Pantanal uso solo

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Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuria Centro de Pesquisa Agropecuria do Pantanal Ministrio da Agricultura, Pecuria e Abastecimento

Intervenes Humanas na Paisagem e nos Habitats do PantanalWalfrido Moraes Tomas Guilherme Mouro Zilca Campos Suzana Maria Salis Sandra Aparecida Santos

Embrapa PantanalCorumb, MS 2009

Exemplares desta publicao podem ser adquiridos na: Embrapa Pantanal Rua 21 de Setembro, 1880, CEP 79320-900, Corumb, MS Caixa Postal 109 Fone: (67) 3234-5800 Fax: (67) 3234-5815 Home page: www.cpap.embrapa.br Email: [email protected] Comit de Publicaes: Presidente: Thierry Ribeiro Tomich Secretria-Executiva: Suzana Maria de Salis Membros: Dbora Fernandes Calheiros, Maral Henrique Amici Jorge, Jorge Antnio Ferreira de Lara Secretria: Regina Clia Rachel Supervisora editorial: Suzana Maria de Salis Normalizao bibliogrfica: Viviane de Oliveira Solano Tratamento de ilustraes: Regina Clia Rachel Arte da capa: Guilherme Ferraz dos Santos Caetano Foto da capa: Walfrido Moraes Toms Editorao eletrnica: Regina Clia Rachel Disponibilizao na Home page: Luiz Edevaldo Macena de Britto 1 edio Verso online (2009) Todos os direitos reservados. A reproduo no-autorizada desta publicao, no todo ou em parte,constitui violao dos direitos autorais (Lei n 9.610). Dados Internacionais de Catalogao na Publicao (CIP) Embrapa Pantanal Intervenes humanas na paisagem e nos habitats do Pantanal [recurso eletrnico]/ Walfrido Moraes Tomas... [et al]. - Dados eletrnicos. Corumb: Embrapa Pantanal, 2009. 58 p. ISBN 978-85-98893-15-0 Sistema requerido: Adobe Acrobat Reader Modo de acesso: Ttulo da pgina da Web (acesso em 30 de jan 2010) 1.Impacto ambiental. 2. Equilbrio ecolgico. 3. Meio ambiente I. Tomas, Walfrido Moraes II. Mouro, Guilherme. III. Campos, Zilca. IV. Salis, Suzana Maria. V. Santos, Sandra Aparecida CDD 333.714 (21. ed.) Embrapa 2009

AutoresWalfrido Moraes Tomas Mestre em Vida Selvagem Embrapa Pantanal, Caixa Postal 109, 79320-900, Corumb, MS (67) 3234-5942 [email protected] Guilherme Mouro Doutor em Ecologia Embrapa Pantanal, Caixa Postal 109, 79320-900, Corumb, MS (67) 3234-5829 [email protected] Zilca Campos Doutora em Ecologia Embrapa Pantanal, Caixa Postal 109, 79320-900, Corumb, MS (67) 3234-5941 [email protected]

Suzana Maria Salis Doutora em Biologia Vegetal Embrapa Pantanal, Caixa Postal 109, 79320-900, Corumb, MS (67) 3234-5933 [email protected] Sandra Aparecida Santos Doutora em Produo Animal Embrapa Pantanal, Caixa Postal 109, 79320-900, Corumb, MS (67) 3234-5921 [email protected]

ApresentaoNeste documento, esto contidas algumas informaes relevantes e de suma importncia na preservao e conservao das paisagens e dos habitats do Pantanal. Essas informaes foram obtidas atravs de levantamentos areos e viagens realizadas ao longo de 16 anos de trabalho na regio. Neste trabalho, os autores listaram e descreveram, de forma clara e conceitual, os diferentes tipos de intervenes humanas na paisagem da plancie pantaneira que, em algumas situaes, ajudam a manuteno da fauna, mas podem, ao longo do tempo, se tornarem verdadeiras armadilhas. Esse trabalho contempla, dentre outros aspectos, a preocupao com o desmatamento de formaes florestais e o aplainamento de murundus para a introduo de pasto cultivado. Apesar dessas intervenes, estudos recentes apontam que a plancie est bem preservada com 87% de sua vegetao natural intacta, conferindolhe beleza e diversidade biolgica. As informaes contidas neste documento so um importante passo na formulao de polticas publicas voltadas para a preservao e conservao dos recursos naturais da regio. Os autores chamam, ainda, a ateno para a necessidade de se estabelecer uma poltica de monitoramento dessas mudanas com vistas a garantir a sustentabilidade ecolgica das atividades econmicas do Pantanal.

Jos Anbal Comastri Filho Chefe-Geral da Embrapa Pantanal

Sumrio

Intervenes Humanas na Paisagem e nos Habitats do Pantanal ............................. 9 Introduo ..................................................... 9 A. Intervenes que alteram as caractersticas edficas do ecossistema, da paisagem e dos habitats ......................... 111. Diques. ................................................. 2. Poos de draga ou tanques. ..................... 3. Estradas em aterros com caixas de emprstimos. ............................................. 4. Audes. ................................................ 5. Canais de drenagem. .............................. 6. Nivelamento de murundus. ...................... 7. Canais de irrigao ................................. 8. Construes em margens de corpos dgua...................................................... 11 12 12 13 20 20 24 24

B. Intervenes que alteram as caractersticas biticas da paisagem e habitats ......................................................... 261. Desmatamento completo de formaes florestais densas e implantao de pastagem cultivada. ................................. 26 2. Raleamento de vegetao florestal densa e implantao de pastagem cultivada................................................. 35

3. Remoo de cerrados de murundu e implantao de pastagem cultivada ............ 4. Substituio do estrato herbceo nativo por espcie extica......................... 5. Remoo de bamburrais, espinheirais, canjiqueiras e outras invasoras. ................. 6. Aceiros. .............................................. 7. Reservas vedadas. ............................... 8. Corredores para linhas de transmisso de energia eltrica....................................

