.................................... ..................33

2.2.6.1. Fornecedores...................................................................................... 33

2.2.6.2. Contas a Pagar................................................................................... 34

2.2.6.3. Emprstimos....................................................................................... 34

2.2.6.4. Provises............................................................................................. 34

2.2.7. Fluxo de Caixa........................................................................................ 34

2.2.7.1. Caractersticas e Objetivos................................................................ 35

2.2.7.2. Planejamento Controle e Execuo................................................... 36

2.2.7.3. Elaborao do Fluxo de Caixa........................................................... 37

2.2.7.4. Composio do Fluxo de Caixa......................................................... 39

2.2.8. Demonstrao de Origens e Aplicao de Recursos............................. 40

2.2.8.1. Objetivo e Caracterstica.................................................................... 40

2.2.8.2. Forma de Apresentao..................................................................... 42

2.2.9. Indicadores de Liquidez e Rentabilidade................................................ 43

2.2.9.1. Liquidez.............................................................................................. 43

2.2.9.2. Liquidez Corrente............................................................................... 43

2.2.9.3. Liquidez Seca..................................................................................... 44

2.2.9.4. Liquidez Geral.................................................................................... 45

2.2.9.5. Rentabilidade..................................................................................... 46

3. DESCRIO DA EMPRESA.............................................................................. 49 3.1.Histrico da Organizao.............................................................................. 49

3.2. Dados da Instituio..................................................................................... 50

3.2.1. Razo Social........................................................................................... 50

3.2.2. Nome Fantasia........................................................................................ 50

3.2.3. CNPJ....................................................................................................... 50

3.3. Localizao................................................................................................... 50

3.4. Misso...........................................................................................................51

3.5. Organograma................................................................................................51

4. APRESENTAO DOS DADOS....................................................................... 53 5. CONCLUSO..................................................................................................... 63 6. RECOMENDAES E SUGESTES............................................................... 65 7. BIBLIOGRAFIA.................................................................................................. 66 8. ANEXOS............................................................................................................. 68

LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS

AC Ativo Circulante AP Ativo Permanente

CCL Capital Circulante Lquido

CGL Capital de Giro Lquido

CF Ciclo Financeiro

CG Capital de Giro

ELP Exigvel a Longo Prazo

PC Passivo Circulante

PL Patrimnio Lquido

PMC Prazo Mdio de Cobrana

PME(mp) Prazo Mdio de Estocagem de Matrias Primas

PMF Prazo Mdio de Fabricao

PMR Prazo mdio de Recebimento

PMV Prazo Mdio de Venda

SFC Saldo Final de Caixa

SIC Saldo Inicial de Caixa

I Ingressos

LC Liquidez Corrente

E Estoques

DA Despesas Antecipadas

LISTA DE QUADROS

Quadro 01 Fontes de Recursos.............................................................................. 18

Quadro 02 Modelo Genrico do Balano Patrimonial..........................................19

LISTA DE TABELAS

Tabela 01 Balano Patrimonial............................................................................... 19

Tabela 02 Balano Patrimonial e DRE.................................................................52

LISTA DE FIGURAS

Figura 01 Capital de Giro Permanente e Sazonal...................................................11

Figura 02 Formas de Administrao do Capital de Giro Mais Conservadora........ 15

Figura 03 Formas de Administrao do Capital de Giro Conservadora................ 15

Figura 04 Formas de Administrao do Capital de Giro Agressiva........................ 16

Figura 05 Composio dos Itens do Ativo Circulante............................................. 21

Figura 06 Ciclo Operacional de uma empresa industrial........................................ 23

Figura 07 Ciclo Econmico......................................................................................24

Figura 08 Ciclo Operacional, Financeiro e Econmico de uma Empresa............24

Figura 09 Ciclo Financeiro...................................................................................... 25

Figura 10 Origem e Aplicao de recursos do Caixa............................................. 36

Figura 11 Composio do Fluxo de Caixa.............................................................. 40

Figura 12 Organograma.......................................................................................... 51

LISTA DE FRMULAS

Frmula 01 Capital de Giro Lquido........................................................................ 11

Frmula 02 Saldo Final de Caixa............................................................................ 38

Frmula 03 Liquidez Corrente................................................................................. 44

Frmula 04 Liquidez Seca....................................................................................... 44

Frmula 05 Liquidez Geral...................................................................................... 45

Frmula 06 Retorno sobre o PL.............................................................................. 45 Frmula 07 Margem Bruta...................................................................................... 47

Frmula 08 Margem Operacional........................................................................... 48

RESUMO

Esta pesquisa tem como principal objetivo apresentar atravs da reviso literria, a importncia da gesto do capital de giro e as ferramentas para sua operao na empresa Brasil Telecom, com isso mostrar atravs de um estudo de caso a gesto do capital de giro. Procurou-se mostrar o destino dos recursos financeiros, tanto os prprios quanto os de terceiros e as alternativas de financiamento do capital de giro. Foram apresentados tambm nesta pesquisa, os indicadores mais utilizados para medir a liquidez, assim com os meios existentes para visualizao atravs das demonstraes financeiras. A pesquisa foi realizada por meio de pesquisa bibliogrfica e um estudo de caso na empresa Brasil Telecom, onde so calculados a necessidade de capital de giro e seus ndices para a avaliao econmica.

1. INTRODUO

O conhecimento cultural e organizacional de uma empresa relevante para

que o administrador modele ou remodele a sua administrao, no intuito de melhorar

o seu desempenho, tornando a empresa competitiva elevando desta forma, as

barreiras entrada de novos concorrentes.

O despreparo dos administradores das empresas e a conseqente falta da

tcnica na mensurao da necessidade de capital de giro est expondo a empresa a

recorrer fonte de recursos com altos juros facilitando o fracasso da empresa.

O capital de giro precisa de acompanhamento permanente, pois est

continuamente sofrendo o impacto das diversas mudanas enfrentadas pela

empresa e corresponde aos recursos aplicados em ativos circulantes, que se

transformam dentro do ciclo de operaes da empresa e quando essas operaes

no so bem administradas a empresa pode parar de funcionar.

A monografia foi desenvolvida partindo do Capital de Giro, em sua forma mais

ampla, chegando aos indicadores liquidez e rentabilidade, os quais permitem uma

avaliao do trabalho efetuado pelo administrador financeiro. A administrao do

capital de giro tem recebido cada vez mais importncia no contexto administrativo,

pois caso no realizada adequadamente pode resultar em graves problemas

financeiros, podendo levar, inclusive, a empresa a uma situao de insolvncia. Tem

como objetivo buscar subsdios para um correto gerenciamento dessa atividade. os

dados necessrios para a pesquisa utilizou-se pesquisa bibliogrfica e um estudo de

caso.

necessrio entender alguns conceitos como o ciclo operacional, financeiro e

econmico, pois a necessidade de capital de giro depende desses ciclos para poder

ser mensurado. O trabalho aborda a estrutura do balano patrimonial, pois sem

essas informaes no possvel fazer uma anlise da situao econmica da

empresa, neste contexto, so abordadas as anlises atravs de ndices.

2

Ao final da pesquisa so calculados os ndices e a necessidade de capital de

giro da empresa utilizada para a pesquisa, bem como a concluso a respeito da

pesquisa.

1.1. Justificativa da Escolha do Tema

A administrao de uma empresa, qualquer que seja o seu tamanho, exige

uma grande variedade de atividades. Uma dessas atividades a administrao

financeira do empreendimento.

Cabe ao administrador financeiro assegurar recursos para a o funcionamento

da empresa em seus diversos setores. A aquisio de matria-prima, os salrios dos

funcionrios, recursos para as campanhas publicitrias, tudo depende do seu

trabalho. Mas no se preocupa apenas com o fornecimento de recursos; precisa

tambm fornecer lucratividade ao acionista, proprietrio da empresa.

A concorrncia e a evoluo no mercado tm forado os administradores a

possurem cada vez mais conhecimentos sobre o assunto.

A Administrao do Capital de Giro est intimamente ligada Administrao

Financeira, pois atravs dela que o administrador poder acompanhar o

desenvolvimento das atividades da empresa e fazer a correta alocao dos recursos

disponveis.

Esta monografia trata da Administrao do Capital de Giro e de seus

componentes. A sua influncia nas decises da empresa e formas de controle sobre

os mesmos.

1.2. Tema

Administrao do Capital de Giro: Sua importncia no resultado da empresa.

3

1.3. Delimitao do Tema

As fontes de recurso do capital de giro

1.4. OBJETIVOS

1.4.1. Objetivo geral

Analisar a gesto das fontes de recursos do capital de giro.

1.4.2. Objetivos Especficos

a) Identificar as fontes;

b) Classificar as fontes de recursos;

c) Identificar o modelo de gesto dos recursos do capital de giro;

d) Analisar o risco e o retorno do capital de giro;

e) Verificar o desempenho da administrao do capital de giro.

1.5. Formulao do Problema A administrao ineficaz do ativo de curto prazo e das fontes de financiamento a curto-prazo de uma empresa pode lev-la falncia.

O problema nessa pesquisa consiste em identificar se a falha na

administrao da necessidade de capital de giro expe a empresa em questo a

recorrer a financiamentos.

1.6. Variveis

a) Fontes de recursos;

b) Balano patrimonial;

c) O lucro retido na empresa;

4

d) Capacidade de gerenciamento do administrador financeiro;

e) O resultado contbil da empresa;

f) Indicadores de liquidez e rentabilidade na empresa.

5

2. DESENVOLVIMENTO

2.1. METODOLOGIA DO TRABALHO

A metodologia adotada para este trabalho consiste em reunir, analisar e

discutir as informaes publicadas sobre o tema at o momento para serem juntadas

em funo da elaborao, a fim de fundamentar teoricamente o objeto de

investigao com bases slidas. Este o "pano de fundo" do problema da pesquisa.