35 39 41 42 47 47

C. Outras alteraes..................................... 481. Efeitos de longo prazo do fogo e pisoteio do gado em reas de florestas ....... 48 2. Efeitos de alteraes no pulso de inundao. .............................................. 49

Concluses ................................................... 54 Referncias ................................................... 55

Intervenes Humanas na Paisagem e nos Habitats do PantanalWalfrido Toms Guilherme Mouro Zilca Campos Suzana Maria Salis Sandra Aparecida Santos

IntroduoO Pantanal vem sofrendo presses antrpicas de diversas formas, origens e intensidades, as quais vm gradativamente descaracterizando a paisagem e, possivelmente, at mesmo o funcionamento do ecossistema. Afora os impactos causados pelo assoreamento dos rios, cuja origem se d fora dos limites da plancie pantaneira, vrios tipos de alteraes na paisagem vm sendo observadas na plancie desde 1991, quando se iniciaram os levantamentos areos cobrindo todo o Pantanal de forma sistemtica (MOURO et al., 2000 a, b; PEREIRA et al., 2000). A diversidade biolgica est diretamente ligada aos padres e processos de um ecossistema. A definio mais abrangente de biodiversidade inclui no somente espcies e populaes, mas tambm comunidades, elementos de paisagem e suas formas de arranjo, alm de processos ecolgicos que vo desde a ciclagem de nutrientes at inundaes peridicas em larga escala, passando tambm por mecanismos de co-evoluo. Assim, manter a diversidade biolgica implica em manter os padres e processos ecolgicos, ainda que se faa uso dos recursos naturais na rea em questo. As alteraes de origem antrpica na paisagem e nos habitats interferem tanto em padres como em processos ecolgicos mas, muitas vezes, difcil demonstrar e quantificar os efeitos destas intervenes. No entanto, conhecer a abrangncia e os efeitos destas

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intervenes fundamental para que se possa estabelecer estratgias de manejo do ecossistema, visando a conservao da biodiversidade, a sustentabilidade de sistemas de produo e o desenvolvimento regional. Este trabalho tem como objetivo listar e descrever os tipos de intervenes na paisagem e em habitats, observados durante levantamentos areos no Pantanal entre 1991 e 2007 sem, no entanto, quantific-las. Os provveis efeitos das intervenes humanas no Pantanal, citados a seguir, ainda no foram estudados detalhadamente. Assim, devem ser entendidos como indicativos do que pode estar acontecendo em diversos ecossistemas dentro do Pantanal. Os levantamentos areos foram realizados ao longo de transectos previamente estabelecidos em toda a regio do Pantanal (MOURO et al., 2000a, b; MOURO; MAGNUSSON, 2004). Os sobrevos foram realizados a uma altitude de 61 metros, o que permitiu uma excelente oportunidade de se verificar as alteraes na paisagem do Pantanal, atravs de observao direta e interpretao acurada das mudanas. Estas alteraes muitas vezes so difceis de serem detectadas com o uso de tcnicas de sensoriamento remoto, seja por dificuldade de diferenciar padres naturais de vegetao daqueles modificados, seja pela dificuldade de se captar intervenes de pequena escala.

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A. Intervenes que alteram as caractersticas edficas do ecossistema, da paisagem e de habitats1. DiquesSo aterros lineares e relativamente estreitos, usualmente com mais de 1 m de altura, construdos para evitar a inundao de determinadas reas (Figura 1), muitas vezes servindo para circulao de veculos. Na dcada de 1970, uma grande rea foi cercada de diques no Pantanal de Pocon, s margens do rio Cuiab, mas a prtica vem sendo observada em outros locais do Pantanal, como na regio do Perigara, no rio Cuiab. Um dique mais recente foi observado na regio ao sul do Porto da Manga, no Rio Paraguai, e outro em uma rea na poro leste da Nhecolndia. Na regio de Miranda, foram construdos para facilitar o uso agrcola de terras baixas. Um efeito imediato da eliminao da inundao o desvio da gua para reas prximas, causando alteraes no regime hidrolgico. Foi observada tambm a ocorrncia de espcies que se tornaram pragas ou invasoras, principalmente o assa-peixe, Vernonia spp. (POTT; POTT, 1994). A falta de inundao em grandes reas pode ter efeitos negativos na disponibilidade de habitats crticos para muitas espcies da fauna, incluindo aves aquticas, peixes, rpteis, anfbios e mamferos. Dentre as espcies mais conhecidas que podem ser afetadas pela ausncia de inundao ou sua diminuio est o cervo-do-pantanal (Blastocerus dichotomus), o tuiui (Jabiru mycteria) e a sucuri (Eunectes notaeus), entre outras. Por outro lado, a mudana nos nveis da inundao em reas prximas pode causar alteraes na vegetao, incluindo a morte de rvores em reas de florestas e cerrado, por anxia ou hipxia nas razes. Entre as espcies que podem ser afetadas por este tipo de impacto est a arara azul (Anodorhynchus hyacinthinus), uma vez que o manduvi (Sterculia apetala), a principal rvore utilizada para nidificao (GUEDES, 1993), ocorre nestes habitats florestais.