Compreende uma minuciosa busca na literatura, selecionando-se e sintetizando-se

idias, estudos e pesquisas que se relacionem com problema investigado,

objetivando melhor compreenso das inmeras facetas deste, destacando-se as

citaes literais de trabalhos cientficos.

A organizao do trabalho est feita de forma lgica em funo das variveis,

sem se procurar forar a uma organizao cronolgica.

Pretende-se fazer uma anlise criteriosa da a Administrao do Capital de

Giro que influi diretamente sobre a liquidez e a rentabilidade de uma empresa,

mediante vrias interpretaes e diferentes correntes de pensamento.

Foi feita uma pesquisa de Campo, uma vez que se realizou uma investigao

emprica junto a gestor, obtendo-se dados relativos sobre os aspectos perceptveis a

respeito da administrao do capital de giro da empresa. Utilizou-se tambm a o

levantamento de dados, que busca informaes diretamente com a empresa pesquisada. Com o intuito de aprofundar os fatos com vistas obteno de um

grande conhecimento com riqueza de detalhes a respeito da administrao do

capital de giro da empresa, utilizou-se o estudo de caso.

2.1.1. Mtodo de Abordagem

Foi utilizado o mtodo dedutivo, neste estudo a abordagem do objeto de

pesquisa demanda a utilizao do Mtodo Dedutivo.

6

O raciocnio dedutivo, por outro lado, parte do geral ao particular. A partir de

princpios, leis ou teorias consideradas verdadeiras e indiscutveis, prediz a

ocorrncia de casos particulares com base na lgica. Esse mtodo

tradicionalmente definido como um conjunto de proposies particulares contidas

em verdades universais.1

De forma a buscar informaes das fontes de recursos para a administrao

do capital de giro.

2.1.2. Mtodos de Procedimento

O mtodo de procedimento a ser utilizado na monografia o estruturalista, no

qual a realidade vista como uma estrutura composta por dois nveis sobrepostos,

partindo do abstrato, criando um modelo ideal a partir do qual se compreende o real

e se volta, assim, para o concreto e tambm o estudo de caso.

2.1.3. Tcnica de Pesquisa

Foram coletados e apresentados dados de obras que tratam especificamente

dos assuntos administrao do capital de giro e fontes de recursos por meio de

publicaes que discutem o tema, como livros, jornais, revistas e artigos.

De acordo com GALLIANO: Tcnica modo de fazer de forma mais hbil,

mais segura, mais perfeita algum tipo de atividade, arte ou ofcio.2

Para a realizao deste trabalho foi utilizada a Pesquisa Bibliogrfica que

segundo MARCONI: por abranger toda a bibliografia j tornada pblica em relao

ao tema estudado.3

1 TRUJILLO FERRARI, Alfonso. Metodologia da cincia. 3. ed. rev. ampl. Rio de Janeiro: Kennedy, 1974. 248p. 2 GALLIANO, Guilherme. O Mtodo Cientfico. Teoria e prtica. So Paulo: Mosaico, 1979, p. 6. 3 MARCONI, Marina de Andrade e LAKATOS, Eva Maria. Tcnicas de pesquisa. So Paulo: Atlas, 1996. p. 66.

7

A maneira mais adequada para levantar os dados necessrios elaborao

de um trabalho monogrfico de concluso de curso de graduao.

De acordo com MEDEIROS:

a documentao indireta atravs de pesquisa bibliogrfica que a pesquisa que se efetua tentando resolver um problema ou adquirir novos conhecimentos a partir de informaes publicadas em livros ou documentos similares. Seu objetivo desvendar, recolher e analisar as principais contribuies tericas sobre um determinado fato, assunto ou idia.4

Segundo LAKATOS: A bibliografia pertinente oferece meios para definir e

resolver no somente problemas j conhecidos, como tambm explorar novas

reas.5

2.1.4. Universo da Pesquisa

Segundo ROSIU, PAULESCU E MUNIZ: Refere-se ao grupo, populao-

alvo, local, rea. O universo a ser pesquisado precisa ser caracterizado, ser

identificado segundo uma ou mais referncias, de forma a distingui-lo um

determinado contexto.6 O universo da pesquisa a empresa Brasil Telecom.

2.1.5. Amostra

Constituem a amostra da pesquisa o Departamento Financeiro e os dados

econmicos e financeiros dos anos de 2003 e 2004. Esta amostra caracteriza-se

muito mais como um estudo de caso e seus resultados no so generalizados, o que

tambm no escopo deste trabalho.

4 MEDEIROS, Joo Bosco. Redao cientfica: a prtica de fichamentos, resumos, resenhas. 2. ed. So Paulo: Atlas, 1996. p. 190. 5 LAKATOS, Eva Maria e MARCONI, Mariana de Andrade. Metodologia do trabalho cientfico. 5. ed. So Paulo: Atlas, 2001, p. 44. 6 OCTAVIAN, Rosiu Ovdiu Petre; PAULESCU, Doina; MUNIZ, Adir Jaime de Oliveira.Monografia. Braslia: Grfica e Editora Qualidade, 2003, p 26.

8

2.2. EMBASAMENTO TERICO

2.2.1. CONCEITO DE CAPITAL DE GIRO

Segundo ROSS, WESTERFIELD E JAFFE: a expresso capital de giro

refere-se aos ativos a curto prazo da empresa.7

Segundo ASSAF NETO E SILVA: A administrao do capital de giro diz

respeito administrao das contas dos elementos de giro, ou seja, dos ativos e

passivos correntes (circulantes), e s inter-relaes existentes entre eles. 8

A Administrao do Capital de Giro objetiva garantir a continuidade das

atividades da empresa, evitando que esta sofra interrupes que seriam

extremamente caras. Para obtermos sucesso, essa atividade deve ser realizada

diariamente, envolvendo pontos relacionados aos recebimentos e desembolsos da

empresa.

A administrao do capital de giro tem recebido cada vez mais importncia no

contexto administrativo, pois caso no realizada adequadamente pode resultar em

problemas financeiros, que pode levar, a empresa a uma situao de insolvncia.

A administrao do capital de giro exige uma aplicao do administrador pois

somente com um bom nvel de conhecimento sobre os componentes do capital de giro

que as decises sero tomadas de acordo com as polticas financeiras da empresa.

Os ativos circulantes normalmente representam mais de cinqenta por cento

dos ativos totais de uma empresa. Esses ativos exigem, portanto, um grande

investimento. Sabemos tambm que os recursos disponveis no circulante podem ser

7. ROSS, Stephen A; WESTERFIELD, W. Randolph; JAFFE, F. Jeffrey. Administrao Financeira Corporate Finance. So Paulo: Ed. Atlas, 2002. p. 776. 8 ASSAF NETO, Alexandre; SILVA,Csar Augusto. Administrao do Capital de Giro. 2. ed. So Paulo: Ed. Atlas, 1997. p.197.

9

facilmente diludos, o que refora a necessidade de uma correta administrao desses

recursos.

Quando falamos em administrao do capital de giro, podemos pensar que

esta seja uma atividade restrita a grandes empresas, com elevados ativos e passivos

circulantes. No entanto, as pequenas e mdias empresas tambm devem tomar o

mximo cuidado em sua administrao, pois os recursos disponveis so mais

escassos. Uma pequena empresa necessitar, obrigatoriamente, de estoques; ter

que conceder prazos para o recebimento de suas vendas. Para executar essas

atividades, necessitar de recursos, todavia o seu acesso a emprstimos de longo

prazo no to expressivo, necessitando, assim, recorrer com maior freqncia a

emprstimos de curto prazo, o que afetar diretamente seu capital de giro.

At mesmo campanhas para o aumento das vendas devem ser analisadas com

ateno pelo gerente financeiro. Os prazos que sero concedidos e a necessidade de

estoques para a efetivao das vendas so componentes do capital de giro,

influenciando nas disponibilidades da empresa.

Verificamos, dessa forma, que a administrao do capital de giro bastante

abrangente, afetando e sendo afetada por praticamente todas as decises que

venham a ser tomadas pela administrao da empresa.

Diversos so os fatores que influem sobre a administrao do capital de giro de

uma empresa. Podemos citar o volume de vendas da empresa, a sazonalidade dos

negcios, as tecnologias empregadas pela empresa para a produo, sua poltica de

negcios, bem como fatores econmicos externos empresa, que podem influenciar

em sua administrao e planejamentos.

Podemos utilizar o conhecimento da sazonalidade dos negcios para

determinar as necessidades de recursos ao longo do perodo em estudo.

10

Para um correto estudo da administrao do capital de giro, observa-se

fundamentalmente o nvel de estoques necessrio, os investimentos que devero ser

realizados, ou que esto planejados para execuo no perodo e que iro consumir

recursos, qual ser a poltica de crdito a ser adotada, quais os prazos e taxas de

juros a serem cobrados. Estes itens fazem parte do ativo circulante, mas tambm os

itens do passivo circulante devem ser levados em considerao. Os prazos oferecidos

pelos fornecedores, taxas de juros a serem pagos, emprstimos recebidos, com seus

respectivos valores e perodos de amortizao. Outro fator, de fundamental

importncia, refere-se rentabilidade desejada pela empresa, visto que esta est

diretamente ligada ao volume de capital de giro a ser mantido.

2.2.1.1. Composio do Capital de Giro

O capital de giro representa os investimentos da empresa em ativos de curto

prazo (caixa, ttulos de curto prazo, contas a receber e estoques). Em outras palavras,

pode-se dizer que o capital de giro representa todos os recursos utilizados por uma

empresa para permitir o seu funcionamento, desde a compra de matria-prima at o

recebimento das vendas efetuadas.

O capital de giro possui em sua composio uma parte estrutural, tambm

chamada de capital de giro permanente, e uma outra conjuntural ou capital de giro

sazonal.

O capital de giro permanente pode ser visto como um investimento necessrio

para o funcionamento da empresa. Por exemplo, uma empresa que exige vendas a

prazo, necessitar obrigatoriamente de investimentos nesse item, de forma a poder

manter-se em funcionamento. J o capital de giro sazonal incorpora as variaes

ocorridas para atender a demandas que sejam geradas por fatores extemporneos.

As vendas efetuadas por uma empresa, por exemplo, no so constantes, variando

ao longo do ano. Os ativos circulantes acompanham essa variao. A Figura 1 mostra

a composio do capital de giro segundo essa conveno. A parte inferior representa

o Capital de Giro Permanente, que ao longo dos anos pode aumentar gradualmente,

11

conforme o desenvolvimento da empresa. O bloco intermedirio representa o Capital

de Giro Sazonal, afetado pelos picos e vales que ocorrem ao longo do perodo.

FIGURA 01 Capital de Giro Permanente e Sazonal

I) Capital de giro lquido

Tambm chamado de capital circulante lquido, o capital de giro lquido

representa a parcela de recursos de longo prazo que est financiando os ativos de

curto prazo. No entanto a forma mais direta de obteno do seu valor pela diferena

entre o Ativo Circulante e o Passivo Circulante.

Pode-se representar o seu clculo pela frmula:

CGL = AC PC

Onde:

CCL = Capital de Giro Lquido

AC = Ativo Circulante

PC = Passivo Circulante

Outra representao para clculo do capital de giro lquido atravs do uso

dos componentes de longo prazo:

Fonte: ASSAF NETO, SILVA. Administrao do Capital de Giro 2 ed. So Paulo: Ed. Atlas, 1997 pg. 16.

12

CGL = (PL + ELP) (AP + RLP)

Onde:

CGL = Capital de Giro Lquido

PL = Patrimnio Lquido

ELP = Exigvel a Longo Prazo

AP = Ativo Permanente

RLP = Realizvel a Longo Prazo

Quanto maior for o valor do capital de giro lquido maior ser a folga financeira

da empresa, visto que a exigibilidade dos valores que a mesma vem utilizando para as

operaes de curto prazo no exerce presso para pagamento imediato, permitindo

ao administrador trabalhar da melhor forma possvel.

Quando o capital de giro lquido estiver negativo, demonstra que a empresa

pode estar passando por dificuldades financeiras. Como o valor do ativo circulante

menor que o passivo circulante, isto nos indica que a empresa est utilizando recursos

de curto prazo para financiar aplicaes com prazo de retorno maior.

Deve-se utilizar recursos de longo prazo e capital prprio para financiar os

ativos permanentes, pode-se, inclusive, utiliz-los para o capital de giro permanente.

J para o capital de giro sazonal devemos utilizar recursos de financiamentos de curto

prazo.

II) Recursos de curto prazo x recursos de longo prazo

Podemos ento dizer que o ideal utilizar recursos de longo prazo para

financiar todas as atividades da empresa, pois no correramos, desta forma, o risco

de se ter dificuldades para liquidao dos dbitos. Esta afirmativa, com certeza, est

13

equivocada. Existem situaes em que se deve ponderar as circunstncias e

condies oferecidas por recursos de curto ou de longo prazo.

Um dos pontos a ser considerado, no momento da escolha do recurso a ser

utilizado, a flexibilidade que os recursos de curto prazo oferecem. Normalmente,

esses recursos permitem a sua liquidao a qualquer momento, o que permite ao

empresrio livrar-se de um compromisso a qualquer momento. Este fato normalmente

no acontece com os recursos de longo prazo. Portanto, se a necessidade de

recursos sazonal, e por um perodo curto, podem ser uma boa opo recursos de

curto prazo.

O valor das taxas pactuadas em cada emprstimo tambm influencia na

escolha do recurso. Normalmente as taxas de curto prazo so menores que as de

longo prazo. Embora os recursos de curto prazo sejam mais baratos, os riscos para a

empresa so mais elevados. Esses riscos ocorrem basicamente por dois motivos:

- Se a empresa tomar emprestado valores a longo prazo, seus custos

com juros estaro diludos, tornando essa despesa mais estvel, fato

que no ocorre com os recursos de curto prazo. Para esses, as

despesas com juros so pontuais, podendo ser bastante elevadas.

- Quando a empresa direciona toda a captao de recursos para os

recursos de curto prazo, pode ter dificuldades para liquidar seus

emprstimos.

A utilizao de emprstimos de longo prazo possui um custo mais elevado,

oferecendo empresa, porm, um menor risco de insolvncia. Ficamos ento frente

ao chamado dilema entre risco e retorno.

14

III) Risco x retorno

Os ativos circulantes variam mensalmente. Nos meses em que as vendas so

mais elevadas, normalmente as empresas possuem um maior valor em estoques,

contas a receber e caixa. A administrao deve prestar a maior ateno a essas

flutuaes, identificando os pontos mximos e mnimos ao longo de cada ano.

Os riscos financeiros so mais baixos quando utilizamos recursos de longo

prazo e capital prprio para financiar ativos permanentes. Vejamos o exemplo abaixo:

Uma empresa busca um emprstimo com vencimento em um ano (curto

prazo). Utiliza esses recursos para a construo de um novo armazm, para a

estocagem de produtos fabricados. Ao final do perodo, no vencimento do

emprstimo, verifica-se que o fluxo de caixa dessa nova instalao no foi suficiente

para quitar o emprstimo, sendo portanto necessria a sua renovao. Certamente,

com essa conjuntura, a empresa enfrentar dificuldades para a renovao do

emprstimo, fato que no ocorreria se a empresa tivesse utilizado recursos de longo

prazo, pois o fluxo de caixa gerado permitiria o pagamento das parcelas, sem maiores

transtornos para a empresa.

Deve-se optar entre liquidez (o que nos garante uma folga financeira) ou

rentabilidade (o que exigir um aumento no risco de insolvncia da empresa).

Encontrar um ponto ideal ou a melhor forma de alternar entre as opes disponveis

uma das grandes tarefas da administrao do capital de giro.

A poltica de administrao do capital de giro da empresa ser tanto mais

agressiva quanto maior for o volume de passivo circulante utilizado para financiar a

empresa.

Na abordagem mais conservadora, representada na Figura 2, observamos que

apenas uma pequena parte do capital de giro sazonal financiado por recursos de

curto prazo. O custo de se utilizar patrimnio lquido e recursos de longo prazo para

15

financiar as demais necessidades pode ser elevado, diminuindo a rentabilidade da

empresa. No entanto, o risco de ficar sem caixa mnimo.

FIGURA 02 Formas de Administrao do Capital de Giro Mais Conservadora

Na abordagem conservadora (Fig. 3), os ativos fixos e as necessidade de

capital de giro permanentes so financiados por recursos de longo prazo e pelo capital

prprio. Utilizam-se os recursos de curto prazo para financiar apenas as necessidades

sazonais. Esta concepo tambm conhecida como equilbrio financeiro, pois cada

ativo est buscando o seu recurso em passivos com o mesmo prazo de converso.

Fonte: ASSAF NETO, SILVA. Administrao do Capital de Giro. 2 ed. So Paulo: Ed. Atlas,1997 pg. 28.

16

FIGURA 03 Formas de Administrao do Capital de Giro Conservadora

Fonte: ASSAF NETO, SILVA. Administrao do Capital de Giro. 2 ed. So Paulo: Ed. Atlas, 1997 pg. 27.

Uma abordagem agressiva utiliza recursos de curto prazo para financiar

inclusive as necessidades de capital de giro permanentes. Nesse caso, o custo do

financiamento baixo, porm, o risco de a empresa sofrer problemas de liquidez

elevado.

FIGURA 04 Formas de Administrao do Capital de Giro Agressiva

Fonte: ASSAF NETO, SILVA. Administrao do Capital de Giro. 2 ed. So Paulo: Ed. Atlas, 1997 pg. 29.

17

2.2.2. Fontes de Recursos

A seguir temos um quadro onde mostra as fontes de recursos utilizadas na

administrao do capital de giro.

18

QUADRO 01 Fontes de Recursos Itens Fatores influentes

Matrias-Primas

e Materiais

Secundrios

Natureza da empresa:

Sazonalidades

Estoques de Regularizao

Condies de Oferta e

Comercializao do Insumo:

Facilidades de aquisio e transporte

Situao de monoplio

Suprimento local

Eficincia administrativa de controle

do estoque mnimo

Materiais em

processo

(Produtos em

elaborao)

Natureza da Indstria

Estoques necessrios de

regularizao devido a diferentes

velocidades de produo

1. Formao de

Estoques

Produtos acabados Condies de Produo para

pronta disponibilidade

Adiantamento

nas Compras

(Crdito a

Fornecedores)

Condies de Oferta e

Comercializao de Insumos

2. Crditos a Receber

Ttulos em Carteira (Vendas

a Crdito) Condies de Mercado e

Comercializao dos produtos

acabados

Disponibilidade de Crdito para

venda a prestaes

3. Desconto de Ttulos em Carteira Disponibilidade de Crdito para

desconto de ttulos

4. Caixa Mnimo Reserva de Caixa Mnimo

para atendimento de

despesas

Flutuao sazonal de Caixa

5. Crdito a Pagar Crdito de Fornecedores Condies de mercado e

comercializao de insumos

Fonte: CARVALHO, FERNANDO MAURO e Outros. Anlise e Administrao Financeira, 2 ed. Rio de Janeiro: IBMEC, 1985. pg. 290.