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2. Poos de draga ou tanquesSo escavaes feitas com dragas ou com tratores, visando garantir a disponibilidade de gua para o gado em perodos de seca. So de pequenas dimenses, usualmente com poucas dezenas de metros de comprimento e poucos metros de profundidade, geralmente localizados s margens ou no leito de lagoas temporrias ou mesmo permanentes (Figura 2). s vezes, so construdos em reas de vazantes. Seus impactos so restritos e podem ser considerados positivos para a maioria dos vertebrados silvestres, j que a disponibilidade de gua tambm favorece muitas espcies da em perodos crticos de seca. J foi observada uma pequena colnia de ninhos de aves aquticas (ninhal) nas margens de um poo de draga, na vegetao arbrea que se formou no monte de substrato retirado durante a escavao. Muitas espcies, especialmente capivaras e jacars, encontram seu ltimo recurso nos poos de draga durante anos muitos secos (Figura 3). comum encontrar concentraes de centenas de jacars em poos nestes perodos. Por outro lado, este tipo interveno causa um impacto visual na paisagem por inserir formas no naturais (tanques retangulares, montes de terra em locais planos, etc), o que pode levar a desvalorizao desta paisagem para o turismo. Em reas tursticas, estes tanques e poos deveriam obedecer a um formato mais harmonioso com a paisagem (formas elpticas e circulares, por exemplo).

3. Estradas em aterros com caixas de emprstimoDevido s inundaes peridicas no Pantanal, muitas estradas principais so construdas utilizando-se aterros para permitir trnsito ao longo do ano. O material para a construo destes aterros retirado de reas adjacentes ao traado da estrada, deixando depresses no solo ao longo do aterro, chamadas de caixas de emprstimo. Estas depresses so geralmente de pouca profundidade, e durante o perodo de cheias retm gua (Figura 4). Em poucos anos estas caixas de emprstimo so colonizadas por vegetao aqutica e por uma rica fauna aqutica.

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Trs efeitos podem ser observados quando aterros de estradas so construdos: a) as caixas de emprstimo, por reterem gua mesmo no perodo seco, atraem vrias espcies da fauna e, por si s, podem ser consideradas benficas para a conservao de vertebrados silvestres; b) os aterros acabam servindo de refgio para vrias espcies durante perodos de cheias mas, dado seu uso para o trnsito de veculos, h um aumento do risco de atropelamentos; c) os aterros podem se tornar longas barreiras ao fluxo da gua e, se no forem equipados com pontes suficientes e em locais adequados, este pode ser um problema to ou mais srio do que diques, j que causam inundaes em reas antes no inundveis ou onde perodo de alagamento sempre foi mais curto. Estas alteraes do regime hidrolgico afetam vrios habitats e, por conseqncia, podem afetar espcies que dependem deles. Deve ser considerado ainda que estradas em aterros podem se transformar em rotas tursticas interessantes, dado facilidade de locomoo e proximidade da fauna atrada pelos ambientes aquticos criados pelas caixas de emprstimo. Entretanto, estas caixas de emprstimo so geralmente retangulares, e descaracterizam a paisagem. Uma opo seria constru-las em formas mais harmnicas com a paisagem, valorizando, assim, a rota para o turismo.

4. AudesNas reas limtrofes do Pantanal, logo abaixo das serras que o rodeiam, onde a declividade mais acentuada, audes tm sido construdos para reter gua das chuvas para uso pelo gado. Geralmente, os audes possuem um dique na parte mais baixa (Figuras 5 e 6) e, s vezes, recolhem gua escoada de estradas vicinais. So bons para conter eroso, mas precisam ser construdos com tcnicas adequadas para evitar rompimento e assoreamento de cursos d'gua. Podem eventualmente favorecer a fauna, especialmente peixes, anfbios, aves aquticas e jacars. Por outro lado, quando interrompem cursos dgua permanentes, podem se transformar em barreiras para a migrao de peixes e alterar o regime hidrolgico.

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Figura 1. Dique em fazenda de pecuria na regio de Corumb, MS, registrado em 2008.

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Figura 2. "Tanque" recm construdo em meio pastagem cultivada, no Pantanal, registrado em 2007.

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Figura 3. Aglomerao de jacars em "poo de draga" no perodo de seca na regio do Paiagus, em 2007.

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Figura 4. Caixa de emprstimo ao longo de rodovia vicinal no Pantanal, municpio de Aquidauana, registrada em 2007. A parte superior da foto apresenta a vegetao original (cerrado), e a parte inferior pastagem cultivada. Notar as "leiras" criadas durante o processo de desmatamento.

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Figura 5. Aude de pequeno porte, com formato semicircular, no Pantanal de Aquidauana, registrado em 2005.

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Figura 6. Aude de porte mdio observado no Pantanal de Aquidauana em 2007, com barragem transversal drenagem, e sem rea de preservao permanente ao seu redor.

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5. Canais de drenagemCanais so construdos para drenar reas midas e facilitar o acesso do gado, ou para a implantao de pastagens ou uso agrcola (Figura 7). No Pantanal, canais tm sido observados em reas de extensos buritizais na borda leste da plancie, na regio mais alagada do Perigara (rio Cuiab) e do rio Miranda. Nos levantamentos areos tambm foram observados canais drenando baas e reas de baixadas. Seus efeitos podem ser profundos, j que alteram as caractersticas do solo, levando eliminao da vegetao palustre em escala muito maior do que a presumivelmente drenada pelo canal. Espcies que dependem de reas midas so diretamente afetadas, como anfbios, aves aquticas e paludcolas, mamferos como cervo-do-pantanal e o rato dgua (Nectomys squamipes), peixes, rpteis como a sucuri (Eunectes notaeus) e o jacar-pagu (Paleosuchus palpebrosus), entre outros. Nos buritizais, a lenta eliminao destas palmeiras provavelmente afetar negativamente a arara canind (Ara ararauna) e a ararinha (Orthopsittaca manilatta), bastante associadas a este tipo de vegetao, alm de muitas espcies de aves e mamferos que utilizam os frutos do buriti. As reas midas, incluindo os buritizais, so reas de preservao permanente e representam importantes mananciais de gua. Por serem formaes vegetais relativamente raras na escala regional, os buritizais deveriam ser alvo de levantamentos de diversidade biolgica, bem como avaliaes dos impactos da drenagem e uso indiscriminado, visando sua conservao.

6. Nivelamento de murundusPaisagens de cerrado de murundu tm sido utilizadas para a implantao de pastagens com Brachiaria humidicola, especialmente nas regies da Nhecolndia e Paiagus, alm de reas nos pantanais de Baro de Melgao, Pocon, Cceres e Aquidauana. Os murundus ocorrem em reas mal drenadas de cerrado no Pantanal, geralmente inundadas com gua de chuvas por perodos relativamente curtos. A vegetao arbrea se estabelece apenas sobre estas pequenas elevaes do terreno, gerando um padro de pequenas ilhotas de cerrado, com poucos metros de dimetro (Figura 8). Estas ilhotas podem ocorrer em gradientes desde cerrado contnuo, passando por reas de ilhotas mais prximas umas das outras, chegando a locais onde so bastante esparsas.

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Figura 7. Canal de drenagem em rea de pastagem cultivada, observado na borda leste do Pantanal em 2004. Notar a rea mida drenada ao fundo, sem rea de preservao permanente. O nivelamento dos murundus realizado para impedir o restabelecimento de vegetao arbrea e arbustiva nas pequenas reas circulares livres de inundao, constitudas por montculos ou elevaes do terreno (Figura 9), em reas de pastagem cultivada. Com isso, busca-se obter uma pastagem mais uniforme, sem diferenas na sua formao devido aos diferentes nveis de umidade. O nivelamento feito com tratores equipados com ps carregadeiras, e seu efeito irreversvel.

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Figura 8. Cerrado de murundu intacto observado no Pantanal de Aquidauana em 2007.

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Figura 9. rea de cerrado de murundu preparada para plantio de braquiria no Pantanal do Paiagus, em 2005. Notar o nivelamento dos murundus, que continuam evidentes como manchas escuras no solo.

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7. Canais de irrigaoA gua desviada de mananciais que ocorrem em declive mais acentuado pode ser distribuda por reas de pastagem em fazendas onde a disponibilidade de gua no suficiente. Este procedimento tem sido observado nos ltimos anos, especialmente nos municpios de Rondonpolis, Coxim, Rio Verde e Rio Negro, na borda leste da plancie. A gua desviada de veredas de buritis (Mauritia flexuosa), que so reas de preservao permanente. Outros tipos de curso dgua tambm so utilizados como fontes de gua. A inteno distribuir a gua, por gravidade, atravs de canais estreitos e retilneos. Estes canais podem levar a uma substancial alterao na hidrologia de vastas reas de buritizais e cursos dgua, com efeitos semelhantes drenagem para aumentar a rea utilizvel pelo gado. Alm disso, as regies onde canais de irrigao tm sido observados, o terreno arenoso. Estes canais so de acesso constante pelo gado, o que aumenta o risco de eroso e carreamento de sedimentos para locais para onde a gua dirigida. Geralmente, gua desviada pelos canais dirigida para corpos dgua naturais, como rios, corixos e baas, os quais podem ser assim assoreados.

8. Construes em margens de corpos dguaEste tipo de interveno implica na remoo da vegetao ribeirinha e maior exposio de barrancos eroso. O Cdigo Florestal Brasileiro (BRASIL, 1965) considera estas reas como de preservao permanente. Entretanto, tem sido comum encontrar desde sedes de fazendas (Figura 10) at hotis de grande porte nestas reas. O maior problema observado durante os levantamentos areos que estas reas expostas so as primeiras a sofrer os efeitos do assoreamento de rios, j que so erodidas numa velocidade muito maior do que as reas com vegetao natural. Isso desencadeia um ciclo vicioso, em que a eroso dos barrancos expostos piora o assoreamento dos leitos dos rios e, conseqente, causa maior efeito erosivo da gua, atingindo at mesmo aqueles barrancos no alterados.

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Esta situao facilmente observada no rio Taquari, mas tambm est presente nos rios Aquidauana, Miranda, Cuiab, Paraguai e outros. Em alguns casos, muros de arrimo so construdos para tentar conter a eroso dos barrancos, como j foi observado nos rios Aquidauana e Paraguai. Nem sempre, estes muros so suficientes para resolver o problema (ver Figura 10).

Figura 10. Muro de arrimo construdo na tentativa de conter a eroso do barranco, em local sem rea de preservao permanente no rio Paraguai, ao sul de Cceres, registrado em 2008. Notar que esta estratgia mostra-se ineficaz.

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B. Intervenes que alteram as caractersticas biticas da paisagem e habitats1. Desmatamento completo de formaes florestais densas e implantao de pastagem cultivadaO desmatamento de formaes florestais densas tem como objetivo aumentar as reas abertas e no sujeitas inundao para oferecer pastagem cultivada para o gado bovino (Figura 11). As principais formaes florestais desmatadas so cerrades e matas semidecduas (SILVA et al., 1998) mas, em alguns casos, atingem at mesmo matas ciliares. Nos levantamentos areos realizados em 2002, 2004 e 2007 para monitorar populaes de grandes vertebrados (MOURO et al., 2000a) foi verificado que reas de cerrades e matas continuam sendo removidas para implantao de pastagens cultivadas. Este tipo de interveno bastante intenso nas bordas da plancie, especialmente no leste das regies do Paiagus, Nhecolndia, Aquidauana e Miranda, mas tambm tem sido observado em Cceres (SILVA et al., 1999; 2000; MOURO et al., 2000b; PADOVANI et al., 2004; HARRIS et al., 2006). Esta estratgia de manejo pode ser conseqncia de secas mais pronunciadas, do crescimento econmico e da aquisio de terras no Pantanal por empresrios com maior capacidade de aporte financeiro no manejo das fazendas e sem vnculo cultural com a regio. Este tipo de interveno uniformiza a paisagem (Figura 12), eliminando uma grande diversidade de espcies da fauna e da flora que dependem exclusiva ou parcialmente destes tipos de formao florestal. Alm disso, leva a uma maior fragmentao de habitats que, no longo prazo, contribui para a extino local de espcies mais exigentes, como a queixada (Tayassu pecari), o veado mateiro (Mazama americana), o mutum (Crax fasciolata), a jacutinga (Pipile cujubi), a ona pintada (Panthera onca), o cachorro vinagre (Speothos venaticus) e muitas outras.