19

2.2.3. Natureza do Capital de Giro

Segundo Santos: Uma empresa utiliza para seu funcionamento recursos

materiais de renovao lenta, como as instalaes, equipamentos e imveis

denominados capital fixo ou permanente e recursos materiais de rpida renovao,

como os estoques de matrias-primas e produtos que formam seu capital

circulante.9

Conforme Machado: O capital de giro (ou capital circulante) representa o

montante de recursos de curto prazo, necessrio para o financiamento do ciclo

operacional de uma empresa, que compreende o perodo que vai desde a compra

de matrias-primas at o retorno dos recursos provenientes das vendas dos

produtos fabricados com aquelas matrias-primas. 10 A determinao do capital de

giro vem do Balano Patrimonial e do Demonstrativo de Resultados do perodo em

questo.

O Balano Patrimonial divido em duas partes, sendo que no lado esquerdo,

se encontra a conta do ativo e do lado direito, as contas do passivo conforme

mostrado na tabela abaixo.

QUADRO 02 Modelo Genrico do Balano Patrimonial

Ativo (Aplicao de Recursos)

Passivo (Aplicao de Recursos)

Ativo Circulante AC

Passivo Circulante PC

Realizvel a Longo Prazo RLP

Exigvel a Longo Prazo ELP

Ativo Permanente AP

Patrimnio Lquido PL

Fonte: SCHRICKEL, Wolfgang Kurt. Demonstraes financeiras:abrindo a caixa preta: como interpretar balanos para a concesso de emprstimos. So Paulo: Atlas, 1997. p. 165.

9 SANTOS, Edno Oliveira dos. Administrao Financeira de Pequena e Mdia Empresar. So Paulo: Atlas, 2001 p. 21. 10 MACHADO, Jos Roberto.. Administrao de Finanas Empresarias. Rio de Janeiro Qualitymark, 2002 p. 66.

20

2.2.4. Estrutura do Balano Patrimonial

A estrutura do balano patrimonial deve ser entendida para compreenso da

administrao do capital de giro. Segundo Machado: O balano patrimonial tem a

finalidade de mostrar a situao patrimonial e financeira de uma empresa em um

determinado momento. Retratar no somente a posio dos bens e direitos, como

tambm a forma pela qual foram financiados. 11

Tabela 01 Balano Patrimonial

11 MACHADO, Jos Roberto.. Administrao de Finanas Empresarias. Rio de Janeiro Qualitymark, 2002 p. 46.

Fonte: MACHADO, Jos Roberto. Administrao de Finanas Empresariais. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2002 pg. 40.

21

2.2.5. Administrao do Ativo Circulante

Uma vez feito o planejamento, programadas as necessidades financeiras e

determinadas s origens dos recursos necessrios, precisa-se administrar

convenientemente os componentes do Ativo Circulante, visto serem estes os

principais responsveis pelo comportamento do Capital de Giro.

Os principais componentes do Ativo Circulante so o disponvel, os valores a

receber e os estoques. O percentual de participao de cada um, no total do ativo

circulante, varia conforme o tipo de atividade da empresa. A Figura 5 mostra, de uma

forma bem genrica, a composio desses itens, conforme o setor econmico da

empresa.

FIGURA 05 Composio dos Itens do Ativo Circulante

Fonte:CARVALHO, FERNANDO MAURO e Outros. Anlise e Administrao Financeira, 2 ed. Rio de Janeiro:IBMEC, 1985. pg. 290.

Pode-se observar que o valor do disponvel menor no segmento de indstrias

do que no comrcio e nas prestaes de servio. Esse fato de fcil entendimento,

pois devido ao ramo de atividade a maioria das vendas so feitas a prazo.

Tanto o comrcio quanto a indstria possuem necessidades de estoques

compatveis. J o setor de prestao de servios no possui esse item em seus

ativos, o que divide os ativos circulantes entre o disponvel e os valores a receber.

22

2.2.5.1. Ciclo operacional

Os ativos circulantes compem o capital de giro da empresa e este o

responsvel pelo funcionamento da mesma.

De acordo com ASSAF NETO e SILVA: Uma boa administrao do capital de

giro envolve imprimir alta rotao (giro) ao circulante, tornando mais dinmico seu

fluxo de operaes.12

Um dos insumos de maior importncia para uma empresa o tempo. As

empresas precisam de agilidade, velocidade na administrao de seus recursos,

tornando-a competitiva. Para que possa aumentar a velocidade de rotao deste

circulante, precisamos conhecer o ciclo operacional da empresa. Precisa-se trabalhar

com os seus componentes, objetivando reduzi-lo, nos limites que permitam o

funcionamento da estrutura ou da atividade exercida.

O Ciclo Operacional compreende todos os processos entre a compra de

matria-prima at o recebimento das vendas. um processo dinmico, exigindo

sistemas de informaes gerenciais objetivos. No se pode apenas conhecer o ciclo

operacional e a durao de cada uma de suas fases para saber qual a necessidade

de capital de giro. Precisa-se de mecanismos que transformem essas fases em

valores monetrios. A Figura 6 mostra esquematicamente o ciclo operacional de uma

empresa.

12 ASSAF NETO, Alexandre; SILVA,Csar Augusto. Administrao do Capital de Giro. 2. ed. So Paulo: Ed. Atlas, 1997. p.201.

23

FIGURA 06 Ciclo Operacional de uma empresa industrial

Vejamos, por exemplo, o ciclo operacional de uma indstria.

Adquire-se matria-prima para a formao de um estoque. Utilizando a matria

prima em estoque, inicia-se a produo, a qual, aps algum tempo, fornecer um

produto acabado, disponvel, ento, para venda. Com a venda do produto haver o

ingresso de recursos que sero utilizados para a aquisio de mais matria-prima,

completando assim o ciclo operacional.

Podemos observar, no ciclo operacional, dois ciclos internos, o ciclo financeiro

e o ciclo econmico.

Ciclo Econmico refere-se seqncia de fatos que ocorrem em uma empresa

durante o processo produtivo, desde a aquisio de matrias-primas at as vendas

dos produtos acabados. Existem, durante esse ciclo, outros eventos, que variam

conforme a atividade da empresa.

Fonte: CARVALHO, Fernando Mauro et al. Anlise e Administrao Financeira. 2 ed. Rio deJaneiro: IBMEC, 1985. pg. 286

24

Figura 07 Ciclo Econmico

Fonte: Figura extrada e adaptada de ASSAF NETO, Alexandre, e SILVA, Csar Augusto Tibrcio. Administrao do capital de giro. 2. ed. So Paulo: Atlas, 1997. p.21.

25

O Ciclo Financeiro inicia-se com o pagamento dos fornecedores e termina com

o recebimento das vendas efetuadas, existindo durante o seu processo diversos

outros desembolsos.

Figura 09 Ciclo Financeiro

Compra de matria-prima

Incio de Fabricao

PME PMF Fim da Fabricao

PMV Venda

PMC Recebimento

Ciclo Operacional

Ciclo Financeiro

Ciclo Econmico

PMPF

PMPF = Prazo mdio de pagamento a fornecedores PME = Prazo mdio de estocagem PMF = Prazo mdio de fabricao PMV = Prazo mdio de venda PMC = Prazo mdio de recebimento

FIGURA 08 Ciclo Operacional, Financeiro e Econmico de uma empresa industrial

Onde:

Fonte: ASSAF NETO, Alexandre, e SILVA, Csar Augusto Tibrcio. Administrao docapital de giro. 2. ed. So Paulo: Atlas, 1997. p.21.Atlas, 1997 pg. 21

26

Fonte: ASSAF NETO & SILVA, Csar Augusto Tibrcio, Administrao do capital de giro. 2 ed. So Paulo: Atlas, 1997, p.21.

Os prazos entre um item e outro do ciclo operacional so variveis,

dependendo da poltica adotada pela empresa e de suas necessidades. Verificamos

que as etapas do ciclo operacional englobam os componentes do capital de giro, o

que nos leva a afirmar que o ciclo operacional afeta diretamente o capital de giro.

Quanto maior for a rotao imposta ao ciclo operacional, maior ser o giro do

circulante, o que permite empresa uma menor necessidade de aplicao de capital

prprio no circulante, gerando um incentivo ao aumento da rentabilidade da empresa.

Quanto maior for o ciclo operacional, maiores sero as necessidade de financiamento

do capital de giro.

Diversos so os fatores que influenciam o ciclo operacional de uma empresa. A

capacidade de fornecimento de matria-prima por parte dos fornecedores, a sua

estrutura de entregas e a sazonalidade no fornecimento so de fundamental

importncia, pois o no-recebimento de mercadorias adquiridas pode afetar o estoque

da empresa, interrompendo ou aumentando o seu ciclo operacional.

27

A estrutura de distribuio da empresa, a forma de armazenagem da produo,

as tecnologias utilizadas, todos so pontos que, se no considerados com ateno,

podem provocar srios problemas ao ciclo de produo.

Concluindo, podemos afirmar que, quanto maior o ciclo financeiro da empresa,

maior o risco nas crises e maior a necessidade de capital de giro.

2.2.5.2. Administrao dos estoques

Normalmente, a administrao dos estoques de uma empresa no est sob

superviso do administrador financeiro. No entanto, os estoques resultam do

investimento de recursos captados, e podem representar uma parcela significativa do

ativo circulante. Por essa razo, necessrio que o administrador financeiro

mantenha contato com os responsveis pela administrao dos estoques.

Toda a operao da empresa comercial est baseada no estoque de

mercadorias para revenda. J no caso de uma indstria, esses estoques permitem um

melhor controle das reas de suprimentos, produo e vendas.

A principal razo para administrarmos os estoques determinar qual o nvel de

estoque necessrio para o atendimento das vendas efetuadas, garantindo a

existncia de quantidades suficientes e que estas, quando vendidas, sejam entregues

nos prazos combinados.