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Ninhos de arara azul so construdos quase sempre em espcies de rvores que crescem nestas reas, como o manduvi (Sterculia apetala) e a ximbuva (Enterolobium contortisiliquum). Assim, os desmatamentos podem causar uma diminuio no sucesso reprodutivo na populao de araras azuis, aumentando o risco de extino em que a espcie se encontra (GUEDES, 1993). Em muitos casos, foi observado que o desmatamento realizado poupando-se reas de tamanho variado de vegetao florestal, constituindo ilhas artificiais de habitat original, envoltas por extensas reas de pastagens cultivadas (Figura 13). Geralmente, estas reas so destinadas a compor a Reserva Legal exigida pela legislao atual, mas so, de um modo geral, acessveis ao gado e completamente isoladas de outras reas de habitat semelhante. Um dos problemas fundamentais deste procedimento a fragmentao de habitats, com todos os problemas de resultantes de isolamento, diminuio da rea de habitats naturais e impacto na abundncia de populaes de espcies nativas. No longo prazo, muitas espcies podero ser extintas localmente. Somando-se a estes fatores, temos que considerar que o acesso do gado a estas reas remanescentes tende a levar a uma degradao gradual de suas caractersticas originais, acelerando o processo de extino local. Quando extensas pastagens cultivadas so implantadas, a densidade do rebanho bovino tende a ser maior, aumentando assim o poder de impacto e degradao dos habitats naturais remanescentes aos quais tem acesso (JOHNSON et al., 1997). A fragmentao de habitats florestais afeta, principalmente, mamferos carnvoros, espcies que requerem grande rea de vida, aves frugvoras e formicardeos, e muitas outras espcies de hbitos florestais.

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Algumas vezes, linhas de leiras so deixadas sem limpeza, gerando um padro de estreitos corredores paralelos compostos por poucas espcies arbustivas e arbreas. Estes corredores tendem a ser favorveis a espcies de savanas e aquelas tpicas de ectonos, especialmente rpteis, aves e mamferos mais generalistas. Entretanto, a diversidade relativamente baixa de espcies de plantas nestas linhas de leira pode levar a uma baixa qualidade de habitat para a maioria das espcies predadoras. Finalmente, as linhas de leiras acabam completamente removidas depois de alguns anos, como procedimento de limpeza de pasto. Em muitos casos, no se respeita componentes da paisagem, como vazantes (Figura 14), e nem mesmo reas que deveriam ser consideradas de preservao permanente ao redor de corpos dgua (Figuras 15 e 16). Em parte, isso pode ser atribudo ao fato de que a aplicao do Cdigo Florestal no Pantanal dificultada tanto pelas caractersticas da paisagem em mosaico, quanto pelo excessivo emprego de mtricas na definio de reas de preservao permanente. Assim, fica praticamente impossvel definir quais setores da paisagem deveriam ser preservados e quais podem ser manejados. Este fato sinaliza para a necessidade de se estabelecer uma legislao mais adequada s caractersticas ecolgicas do Pantanal.

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Figura 11. rea recm desmatada para implantao de pastagem cultivada, tendo ao fundo a paisagem original ainda intacta, no Pantanal do Paiagus, observada em 2008.

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Figura 12. rea desmatada e gradeada em 2008 para implantao de pastagem cultivada na regio central da Nhecolndia, em local anteriormente ocupado por cerrado.

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Figura 13. Fragmento remanescente de cerrado em meio rea desmatada e com implantao de pastagem cultivada no Pantanal do Paiagus, registrado em 2008.

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Figura 14. rea preparada para implantao de pastagem cultivada da qual foi removida a vegetao do cerrado, dos campos nativos e de vazante no norte da Nhecolndia, em 2007. As manchas de solo claro correspondem s reas anteriormente cobertas por cerrado e cerrado.

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Figura 15. Cordilheiras desmatadas com implantao de pastagem cultivada no sudeste da Nhecolndia, registrada em 2007. direita pode ser vista a paisagem original. Ressalta-se que as reas de preservao permanente ao redor dos corpos dgua no foram mantidas.

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Figura 16. Detalhe de cordilheira desmatada para implantao de pastagem cultivada no sudeste da Nhecolndia, registrado em 2007.

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2. Raleamento de vegetao florestal densa e implantao de pastagem cultivadaMuitas vezes, o procedimento alternativo ao desmatamento completo o substancial raleamento da vegetao arbrea de cerrado, cerrades e matas, seguido da implantao de pastagens cultivadas entre as rvores deixadas em p. O estrato arbreo reduzido a poucas dezenas de indivduos por hectare (Figura 17). Este padro de difcil deteco atravs de imagens de satlite usuais (com preciso de 30 ou 20 m), a no ser por contrastes da mesma rea em tempos diferentes (antes e depois), mas esta alterao observada com frequncia no Pantanal. Com o recente advento de tecnologias mais modernas (por exemplo, imagens de resoluo abaixo de 3 m), estas intervenes na paisagem so mais facilmente identificadas. A remoo de quase todo o estrato arbreo e a substituio do sub-bosque original por um estrato de gramneas exticas elimina praticamente todas as espcies de habitats florestados, j que transforma a floresta em uma savana artificial. O resultado no longo prazo pode ser a queda gradual de rvores, devido a vendavais, com a vegetao se tornando cada vez mais aberta pela eliminao do recrutamento nestas comunidades vegetais. Nestas condies, as espcies de habitats florestais podem no sobreviver e tendem a ser substitudas por espcies mais generalistas e de habitats abertos e semi-abertos.

3. Remoo de cerrados de murundu e implantao de pastagem cultivadaUma das formas de modificao da paisagem para favorecer o gado bovino a remoo, com auxlio de corrento, das pequenas ilhas de cerrado, conhecidas como cerrado de murundu. Esta forma de interveno talvez seja a mais aplicada atualmente no Pantanal, especialmente na Nhecolndia, Paiagus, Aquidauana, Baro de Melgao, Cceres e Pocon. Estas reas de cerrado de murundu podem ser facilitadoras da disperso de espcies da fauna de habitats mais densos, porque podem proporcionar maior permeabilidade entre manchas de habitas florestais (cerrado e mata).

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Sua remoo completa pode levar a uma diminuio da diversidade biolgica por eliminao de gradientes e por simplificar a estrutura dos habitats naturais (Figura 18). Neste caso, somente a vegetao arbrea retirada e o estrato herbceo substitudo por Brachiaria humidicola, sem que haja aplainamento dos murundus (Figura 19). Entretanto, o efeito o mesmo da eliminao dos murundus, exceto que a vegetao arbrea e arbustiva de cerrado pode eventualmente se restabelecer nestas elevaes no longo prazo.

Figura 17. rea de cerrado raleada e preparada para a implantao de pastagem cultivada no Pantanal da Nhecolndia, registrada em 2008.

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Figura 18. rea com pastagem cultivada e com vegetao de cerrado de murundu ao fundo observada no Pantanal de Pocon em 2008.

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Figura 19. Pastagem cultivada em rea anteriormente coberta por cerrado de murundu, observada no Pantanal do Paiagus em 2007. Notar a permanncia dos murundus, evidenciados pelas manchas circulares.

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4. Substituio do estrato herbceo nativo por espcie exticaNeste tipo de interveno, a inteno aumentar a capacidade de suporte das pastagens nativas, substituindo-as por espcies exticas cultivadas. No h remoo de rvores, nem desmatamento. Quando muito, foi observada uma limpeza, com a retirada de arbustos como a canjiqueira (Byrsonima orbignyana) e outras. Assim, neste caso a paisagem permanece praticamente intocada em sua estrutura e arranjo, mas os habitats abertos e semi-abertos passam por uma substancial modificao em sua composio florstica e at mesmo da estrutura de micro-habitats (Figura 20). Os tipos de habitats ou unidades de paisagem mais modificadas por esta prtica tm sido reas de cerrado aberto, lixeirais, cerrados de murundu, caronais e campos sujos, alm de vazantes em alguns casos raros. Outros tipos de vegetao nativa substitudos so aquelas onde predomina o capim vermelho (Andropogon hypogynus), e capim rabo-de-burro (A. bicornis) (SANTOS et al., 2005). difcil discutir que tipo de implicaes para a conservao esta prtica pode acarretar, mas esperado que a diversidade de plantas de porte herbceo e gramneas nativas sejam afetadas. Nada se sabe sobre os impactos da disperso e invaso das gramneas exticas sobre outros habitats. Dados preliminares indicam que a diversidade da fauna de habitats abertos afetada (TIZIANEL, 2008) em reas onde campos nativos foram substitudos por pastagem cultivada. O impacto econmico desta prtica de manejo pode ser positivo, com o aumento da capacidade de suporte das fazendas. Por outro lado, no caso de vazantes e bordas de baas, e outros campos inundveis que tenham forrageiras nativas de qualidade, no recomendado o cultivo de pastagem extica. Estas reas baixas constituem um banco natural de protena para o gado, de qualidade superior ao das pastagens cultivadas (SANTOS et al., 2005). Por outro lado, o aumento do rebanho nas fazendas pode levar a impactos considerveis a outros tipos de habitat natural ou unidades da paisagem aos quais o gado tem acesso, como matas ciliares, cerrades e matas semidecduas, entre outros. Deve-se considerar ainda que gramneas exticas geralmente so invasivas, e chegam a tomar conta de reas antes ocupadas por muitas espcies nativas, tanto de monocotiledneas como dicotiledneas.

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Figura 20. rea alterada de campo nativo do sudeste da Nhecolndia, observado em 2007. No lado esquerdo da cerca a vegetao herbcea nativa foi substituda por pastagem extica, enquanto que no lado direito a vegetao nativa foi mantida.

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5. Remoo de bamburrais, espinheirais, canjiqueirais e outras invasorasUma das prticas mais comuns observadas nos ltimos levantamentos a limpeza de pastagens nativas ou cultivadas atravs da remoo de espcies ou de comunidades que expandiram sua ocorrncia em anos de cheias mais acentuadas, ou que eram inacessveis neste perodo, especialmente bamburrais, espinheirais, canjiqueirais e pimenteirais (SANTOS et al. 2006). Os bamburrais so formaes paludcolas compostas por uma mistura de espcies arbustivas como o algodo-bravo (Ipomoea carnea), o pateiro (Couepia uiti), diversas lianas, como cip-arraia (Cissus spp.) e pombeiro (Combretum spp.), alm de tucum (Bactris glaucescens), entre outras. Quando h predomnio de Combretum spp., a comunidade vegetal chamada de pombeiro. Os espinheirais so comunidades de espinheiro (Prosopis spp., Byttneria spp., Bauhinia bauhinioides), aromita (Acacia farnesiana), mata-pasto (Senna aculeata), que ocorrem em solos alcalinos, e de sarzinho (Sesbania virgata) e arranhagato (Mimosa spp.), em solos mais arenosos. Os canjiqueirais so formaes de Byrsonima orbignyana que ocorrem em solos arenosos. A inteno da limpeza, nestes casos, aumentar a rea til para o gado bovino em reas de pastagens nativas, j que estas formaes ocorrem geralmente em campos e savanas inundveis. O impacto desta prtica pode se limitar s espcies que se favorecem da expanso deste tipo de formao vegetal, mas no h estudos de longo prazo que demonstrem os efeitos sobre a diversidade biolgica. A limpeza de pastagens nativas pode ser feita dentro de limites que respeitem o arranjo da paisagem natural, sem eliminar formaes de cerrado, cerrado e matas, se restringindo retirada de espcies que invadem as reas campestres (SANTOS et al., 2006, ver Figura 21). Outro tipo de invasora de campos nativos so as espcies arbreas pioneiras, como o cambar (Vochysia divergens) e a lixeira (Curatella americana). Estratgias de limpeza de campo nestes casos precisam ser definidas respeitando-se a dinmica destas formaes arbreas. No caso do cambar, por exemplo,