Esses estoques no devem ser elevados, visto que a manuteno dos mesmos

dispendiosa. O valor pago fica imobilizado at a venda, fazendo com que no se

tenha rendimentos sobre os mesmos.

Alm disso, caso a empresa necessite de recursos para efetuar pagamentos,

no poder entregar ao credor os produtos em estoque. Primeiro, precisar encontrar

um comprador para as mercadorias. Dependendo do prazo que a empresa tiver para

liquidar a sua dvida, precisar ofertar as mercadorias com um bom desconto,

28

objetivando o recebimento dos valores das vendas com o menor prazo possvel, e

somente dessa forma poder liquidar o seu compromisso.

Algumas empresas consideram que manter estoques elevados pode ser uma

boa alternativa, devido expectativa de valorizao dos mesmos. Normalmente esta

uma viso equivocada, pois quando for necessrio repor os estoques, o custo de

reposio das mercadorias ter aumentado no mesmo patamar da valorizao dos

estoques.

Para que o controle de estoque seja realmente efetivo, produzindo os

resultados esperados, precisamos encontrar o nvel timo de estoque. Para isso,

devemos considerar que existem diversos componentes que podem influir nessa

tarefa:

- A disponibilidade dos itens necessrios. Se forem produtos de fcil

obteno, com entrega rpida pelos fornecedores, certamente no

precisamos de elevados estoques;

- O conhecimento do mercado em que atuamos. Principalmente com

relao s sazonalidades. Se bem administradas, poderemos efetuar

as aquisies de mercadorias somente quando realmente forem

necessrias;

- A durao do ciclo de produo. Quando nos referimos a uma

empresa industrial, a durao do ciclo de produo tambm deve ser

considerado. Quanto maior for esse ciclo, maior ser a necessidade

de mantermos matria-prima em estoque;

- A durabilidade dos itens trabalhados. Caso sejam produtos

perecveis ou produtos que possam sair de moda com muita

facilidade, os estoques devero ser os menores possveis,

objetivando evitar perdas dos investimentos efetuados;

- Acompanhar o controle de estoques, com o uso de relatrios que

indiquem a rotao, as perdas e a possibilidade de falta de

29

determinados produtos, uma boa forma de garantir melhor controle

sobre os estoques disponveis.

interessante ressaltar que existe um inter-relacionamento entre as diversas

reas da empresa em relao administrao de estoques. Basearemos nosso

exemplo numa empresa industrial. As compras de matria-prima so normalmente

executadas por um departamento de compras. Existe um departamento de produo

que converte a matria-prima em produto final e um departamento de vendas que est

encarregado de colocar o produto no mercado.

Esses trs departamentos possuem interesses especficos com relao aos

estoques na empresa, que, para a rea financeira, podem ser um problema.

O departamento de compras pode achar interessante a aquisio de uma

grande quantidade de matria-prima, frente a uma promoo do fornecedor, ou

mesmo para evitar a falta de matria-prima na empresa, o que resultaria na imputao

de responsabilidades sobre o setor.

Para o departamento de produo, quanto maior for o estoque, mais tranqilo

ser o processo produtivo, pois no existe a preocupao com a falta de matria-

prima, e facilita a programao da produo.

J o departamento de vendas deseja o maior volume possvel em estoque, de

forma a poder atender a todos os pedidos, no preocupando-se com a falta de

produtos acabados.

Em contrapartida, o administrador financeiro precisa diminuir os investimentos

em estoques, maximizando a rotao dos recursos aplicados. Fica clara a necessidade do relacionamento entre as reas com o fim nico de

trabalhar pelos objetivos da empresa como um todo.

30

2.2.5.3. Administrao dos Valores a Receber

Um dos mecanismos mais utilizados atualmente para o aumento das vendas

ou para enfrentar a concorrncia a concesso de crditos. Esta concesso tanto

pode ser uma boa opo para o comprador, que utilizar recursos para o pagamento

da compra somente aps algum tempo, quando j estar usufruindo dos benefcios da

mercadoria adquirida. Para o vendedor, que consegue aumentar suas vendas,

tambm uma boa opo, principalmente porque esse prazo concedido pode estar

sendo financiado por crdito obtido junto aos fornecedores.

Quando uma empresa decide vender a prazo, est assumindo os riscos dessa

operao. Est entregando suas mercadorias baseada no compromisso do cliente de

que, em uma data combinada, o pagamento correspondente ser efetuado.

A concesso de crditos adotada por praticamente todos os ramos de

atividade. Quando vista sob o aspecto financeiro, a concesso de crdito deve ser

olhada como um investimento. E esse investimento possui um risco e uma

rentabilidade esperados, conforme os valores aplicados.

I) A poltica de crdito da empresa

A poltica de crdito de uma empresa indica mecanismos para a concesso ou

no de crdito a um determinado cliente. Quando da montagem dessa poltica, a

empresa deve analisar todos os impactos que podero advir dessa deciso.

A poltica de crditos pode influenciar diretamente as vendas da empresa.

Porm, essa poltica exigir em contrapartida maiores investimentos. Precisamos

financiar essa poltica.

A poltica de crdito da empresa busca um equilbrio entre os lucros nas

vendas a prazo e o custo de manuteno dos valores a receber, incluindo-se ainda

possveis perdas com inadimplncia e a poltica adotada pelos concorrentes.

31

Aps definida, a poltica de crdito no deve ser tratada como permanente.

Deve sempre ser revisada para adaptar-se s novas condies do mercado e, ao

mesmo tempo, no deve desconfigurar a estabilidade que to necessria a uma

poltica, quando implementada. claro que uma poltica mais liberal aumenta

consideravelmente as vendas, no entanto, tambm aumenta o prazo mdio de

recebimento, devido aos atrasos, e existe uma maior perda por inadimplncia.

De acordo com ASSAF NETO e SILVA: Os elementos que compem uma

poltica de crdito so quatro: padro, prazo, desconto e cobrana.13

Padro:

O padro refere-se aos procedimentos que devem ser adotados para a

concesso de crditos. As exigncias para um cliente novo e para um cliente antigo

podem ser diferenciadas, mas nunca inexistentes. Um cliente antigo, por mais pontual

que seja, deve ser periodicamente avaliado conforme a sua situao econmico

financeira atual.

J com clientes novos, devem existir rotinas especficas, que permitam o

conhecimento do cliente antes da concesso do crdito:

- Deve ser elaborada uma ficha cadastral, objetivando obter o mximo

de informaes do cliente e tambm permitir fixar um limite de

crdito.

- Pesquisar junto a instituies de crdito, fornecedores e outras

instituies especializadas, informaes do futuro cliente.

- Com as informaes obtidas na ficha cadastral e junto a terceiros,

apurar a capacidade de pagamento do cliente.

Aps cumpridos esses passos, o crdito poder ser fornecido.

Prazo:

13 ASSAF NETO, Alexandre; SILVA, Csar Augusto. Administrao do Capital de Giro, p. 103.

32

O prazo a ser concedido depende muito da conjuntura atual. Diversos fatores

influenciam no prazo a ser concedido. O tipo de mercado em que a empresa atua, os

prazos concedidos pelos concorrentes, as taxas de juros pactuadas. Esse prazo pode,

inclusive, ser afetado pelo cliente. Um comprador que sempre pagou em dia, oferece

menos risco que um cliente novo, logicamente o prazo pode ser diferenciado.

Desconto:

A concesso de descontos para pagamentos antecipados permite empresa

um recebimento mais rpido do que a mdia do perodo de crdito concedido. Para a

empresa que concede esse desconto, pode ser considerado um atrativo para a

ampliao das vendas, mas tambm a possibilidade de adiantar os recebimentos

das vendas.

Cobrana:

O objetivo de uma metodologia de cobrana tentar garantir que os valores

envolvidos nas vendas realizadas sejam recebidos pela empresa. Os valores gastos

para a implantao dessa poltica deve ser compatvel com os valores envolvidos.

Nem todos os valores a receber devem sofrer processos de cobrana. A empresa

deve sempre levar em considerao uma comparao entre os valores que devero

ser recebidos e os gastos para efetivar esse recebimento.

A principal funo do administrador financeiro no controle dos valores a receber

evitar que se acumulem valores expressivos na conta Valores a Receber, visto que

podem pr em risco a liquidez da empresa.

Para determinar o nvel ideal dos valores a receber, consideram-se, entre

outros:

- Volume de venda a crdito;

- Flutuaes das vendas;

- Prazos de pagamentos;

- Poltica de crdito adotada.

33

2.2.5.4. Administrao do Disponvel

Um dos objetivos da Administrao Financeira a liquidez, e nesse ponto a

administrao do disponvel tem um papel chave. Quanto maiores os valores em

caixa, mais facilmente a empresa poder liquidar seus compromissos. E quanto mais

recursos puder aplicar no seu ciclo operacional, maiores devero ser as taxas de

retorno.

A empresa deve manter valores em caixa, por trs razes principais: a

transao, a precauo e a especulao.

1. A transao permite a conduo de seus negcios normais, realizando

compras e vendas.

2. A precauo - caso ocorra algum fato que exija da empresa desembolsos

no previstos. Quanto melhor for a projeo de caixa, menor ser o saldo

por precauo;

3. A especulao objetiva fornecer condies de em momento oportuno

realizar bons negcios, como, por exemplo, a renovao de estoques com

preos mais baixos, se comprados vista.

O investimento em caixa significa perda de rentabilidade. O administrador

financeiro deve ento exercer um controle sobre esse nvel, sem no entanto colocar

em risco a liquidez da empresa. O principal instrumento para esses controle o Fluxo

de Caixa, que ser visto em captulo especfico.