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suas populaes invadiram reas de campo a partir do perodo de grandes cheias no Pantanal, que se iniciou em 1974, formando extensas florestas mono-especficas ou mistas. A estrutura da populao, determinada por dendrocronologia (NUNES DA CUNHA, 2004), sugere que o manejo pode ser feito, respeitandose as populaes mais antigas, ou seja, indivduos acima de 40 anos de idade. No entanto, existem limitaes legais para o manejo de florestas estabelecidas, j a legislao ambiental exige planos de manejo florestal para tal fim. No caso da lixeira (Figura 22), a espcie favorecida por perodos de anos mais secos (MATTOS et al., 2008), e o controle pode ser realizado respeitando-se a dinmica espacial das comunidades (SANTOS et al., 2006).

6. AceirosOs aceiros vm sendo cada vez mais implantados para evitar incndios no desejados em reas especficas muitas vezes constitudas de fazendas inteiras. O aceiro uma prtica inegavelmente benfica no que se refere ao manejo da biota atravs do uso/controle do fogo, mas tambm tm seus impactos na paisagem. Os aceiros cortam todos os tipos de habitats, j que seguem as linhas de cerca, as quais so implantadas quase sem levar em conta caractersticas da paisagem, com exceo da disponibilidade de gua. Assim, os aceiros acabam se constituindo em corredores abertos dentro de habitats mais densos, como cerrado, cerrado e matas, nos quais toda a vegetao arbrea removida numa faixa de 4 a 20 metros (Figura 23 e 24). Estes corredores podem facilitar a entrada de espcies de habitats abertos em locais onde antes elas no ocorriam, incluindo animais e plantas. No caso de plantas, aceiros deixados sem manuteno podem ser ocupados por gramneas e ervas de habitats abertos, servindo assim como facilitador para a propagao do fogo, com resultados opostos aos inicialmente planejados. Entretanto, pode-se considerar que os efeitos positivos dos aceiros so muito mais relevantes que seus impactos negativos. Desta forma, os aceiros so tidos como uma boa prtica no manejo de fazendas no Pantanal, associada ao uso controlado do fogo e proteo de habitats especficos, como as matas e cerrades.

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Figura 21. Limpeza de pastagem nativa com retirada de canjiqueiras, respeitando-se a rea de cerrado ao fundo, observada no Pantanal do Paiagus em 2008.

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Figura 22. Lixeiras invadindo reas inundveis aps uma seqncia de anos mais secos no Pantanal da Nhecolndia.

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Figura 23. Aceiro ao longo de cerca em rea de cerrado e cerrado no Pantanal da Nhecolndia, registrado em 2007.

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Figura 24. Aceiro mantido na RPPN da Fazenda Nhumirim, na Nhecolndia, Corumb, MS, em 2008.

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7. Reservas vedadasO estabelecimento de unidades de conservao tem levado a uma situao completamente diferente. Estas reservas excluem o gado, como esperado, mas tambm so invariavelmente manejadas para tentar impedir a ao do fogo. O resultado o acmulo de biomassa vegetal que, nas pocas mais secas, constitui um perigoso combustvel para incndios incontrolveis, de efeitos devastadores. Estes incndios so diferentes do fogo rpido que geralmente ocorre em reas nas quais o gado remove grande parte da biomassa. O fogo, como um fator ecolgico importante em savanas tropicais, deve ser utilizado como instrumento para o manejo da biota nestas reservas, como forma de remoo de biomassa em reas de habitats abertos e semi-abertos. Sua eliminao em grandes reas pode se transformar numa bombarelgio que, nas pocas mais secas, pode causar um impacto considervel na vegetao e na populao de muitas espcies animais. Por serem de difcil controle, estes incndios tendem a afetar, de uma vez s, grandes reas naturais, com um impacto muito maior do que queimadas realizadas, por exemplo, num sistema de rodzio e em pocas adequadas. Sistemas de rodzio criam um mosaico de situaes diferentes que pode ser benfica diversidade biolgica. Entretanto, no existem resultados de pesquisa que orientem como melhor utilizar o fogo em unidades de conservao no Pantanal, incluindo intervalo de anos entre queimadas, melhor poca para realizar a queimada, e estratgias para evitar o fogo em habitats como matas e cerrades, alm da relao entre fogo e biodiversidade.

8. Corredores para linhas de transmisso de energia eltricaAs linhas de transmisso de energia, especialmente energia rural, vm se expandindo em algumas regies do Pantanal e a tendncia que sua extenso aumente bastante nos prximos anos. Estas linhas de transmisso requerem a limpeza peridica ao longo de seu trajeto, incluindo a completa remoo da vegetao arbrea e arbustiva numa faixa de 10 a 15 m. Os efeitos deste tipo de interveno so semelhantes aos dos aceiros, mas em geral no so manejados como estes na poca de seca, ou seja, com completa remoo da vegetao, deixando o solo nu. Assim, no chegam a impedir a propagao do fogo.

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C. Outras alteraes1. Efeitos de longo prazo do fogo e pisoteio do gado em reas de florestasAs reas de cerrado e mata no Pantanal geralmente possuem uma estratificao vertical bastante caracterstica, com um estrato superior formado pela copa de rvores (Figura 25), um estrato intermedirio formado pela palmeira acuri (Attalea phalerata), e um estrato inferior composto por um sub-bosque de lianas, arbustos e manchas de caraguat (Bromelia balansae). Em muitas situaes, especialmente onde o uso pelo gado intenso, tem sido observado que o estrato de copas emergentes est sofrendo um lento processo de desagregao e, em alguns casos, desaparece completamente. Isso se torna evidente quando cordilheiras e capes de mata e cerrado possuem apenas o estrato intermedirio de acuri, com poucas rvores emergentes (Figura 26). Esta estrutura vertical da vegetao pode ser explicado como um efeito de longo prazo de fogo e pisoteio/forrageamento pelo gado dentro dos habitats florestais, impedindo ou diminuindo o recrutamento de espcies arbreas. Com o tempo, as rvores maiores e mais velhas morrem, no havendo reposio. A eliminao do estrato superior (Figura 26) causa impactos negativos sobre vrias espcies animais, especialmente frugvoros e polinizadores, mas tambm quelas que utilizam ocos para nidificao e que dependem deste compartimento dos habitats florestais. Johnson et al. (1997), por exemplo, demonstraram efeitos de diferentes estratgias de manejo do gado no recrutamento do manduvi no Pantanal, com potencial efeito na disponibilidade de locais para nidificao da arara azul. Santos Jr. (2005) mostra que a estrutura etria da populao manduvis parece estar bastante afetada, havendo baixo recrutamento nas classes de indivduos mais jovens (menos de 40 anos). Aparentemente, esta situao resulta de pisoteio pelo gado e incidncia de fogo aumentada durante uma seqncia de anos muito secos, como o que ocorreu na dcada de 1960. Estudos mais detalhados so necessrios para se compreender a dinmica da vegetao em funo das prticas pecurias no Pantanal.

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No estrato inferior do habitats florestais tem sido observado o efeito do pastoreio e do fogo sobre a estrutura da vegetao (NUNES et al., 2008) e com efeitos em alguns grupos taxonmicos, como aves (NUNES, 2009) e pequenos mamferos (ANTUNES, 2009). Estes estudos indicam que a alterao na estrutura da vegetao em habitats florestais podem afetar negativamente a biodiversidade no Pantanal.

2. Efeitos de alteraes no pulso de inundaoA mudana do regime de inundao sazonal para inundao permanente leva a morte rvores de formaes florestais com influencia de cerrado (Figuras 27 e 28) e uma gradual substituio por espcies mais tolerantes. Isso tem sido observado nas reas alagadas pelo rio Taquari, aps o abandono gradual de seu leito devido ao assoreamento (PADOVANI et al., 2005). Neste caso, pode estar havendo substituio de espcies adaptadas a habitats mais secos por aquelas mais tolerantes a inundao, como aquelas tpicas de matas ciliares (TOMAS et al., 2007). J os locais que deixaram de ser inundados pelo rio Taquari, devido mudana de seu regime hidrolgico, um efeito diferente pode estar ocorrendo, especialmente a invaso de espcies lenhosas em reas anteriormente sazonalmente inundadas. Ou seja, pode estar havendo uma savanizao de reas antes dominadas por campos sazonalmente inundveis devido diminuio da durao e da ocorrncia de inundaes. Entretanto, devido ao fato de que em anos recentes o Pantanal atravessa um perodo relativamente mais seco do que as dcadas de 1980 e 1990, os efeitos podem estar sendo confundidos. Na regio da Nhecolndia, evidente o avano de lixeiras em reas de vazante e bordas de baa (ver Figura 22), provavelmente como efeito da ausncia de inundao ou diminuio de sua durao em certas reas. Tambm tem sido detectada a colonizao por espcies arbreas e arbustivas dentro de baas que deixaram de inundar. De um modo geral, espera-se que haja uma substituio de espcies animais e vegetais adaptados a uma e outra situao, mas isso no estaria afetando substancialmente a diversidade biolgica numa escala regional (TOMAS et al., 2007).

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Figura 25. Cordilheira tpica do Pantanal, com dossel ininterrupto.

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Figura 26. Cordilheira degradada no Pantanal da Nhecolndia, com perda substancial do dossel, com o estrato intermedirio de palmeiras dominando a vegetao.

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Figura 27. rea inundada pelo rio Taquari, no sudoeste do Pantanal do Paiagus, com morte de vegetao lenhosa de reas abertas, registrada em 2007. Notar que as cordilheiras foram pouco afetadas pela mudana do regime de inundao nesta rea.

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Figura 28. rea inundada pelo rio Taquari nas proximidades do rio Paraguai, registrada em 2006, onde ocorreu morte de cambar (Vochysia divergens) e outras espcies lenhosas (como a pimenteira, Licania parvifolia) em funo da inundao permanente. reas originalmente ocupadas por campos inundveis apresentam-se dominadas por macrfitas aquticas.

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ConclusesAs intervenes humanas claramente modificam as caractersticas fsicas e da vegetao do Pantanal, refletindo em mudanas na paisagem e nos habitats. esperado que os efeitos destas alteraes tambm afetem a diversidade biolgica em escala local e regional, mas ainda difcil avaliar a extenso destes impactos. Assim, fundamental que estudos direcionados para a avaliao dos efeitos destas alteraes, em diferentes escalas, sejam conduzidos para permitir a tomada de decises e o estabelecimento de boas prticas de manejo pecurio que, alm de garantir a produtividade nas fazendas, garantam tambm a conservao da biodiversidade e das caractersticas bsicas do ecossistema pantaneiro. O monitoramento dessas mudanas deve ser incentivado e polticas pblicas especficas so fundamentais para garantir a sustentabilidade ecolgica das atividades econmicas dentro do Pantanal. Finalmente, as mudanas climticas projetadas para a regio tambm precisam ser levadas em conta no planejamento do desenvolvimento e no ordenamento das atividades humanas dentro do Pantanal e em toda a Bacia do Alto Paraguai.

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