Encontrar um valor mnimo de caixa uma tarefa complexa, que depende de

uma srie de fatores. Alguns deles j foram abordados em nosso trabalho, como o

controle dos estoques e o controle dos valores a receber. Outros que podem ser

citados so:

- Aprimorar o planejamento da empresa, buscando abranger a maior

quantidade de eventos que possam vir a afetar o capital de giro;

34

- Sincronizar os pagamentos e recebimentos de caixa, de forma a

reduzir as diferenas entre entrada e sada de recursos da empresa;

- A forma como os recursos esto distribudos nas instituies bancrias. Diversas contas correntes dificultam uma viso do todo e

o controle fica comprometido. Tambm necessrio que exista uma

boa relao com essas instituies, o que poder garantir taxas de

juros menores quando da negociao de emprstimos.

2.2.6. Administrao do Passivo Circulante

Conforme Machado: O passivo representado pelas contas que registram as

obrigaes da empresa. Assim como no ativo essas contas devero estar em ordem

de exigibilidade, ou seja, primeiro as de vencimento mais recente. 14

So os compromissos assumidos a curto-prazo (at um ano aps o

levantamento do balano patrimonial) e compreende os fornecedores, contas a

pagar, emprstimos, provises.

2.2.6.1. Fornecedores

Referem - se compra de matrias-primas e mercadorias a crdito.

2.2.6.2. Contas a Pagar

So as obrigaes provenientes de servios j recebidos e no pagos

(salrios a pagar, impostos a pagar).

2.2.6.3. Emprstimos

So os emprstimos contrados pela empresa a serem pagos em at um ano

do levantamento do balano patrimonial (curto prazo).

14 MACHADO, Jos Roberto.. Administrao de Finanas Empresarias. Rio de Janeiro Qualitymark, 2002 p. 36.

35

2.2.6.4. Provises

So as despesas que ainda no foram pagas, entretanto, j so devidas.

Fazem parte desta conta: feriais, 13 salrio, imposto de renda, por exemplo.

2.2.7. Fluxo de Caixa

O fluxo de caixa a rea mais afetada nos perodos em que existem poucos

recursos disponveis na empresa. Assim, o correto que o acompanhamento deste

seja feito constantemente, e sempre, com todo o rigor, objetivando garantir empresa

recursos disponveis coerentes com a necessidade de cada perodo.

Um adequado controle do fluxo de caixa permite verificar a capacidade da

empresa em gerar o capital necessrio para as suas atividades. Se os fluxos de caixa

da empresa estiverem convenientemente dimensionados, com certeza a necessidade

de capital de giro da empresa ser diminuda. Esse controle torna-se ainda mais

importante em situaes de juros altos ou de culturas inflacionarias, como

vivenciamos no Brasil. Como os custos para obteno de recursos so elevados,

devemos possuir o melhor controle possvel sobre o fluxo de caixa.

atravs do fluxo de caixa que o gerente financeiro ir planejar, organizar e

distribuir os recursos financeiros que estiverem disposio da empresa.

2.2.7.1. Caractersticas e objetivos

O fluxo de caixa tambm conhecido como Oramento de Caixa,

Demonstrativo de Origens e Aplicaes de Recursos ou Quadro de Fontes e Usos,

dentre outros.

36

Devemos distinguir o gerenciamento do fluxo de caixa, da administrao da

conta Caixa do ativo circulante. Na verdade, o fluxo de caixa mais abrangente, tendo

em sua composio alm da conta caixa, as contas Bancos e Aplicaes com resgate

imediato.

O objetivo bsico da administrao do fluxo de caixa consiste em projetar as

entradas e sadas de recursos financeiros em um determinado perodo, buscando

verificar as opes de aplicao das sobras existentes ou a necessidade de busca de

novos recursos.

Podemos ento dizer que as principais fontes so os recebimentos das vendas

efetuadas, o aumento de capital social e emprstimos contratados. J com relao

aplicao desses recursos, estes podem ser direcionados para o ciclo operacional da

empresa, para a liquidao ou amortizao de emprstimos ou para a execuo de

investimentos.

de fundamental importncia conhecer os tipos de recursos que ingressam no

caixa e de que forma eles so aplicados. A figura abaixo exemplifica quais so esses

recursos e qual a sua aplicao:

37

FIGURA 10 Origem e Aplicao de recursos do Caixa

Fonte: ZDANOWICS, Jos Eduardo. Fluxo de Caixa Uma Deciso de Planejamento e Controle Financeiros. 4 ed. Porto Alegre: D.C. Luzatto Editores LTDA., 1951 pg. 109.

2.2.7.2. Planejamento, Controle e Execuo

Como citamos anteriormente, o fluxo de caixa de fundamental importncia

para o administrador financeiro.

Um bom planejamento facilita em muito a atividade do administrador financeiro.

Se ao iniciar um determinado perodo, a empresa j souber quais sero suas

necessidades ou sobras de recursos, o administrador financeiro poder tomar

decises mais acertadas com relao a esses recursos.

claro que podem acontecer erros de planejamento, e com isso ocorrerem

distores na aplicao ou captao de recursos. No entanto, essas distores, com

certeza, produzem impactos menores do que os causados pela ausncia de

planejamento.

38

A fim de permitir um adequado planejamento, precisamos de um controle

efetivo e atuante, o qual fornecer subsdios para uma reprogramao ou para o

planejamento de uma nova etapa.

Durante a execuo do planejamento, medida que os fatos forem se

verificando, as distores porventura ocorridas sero avaliadas e o administrador

financeiro dever agir conforme a nova situao exija.

Para que essa execuo ocorra de forma ordenada, o administrador financeiro

deve ter, de maneira clara, as suas funes. Dentre elas podemos destacar:

- A misso de manter a empresa em constante estgio de liquidez;

- A Administrao do capital de giro;

- A sua necessidade de constante atualizao com relao a temas

ligados ao mercado em que a empresa atua, o que lhe permitir

avaliar possveis acontecimentos, que influam na necessidade de

capital de giro da empresa.

O fluxo de caixa essencial para a administrao do disponvel e,

conseqentemente, para o sucesso da empresa. E se bem planejado, permitir

empresa uma viso clara das necessidades futuras.

2.2.7.3. Elaborao do fluxo de caixa

Para a elaborao de um fluxo de caixa necessrio implementar uma

estrutura de informaes que permita visualizar as necessidades futuras e os

possveis desembolsos.

Para calcular o fluxo de caixa projetado trabalha-se com a previso de

ingressos e desembolsos, somados ao saldo inicial de caixa, conforme a expresso

abaixo:

39

SFC = SIC + I D

Onde:

SFC = Saldo Final de Caixa

SIC = Saldo Inicial de Caixa I = Ingressos

D = Desembolsos

Com essa expresso, pode-se avaliar se no perodo considerado o fluxo de

caixa apresentar excedente ou escassez de recursos. Caso haja escassez, o

administrador financeiro precisar buscar no mercado fontes de recursos menos

onerosas; em caso de sobra, procurar-se- a melhor forma de aplicao desses

recursos.

Para iniciar a elaborao do fluxo de caixa, o administrador financeiro precisa

coletar informaes nos diversos setores da empresa, verificando quais os ingressos

e desembolsos previstos para o perodo.

So informaes teis para a elaborao do fluxo de caixa:

- Projeo das vendas, preferencialmente indicando os percentuais de

vendas a vista e vendas a prazo para o perodo;

- Projeo das compras que precisaro ser realizadas, com as

condies de pagamento;

- Levantamento dos crditos a receber e contas a pagar para o

perodo;

- Periodicidade do fluxo de caixa;

- Outros ingressos ou desembolsos previstos para o perodo.

Neste momento, quando o administrador financeiro inicia a montagem do fluxo

de caixa, de fundamental importncia a conscientizao dos outros setores com

40

relao exatido das informaes prestadas, pois somente assim o trabalho

alcanar os objetivos almejados.

Aps a elaborao do fluxo de caixa, inicia-se o processo de implantao. Essa

implantao consiste em apropriar os valores obtidos junto aos diversos setores da

empresa, de acordo com o regime de caixa, ou seja, de acordo com os perodos em

que os ingressos e desembolsos ocorrero. O mais importante nessa etapa incluir

os itens que efetivamente alteraro a posio de caixa da empresa.

Basicamente, consiste em agrupar as estimativas em dois grupos: o

planejamento dos ingressos e o planejamento dos desembolsos. Quanto mais

especificados forem os ingressos e desembolsos, melhor ser o controle exercido

sobre as entradas e sadas de caixa.

2.2.7.4. Composio do Fluxo de Caixa

Conforme j citado anteriormente, o fluxo de caixa composto por informaes

sobre ingressos e desembolsos previstos para um determinado perodo.

Os ingressos podem ser divididos em dois grupos: as fontes internas, que

representam os recursos captados internamente empresa, tais como vendas vista

e receitas financeiras; e as fontes externas, que incorporam os recursos captados com

terceiros.

J os desembolsos podem ser divididos em regulares, peridicos e irregulares.

Os regulares so os desembolsos que a empresa paga regularmente, como, por

exemplo, o pagamento de salrios. Os peridicos so aqueles que ocorrem de tempos

em tempos, como, por exemplo, o pagamento de impostos. E os irregulares, que so

aqueles desembolsos no previstos, que ocorrem de forma inesperada, sem

planejamento. Por exemplo, o pagamento de uma multa recebida pela empresa.

De uma forma resumida, podemos verificar na Figura 8 a composio de um

fluxo de caixa:

41

FIGURA 11 Composio do Fluxo de Caixa

Fontes Internas

INGRESSOS Fontes Externas

FLUXO DE CAIXA Regulares

Peridicos

DESEMBOLSOS

Irregulares

2.2.8. Demonstrao de Origens e Aplicao de Recursos

O fluxo de caixa muito utilizado pelo administrador financeiro para apoiar a

sua tomada de decises, e pode ser comparado com o Demonstrativo de Origens e

Aplicaes de Recursos (DOAR), quando olhado sob a tica contbil, e com o Quadro

de Fontes e Usos, quando olhado pelos economistas.

O princpio de funcionamento dos trs demonstrativos o mesmo, variando

apenas a sua forma de apresentao, de anlise e a abrangncia.

2.2.8.1. Objetivo e Caracterstica

Esse demonstrativo tornou-se obrigatrio pela Lei das Sociedades por Aes

(Lei n 6.404/76) em seu artigo 176, item IV.

De acordo com IUDCIBIUS, MARTINS e GELBCKE:

42

A demonstrao das origens e aplicaes de recursos (mais conhecida como DOAR), como seu prprio nome indica, tem por objetivo apresentar de forma ordenada e sumariada principalmente as informaes relativas s operaes de financiamento e investimento da empresa durante o exerccio, e evidenciar as alteraes na posio financeira da empresa.15

Em outras palavras, um demonstrativo que objetiva mostrar quem financiou o

qu, em determinado perodo, normalmente entre dois balanos ou balancetes

consecutivos.

Procura-se saber, com a anlise desse demonstrativo, se os componentes

patrimoniais sofreram aumento ou reduo, e quais fontes de recursos foram

utilizadas e quais foram as suas aplicaes.

A origem dos recursos aplicados na empresa pode ser interna ou externa. As

origens internas so os recursos fornecidos pelos proprietrios da empresa,

chamados de capital prprio. J as fontes externas referem-se s obrigaes

assumidas pela empresa, podendo ser de curto ou de longo prazo, sendo, portanto, o

passvel exigvel da empresa.

Cumpre destacar que as fontes de recursos originam-se de reduo de ativo

(utilizao do disponvel e recebimentos de contas a receber) ou do aumento de

passivo ou patrimnio lquido (emprstimos captados com terceiros e aumento de

capital).

A aplicao de recursos atua de forma inversa, ou seja, quando aplicados os

recursos, ocorre aumento do ativo ou redues do passivo ou patrimnio lquido.

Uma diminuio em um ativo, conforme citado acima, uma origem de recurso

porque o valor liberado pode ser utilizado para uma outra finalidade qualquer, como,

por exemplo, a quitao de um emprstimo. O contrrio, ou seja, um aumento do

15 IUDCIBUS, Srgio de; MARTINS, Eliseu; GELBCKE, Ernesto Rubens Manual de Contabilidade das Sociedades por Aes, p 579.

43

ativo, uma aplicao de recursos, pois so recursos que foram captados em algum

outro segmento, como, por exemplo, um emprstimo adquirido.

A demonstrao de origens e aplicaes de recursos possui grande

importncia, pois fornece informaes para a anlise da empresa e sua evoluo no

tempo.

2.2.8.2. Forma de Apresentao

A apresentao do Demonstrativo de Origens e Aplicaes de Recursos pode

ser efetuada de quatro maneiras diferentes:

- Gerencial: mostra as modificaes ocorridas conforme a estrutura do

balano patrimonial entre os perodos analisados;

- Especfico: divide as fontes em recursos prprios e de terceiros e as

aplicaes, separa-as conforme o efeito que causaram, ou seja,

reduo de passivo e do patrimnio lquido ou aumento do ativo.

- Peridico: separa as origens e as aplicaes em correntes (que so

as de curto prazo) e no correntes (de longo prazo).

- Variao do Capital de Giro: traz as origens e aplicaes de recursos

de longo prazo, objetivando calcular as variaes de capital de giro

ocorridas no perodo.

A forma a ser escolhida para a apresentao da DOAR est diretamente

relacionada com o tipo de anlise que se deseja fazer. Para cada empresa, uma

determinada forma de apresentao pode ser melhor que a outra. A melhor forma

ser aquela onde o analista deve encontrar os subsdios necessrios para subsidi-lo

para uma tomada de deciso.

44

2.2.9. Indicadores de Liquidez e Rentabilidade

At o momento, por diversas vezes, foram utilizados os termos liquidez e

rentabilidade. Verificamos que normalmente um aumento na liquidez da empresa

pode levar a uma diminuio na sua rentabilidade.

Existe uma srie de indicadores que podem ser utilizados para a anlise de

uma empresa. Desses indicadores, alguns so reconhecidos por praticamente todas

as reas de anlise.

claro que um indicador no d a soluo para os problemas da empresa. Se

assim fosse, no seriam necessrios os analistas, visto que o clculo dos indicadores

facilmente automatizado. Servem, no entanto, para detectar eventos que possam vir

a comprometer o desempenho da empresa.

Abordaremos a seguir alguns desses indicadores, tambm chamados

quocientes, objetivando esclarecer a sua correlao com o capital de giro.

2.2.9.1. Liquidez

O conceito de liquidez est diretamente relacionado ao conceito do capital de

giro. Em poucas palavras, podemos dizer que liquidez a capacidade da empresa de

liquidar em dia as suas obrigaes.

Os indicadores de liquidez mais utilizados so a Liquidez Corrente, a Liquidez

Seca e a Liquidez Geral.

2.2.9.2. Liquidez Corrente

A liquidez corrente um indicador que permite verificar se a empresa possui

condies de quitar suas obrigaes de curto prazo. calculado dividindo-se o total

do ativo circulante pelo total do passivo circulante.

45

Esse indicador, porm, no leva em considerao a qualidade dos ativos. E

este pode ser um ponto fundamental para a anlise de uma empresa. Faamos uma

comparao entre duas empresas com os mesmos nveis e ativos e passivos

circulantes.

No entanto, uma possui uma tima carteira de clientes, com baixo nvel de

inadimplncia, e a outra possui uma carteira de crdito comprometida, com diversos

clientes inadimplentes. Quando efetuado o clculo do ndice, verificamos que as duas

possuem o mesmo coeficiente.

Podemos representar o seu clculo pela frmula:

LC = AC PC

Onde:

AC = Ativo Circulante

PC = Passivo Circulante

2.2.9.3. Liquidez Seca

A liquidez seca um quociente que representa a capacidade da empresa de

liquidar suas obrigaes de curto prazo, utilizando para isso os seus ativos circulantes,

excludos os estoques. Estes so excludos, em razo de no possurem uma liquidez

imediata, necessitando um processo intermedirio que seria promover a concluso da

fabricao e, posteriormente, sua venda, conforme abordamos no item 2.2

Administrao dos Estoques.

Podemos representar o seu clculo pela frmula:

LC = AC E DA PC

46

Onde:

AC = Ativo Circulante

E = Estoques

DA = Despesas Antecipadas

PC = Passivo Circulante

2.2.9.4. Liquidez Geral

A liquidez geral objetiva verificar a capacidade da empresa em liquidar todas as

suas obrigaes. calculada somando-se o ativo circulante com o realizvel a longo

prazo, em relao ao total do passivo circulante somado ao exigvel a longo prazo.

Esse indicador no muito utilizado, visto que engloba todos os passivos (de

curto e de longo prazo). Teria utilidade real se estivesse falando da liquidao da

empresa.

Podemos representar o seu clculo pela frmula:

LG = AC + RLP PC + ELP

Onde:

LG = Liquidez Geral

AC = Ativo Circulante

RLP = Realizvel a longo prazo

PC = Passivo circulante

ELP = Exigvel a longo prazo

47

2.2.9.5. Rentabilidade

Todas as empresas buscam lucro em suas atividades. Essa a nica forma de

mant-las em funcionamento. Atualmente, com o elevado nvel de concorrncia, as

novas tecnologias e o empenho de todas as empresas, a forma de obteno dos

lucros deixaram de ser apenas com o processo de comercializao de produtos. As

empresas passaram a dar ateno a outros componentes que tambm podem

aumentar a lucratividade, tais como reduo de despesas e melhoramento de

processos, por exemplo.

Existem diversos indicadores que esto associados rentabilidade da

empresa. Abordaremos apenas dois.

I) Retorno sobre o PL

Este indicador mostra qual a margem lquida da empresa em relao ao seu

patrimnio lquido, ou seja, qual o lucro para os acionistas da empresa. De posse

desse nmero, pode-se avaliar se os recursos investidos na empresa esto sendo

remunerados a contento. Quanto maior for o quociente melhor para os acionistas.

A sua forma de clculo pode ser direta:

Onde:

LL = Lucro Lquido

PL = Patrimnio Lquido

Ou pode ser decomposta da seguinte forma:

LLPL x 100

48

Onde:

LL = Lucro Lquido

PL = Patrimnio Lquido

VL = Vendas lquidas

AO =

Assim, pode-se avaliar cada um dos componentes verificando-se qual deles

no est permitindo a maximizao dos lucros.

Essa frmula permite subsdios para uma anlise sobre as margens de lucros,

utilizao de bens e a quantidade de ativos financiados pelo montante do capital

prprio.

Com essas informaes, possvel uma avaliao do desempenho global da

empresa, permitindo descobrir onde os administradores devem concentrar seus

esforos de forma a obter um melhor retorno.

II) Margem Bruta

A margem bruta mostra qual a rentabilidade bruta das operaes da

empresa, considerando como deduo das vendas lquidas apenas os impostos

faturados, as depreciaes e os custos dos produtos.

obtida pela relao ente o lucro bruto e as vendas lquidas.

MB = LB VL

LL PL

LL VL

= VL AO

x AO PL

x 100 x

49

Onde:

MB = Margem Bruta

LB = Lucro Bruto

VL = Vendas Lquidas

III) Margem Operacional

A margem operacional a mais importante para a empresa. Indica qual a

rentabilidade operacional da empresa, ou seja, quanto ela ganha em seu negcio.

O indicador obtido dividindo-se o lucro operacional pelo total das vendas

lquidas.

MO = LO VL

Onde:

MO = Margem Operacional

LO = Lucro Operacional

VL =Vendas Lquidas

Esse indicador est diretamente relacionado com o capital de giro da empresa,

visto que uma correta administrao do ciclo operacional, combinado com a estrutura

de capitais prprios, permite que a empresa possa pagar as despesas financeiras dos

emprstimos que porventura venha solicitar junto ao mercado.

50

3. DESCRIO DA EMPRESA 3.1. Histrico da Organizao

A Brasil Telecom a primeira empresa completa de telecomunicaes que

atende de forma integrada todas as demandas do mercado e integra suas

operaes fixa e mvel, dados e voz, longa distncia nacional e internacional, data

center, internet grtis, banda larga e acesso discado em solues convergentes para

sua casa, sua empresa e sua cidade.

Desde 1998 a Brasil Telecom presta servios de telefonia fixa local no Distrito Federal e nos estados do Acre, Rondnia, Tocantins, Mato Grosso, Mato

Grosso do Sul, Gois, Paran, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Em julho de

1999 passou a oferecer o cdigo CSP 14 para ligaes interurbanas e em janeiro de

2004 o CSP 14 passou a operar para todo o pas e em ligaes internacionais. Alm

disso, prov conexo internet em alta velocidade com o Turbo, que usa a tecnologia ADSL para que voc e a sua empresa tenham acesso rpido rede sem

ocupar sua linha telefnica, e oferece contedo 100% banda larga pelo provedor

BrTurbo e BrTurboEmpresas. E se a necessidade for mobilidade para acessar a rede sem fio, pode contar com o BrTurbo ASAS. Para acesso discado internet, a Brasil Telecom oferece o iBest, o segundo maior provedor gratuito do mercado brasileiro.

Para reforar ainda mais a sua posio como provedora lder em

telecomunicaes, a Brasil Telecom adquiriu todo o sistema de cabos submarinos de

fibra ptica do grupo Globenet, interligando pontos de conexo nos Estados Unidos, Ilhas Bermudas,Brasil e Venezuela. Com a aquisio da MetroRED, provedora de servios de rede privada de telecomunicaes por redes digitais de fibra ptica, a

Brasil Telecom passou a oferecer acesso aos maiores clientes corporativos do Pas

nos grandes centros urbanos nacionais como So Paulo, Rio e Belo Horizonte, alm

de Porto Alegre, Curitiba e Braslia e internacionais. A Vant foi adquirida tambm

51

com objetivo de ampliar a oferta de solues ao mercado corporativo em todo o

territrio nacional.

A Brasil Telecom retribui sociedade a confiana depositada em seus

produtos e servios. Por isso apia e patrocina projetos culturais, sociais e esportivos, sempre com o objetivo de estabelecer parcerias de longo prazo que contribuam para o desenvolvimento do Pas.

A transparncia e o acesso irrestrito s informaes na relao com investidores e acionistas refora a solidez e a segurana do investimento na Brasil Telecom. A empresa foi a primeira operadora de telefonia fixa brasileira resultante da

privatizao do Sistema Telebrs a listar ADRs (American Depositary Receipts

representativos de aes preferenciais) na Bolsa de Nova York (NYSE), em

novembro de 2001, e pioneira no setor ao aderir ao Nvel 1 de Governana

Corporativa da Bovespa, em maio de 2002. Alm disso, em 2004 a Standart &

Poors elevou o rating corporativo da Brasil Telecom de BrAA para BrAA+. Isso

sinaliza a aprovao internacional da Brasil Telecom e a destaca entre as empresas

mais estveis do Brasil.

3.2 Dados da Instituio 3.2.1 Razo Social : Brasil Telecom S.A. 3.2.2. Nome Fantasia: Brasil Telecom 3.2.3. CNPJ: 05.423.963/0001-11. 3.3. Localizao: SCS Qd.02 Bloco E Projeo 21 Cep: 70302-903 Bairro : Setor Comercial Sul Brasilia DF. Web site : http://www.BrasilTelecom.com.br .

52

3.4 Misso

compromisso da Brasil Telecom garantir qualidade e consistncia da

informao, transparncia e rapidez nas respostas ao mercado investidor,

respeitadas as exigncias legais e regulatrias.

53

3.5 Organograma

Figura 12 - Organograma da Brasil Telecom

Fonte: Brasil Telecom Acesso em: 31.maio.2005.

54

4. APRESENTAO DOS DADOS

Atravs do Balano Patrimonial, da DRE e dos ndices derivados das

anlises, pode-se analisar a situao financeira da empresa e sua respectiva

necessidade de capital de giro.

Tabela 02 - Balano Patrimonial e DRE

Valores em Milhares de ReaisATIVO 31/12/2004 31/12/2003

R$ R$ Ativo Circulante Caixa e Equivalentes a Caixa 3.226.593 1.956.656 Contas a receber de Clientes 2.111.579 1.859.713 Estoques 174.033 8.042 Tributos diferidos e a Compensar 841.466 701.025 Emprstimos e Financiamentos 2.540 2.446 Outros Ativos 241.096 112.857

Total 6.597.307 4.640.739

Realizvel a Longo Prazo Tributos Diferidos e a Compensar 957.085 867.673 Adiantamentos para Futuro Aumento de Capital 0 6.965 Outros Ativos 87.598 179.727

Total 1.044.683 1.054.365

Permanente Imobilizado 8.887.003 9.031.797 Investimentos 519.156 338.559 Diferido 926.271 646.126

Total 10.332.430 10.016.482

Total do Ativo 17.974.420 15.711.586

PASSIVO 31/12/2004 31/12/2003 R$ R$

Passivo Circulante Pessoal, Encargos e Benefcios Sociais 73.662 61.907 Contas a Pagar e Despesas Provisionadas 1.884.155 988.003

55

Tributos Indiretos 81.390 388 Participao no Resultado e Dividendos/JDCP 500.026 374.120 Outras Obrigaes 76.203 83.559

Total 2.615.436 1.507.977

Exigvel a Longo Prazo Emprstimos e Financiamentos 3.851.591 2.093.044 Outras Obrigaes 28.650 81.298

Total 3.880.241 2.174.342

Patrimnio Lquido Capital Social 2.568.240 2.544.432 Reservas de Capital 337.210 361.016 Reservas de Lucros 3.223.040 3.231.877 Lucro/Prejuzos Acumulados 2.364.336 2.354.680

Total 8.492.826 8.492.005

TOTAL DO PASSIVO 14.988.503 12.174.324

DEMONSTRAO DO RESULTADO 31.12.2004 31.12.2003 R$ R$

Receita Operacional Bruta 12.763.442 11.077.381 Dedues da Receita Bruta -3.698.586 -3.162.187 Receita Operacional Lquida 9.064.856 7.915.194 Custos dos Servios Prestados e Mercadorias -5.822.720 -4.848.081 Lucro Bruto 3.242.136 3.067.113 Despesas Operacionais -2.140.637 -1.844.582 Despesa Gerais e Administrativas -975.332 -804.428 Lucro/Prejuzo Operacional Antes das Receitas Financeiras 1.101.499 1.222.531 Recitas/Despesas Financeiras -793.445 -914.135 Lucro Operacional 308.054 308.396

56

Despesas No Operacionais, Lquidas -168.025 -473.434 Lucro/Prejuzo Antes dos Impostos 140.029 -165.038 Imposto de Renda e Contribuio Social -120.937 1.357 Lucro/Prejuzo Aps os Impostos 19.092 -163.681

Participao de Empregados e Administradores -58.058 3.510

Participao Minoritria -102.417 8.355 Lucro/Prejuzo Antes da Reverso de JSCP -141.383 158.836 Reverso de Juros Sobre o Capital Prprio 393.605 303.975 Lucro Lquido do Exerccio 252.222 145.139

Interpretao dos Dados do Balano e da DRE:

a) De 2003 para 2004 o balano demonstrou aumento nas vendas de

mercadorias e de estoque;

b) As vendas dos servios de 2003 para 2004 caram, o que significa que a

ocupao tambm caiu;

c) Em 2003 e 2004 teve lucro.

d) Houve aumento de impostos;

e) O lucro bruto operacional (vendas menos as despesas), esta caindo

ocasionando prejuzo para a empresa.

f) Em 2003 as venda foram maiores, mas o prejuzo tambm foi menor em

funo do ajuste das despesas administrativas;

g) As despesas financeiras esto diminuindo em funo dos juros;

h) As Contas a receber aumentaram, em razo do aumento proveniente das

vendas prazo de 2003 para 2004 apesar da queda do faturamento de

R$1.859.713,00 para R$2.111.579,00. Ocasionando uma necessidade maior de

capital de giro.

i) O estoque aumentou, mas o giro diminuiu, em 2003 ele girava 5,83 vezes e

em 2004 girava 5,08 vezes.

j) Os adiantamentos aumentaram, o que significa que tirou dinheiro do caixa,

aumentando a necessidade de capital de giro.

57

k) Esta comprando mais, o estoque aumentou.

Dados necessrios:

Indicadores Operacionais: so aqueles que medem os ciclos de atividades dentro do ciclo operacional da empresa.

- Prazo Mdio de Recebimento (PMR): o tempo mdio que a empresa demora

para receber suas vendas a prazo.

PMR = SMDR x 360 dias VP

Onde:

SMDR = saldo mdio de duplicatas a receber

VP = total de vendas anuais a prazo

PMR = 1.985.646 X 360

5.822.720

PMR = 122 DIAS Prazo mdio de pagamento (PMP): o tempo mdio que a empresa demora a pagar

suas compras de insumos a prazo.

PMP = SMDP x 360 dias CP

Onde:

SMDP = saldo mdio das duplicatas a pagar

CP = total